6 de abr de 2016

WOSLOM - A Near Life Experience (álbum)


2016
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Quando falamos em Thrash Metal nos dias de hoje, vemos bandas que ou buscam uma sonoridade mais bruta e agressiva, ou aquelas que preferem uma pegada mais old school. E o estilo anda ficando meio saturado de tantas bandas surgindo.

Mas ainda bem que existem bandas que preferem ficar no lado mais clássico do gênero e que, diferente de uma maioria quase esmagadora, preferem dar uma roupagem mais moderna, sem perder seu traço mais tradicional. E um dos melhores nomes nessa trincheira é, sem sombra de dúvidas, o do quarteto paulista WOSLOM, que chega com a responsabilidade de lançar seu terceiro disco, "A Near Life Experience", que a Shinigami Records assumiu o ideal e colocou nas lojas.

No Metal, como dito acima, existe uma mítica em torno do terceiro disco de uma banda, uma tradição de mais de 30 anos.

E o que o WOSLOM nos concede em seu terceiro disco?

Simples: a mesma garra e força que conhecemos em "Time To Rise" e "Evolustruction", mantendo aquela pegada Thrash Metal à lá San Francisco Bay Area, mas com a personalidade de cada um de seus membros. Ao mesmo tempo, a banda ganhou maturidade e certo toque mais agressivo, sem contato descaracterizar o que já haviam feito. Ou seja, o quarteto encarou o terceiro disco como encarariam o primeiro ou o décimo, na cara e na coragem. E passaram no teste com louvor.

A produção é do próprio grupo, tendo a mixagem de Danilo Pozzani (que já havia feito a mixagem e masterização dos discos anteriores) e a masterização de Neto Grous no Absolute Master estúdio. A gravação está mais pesada que antes, mais vibrante e agressiva, mas sem que a banda soe mais suja. Tudo está claro e audível, apenas mais cheio de energia e vibração, e com uma atmosfera "ao vivo" que permeia "A Near Life Experience" do início ao fim.

E a arte de Mário Lopez é ótima, bem orgânica, e que deixa o lado musical da banda exposto. E uma curiosidade: se olharem bem, existem alguns detalhes bem interessantes de serem percebidos. Mas não pretendo dizer quais são, descubram, pois é divertido.

Ótimos refrões, vocais azedos em timbres normais, riffs excelentes, solos caprichados e uma base rítmica contundente, pesada e bem trabalhada são os elementos que o WOSLOM mistura para criar uma música vibrante, cheia de energia e sempre excelente. Arranjos muito bons, sem exageros, focando mais nas canções como um todo que na técnica individual. E digamos que é uma bela estréia para o baixista André, que entrou na linha de fogo, e segurou bem as rédeas.

Clássico? Disco de Thrash Metal do ano?

Não sei, pois não sou de fazer previsões assim. Só o tempo dirá, mas que "A Near Life Experience" é excelente, isso é perceptível nas nove faixas, que são irrepreensíveis.

Underworld of Aggression - Um início bem climático e tenebroso introduz a canção, que logo ganha força e velocidade, com um trabalho ótimo de baixo e bateria, criando uma base rítmica pesada e intensa para o desfile de riffs ganchudos, e um refrão ótimo.

A Near Life Experience - Mais de oito minutos de puro Thrash Metal para deixar o pescoço com torcicolos, mas ao mesmo tempo, algumas melodias ótimas dão às caras nas guitarras. O andamento não é tão veloz, e certa complexidade técnica aparece, mas sem deixar de ser uma faixa empolgante, e madura.

Brokenbones - Sinos introduzem esta faixa, onde certa influência de Metal tradicional dá as caras, com algumas paradas estratégicas. É uma música ótima, com vocais azedos excelentes.

Lapses of Sin - Outra que também possui uma levada bem empolgante, rápida e pulsando com energia crua. E que muralhas de riffs é essa? O grupo realmente amadureceu muito!

Redemption - A bateria mostra uma técnica muito boa logo de cara, juntamente com o baixo aparecendo de forma brilhante. È uma faixa um pouco mais cadenciada e pesada, mas com melodias muito bem encaixadas.

Unleash Your Violence - Mais uma vez, a banda usa de uma faixa em que o ritmo vai se alternando, além de mostrar momentos técnicos mais uma vez. E como o grupo sabe criar riffs e refrões que nos envolvem logo nas primeiras ouvidas.

Lords of War - E doses generosas de pura adrenalina Thrasher ditas as regras dessa aqui, que nos apresenta alguns vocais mais guturais em alguns momentos, mais se preparem para muitas dores de pescoço e moshpits em sua sala, pois é tão cativante que é impossível ficar parado.

Total Speed Thrash - Aqui, temos uma faixa mais direta e seca, com curta duração, mas apresentando riffs rascantes e um trabalho ótimo de baixo e bateria uma vez mais. E se este refrão não grudar em vocês, é bom irem ao médico de ouvidos...

Thrasher's Return - Como já é uma tradição do quarteto, temos aqui um cover da banda BYWAR, só que com a roupagem própria que esses sujeitos costumam impor. Vocais fortes e rascantes se destacam, além de muita adrenalina.

O WOSLOM continua excelente, e "A Near Life Experience" vai constar na lista de muitos como um dos melhores discos do ano, com toda certeza.

It's Time to Rise!






Músicas:


1. Underworld of Aggression
2. A Near Life Experience
3. Brokenbones
4. Lapses of Sin
5. Redemption
6. Unleash Your Violence
7. Lords of War
8. Total Speed Thrash
9. Thrasher's Return


Banda:


Silvano Aguilera - Guitarras, vocais
Rafael Iak - Guitarras
André G. Mellado - Baixo
Fernando Oster - Bateria
 

Contatos:

Metal Media (Assessoria de Imprensa) 

RHAPSODY OF FIRE - Into the Legend (Álbum)


2016
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Toda vez que sai um disco novo de certas bandas, dois grupos distintos surgem: os que amam, e aqueles que não gostam do trabalho do grupo. Sim, em alguns casos, não há meio termos, é paixão ou repulsa, e em ambos os casos, são sentimentos bem extremos. E mesmo nomes já firmes acabam no meio do tiroteio.

E digamos de passagem: no Brasil, poucas bandas podem traduzir isso muito bem como o RHAPSODY OF FIRE. Sim, toda vez que o quinteto italiano bota um disco novo no mercado, é sempre assim. Mas digamos de passagem: todos devem reconhecer o valor de seu trabalho, que sempre é de muita qualidade. E agora, eles chegam com seu novo álbum, "Into the Legend", que acaba de sair no Brasil pela Shinigami Records.

Antes de tudo, é preciso dizer que o estilo pomposo e forte da banda não mudou muito, apenas ganhou maior diversidade rítmica. Ainda temos todos os elementos de seus trabalhos anteriores presentes neste disco, mas o lado orquestral está bem evidenciado, graças ao uso muito bem pensado de belos corais e orquestra. Mas ao mesmo tempo, o peso está claro, graças aos timbres usados pela banda. Todos estão muito bem, com Alex Starapoli muito bem nos teclados, pianos e cravos, sendo o criador de grandes momentos épicos no CD; Roby De Micheli está muito bem nas seis cordas, sejam nos riffs ou nos solos, e não se sente falta de seu antecessor; O estreante Alessandro Sala (baixo) se mostra muito bem, e forma com o já veteranos Alex Holzwarth (bateria) uma base rítmica pesada e técnica, conduzindo muito bem a banda; mas falar de Fabio Lione é um prazer, pois mais uma vez, ele mostra um vocalista soberbo, com enorme diversidade de timbres e uma interpretação excelente, não sendo um pecado considerá-lo o melhor vocal do Power Metal da atualidade. Agora, imaginem esses instrumentistas juntos, formando uma música coerente e de bom gosto?

Pois é: bem vindos ao mundo maravilhoso que é "Into the Legend".

A produção do disco é de Alex Starapoli mais uma vez, tendo Alberto Bravin (mixagem, edição, engenharia de som) e Maor Appelbaum     (masterização). O resultado é uma qualidade sonora bem limpa, com aquela dose de peso necessária, e bons timbres instrumentais. Podemos dizer que é um disco em que o peso, a sinfonia e a técnica se encontram e se equilibram bem.

E a arte de Felipe Machado Franco ficou ótima, com a capa muito bem trabalhada, deixando claro que o quinteto não mudou sua essência musical, mas está linda e elegante, o que é a essência mais primordial do trabalho do grupo.

Em "Into the Legend", temos uma lista enorme de convidados, que poderão conferir no encarte do CD, bastando avisar que são 29 músicos e mais a F.A.M.E.'S. Macedonian Radio Symphonic Orchestra. O RHAPSODY OF FIRE realmente conseguiu, pois o CD soa grandioso, pomposo e com uma gama de sentimentos que poucas vezes usaram até os dias atuais.

No meio de tantas músicas, chega a ser covardia destacar esta ou aquela, apenas por mero preciosismo ou para que o ouvinte tenha uma referência. Sinto muito, mas "Into the Legend" é um disco que funciona como um todo, do início ao fim. Tudo é precioso, cada arranjo mínimo tem sua motivação de existir, e tudo se encaixa em perfeita harmonia. Mas vai lá, se precisam de alguma referência, creio que a aula de interpretação de Fabio em "Distant Sky", a técnica "Into the Legend" e sua bela mostra de técnica instrumental e grandes orquestrações e corais, e a longa e muito bem trabalhada "The Kiss of Life", cheia de mudanças de ritmo, grandes e ótimas guitarras, orquestrações perfeitas e tudo no mais alto nível, e isso sem contar com vários momentos progressivos/étnicos que encaixaram como uma luva.

No mais, ouçam e adquiram suas cópias de "Into the Legend", pois é mais uma jóia preciosa que o RHAPSODY OF FIRE nos concedeu.





Músicas:

1. In Principio
2. Distant Sky
3. Into the Legend
4. Winter's Rain
5. A Voice in the Cold Wind
6. Valley of Shadows
7. Shining Star
8. Realms of Light
9. Rage of Darkness
10. The Kiss of Life


Banda:


Fabio Lione - Vocais
Roby De Micheli - Guitarras
Alessandro Sala - Baixo
Alex Staropoli - Teclados, pianos, cravo
Alex Holzwarth - Bateria, Percussão

Contatos:

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