1 de fev de 2015

Hagbard – Tales of Frost and Flames (EP)

Nota 10,0/10,0

Marcos "Big Daddy" Garcia


O Brasil sempre foi e sempre será, pelo visto, um dos países mais férteis em termos de bandas de Metal. Tudo quanto é vertente do Metal tem representantes por aqui, e mesmo algumas que são quase que exclusivas nossas (existem bandas fazendo a fusão de Metal com Samba e Bossa Nova, e mesmo algumas introduzindo MPB e músicas regionais do país em suas composições). Isso é ótimo, pois é capaz de manter a cena aquecida, ao mesmo tempo em que temos as raízes fincadas em nosso passado, e os olhos voltados para um futuro promissor. E são bandas como o HAGBARD, de Juiz de Fora (MG) que mais nos animam nesse sentido. Basta uma conferida em seu novo EP, “Tales of Frost and Flames”. 

Óbvio que aqueles que conhecem o trabalho da banda, sabem que eles trabalham criando um Folk/Pagan Death Metal mais melodioso e bem acabado. E o EP mostra a banda um passo adiante do que ouvimos em “Rise of the Sea King”, ganhando mais melodias e diversidade técnica. E isso acaba gerando uma personalidade bem definida para o grupo. Vocais guturais que se alternam com vozes limpas (sempre muito bem), guitarras melodiosas e bem encaixadas em riffs e solos (sim, eles existem, ainda bem!), base baixo/bateria com boa técnica e orquestrações perfeitas de teclados, criando uma dinâmica enorme entre todos os elementos que a música da banda tem, fora a presença de violinos em “Stormborn Queen”. E o equilíbrio que buscam está ficando mais e mais próximo, mas como está, já é fantástico!

Hagbard
Gravado em Juiz de Fora, mas mixado e masterizado por Vincenzo Avallone no Deep Water Recordings, em Palermo (Itália), a sonoridade do disco é ótima, com boa clareza e peso nas medidas certas. Mas aos mais exigentes, tem toques de crueza na sonoridade, logo, ganha um toque de mais agressividade. E a arte de Jobert Mello da Seldghammer não necessita de palavras que não sejam “perfeita”.

Falar do trabalho do quinteto é chover no molhado: o HAGBARD sabe o que quer fazer e como fazer, e não tem medo de fugir do ponto comum. Não, eles têm ousadia em criar música, com belos arranjos e dinamismo ímpar. 

Com as letras claramente baseadas na obra “As Crônicas do Gelo e do Fogo” de George R. R. Martin, ou como muitos conhecem no Brasil, “Game of Thrones” (sim, a famosa série da TV por assinatura), a banda inova mais uma vez: fugiu dos temas recorrentes no meio. “Intro” é o que o nome já diz: uma introdução de teclados e elementos Viking/Folk que preparam o ouvinte para “Cursed Dwarf”, uma canção instigante, forte e pesada, que fica presa em nossa mente, com um trabalho ótimo de vocais (onde temos variações entre gutural e limpo bem evidentes) e base rítmica (baixo e bateria estão muito bem na condução dos andamentos, e com ótima diversidade rítmica), onde a letra foca Tyrion Lannister (um dos personagens mais carismáticos do livro e série de TV). Em “War for the Dawn”, a banda usa um andamento mais cadenciado, a meio tempo, com bastante uso de elementos Folk, com lindas guitarras melodiosas e incursões de teclado maravilhosas (e a letra narra sobre a mãe de todas as guerras, onde todo o povo de Westeros terá que lutar contra Os Outros, monstros que vivem ao Norte, atrás da Muralha). “Stormborn Queen” é uma música puramente Folk, com violinos, flauta e guitarras limpas, com vocais bem calmos, mas que é uma delícia aos ouvidos e mente (e a letra fala sobre Daenerys Targaryen I, a última Targaryen viva, Mãe dos Dragões, a Não-Queimada). Fechando esse excelente EP, temos “High As Honor”, onde o lado mais agressivo da banda mais uma vez se harmoniza com o lado Pagan/Folk da banda de maneira perfeita (e a letra é o lema da casa Arryn, de onde veio Jon Arryn, cuja morte dá início à série de livros/TV).

Ótimo EP, que merece ser adquirido sem medo e ouvido até os ouvidos pedirem arrego, se é que isso é possível com uma música de tamanho bom gosto.







Músicas:

01. Intro  
02. Cursed Dwarf  
03. War for the Dawn  
04. Stormborn Queen  
05. High as Honor


Banda: 

Igor Rhein – Vocais 
Gabriel Soares  Teclados, flauta, vocais limpos
Danilo “Marreta” Souza – Guitarras 
Rômulo “Sancho” Piovezana – Baixo 
Everton “Ton Ton” Moreira – Bateria 


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