Quando falamos do Metal, podemos dizer que ele tem algumas propriedades interessantes enquanto estilo:
1. Ele se prepara e se renova para os novos tempos, para poder abraçar as novas gerações;
2. Ele é uma herança muitas vezes, pois passa dos pais para os filhos, e assim por diante.
Sabendo disso, podemos abordar a loucura moderna e arrasadora do EMERALD ISLE, quinteto Norte Americano de Tempe (Arizona), que chega com seu primeiro trabalho, o ótimo “Lost Empire”.
A banda mixa influências bem agressivas e brutas do Metalcore e New Metal com melodias fantásticas, tudo sob uma estética instrumental de primeira. Sabiamente, a banda capricha em cada refrão, busca ser diferente das bandas já existentes, e tem identidade musical mais que suficiente para causar reações apaixonadas dos fãs. Aliás, a banda tem tudo para conquistar fãs que nem mesmo gostem desses estilos, pois seu espectro de influências é tão bom que lhes permite ser criativos de uma forma poucas vezes vista. É furioso, melodioso e bem feito, e tudo ao mesmo tempo!
A produção de “Lost Empire” é feita pelo próprio quinteto, tendo consigo a ajuda de Augustus Cryns na co-produção, com masterização de Cameron Mizzel, e eles fizeram um bom trabalho, já que soar firme e pesado como eles soam, mas unindo a isso limpeza e conseguindo associar à massa sonora do grupo teclados e efeitos é um desafio. Mas eles conseguiram, e muito bem, já que tudo pode ser compreendido sem esforços.
A capa e arte gráfica do disco ficaram a cargo de Dylan Neuman (vocalista do grupo), que conseguiu criar algo simples e funcional, bem encaixado na proposta musical do quinteto.
O EMERALD ISLE é um representante da nova safra do Metal dos EUA, e honra suas raízes e o estilo escolhido, criando algo moderno e bem arranjado em termos musicais, mas ao mesmo tempo, existe qualidade e modernidade aliadas de uma forma magistral no meio do caos bem trabalhado que eles impõe. Ouviu, ou vai amar ou odiar, sem meios termos. Mas a maior probabilidade é ficar grudado na banda!
O disco é todo excelente em suas sete faixas.
“Fire in Your Chest” já abre queimando nossos ouvidos com o ótimo contraste entre vocais limpos e outros com timbres mais agressivos, além do ótimo e melodioso refrão (onde alguns arranjos de teclados dão um toque de classe delicioso); outro memorável é ouvido em “City of Gold”, que nos apresentam linhas melódicas formidáveis, feitas por um ótimo trabalho de guitarras. Um pouco mais técnica e cheia de efeitos, mas sem que a acessibilidade musical seja perdida é “Mirrors”, com corais ótimos e um peso absurdo no baixo e na bateria (além de variações de tempo muito boas). Em “Lights Brighter Than” temos uma instrumental climática, baseada em efeitos eletrônicos que vão preparando o ouvinte para o murro de agressividade que é “Blast”, com algumas levadas que beiram o Groove/Thrash Metal insano que o SEPULTURA evoca em álbuns como “Roots”, mas existem momentos melodiosos, mas mesmo assim, os vocais ficam mesmo transitando entre o limpo agressivo e outros timbres mais ásperos. Igualmente equilibrada entre partes agressivas e outras mais melodiosas é “Sweet Talkers”, que cheia de aspectos técnicos interessantes (os teclados e uso de efeitos está no auge nesta canção). Fechando, temos “Deathgrip”, o apelo melodioso e acessível é bem perceptível, e nos embala devido ao trabalho da banda como um todo.
O EMERALD ISLE ainda tem muito caminho a percorrer, verdade seja dita. Mas “Lost Empire” nos permite antever que o futuro deles tende a ser grandioso.
Ah, o motivo de eu dizer que o Metal é uma herança nessa resenha? É simples: um dos membros do EMERALD ISLE é filho de um dos músicos do insano ST. MADNESS, logo, podemos ver que o gosto pelo Metal é hereditário.
E após uma espera ansiosa, enfim o quinteto LEGACY OF KAIN chega com seu primeiro trabalho, o EP “Greta”, que já chega como uma voadora nos dentes de tão abrasivo e agressivo.
Na banda, está a dupla Angelo Torquetto e Karim Serri, dois guitarristas bem experientes no Metal nacional, e extremamente conhecidos por seus trabalhos em bandas como CROSSKILL, DEVIL TOURTURER, DESERTOR, MESSIANIC CRY, SEVEN ANGELS e DOOMSDAY HYMN, fora Leandro Paiva (baixista, ex-ÉFRATA). E tudo isso resulta em um misto entre o Thrash Metal agressivo e cheio de groove com uma sonoridade modernizada. É duro, bruto e extremamente cheio de energia, mas bem trabalhado, com um enfoque social ótimo em suas letras azedas que são murros no sistema.
Com tudo feito no estúdio Silent Music, com gravação, mixagem e masterização feitas por Karim Serri, que soube fazer a sonoridade ficar pesada e densa, com aquele reforço dado na escolha dos timbres instrumentais. Mas ao mesmo tempo, a música que flui de “Greta” é compreensível para nossos ouvidos, logo, sabe-se que houve preocupação de soar claro.
A arte gráfica é bem feita, e tem um enfoque mais simples, mas bem antenada com o que o quinteto destila em suas composições no EP.
Se a banda é jovem, podemos dizer que o LEGACY OF KAIN usa e abusa de uma energia crua e absurda, mas sempre bem mostrando arranjos ótimos (como as partes mais limpas em “Não Justifica”), sendo que os instrumentos e os vocais são compatíveis (algo que muitas vezes não acontece). E a técnica é de alto nível, sem que se perca a espontaneidade.
“Não Justifica” é um coice de pura brutalidade, com aquela sonoridade moderna gordurosa, graças aos timbres bem sacados, e o trabalho das guitarras chega a ser abusivo de tão bom (mas nos momentos mais limpos, o baixo mostra sua força e técnica). “Tudo a Perder” já mostra um trabalho em que se percebe boas mudanças de ritmo, e o azedume é intenso, o que nos permite ver como baixo e bateria foram uma base sólida e coesa para a banda. E “Epiphania” tem um dueto de guitarras com excelentes melodias, a bateria mostrando técnica nos bumbos, o baixo bem pesado, mas como as mudanças rítmicas são ótimas, percebe a força dos vocais, e que apesar do uso da língua portuguesa, a métrica vocal não é perdida.
“Greta” veio para dividir opiniões de muitos, mas ao mesmo tempo, veio revelar que o LEGACY OF KAIN é uma banda de primeira.
A banda de Heavy Metal COLDNESS: lançou um novo clipe para a faixa The Turnaround Motion”, presente no disco "Intervention". O lançamento oficial foi feito no programa "Se Liga VM" da TV Verdes Mares(TV Globo), que foi ao ar sábado dia 12 de novembro ás 14 horas.
A banda agradece a produção do "Se Liga VM" pela oportunidade de ter exibido seu clipe no programa e por ter aberto as portas para o Metal cearense na TV.
Veja aqui o clipe aqui:
Recentemente a banda anuncio a parceria Imperative Music Agency, que fará um trabalho de "International Management" para o Japão, Estados Unidos e Europa.
Faltando pouco para o lançamento do novo, e ansiosamente aguardado, álbum do duo brasileiro CARPATUS, está disponível para audição a primeira música retirada de ‘Malus Ascendant’.
Sob o nome de ‘Rites of Fire and Blood’, o single está sendo lançado em formato de lyric video e pode ser conferido pelos links:
O lyric video foi produzido por Alan Costa da Arte Master Productions.
‘Malus Ascendant’ será lançado mundialmente ainda este ano pelo selo sueco Black Lion Records (www.blacklion.nu), empresa que vem crescendo de importância no mundo e que desde o anúncio do novo álbum vem apoiando a nova empreitada do CARPATUS. A versão digital – para todo o mundo, inclusive o Brasil – deve ser lançada junto com a versão física.
No Brasil, ainda não foi anunciado o lançamento físico, então nos resta esperar por novidades concretas em breve.
A gravação do disco ficou nas mãos do talentoso produtor brasileiro Marcos Cerutti (www.facebook.com/marcoscerutti), que gerenciou os processos de gravação e mixagem.
Para a masterização, uma lenda do underground mundial: o sueco Dan Swanö, que já trabalhou com nomes como Opeth, Bloodbath, Dark Funeral, Edge of Sanity, os brasileiros do Justabeli e muitos outros grandes nomes.
Já a capa ficou nas mãos do brasileiro Marcelo Vasco (Slayer, Dark Funeral, Borknagar), um dos principais artistas da atualidade no mundo.
Paralelamente aos trabalhos de produção do novo álbum, o METALMORPHOSE segue cumprindo sua agenda de shows e entrevistas.
Desta vez a entrevista foi para o canal “E aí cara?”, do Youtube, visa entrevistas bem humoradas, voltado para assuntos do cotidiano, buscando conhecer melhor o grandes nomes da cena metal mineira, do Brasil e do Mundo. Assista ao programa com o METALMORPHOSE:
O novo álbum, que novamente conta com a produção do talentoso Gustavo Andriewiski, é o sucessor de ‘Fúria dos Elementos’, lançado no ano passado, e citado em várias das famosas lista de melhores do ano. Mais informações serão liberadas em breve.
Seguindo nos preparativos para o lançamento do debut álbum, os gaúchos do WEAKLESS MACHINE lançam a primeira amostra do novo material, um videoclipe para a faixa “Tarred with the Same Brush”. Assista:
O vídeo foi gravado no Estúdio Black, filmado e editado po Orbit Global Art.
O álbum da banda, cujo título ainda não foi anunciado, terá a previsão de lançamento e mais informações anunciadas breve.
‘Underworld Of Aggression’ uma das favoritas do público no novo álbum do WOSLOM, ‘A Near Life Experience’, acaba de ganhar um videoclipe!
O clipe foi gravado durante a última tour do grupo na Europa e as cenas foram registradas na Alemanha, Rússia e Suíça. Algumas cenas do Maximus Fest também entraram. A direção e edição ficou nas mãos de Diogo Alvino. Assista:
‘A Near Life Experience’ foi gravado no Acustica Studios e masterizado na Absolute Master. A capa ficou por conta do artista Mario Lopez. O disco foi lançado pela Shinigami Records e no resto do mundo pela gravadora italiana Punishment 18.
Confira também a loja oficial do WOSLOM: nela, são encontrados todos os materiais oficiais disponíveis para venda: CDs, camisetas, DVDs… Além de promoções exclusivas. Tudo com um preço justo, várias formas de pagamento, segurança total e diretamente com os membros da banda. Confira no link:
Ainda desfrutando dos resultados do bem recebido “Zombie Walk”, a banda LAVAGE foi confirmada na coletânea “Hardcore Ceará”. O álbum está em fase final de produção e é uma realização financiada pelos próprios grupos envolvidos.
Ao todo, o CD reunirá 24 faixas de doze bandas locais, e a LAVAGE entrará com as canções “Viver No Brasil” e “Desintegração Da Morte”, ambas listadas no full-length de 2016.
A ilustração da coletânea foi desenvolvida pelo desenhista Carlos Henrique Guabiras, o mesmo artista que criou a capa de “Zombie Walk”, cujo os traços e cores apontam para muitas semelhanças.
Após o lançamento da compilação, que tem previsão para o primeiro semestre de 2017, os participantes deverão fazer shows no propósito de divulgar esse material e seus trabalhos. “É sempre bom participar desse tipo de iniciativa que ajuda a integrar e fortalecer a cena underground, conferindo maior visibilidade à produção das bandas”, disse Bruno Andrade (vocalista).
A LAVAGE abre caminho pelo underground com sua música satírica, ácida e realista. Promovendo seu sexto álbum, “Zombie Walk”, seguem uma receita fomentada no Punk Rock, Rockabilly e Indie. Além dos compromissos marcados na agenda, mais datas estão abertas a novos shows pelo Brasil.
A banda carioca LACERATED AND CARBONIZED acaba de liberar o primeiro vídeo para divulgação de "NARCOHELL".
A faixa escolhida é a própria faixa-título.
Assista:
"NARCOHELL", que já vem recebendo boas críticas da mídia especializada no Brasil e exterior, será lançado dia 22 de Novembro, via Vingança Music (no Brasil), Mulligore Records (nos EUA e Canadá), e No Class Records (na Europa).
"NARCOHELL" foi mixado e masterizado por Andy Classen no Stage-One Studios, na Alemanha, e tem as participações de Mike Hrubovcak (MONSTROSITY) e Marcus D'Angelo (CLAUSTROFOBIA). Fonte: Lacerated and Carbonized
Um fato muito importante na carreira da banda STONED BULLS acaba de ser disponibilizado, o documentário sobre a história da banda, a importância do grupo para sua cidade, São João da Boa Vista/SP, o cuidado na criação e composição de todas as músicas do primeiro álbum lançado, “Good For Shit”.
“Documentário sobre STONED BULLS, uma banda Sanjoanense” foi produzida em 2016 para fins de trabalho acadêmico, a direção ficou a cargo de Renan Bezan e Gabriela Sodré que também foram responsáveis pelas imagens, locuções e edição, toda a entrevista foi concedido pelo vocalista, Gabriel Bonilha.
A banda STONED BULLS, ressalta no documentário a importância da união entra a cena e a força que os headbangers possuem sendo unidos, além de conhecer mais a fundo a história da banda, é possível saber as principais influências do grupo, que mescla em seu som, Stoner, Groove, Thrash, Heavy e muita liberdade para variar e criar.
Assista: “Documentário sobre STONED BULLS, Uma banda Sanjoanense”:
A THYMUS BOOGIE foi citada em uma interessante lista de bandas nacionais de stoner rock produzida pelo blog As Super Listas (https://assuperlistas.wordpress.com). A matéria contextualiza a proliferação do estilo no Brasil, encabeçado, segundo o jornalista do blog, pela já extinta - mas eternamente memorável - MGQ, de Goiânia.
Ao lado de Hammehead Blues, Muñoz, Overfuzz, Hellbenders e outras, a THYMUS BOOGIE é apontada como o que há de melhor no cenário nacional quando o assunto é música feita com certeiros riffs de guitarras, geralmente com timbres sujos, envolvidos numa sonoridade que aproxima desde o rock psicodélico, ao rock anos 80 e 90, algo consagrado pelo Kyuss e repaginado pelo Queens of The Stone Age.
O aguardado single - com duas músicas - da THYMUS BOOGIE recebe os últimos ajustes para ser lançado no início de 2017. A música de trabalho, "Personal Devil", terá todos os elementos que justificarão a menção à banda na matéria do blog As Super Listas com um stoner fundindo ao blues e ao heavy metal.
Confira a apresentação do THYMUS BOOGIE em 2015 no estúdio Espaço Som, em São Paulo, em que a banda tocou repertório de músicas autorais e versões de clássicos do rock que servem de influência ao quarteto. Assista em: www.youtube.com/watch?v=2tHoz68_ZJg.
Sinceramente, tem dias que a necessidade de inovar transcende tudo aquilo em que poderíamos pensar, especialmente dentro do Metal.
E já que inovar na música está sendo um processo um pouco mais difícil de ser encontrado, o OLDER JACK, de Pomerode (SC) chega lançando uma idéia interessante em seu primeiro disco, “Metal Über Alles”: letras cantadas em alemão.
Isso mesmo, letras em alemão!
Musicalmente, o quinteto está bem próximo de uma versão metalizada do MOTORHEAD em alguns momentos, ou seja, a fusão do Metal com Punk Rock e Hardcore, soando agressivo e bruto, mas com boas linhas melodiosas surgindo vez por outra. E sim, o quinteto mostra que tem bastante personalidade em sua música.
A produção ficou boa, escolhendo bem os timbres de cada instrumento, e permitindo que o quarteto soa pesado, cru e agressivo como a música da banda pede, mas sem obliterar a clara noção de limpeza, aquela que nos permite entender o que a banda está tocando e o que deseja de sua música. Sim, eles acertaram a mão, pois embora não seja a melhor gravação do universo, estão em um nível muito bom de qualidade nesse ponto.
A capa, por sua vez, é bem simples, assim como toda a parte da arte gráfica. Mas tudo está bem feito nessa simplicidade que é proposital, visando que todas as atenções fiquem exclusivamente no trabalho musical.
O OLDER JACK foca bastante nas composições, e embora evitem complexidades técnicas na execução das músicas, eles sabem arranjar bem cada uma de suas composições, fugindo bastante do comum. E eles já mostram que serão uma banda bem grande em alguns anos.
Melhores momentos:
Após uma introdução com sons de guerra, “Öl und Blut” esbanja energia nesse andamento mais cadenciado, mais cheio de energia e peso (e apresentando guitarras ótimas nos riffs, e os vocais que nos surpreende de cara, logo se mostram ótimos nesse timbre agudo e irônico). A cadência azeda e agressiva de “Metal Über Alles” é fascinante, mostrando uma dose de peso extra, com seu andamento cru e mais cadenciado, fora ótimos corais no refrão. “Fosa” cadencia ainda mais o ritmo, mostrando a força do trabalho mais simples de baixo e bateria, que guiam muito bem a canção e ficam evidenciados em muitos momentos. Em “Macumba”, alguns arranjos à lá LED ZEPPELIN dão a partida, mas logo o azedume reina, onde vemos uma estrutura sonora com muito da energia do Punk e Hardcore. E “Wahnsinn” é mais rápida, com certos toques de Rock’n’Roll, mas o ritmo muda algumas vezes (com alguns momentos bem soturnos dando as caras), deixando a faixa mais variada, com ótimas guitarras (especialmente nos solos).
Podemos dizer que o OLDER JACK veio para ficar, e “Metal Über Alles” (que significa “Metal Acima de Tudo”) é um ótimo disco.
Santa Catarina sempre teve ótimas bandas de Metal em sua história. Óbvio que nem todas conseguiram se sobressair devido ás dificuldades enormes do underground nacional. Fazer Metal é coisa para gente de fibra e coragem, como o quarteto HERYN DAE, que após anos de labuta, consegue lançar seu primeiro disco, “Heryn Dae”.
O nome da banda significa “Dama das Sombras”, vinda de uma linguagem élfica criada por J. R. R. Tolkien para seu mundo da Terra Média (provavelmente, vem do Sindarin, linguagem élfica mais usada na Terceira Era da Magia). Mas o enfoque lírico da banda não é exclusivamente focado em temas de fantasia, e a música da banda pouco tem com o Power Metal (onde mais se vê letras de cunho tolkeniano), pois se foca em um Heavy Metal tradicional que busca influências nas vertentes mais melodiosas do Metal e mesmo no Thrash Metal. A fórmula não chega a ser inédita, mas o quarteto consegue mostrar força e personalidade, com arranjos melodiosos e boas doses de peso e agressividade. E sim, é muito bom o trabalho deles.
Produzido por Kelwin Groehowicz no estúdio 2K (em São Francisco do Sul, terra natal do grupo), a sonoridade do disco ainda está um pouco mais crua que o necessário. Poderia ser um pouco mais limpo, mas sabem os mais experientes como é difícil gravar discos independentes nesse país, ainda mais com a atual crise econômica. Não está ruim, bem longe disso, mas poderia ser melhor.
No que tange à arte gráfica, ela ficou caprichada, com capa e encarte muito bem feitos, deixando o lado místico/tolkeniano bem evidente. E está muito boa.
Musicalmente, a banda é bem madura, mostrando o que pode fazer no disco, com bons arranjos, boa dose de melodias, e tudo nos conformes. Mas eles podem fazer melhor que isso, mas aqui, já está muito, muito bom.
Melhores momentos:
Misturando melodias bem sacadas e peso, com um andamento bem variado, temos “Final Fantasy” (reparem nos belos arranjos de vocais nas partes mais amenas, e nos riffs raçudos nas mais pesadas). Em “Heryn Dae”, o peso é destilado por um trabalho muito bem feito de baixo e bateria, fora belas arranjos limpos de guitarras (pois o andamento é em tempo mediano, mas cheio de boas mudanças). “Shadow’s Prologue” mostra vocais mais fortes, o andamento ainda mais cadenciado (onde os vocais roubam a cena, usando timbres mais robustos e agressivos). Em “Kings of the Anarchy”, novamente o lado mais agressivo da música do quarteto está evidenciado, graças à guitarras com riffs sujos. E a variada e longa “Evil Fortress” alterna momentos mais limpos, outros mais ríspidos, sem com a banda como um todo se equilibrando.
Basta azeitar a máquina um pouquinho mais, uma qualidade sonora mais bem feita, e o grupo vai longe. Mas sugeriria um segundo guitarrista, para que eles não perdessem a força de sua música ao vivo.
O Nordeste do Brasil sempre rendeu e ainda rende bandas bem relevantes para o cenário brasileiro, e é interessante ver bandas fazendo estilos um pouco mais velhos em termos de Heavy Metal. Esta é uma característica forte da região, e bandas como o REVANGER, de Mossoró (RN) nos chega por meio de seu EP de estréia, “Gladiator”.
Focados em um estilo mais de raiz em termos de Heavy Metal tradicional, eles tem uma ótima pegada, boa energia e apresentam linhas melodiosas interessantes. E a banda foca suas energias em criar músicas interessantes, cada uma com a devida personalidade. Digamos que é algo que funde influências de bandas como MANOWAR, ACCEPT e alguns toques de bandas como SATAN, BLITZKRIEG e outros nomes não tão grandes da NWOBHM. Mas óbvio que o grupo mostra personalidade própria.
O único “porém” do EP é a produção sonora.
Sim, ela é boa, nos permite entender o que a banda está fazendo musicalmente, mas está soando crua demais para uma banda desse estilo. Além do mais, os timbres instrumentais poderiam ser melhores. No restante, ela está boa.
Em termos de arte, a banda caprichou, pois capa, encarte e tudo mais estão de alto nível, deixando clara a proposta sonora do grupo.
Óbvio que o REVANGER tem potencial para fazer melhor, pois ainda há o que pode ser melhorado e polido na banda, sem que sua proposta e personalidade musical sejam alteradas. Mas seus arranjos são muito bons, ótimo trabalho em cada refrão do disco, e se percebe a honestidade da banda.
“Enter Hades” é uma instrumental pesada, e que dá início ao EP, seguida pela fogosa e cheia de energia “Crazy Words” (que possui um alinhavo melodioso que gruda em nossos ouvidos, for a o bom trabalho das guitarras, mas é bom o baterista tomar cuidado, pois os bumbos em certos momentos parecem fora do tempo), e a pesada “Hells Angels” (esta tem uns toques mais acessíveis daquele Hard’n’Heavy praticado em meados dos anos 80, com destaque para o bom trabalho dos vocais). Começando amena, “The Evil Song” logo se mostra uma canção que funde peso e melodias com maestria, apresentando um trabalho muito bom de baixo e bateria. Em “Gladiator”, o andamento diminui de velocidade, criando algo mais climático e que gruda nos ouvidos, fora um refrão de primeira (e é justamente a canção que mostra o quanto a banda pode render) e excelentes guitarras e backing vocals. Fechando o EP, temos a energia crua fluindo de “Chuva de Balas”, cantada em português e um pouco mais simples que as anteriores, com um toque de Hard Rock antigo.
A banda é promissora, e tem muito a oferecer. Uma produção melhor, umas arestas aparadas, e ninguém segura este quinteto!
Analisar discos de bandas gigantes nem sempre é um trabalho simples, pois existe todo encargo de termos que lidar com a paixão que envolve a banda em questão. E não é algo fácil, acreditem. E imaginem isso lidando com um dos gigantes do gênero?
Pronto, agora já sabem a responsabilidade extrema que é lidar com “Hardwired... To Self-Destruct”, novo do METALLICA, um dos nomes mais famosos do Metal de todos os tempos.
Em primeira instância, poderíamos tratar “Hardwired... To Self-Destruct” como uma volta da banda aos seus tempos mais pesados, sem contanto negar o aprendizado dos anos. Ou seja, nesse álbum você encontrará elementos que remetem diretamente a “Kill ‘Em All”, “Ride the Lightning”, “...And Justice For All” e o próprio “Metallica”, e mesmo algumas coisas que vieram nos discos posteriores à fase áurea do grupo. Existem momentos tecnicamente mais elaborados, outros mais simples; há momentos velozes e cheios de agressividade, outros mais lentos e azedos, e outros no meio termo, mas a energia e vibração que estava ausente há uns tempos está de volta, e mesmo o ótimo trabalho da banda em construir refrãos de simples assimilação está mais uma vez na melhor forma.
James está cantando muito bem, com agressividade e melodia, e sua mão direita, famosa por tocar alguns dos melhores riffs do Metal, está feroz; Kirk está indo muito bem nos solos (sempre com o uso do Wah-Wah" que lhe é característico) e bases, inspirado e inspirador na sua simplicidade técnica; Robert finalmente está encaixado perfeitamente, mostrando peso e segurança no baixo (e até mesmo no processo de composição), e mais contido em sua técnica; Lars continua sendo um bom baterista, sabendo muito bem conduzir o ritmo da banda, mas sem exagerar demais no aspecto técnico. E o melhor de tudo, o METALLICA está coeso, forte e cheio de energia.
Os Reis do Thrash Metal estão de volta, e estão com um apetite exagerado em termos musicais!
“Hardwired... To Self-Destruct” é o disco que a maioria dos fãs do grupo está esperando ansiosa não há 8 anos (espaço entre este e “Death Magnetic”), mas 25 anos, gente que cresceu hipnotizado pelo trabalho deles nos anos 80. Mas mesmo assim, não se percebe saudosismos da parte da banda.
Se a banda sempre teve problemas na produção de discos importantes desde muitos anos, “Hardwired... To Self-Destruct” mostra-se muito bem acabado, muito bem cuidado. James, Lars e Greg Fidelman (conhecido produtor americano que trabalhou com o quarteto na mixagem e engenharia de “Death Magnetic”, além de ter trabalhos com SLAYER, APOCALYPTICA, SLIPKNOT, U2, JOHNNY CASH, ADELE e outros) souberam dar uma sonoridade que fosse pesada e polida ao disco, equilibrando bem ambos os aspectos. E a agressividade está óbvia, embalada com um toque de requinte. Óbvio que nem sempre se agrada a todos, mas a qualidade está inegável.
Em termos gráficos, a capa já gerou muita polêmica, pois uns amaram, outros odiaram, e outros são indiferentes. Mas acho que John Buttino (diretor de arte) conseguiu traduzir em arte visual aquilo que o disco é em termos sonoros: um divisor de opiniões.
Sim, “Hardwired... To Self-Destruct” veio causar mais polêmica por muitos fatores, algumas já pululando na internet. Mas quem conhece a banda de muitos anos (especialmente a geração que os acompanha desde antes de “Master of Puppets” ser lançado), saberá que isso é comum, pois nenhum disco do METALLICA foi muito bem recebido pelos fãs no momento de seu lançamento. E esse não é diferente, necessitando que se tenha tempo para compreende-lo dignamente.
Mas isso não nos impede de perceber que o grupo resgata sua sonoridade mais agressiva e que sangra energia aos borbotões, e funde à experiência dos acertos e erros desde “Metallica”. E em termos líricos, a banda preferiu se distanciar das polêmicas letras políticas e usa de uma abordagem de temas ligados ao mundo da fama e das celebridades. Mais uma vez, abordam temas polêmicos antes que muitos falem sobre o assunto.
Dissecando “Hardwired... To Self-Destruct”:
“Hardwired” – Primeiro Single de divulgação do CD, e nos apresentam uma rifferama absurda de cair o queixo, esbanjando energia e velocidade. A estrutura harmônica desta canção lembra a simplicidade veloz e impactante de “Kill ‘Em All” em seus melhores momentos. Óbvio que as guitarras se destacam absurdamente.
“Atlas, Rise!” – Terceiro Single de divulgação. Esta já mostra o andamento um pouco mais lento, mas mantendo os níveis de energia de antes, com partes empolgantes que nos levam a bater cabeça, e alguns detalhes mais técnicos. A típica música onde os vocais da banda estão de primeira (James canta usando a experiência, mas com timbres agressivos de sua voz normal), e as linhas melodiosas das guitarras estão fenomenais.
“Now that We’re Dead” – Outra com os tempos não muito rápidos, mas como o grupo esbanja riffs de alto nível! E o peso é absurdo, mas sem deixa que a banda fique suja em excesso. E que refrão, onde as partes de guitarras são memoráveis! Em termos estéticos, as linhas harmônicas lembram bastante as das melodias bem definidas de “Metallica”, mas com uma estética mais bem acabada e fluida, com a agressividade mais lenta do “And Justice For All”.
“Moth into Flame” – Esta foi escolhida para ser o segundo Single de divulgação. É uma torrente de energia crua e forte, com riffs absurdamente insanos e bem trabalhados. O refrão é maravilhoso, o ritmo é bem variado entre o cadenciado e a velocidade mais próxima do refrão e as linhas quase melancólicas dos vocais e backings durante o refrão em si, um traço que o grupo usou muito bem em “Master of Puppets” (se duvidam, ouçam “Disposable Heroes” atentamente, e verão que digo a verdade).
“Dream No More” – O ritmo fica bem cadenciado e pesado, azedo e com alguns toques mais modernos, especialmente perto do refrão. Reparem como a bateria mostra uma boa técnica e peso fenomenal, acompanhada muito bem do baixo. Mais uma vez, eles rebuscam a técnica mais simples e acessível de “Metallica”, só que mantendo uma agressividade ímpar.
“Halo on Fire” – É uma música de mais de oito minutos, e aqui, é aquele típico jogo do grupo com baladas: partes lentas e introspectivas (com belas linhas de guitarra, especialmente solos bem definidos), refrão mais agressivo e pesado, e final estilo locomotiva desembestada que está vindo para cima de ti.
Isso foi só o disco um, já que a banda usou da velha estratégia de dois discos, como fez com “...And Justice For All” e “Metallica” nas suas versões em vinil (e uma versão de 45 RPM do “Master of Puppets”, não a original). O massacre continua no CD 2!
“Confusion” – Mais uma vez, a banda remexe no baú e rebusca o lado um pouco mais técnico e abrasivo de alguns momentos de “And Justice for All”, mistura à melodias bem pensadas e cria uma música ótima, com alguns toques modernos aqui e ali. Mais uma vez, baixo e bateria estão muito bem.
“ManUNkind” – O dedilhado de guitarras limpas e baixo no início não engana os fãs mais antigos, pois o que temos pela frente é uma música técnica, pesada e densa, mas sem perder a noção melódica tão preciosa para o grupo. Os arranjos de guitarra estão ótimos, as melodias bem definidas, mas o destaque é mesmo para os vocais, que empolgam muito o ouvinte (isso sem falar em uns toques mais sujos e memoráveis do baixo).
“Here Comes Revenge” – Peso, feeling e qualidade se aliam para criar uma música bem feita, com um vocal cheio de tons irônicos em alguns momentos. Óbvio que os riffs de guitarra estão esbanjando qualidade, e alguns toques mais bem acabados de “Load” e “Reload” são sensíveis (especialmente nos vocais), mas a canção em si remete ao peso opressivo e criativo do “Ride the Lightning” e do “Master of Puppets”.
“Am I Savage?” – A banda revisa algumas de suas influências da NWOBHM e do próprio BLACK SABBATH (devido ao trabalho pesado, mas bem acabado, esteticamente falando), para criar algo climático, com o andamento provocando azedume em vários momentos, mas com outros com toques mais melodiosos.
“Murder One” – Acordes mais melodiosos e sensíveis se intercalam com partes com peso e agressividade. Os tempos buscam ser mais simples e com velocidade longe de exageros. Baixo e bateria mais uma vez estão em grande forma, mas como é bom ouvir a banda gastando seu arsenal de riffs assim de novo.
“Spit Out the Bone” – Se o disco abriu com uma faixa veloz, lá vem outra, com aquele jeitão “Kill ‘Em All” e “Ride the Lightning” mais uma vez, gerando uma canção que não vai deixar pescoço inteiro. Óbvio que, como dito antes, a experiência ajuda demais a banda, adicionando texturas diferenciadas sobre uma base mais simples, belos riffs, solos caprichados, alguns momentos do baixo usando uma distorção forte, e a bateria esbanjando adrenalina.
Restam-nos apenas algumas considerações:
1. “Hardwired... To Self-Destruct” não é um disco para uma ouvida. Ele tem suas complexidades, logo, é melhor tomarem cuidado para não falarem besteiras (pois o Facebook já anda cheio delas, e algumas sem sentido);
2. Clássico? Sinto muito, não sou discípulo de Nostradamus para assumir a responsabilidade para dizer algo do tipo. Clássicos levam tempo para serem considerados assim, ainda mais quando se trata do METALLICA;
3. Óbvio que alguns irão reclamar que a banda não está fazendo nada de novo de alguma forma. Quando eles ousam, são espinafrados sem dó; quando fazem aquilo que sabem, são criticados ad nauseam. Então, danem-se vossas opiniões, apenas curtam o disco (ou não, mas não encham o saco, pois o meu não é bexiga de festa de aniversário);
4. Não é preciso terem medo: o METALLICA realmente está de volta, e com sede de fazer música!
Não tem jeito... 2016 é mesmo o ano dos velhinhos mostrarem aos mais jovens o que é fazer Metal de verdade e em alta performance...