2 de jul de 2016

FORAHNEO - PERFIDY (Álbum)


2015
Best Foe Records
Nacional

Nota: 9,0/10,0


Músicas:

1. Disagreement
2. F.Y.V.M.
3. You Speak You Lie
4. Among Thieves
5. Black the Day
6. Never Forget
7. I Am Done
8. Code of Silence
9. Trust No One
10. Low End Adagio (instrumental)
11. Human Targets
12. Law of Silence


Banda:

Tito Melin - Vocais
Victor Hugo Targino - Guitarras
Sergio Aravena - Guitarras
Eduardo Jarry - Baixo, backing vocals
Andrés Nacrur - Bateria


Contatos:

Lanciare Comunicação (Assessoria de Imprensa)

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Fora do Brasil, poucos fãs têm a noção do quão bom é o Metal na América do Sul.

Bolívia, Argentina, Paraguai, Uruguai... Todos os países possuem cenas estabelecidas, com muitos shows no underground. E o Chile é uma das pontas de lança, já que o país possui uma cena estruturada e forte, com grandes festivais e tudo mais. E obviamente, onde existem headbangers, existem bandas. E no caso dos chilenos do FORAHNEO, existe uma bandaça de Thrash/Death Metal, que nos chega com seu primeiro disco, o ótimo "Perfidy".

Meus caros, é melhor pararmos e prestarmos mais atenção em como nossos hermanos do Chile fazer estilos extremos, pois este quarteto dá uma lição de como ser criativo, mesmo quando falamos de um gênero bem erodido pelo uso. Sim, "Perfidy" é um soco na cara de tanta agressividade, só que vem embalada em uma sonoridade bem modernizada, bruta, mas cheia de técnica e feeling, se afastando muito do que já foi feito à exaustão. E isso se chama personalidade.

A produção do disco é do guitarrista Victor Hugo Targino, que já fez trabalhos de alto nível com SYMPHERIUM, SODOMA, SOTURNUS, WARCURSED e outros, e ele soube dar equilíbrio entre o peso e a clareza à sonoridade do disco. É o som é pesado e agressivo, mas bem feito e com qualidade inegável, mas também vemos nisso um ótimo trabalho de Zeuss na mixagem e na masterização.

 E a parte gráfica do grupo é do conhecido artista Marcelo Vasco, da PR2Design, e ficou de primeira, soturna, dando aquele toque de classe extrema ao trabalho FORAHNEO.

Se o quinteto por si próprio já é capaz de causar terremotos com sua música, eles ainda trouxeram alguns convidados: Matías Leonicio     nos vocais em "You Speak You Lie", Cristian Olivares no solo de guitarra em "Among Thieves", a introdução feita por Wilhelm Hansen em "Never Forget", e George Medeiros toca bateria em "Human Targets". Ou seja, o que já era de primeira, está ainda melhor.

O talento deles pode ser ouvido em músicas como as rápidas e brutais "F.Y.V.M." (mas reparem como o grupo sabe criar mudanças e andamentos e fugir do ponto comum, e isso sem mencionar a saraivada de riffs de alto nível), e "You Speak You Lie" (no meio de tantas mudanças, vemos um trabalho de vocais ótimo, fora o baixo aparecer muito bem), a mais refreada e técnica " Black the Day" com sua bateria pesada e vocais de primeira (e com alguns momentos mais velozes), a técnica de guitarra apresentada na brutal e azeda "I Am Done" (mais uma com o andamento mais lento, mas também cheio de variações de tempos), a força avassaladora da cozinha rítmica "Trust No One", e a brutalidade opressiva de "Human Targets".

Muito bom o trabalho dos nossos hermanos do Chile, logo, ouçam, comprem e que comece o massacre!


GAMMA RAY - LUST FOR LIVE (Álbum ao Vivo)


2016
Nacional

Nota: 9,5/10,0

Músicas:

1. Intro
2. Tribute to the Past
3. No Return
4. Space Eater
5. Changes
6. Insanity and Genius
7. Last Before the Storm
8. Heal Me
9. I Want Out / Future World / Ride the Sky
10. Future Madhouse
11. Heading for Tomorrow / Dream Healer
12. Gamma Ray


Banda:

Ralf Scheepers - Vocais
Kai Hansen - Guitarras, vocais
Dirk Schlächter - Guitarras, teclados, baixo
Jan Rubach - Baixo
Thomas Nack - Bateria


Contatos:



Desde que surgiu nos anos 90, o GAMMA RAY se mostrou uma alternativa aos fãs da antiga banda de Kai Hansen estava fazendo naqueles tempos. Sim, já que o HELLOWEEN teve um período bem turbulento entre a saída de Kai em 1989, com momentos de tensão, com discos fracos e mudanças de formação. E enquanto isso, o GAMMA RAY angariava mais e mais fãs, consolidando uma carreira de alto nível até então.

"Heading for Tomorrow" de 1990, "Sigh No More" de 1991, e "Insanity and Genius" de 1993 mostravam uma banda segura, mostrando um Power Metal versátil e técnico, e assim, despertaram as atenções de crítica e público para o quinteto. E coroando o momento, na época, foi lançado o vídeo "Lust For Live", que agora ganha uma edição em CD. E o melhor de tudo: a colaboração entre a earMusic e a Shinigami Records disponibilizaram o disco para o nosso país.

O que temos aqui é o show da banda em Hamburgo, sua cidade natal, gravado em 25/09/1993, durante a tour de divulgação de "Insanity and Genious". E o grupo mostra um conjunto absurdo, uma coesão que somente a experiência pode conceder. Ralf Scheepers está muito bem nos vocais, e se comunica bem com a platéia, assim como Dirk Schlächter mostra-se inspirado nas seis cordas e teclados, enquanto Jan Rubach (baixo) e Thomas Nack (bateria0 formam uma base rítmica coesa e pesada, apresentando boas mudanças de ritmo. Mas sempre a icônica figura de Kai Hansen sempre será a estrela em que os outros membros orbitam, não tem jeito.

A gravação é do mais alto nível, permitindo perceber como ao vivo eles nada perdiam em relação ao estúdio. E a remasterização de Eike Freese deu aquela atualizada de qualidade ao som já de primeira que a banda apresenta no VHS original.

Agora, o trabalho artístico é de primeira: letras de cada canção, uma pequena biografia feita por Matthias Mineur (que conta o que estava ocorrendo com a banda na época), fotos e cartazes da época, além de uma capa maravilhosa. Ou seja, temos todos os aparatos necessários para compreender o que a banda passava na época.

"Lust For Live" é o último registro da banda com Ralf, que se preparava para fazer testes para substituir Rob Halford no JUDAS PRIEST. Mas isso não significa que ele não deu 100% de si, muito pelo contrário. Aliás, o GAMMA RAY inteiro está pegando fogo, com um tesão de tocar ao vivo que poucas bandas na época apresentavam. Não nessa intensidade.

"Tribute to the Past" e sua pegada pesada e rápida, cheia de energia e com excelente trabalho de vocais; a mais vagarosa e intensa "Space Eater" (baixo e bateria se sobressaem bastante); a poderosa e intensa "Insanity and Genius" (onde as guitarras se mostram muito bem), a excelente e diversificada "Heal Me", a energia veloz e ríspida de "Future Madhouse" o medley de "Heading for Tomorrow" e "Dream Healer". Mas ver o GAMMA RAY fazendo um medley de "I Want Out", "Future World" e, principalmente, o hino "Ride the Sky", com os vocais de Ralf, é algo maravilhoso, aliás, a banda toda dá um gás diferente a elas.


Finalizando: o GAMMA RAY é sempre uma banda de primeira linha, logo, adquiram suas cópias de "Lust For Live", e boa diversão!

GRAND MAGUS - SWORD SONGS (ÁLBUM)


2016
Nacional

Nota: 9,0/10

Músicas:

1. Freja's Choice
2. Varangian
3. Forged in Iron - Crowned in Steel
4. Born for Battle (Black Dog of Brocéliande)
5. Master of the Land
6. Last One to Fall
7. Frost and Fire
8. Hugr (instrumental)
9. Everyday There's a Battle to Fight
10. In for the Kill
11. Stormbringer


Banda:

JB - Vocais, guitarras
Fox - Baixo, backing vocals
Ludwig - Bateria


Contatos:

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Facebook (Brasil)

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


E eis que uma das sensações do cenário sueco retorna a plena carga. Sim, o trio de Heavy Metal GRAND MAGUS segue sua saga, e pouco depois de um ano desde o lançamento de "Triumph and Power", lá vem eles de novo nos brindando com mais um excelente disco, "Sword Songs". É mais um disco que sai em nosso país graças à parceria entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil.

Em relação aos discos anteriores, o trio está com uma apresentação musical mais bem cuidada, com o lado mais melodioso de sua música evidenciado em "Sword Songs". Mas isso, de forma alguma, desvia o grupo de sua musicalidade já conhecida. Apenas os refrões ganharam mais ênfase, as melodias nas guitarras ficaram mais claras, baixo e bateria ganharam um toque um pouco mais técnico e refinado, mas o peso de sua música não fugiu à sua tradição. É o bom e velho GRAND MAGUS, apenas um pouquinho mais elaborado e melodioso.

Uma vez mais, a banda teve a mão de Nico Elgstrand na produção, além de Roberto Laghi na mixagem, e a masterização do disco é de Svante Forsbäck. Talvez seja o motivo de "Sword Songs" soar tão melodioso seja este trabalho em conjunto, que lhes proporcionou algo mais limpo e definido em termos de qualidade sonora. E isso deixa o lado mais melodioso do grupo na frente, como dito acima.

E a arte é de Anthony J. Roberts mais uma vez. Óbvio que temos algo mais artesanal em termos de capa, mas funcional e bem feito. E mesmo o encarte está bem simples. Mas isso mostra que a banda se preocupa mesmo com sua música, e busca não desviar a atenção do ouvinte dela.

Raçudo, pesado, bem feito e de bom gosto. Estes adjetivos se encaixam perfeitamente em "Sword Songs", que graças à criatividade do trio, é um discão de primeira. Arranjos bem cuidados, músicas espontâneas, belos refrões, técnica na medida certa. Tudo funciona em alto nível no disco.

Melhores momentos:

"Freja's Choice" - Pesada, intensa, com o andamento bem ganchudo, e belas melodias nos vocais. Mas reparem no peso da base rítmica baixo-bateria em muito momentos.

"Forged in Iron - Crowned in Steel" - Os tempos são mais dinâmicos, a técnica é sóbria, e a canção é repleta de riffs de guitarras raçudos. E o refrão, com seus backing vocals, é de primeira. E sem falar nas excelentes melodias.

"Born for Battle (Black Dog of Brocéliande)" - Mais uma canção em que o trio mostra uma simplicidade instrumental de primeira, mas justamente por isso ela é apaixonante, cheia de um trabalho ótimo das guitarras.

"Master of the Land" - As regras do jogo não mudaram, pois o trabalho mais melodioso e pesado das faixas anteriores continua presente. Os solos são ótimos, e continua imperando uma simplicidade técnica ótima.

"Last One to Fall" - Algo da NWOBHM entra nas melodias dessa canção, se percebe isso. É bem acessível, envolvente, e logo estamos cantando o refrão com o grupo.

"Frost and Fire" - Outra faixa cativante, onde peso e melodia se intercalam perfeitamente. E como os arranjos tecnicamente mais simples do grupo se encaixam bem, e nos envolvem de forma que a cabeça balança espontaneamente sem que percebamos.

"Everyday There's a Battle to Fight" - Uma canção mais climática, permeada por um feeling mais introspectivo e grande presença do baixo. Tem todo aquele jeitão de Metal anos 70, apenas atualizado.

Mas como a Shinigami Records sempre busca nos conceder algo diferenciado, ainda temos duas bônus na versão nacional:

"In for the Kill" - É tão boa como as anteriores. Cheia de melodias, arranjos bem criativos, e uma levada que gruda nos ouvidos.

"Stormbringer" - Óbvio que todos já manjaram que é um cover para o velho hino do DEEP PURPLE, mostrando que a banda é uma das influências mais primordiais do trio. E o trabalho das guitarras é ótimo, fora a presença especial de um Hammond dando aquele tempero especial (uma canja especial de Per Wiberg).

No mais, um excelente disco, e o melhor: acessível a todos graças à Shinigami Records e à Nuclear Blast Brasil.