27 de jan de 2016

MAESTRICK - The Trick Side of Some Songs (EP)


2016
Independente
Nacional

Nota 10,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia

Destaques: Yes, It’s a Medley!; The Ogre Fellers Master March - Part II: The Fairy and the Black Queen; Aqualung, While My Guitar Gently Weeps, Rainbow Eyes


O que é legal quando bandas conhecidas gravam discos com versões de músicas que os inspiraram?

O resultado é sempre algo muito bom. E o Metal já possui uma longa história com discos assim, bastando lembrar-se de "Tribute to the Gods" do ICED EARTH ou a série "Graveyard Classics" do SIX FEET UNDER. Mas o que o grupo MAESTRICK de São José do Rio Preto (SP) fez no EP "The Trick Side of Some Songs" é algo de excelente, de abusivamente bom.

Para quem ainda não os conhece bem, eles são uma das mais versáteis bandas de Prog Metal do Brasil, e talvez do mundo. E este EP é o primeiro lançamento da banda desde "Unpuzzle!", de 2011. E aqui, meus caros, o liquidificador tem de tudo: Metal, Rock Progressivo, Rock clássico, Pop, Soul e mesmo toques de MPB. E sempre mentando um alto nível musical e de elegância.

Neste EP, vemos canções de gigantes do Rock e do Progressivo. Mas é bom tomarem cuidado, pois se elas não descaracterizam as versões originais, também não deixam de mostrar que o grupo tem de melhor em termos de personalidade. Ou seja: são as mesmas músicas que já conhecemos, apenas com uma roupagem nova e encorpada.

A produção do EP é extremamente caprichada, perfeita, sabendo dar peso e elegância, bem como ser limpa, nas medidas certas. E é justamente aqui que tudo funciona bem: a produção está tão bem feita que soube dar uma atualizada na sonoridade desses clássicos, já que são, na maioria, músicas de bandas entre os anos 60 e 70. E a capa é uma homenagem a do famoso disco um monstro do Rock Progressivo (que acredito que não preciso citar), em um trabalho ótimo de Netto Cruanes (montagem) e de Audrey Sarraceni (design) para uma ilustração de Ricardo Chucky.

Maestrick
Óbvio que algumas pessoas podem achar o EP algo oportunista. Mas não poderia ser, já que ele está disponibilizado para download grátis na página do grupo, ou seja, é realmente uma homenagem.

E que homenagem!

A banda caprichou ao recriar tantas canções ótimas, com arranjos excelentes e que dão aquela vida nova essencial, aquele toque de personalidade que não deixa a música cair no marasmo. E marasmo não é a praia do grupo, que contou com convidados como Rubens Silva (guitarras e violões em todas as canções, além de ajudar nos vocais em "Near-Brain Damage", e "Almost a Brain Damage (Reprise)"), Mauricio Lopes (nos teclados e backing vocals em "The Ogre Fellers Master March - Part I: The Battle" e "The Ogre Fellers Master March - Part II: The Fairy and the Black Queen"), Dani Castro e Carol Penhavel (ambas nos vocais e backing vocals), Andrea Porzio Vernino (arranjos orquestrais e condutor em "Rainbow Eyes"), Orchestra OBA! (Orquestra Belas Artes, na faixa "Rainbow Eyes"), e Paulo Pacheco (guitarras em "Rainbow Eyes").

Não tinha como dar errado... 

Almost a Brain Damage - É uma introdução, vinda de "The Dark Side of the Moon" do PINK FLOYD, abrindo o disco.

Yes, It's a Medley - Sim, o nome já diz tudo: é um medley. E que medley, já que vemos aqui o brilho pessoal do MAESTRICK em músicas do YES, com belíssimos vocais se encaixando muito bem, além de uma diversidade rítmica maravilhosa. Para que não conhece, temos trechos de "Soon", "Close to the Edge", "Changes", e "Give Love Each Day", ou seja, a fina flor da fase mais progressiva do conjunto inglês. E a roupagem atual e com toques pesados deu um sabor especial à canção. Mesmo alguns toques percussivos de Samba dão as caras.

The Ogre Fellers Master March - Part I: The Battle - E o velho QUEEN não poderia ficar de fora, sendo uma das maiores influências do Prog Metal e mesmo do Metal melódico. E o peso do grupo brasileiro se encaixa como uma luva, mostrando uma roupagem bem mais "heavyssiva". Ponto para o trabalho de teclados e cozinha rítmica, que estão muito bem. Os vocais estão excelentes também.

The Ogre Fellers Master March - Part II: The Fairy and the Black Queen - DEUSES, eles capricharam! E fazer releituras de músicas do QUEEN nunca é um processo simples, mas demanda demais da banda. O MAESTRICK nunca foi de fugir de grandes desafios, e aqui, com arranjos bem cuidados, deu uma nova vida à canção. E digamos de passagem: ficou excelente.

Aqualung - Ousaram e se deram bem. Aqui, temos um dos maiores clássicos de um dos mestres do Rock Progressivo, o JETHRO TULL. E toda a complexidade da faixa original, suas infinitas mudanças de ritmo, tudo está ali, com adição de peso e bom gosto. E a base rítmica do grupo mais uma vez está ótima, junto com as belas orquestrações dos teclados. Ian Anderson ficaria orgulhoso dessa versão.

While My Guitar Gently Weeps - Um dos maiores hinos dos BEATLES, vindo direto do famoso "THE Beatles" (mais conhecido como "White Album"). E mexer em qualquer música da banda desta fase pode ser suicido. Mas nossos heróis do Brasil fizeram bonito, enchendo a música de elegância e arranjos perfeitos. Se a versão original já é perfeita, essa versão mais atual a respeita, mas põe sua personalidade ali. E como os vocais estão bem.

Almost a Brain Damage (Reprise) - Aqui, temos a reprise da primeira, que era para encerrar o EP. ERA, pois temos uma faixa bônus excelente.

Rainbow Eyes - Outro grande momento do EP. Esta é uma música clássica do RAINBOW, a faixa que encerra o álbum "Long Live Rock and Roll". Aqui, a belíssima balada ganhou arranjos orquestrais, corais clássicos e toda uma roupagem grandiosa, mas sempre mantendo o bom gosto da original. Belos violões, teclados bem colocados, uma orquestra ótima e tudo nos seus devidos lugares.

O MAESTRICK continua sua saga, indo bem. E com este EP, devem alçar vôos mais altos. 

Talvez mesmo para fora do Brasil, já que com esse nível, merecem o sucesso.

E antes que esqueça: o EP, como dito lá encima, é gratuito para download. Basta irem ao site oficial da banda na internet, e boa viagem.

Acho que meu irmão Eliton Tomasi, fã dessa época do Rock, deve estar passando mal de tanta alegria...



Músicas:

01. Almost a Brain Damage
02. Yes, It’s a Medley!
03. The Ogre Fellers Master March - Part I: The Battle
04. The Ogre Fellers Master March - Part II: The Fairy and the Black Queen
05. Aqualung
06. While My Guitar Gently Weeps
07. Almost a Brain Damage (Reprise)
08. Rainbow Eyes


Banda:

Fábio Caldeira - Vocais, piano, teclados
Renato Somera - Baixo
Heitor Matos - Bateria, percussão


Contatos:

Som do Darma (Assessoria de Imprensa)

WOSLOM: lançamento mundial pela Punishment 18




Seguindo nos preparativos finais para o lançamento de seu amplamente aguardado novo disco, terceiro da carreira, o WOSLOM anuncia que o selo italiano Punishment 18 será o responsável pelo lançamento no mundo todo.

“A Punishment 18 já é nossa parceira há uns dois anos. Eles apostaram em lançar nossos dois primeiros álbuns em 2014. E agora ficamos muito felizes quando eles se interessaram em lançar nosso novo trabalho”, afirma o guitarrista Rafael Iak.

A empresa, fundada em 2005 na comunidade de Miagliano, na Itália, vem em uma crescente e aposta especialmente em jovens talentos, revelando para a cena o que há de melhor mundo afora. Em seu roster encontramos nomes como Delirium X Tremens, Lunarsea, Ulta-Violence, Hyades, entre outras. Conheça mais: www.punishment18records.com

“Parceria boa é assim, bom pra todos, a gente trabalha daqui produzindo nosso material e eles fazem a parte deles muito bem feita também. Todo mundo sai no lucro“, completa o baterista Fernando Oster.

No Brasil o lançamento será feito pela renomada Shinigami Records.

O novo trabalho, que ainda não teve o título anunciado, foi gravado no estúdio Acustica, em São Caetano do Sul, sob a supervisão de Danilo Pozzani, que também cuida da mixagem.


Sites Relacionados:


Fonte: Metal Media

SOLIFVGAE - Avenoir (álbum)


2016
Independente
Nacional

Nota: 8,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia

DestaquesUndertow, Fullheart, Ocean (As Elusive Memories)


O Brasil sempre teve forte tradição nos estilos mais extremados do Metal. Sim, desde quando bandas como SEPULTURA e VULCANO deram as caras em seus primeiros discos, a cena nacional acabou se especializando nesse lado (embora existam muitas bandas no Brasil adeptas de vertentes mais melodiosas). E ao mesmo tempo, é muito bom ver que os estilos evoluíram, e que o Metal extremo por aqui anda paralelo ao que é feito no exterior. Basta dar uma ouvida em "Avenoir", primeiro álbum da banda carioca SOLIFVGAE e ter esta certeza.

O que encontramos em "Avenoir" é uma mistura dos aspectos mais sinistros do Black Metal com uma aura soturna e introspectiva vinda das vertentes mais modernas do mesmo gênero. Ou seja, uma fusão bem feita e personalizada do passado e do presente, nos dando a impressão que o trio tem um futuro bem promissor. A música é densa, sinistra, com andamentos na maior parte do tempo sendo lentos (embora existam momentos mais velozes), mas com inteligência e inspiração. 

Produzido e mixado pelo guitarrista Vitor Coutinho, a sonoridade do grupo soa bem sinistra, crua e opressiva. Mas não se preocupem: o nível de clareza é ótimo, logo, se percebe claramente o que a banda está tocando e qual sua proposta sonora. E digamos de passagem: esse tipo de som mais experimental, atmosférico, Avant-garde é ótimo. E a arte reflete este lado mais experimental, mais introspectivo e diferenciado, fugindo do chavão capeta-sangue-facas que já virou clichê, e é um trabalho bem legal de  Wellington Aquino e Felipe Veiga.

O som da banda é muito bom, foge dos padrões que vemos por aqui em muitas coisas. Arranjos bem feitos (embora diretos em muitos momentos), dinâmica entre instrumental e vocal muito boa, além das canções serem, em sua maioria, bem longas, mas nada enjoativas. Podemos dizer que é o mais puro "Art Nouveau" em forma de Black Metal.

Solifugid - É uma introdução que vai preparando o ouvinte para o que vem a seguir.

Undertow - Violões dão início à canção, que vai evoluindo e se transformando em uma música bem pesada, com andamento soturno e introspectivo, mas também tendo vários momentos mais rápidos e brutos. Nas partes mais agressivas e sujas, reparem bem na força dos riffs da banda (são bem simples, mas ótimos). E digamos de passagem: a canção é boa demais.

Fullheart - Novamente, uma canção que apresenta longos momentos instrumentais e com uma aura mórbida intensa e bem feita. E os vocais estão muito bem usando vozes rasgadas e alguns timbres mais guturais.

Submerge//Emerge - É uma instrumental climática, bem introspectiva, usando cordas limpas e efeitos de teclados.

Pathway - Nesta, a banda opta por um "approach" mais agressivo. Mas mesmo diante de tanta brutalidade, percebe-se certo alinhavo melodioso e fúnebre ao fundo. É um dos grandes momentos do disco, sem sombra de dúvidas.

Ocean (As Elusive Memories) - O início é mais ameno e lento, mas conforme a música vai evoluindo, a agressividade vai tomando os espaços. Óbvio que aquele mesmo "feeling" sinistro de antes está presente em todos os momentos, e é bom ver a cozinha rítmica da banda evoluindo bem.

No mais, "Avenoir" é um disco honesto, e feito com carinho. E o SOLIFVGAE é uma banda que promete.

Ah, sim: o disco pode ser baixado de graça no perfil do grupo no Bandcamp, ou mesmo ouvido por lá ou no Youtube.





Músicas:

1. Solifugid 
2. Undertow 
3. Fullheart 
4. Submerge/Emerge
5. Pathway
6. Ocean (As Elusive Memories)


Banda:

Victor Teixeira - Vocais
Vitor Coutinho - Guitarras, programação
Bruno Rodrigues - Baixo


Contatos: