26 de ago de 2015

Sirenia - The Seventh Life Path (CD)

2015 - Shinigami Records - Nacional
Nota 8,5/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Existem músicos que são geniais, capazes de nos impressionar com seus trabalhos. E podemos dizer que um dos mais surpreendentes é o norueguês Morten Veland. Ele, que já nos assombrou com "Widow's Weeds" e "Beyond the Veil" no TRISTANIA, depois de sair da banda que consagrou e se consagrou, saiu e formou o SIRENIA. E agora, graças à Shinigami Records (que está fazendo um ótimo trabalho em termos de lançamentos nacionais e internacionais), podemos conferir o sétimo e mais recente trabalho do grupo, "The Seventh Life Path".

Podemos dizer que aquele Symphonic Metal grandioso e pesado que ele soube criar, recheado de vocais femininos suaves e masculinos guturais, teclados grandiosos, com enfoque experimental e sem respeitar muito limites, está intacto. A fórmula não mudou, apenas o enfoque, já que o trabalho do SIRENIA está mais limpo que antes, embora continue agressivo e com elementos de Metal extremo presentes. E para nossa sorte, menos enfadonho que a sua antiga banda nos apresentou de uns tempos para cá.

Morten tem pelo próprio trabalho uma estima tão grande que produziu e fez toda a parte de engenharia sonora, deixando para Endre Kirkesola a mixagem e masterização. Nisso, aferimos que a sonoridade tem uma qualidade inegável, clara a ponto de não perdermos um elemento sequer, além dos timbres bem escolhidos. Mas não se preocupem: o CD é bem pesado nos momentos necessários. E a arte de Gyula Havancsák ficou excelente em todos os aspectos, tanto na bela capa como no layout bem feito. E a Shinigami Records teve o capricho de fazer a versão digipack, como a importada.

Sirenia
Se você procura uma banda de Symphonic Metal que tenha elementos de Metal extremo e alguns toques de Gothic Rock, o SIRENIA é a banda que você buscava. Ainda mais que neste disco, eles capricharam nas músicas, deixando tudo grandioso, pesado e intenso, mas bem feito. Arranjos bem cuidados garantem que o ouvinte não se sentirá entediado.

Apesar do franco equilíbrio na qualidade das músicas, podemos destacar algumas faixas para que possam iniciar suas audições, como climática e densa "Serpent" (que abre o CD, com belíssimo trabalho de vocais femininos e instrumental intenso em um andamento não muito veloz), a instigante e forte "Once My Light" (que possui, mesmo com seus momentos mais brutos, uma maior acessibilidade musical, e por isso, é a música usada para o vídeo de divulgação do álbum), a belíssima e envolvente "Elixir" (como um todo, a banda caprichou nessa que é uma das grandes canções do disco. Desde os primeiros segundos, ela já te prende, usando muito bem o canto limpo de Morten e de Aylin, alguns corais grandiosos, e um refrão ganchudo, além de belos arranjos de baixo e guitarras e toque experimentais dados por sintetizadores), a grandiosa e trabalhada "Concealed Disdain", e a excelente "The Silver Eye". Obviamente que a belíssima e introspectiva "Tragedienne" e sua irmã "Tragica" (a mesma canção, apenas cantada em espanhol) também merecem citação honrosa, mostrando uma diversidade interessante ao trabalho da banda.

Enfim, mais um belo trabalho do SIRENIA, e que merece a conferida carinhosa nesta versão brasileira.





Músicas:

01. Seti 
02. Serpent 
03. Once My Light 
04. Elixir 
05. Sons of the North 
06. Earendel 
07. Concealed Disdain 
08. Insania 
09. Contemptuous Quietus 
10. The Silver Eye 
11. Tragedienne 
12. Tragica (Tragedienne Spanish Version) 


Banda:

Morten Veland - Guitarras, vocais, baixo, piano, sintetizadores, baixo, piano, Sintetizadores, mandolin, programação
Ailyn - Vocais femininos
Jan Erik Soltvedt - Guitarras (ao vivo)
Jonathan A. Perez - Bateria (ao vivo)


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Lothlöryen - Principles of a Past Tomorrow (CD)

2015 - Independente - Nacional
Nota 10,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O Metal brasileiro nem sempre é justo. Enquanto muitos idolatram estilos já mortos como se fossem novidade (ou mesmo o supra-sumo do gênero), muitas bandas geniais acabam ficando relegadas aos recônditos do underground por aqui. Mas sinto muito aos amantes inveterados do "mais do mesmo": os mais criativos acabam se sobressaindo, fazendo sucesso fora, e recebem o devido reconhecimento na marra. E um dos que está fazendo isso mais e mais é o sexteto mineiro LOTHLÖRYEN, de Poços de Caldas, que enfim chega com seu novíssimo trabalho, o corajoso e impecável " Principles of a Past Tomorrow".

Sim, aqui temos um Power/Folk Metal que remete ao BLIND GUARDIAN e ELVENKING, mas com muita personalidade e peso. Aliás, é bem mais pesado e agressivo que suas influências, revelando assim uma personalidade forte. Ou seja, é uma forma diferente de se ver e abordar o gênero, apenas isso, com personalidade e peso característicos, mas sem deixar o lado Folk de fora.

Estátua de Giordano Bruno,
em Campo de' Fiori, Roma.
A produção de Leko Soares e Tim Alan (os dois guitarristas do grupo) deu peso e clareza nas medidas certas para o grupo, com gravação feita nos estúdios Bar dos Bardos Studios e Jack Studios, com mixagem e masterização feitas por Thiago Okamura (Dr. Sin, Shaman, Bittencourt Project) no To-Mix Studios. Além disso, a sonoridade do disco é bem clara e encorpada, sem tirar ou pôr nada que não seja necessário, e com o peso necessário. E a arte de capa feita por Gio Guimarães é muito bela, deixando claro o que se aborda nas letras.

Se por um lado o grupo mostra uma abordagem mais madura e forte de sua música, vemos que isso é uma exigência de "Principles of a Past Tomorrow". Os arranjos são fenomenais, a dinâmica entre as passagens e mudanças de ritmo são precisas, fruto da experiência e trabalho duro que estes mineiros puseram em cada canção. Se você achava que eles não poderiam superar o ótimo "Raving Souls Society", é melhor rever seus conceitos.

E mais: "Principles of a Past Tomorrow" é um álbum conceitual, cujo tema central é um passeio pela época do Renascimento. E sua figura central é o filósofo, frade dominicano, matemático, poeta e astrólogo italiano Giordano Bruno. Para encurtar: ele foi queimado na fogueira da Inquisição em 17 de fevereiro de 1600 em Campo de' Fiori, Roma, condenado como herege. Entre as acusações, a tese de uma diversidade de mundos, a existência de uma pluralidade de mundos e suas eternidades. Ou seja, podemos dizer que Bruno foi o precursor de várias idéias avançadas no campo da Física, em especial aquelas que tangem a Relatividade de Galileu, a própria Relatividade de Einstein, e mesmo a teoria do Big Bang podem ter suas raízes nas idéias de Bruno.

Ou seja, como muitos, ele foi queimado por puro capricho e ignorância (ao ponto de ter sua língua pregada para não proferir suas "teorias hereges"). E mesmo hoje, nunca houve uma manifestação por parte da Igreja no sentido de assumir a culpa pelo ato...

Lothlöryen
Voltando ao lado musical de "Principles of a Past Tomorrow", chega a ser uma covardia imensa ficar buscando uma faixa de destaque. É melhor pôr o CD para tocar, apertar a tecla "repeat" e aproveitar a viagem. Mas se quer mesmo alguns destaques para se basear, a pesada e variada "Herectic Chant" (que belíssimo trabalho de guitarras e vocais. É algo belo, muito bem trabalhado e com um acabamento perfeito), a semi-Folk "Time Will Tell" (belíssimas cordas limpas, e nos momentos mais agressivos, os teclados se destacam bastante, fora ótimos backing vocals), a variada "Night is Calling", a maravilhosa "The Convinct" (recheada de belos arranjos de guitarra e um trabalho de bom gosto da base rítmica), e a linda e preciosa "Wavery Times" são mais que suficientes para convencer qualquer fã de Metal que se preze. Menos aqueles com o cérebro cheio de mofo e o nariz apontado para o passado.

Perfeito, excelente, um dos grandes discos de 2015, e sem querer dar uma de Giordano Bruno e prever o futuro, podemos estar vendo um clássico do Metal nacional surgindo. Mas aproveitem o CD sem pensar nisso, pois o ele merece muitas ouvidas seguidas.







Músicas:

01. …a Journey Begins
02. Heretic Chant
03. God is Many
04. Time Will Tell
05. Manipulative Waves
06. Night is Calling
07. And Dowland Plays
08. The Convict
09. The Quest is On
10. Who Made the Maker?
11. The Law and the Insider
12. Wavery Times


Banda:

Daniel Felipe – Vocais
Tim Alan – Guitarras
Leko Soares – Guitarras
Leo Godde – Teclado
Marcelo Godde – Baixo
Marcelo Benelli – Bateria


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Metal Media (Assessoria de Imprensa)

Astafix - Internal Saboteur (CD)

2015 - Voice Music - Nacional

Nota 9,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


As incertezas sempre tomam de assalto até aqueles que são mais determinados, aqueles que o sucesso para ter escolhido. Mas mesmo assim, diante de tribulações é que uma banda é testada, para ver se as dificuldades não a tiram da ativa. E após uma barra muito pesada, o ASTAFIX retoma os rumos e volta com seu segundo álbum, "Internal Saboteur".

O estilo da banda não mudou muito: continuam investindo naquele Thrash Metal pesado e azedo à lá PANTERA e SEPULTURA, com muito do chamado Groove Metal em seu som. Mas verdade seja dita: eles voltaram bem mais agressivos que em "End Ever" (primeiro álbum da banda, de 2009). Percebe-se que os riffs da banda estão ainda mais agressivos e gordurosos que antes, a banda ganhou mais velocidade em alguns momentos (uma influência que claramente vem do Hardcore), mas as melodias que sempre estiveram presentes ainda estão ali, só mais brutas. 

A produção é de Brendan Duffay (que também mixou e masterizou o disco), com tudo gravado no Norcal Studios, em São Paulo. Óbvio que o resultado seria uma sonoridade de qualidade e clara, mas mesmo assim, aquele peso brutal e azedo de "End Ever" ficou ainda mais evidente (reparem como as guitarras soam distorcidas e pesadas, mas claras). E a arte (a capa é de Marcelo Vasco, enquanto o encarte ficou nas mãos de Marcus Lorenzet) ficou linda, mais refinada que antes, mas dando corpo a agressividade do quarteto.

Todos sabem que o ASTAFIX é uma banda que nasceu grande, com músicos experientes, e aqui, vemos arranjos ótimos, uma dinâmica que não nos cansa em momento algum. E mesmo depois de sua passagem no ano passado, Paulo Schroeber ainda está presente nas guitarras, com o material que gravou antes de falecer aproveitado, como vemos nas faixas "Karma Kill", "The Scourge", "Blood Sun", "Ghosts" e "Unknown", além do solo em "Unknown". E estas nos mostram como Paulo se foi ainda muito cedo, o quanto nos deu e ainda poderia dar.

O CD é bem nivelado por cima, mas os melhores momentos são a rápida e agressiva "Karma Kill" (quase Hardcore, com guitarras em timbres azedos intensos, fora uma exibição ótima da cozinha rítmica e um ótimo refrão), a igualmente bruta e rápida "The Scourge" (outra com refrão marcante e um peso absurdo vindo das guitarras), a cadenciada e opressiva "Bad Blood" (mais uma vez, arranjos fenomenais de guitarra, mas os vocais estão dando uma aula de agressividade), a mais melodiosa e densa "Ghosts" (que lembra bastante o que se ouve em "End Ever", uma paulada azeda, mas cheia de feeling intenso), a totalmente hardcorizada " Say No!" (que solos!), e opressiva e modernosa "Unknown" (que possui um andamento mediano, solos fantásticos, corais excelentes e um swing musical raramente visto no Brasil).

O ASTAFIX não é apenas um nome no Metal nacional. É um dos nomes fortes desse lado de Thrash/Groove, merece respeito, e "Internal Saboteur" os coloca entre os grandes sem dificuldades. E aproveitando que o disco é dedicado à memória de Paulo Schroeber, coloco o nome dele na formação, como quinto membro da banda.

Discão!






Músicas:

01. Karma Kill
02. The Scourge
03. Blood Sun
04. Doomsday Device
05. Bad Blood
06. Disfigured Conscience
07. Ghosts
08. Internal Saboteur
09. Say No!
10. Help Us All
11. Unknown
12. The Dome
13. Traitor


Banda:

Wally – Vocais, guitarras
Cássio Vianna – Guitarras
Ayka – Baixo
Thiago Caurio – Bateria
Paulo Schroeber (In Memoriam) - Guitarras


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Metal Media (Assessoria de Imprensa)

Mad Roulette - Mad Roulette (EP)

2015 - MS Metal Records - Nacional

Nota 8,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Heavy Metal direto, agressivo, pesado e com boas melodias. Estas características andam ficando difíceis de se encontrar no Brasil. Sim, devido a vocação brasileira ao Metal extremo, poucos grupos andam aparecendo com trabalhos mais focados em fórmulas melodiosas. Mas vez por outra, uma aparece, e realmente é ótimo de se ouvir. E o trio carioca MAD ROULETTE é desses, e chega com seu primeiro trabalho, o EP que leva o nome do grupo.

Oscilando entre o Heavy Metal, o Hard Rock clássico e o Rock'n'Roll, o trio mostra sua força em composições com arranjos firmes, despretensiosos, mas ótimos, que nos pegam pelos ouvidos devido à facilidade que sua música flui. Mesmo não sendo inovador, é ótimo e cheio de vida. E energia, meus caros, muita energia.

Produzido pelo trio em conjunto com Fernando Campos, a produção é bem simples, direta e funcional: seca, pesada e limpa o suficiente para que compreendamos e assimilemos o conteúdo musical sem problemas. E em termos de arte, a capa é muito bom, mostrando um lado mais irônico e divertido (embora exista um leve toque de humor negro), que se sente na música da banda.



"Young Revolution" é melodiosa e forte, recheada de bons riffs e uma cozinha segura, uma faixa que nos leva diretamente ao Hard'n'Heavy da NWOBHM. Em "Remember", temos uma balada pesada, intensa e cheia de melodias ganchudas, com momentos lindos em que guitarras limpas e vocais contrastam perfeitamente. E em "Ballerina", outra pancada que transita entre o Hard Rock e Heavy Metal sem pudores, mostrando bom trabalho de baixo e bateria, com ótimo refrão e energia aos montes.

Bela promessa essa que surge para o gênero no Rio de Janeiro e para o Brasil.








Músicas:

01. Young Revolution
02. Remember
03. Ballerina


Banda:

André “Cheddar” Alves - Baixo, vocais
Marcio Abud - Guitarras, vocais
Marcos Soli - Bateria


Contatos:

MS Metal Agency Brasil (Assessoria de Imprensa)

JackDevil - Evil Strikes Again (CD)

2015 - Urubuz Records - Nacional
Nota 10,0/10,0



Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia




E eis que os jagunços do Thrash Metal brasileiros voltam à carga, dispostos a ganhar mais e mais espaço dentro do cenário do país. Sim, o quarteto JACKDEVIL, de São Luís (MA) retorna, e agora, com seu segundo álbum, "Evil Strikes Again", novamente em parceria com a Urubuz Records.

Antes de tudo, é preciso dizer que alguma coisa mudou no mix de Thrash Metal com elementos do Heavy Metal tradicional à lá NWOBHM que ouvimos em seus trabalhos anteriores: musicalmente, o quarteto deu uma evoluída em termos técnicos, ao mesmo tempo que "Evil Strikes Again" soa mais polido e melodioso. Sim, os "Brazilian Devils" parecem estar se distanciando um pouco do rótulo "old school" e reescrevendo as regras conforme a vontade deles. E isso é ótimo, pois percebemos que a personalidade intacta do quarteto possui maior diversidade. Mas se minhas palavras os deixam desconfiados, podem ficar tranquilos: de forma alguma o disco desagradará os fãs mais antigos. Eles continuam cheios de energia e peso, apenas estão fazendo as coisas mais limpas e melódicas e do jeito deles, mas sem perder peso ou a pegada agressiva de antes.

Gravado, mixado e masterizado pelo baterista Felipe Stress, a gravação deu uma "engordada" em relação ao que vimos em "Unholy Sacrifice", ou seja, soa mais cheia e pesada, mas ao mesmo tempo, está bem clara. Cada elemento musical do grupo está bem audível sem problemas. E a arte de Ronilson Freire (capa), André Nadler (guitarrista/vocalista, que fez o layout) e Wanderley Perna (do GENOCÍDIO, que também trabalhou no layout) é muito boa, ainda buscando aquelas figuras de horror de uma forma bem mais simples, mas muito bem acabada. E tudo em um formato digipack caprichado.

JackDevil
Mais uma vez, o JACKDEVIL soube o que quer de sua música, apenas dando um passo adiante. Sim, a banda continua com a pegada pesada e músicas à lá old school, com a diferença de estarem mais polidas e o lado melodioso mais evidente, com arranjos excelentes, e mesmo alguns deles são mais intrincados que antes. E refrões muito bem pensados agora se tornam comuns, coisa que enriqueceu o trabalho deles.

Melhores momentos: a abertura rápida e feroz de "Evil Strikes Again" (belos arranjos nas guitarras, mais vocais furiosos), a mais limpa e melodiosa "Devil Awaits" (as melodias ficam mais evidentes aqui, e a base rítmica mostra uma diversidade incrível, fugindo um pouco dos padrões da velha escola, além de backing vocals raçudos bem postados), a Thrash'n'Roll com jeitão de METALLICA antigo "Nightcrawler" (belas melodias, um tempo não muito veloz, e belas vocalizações. Sinceramente, um dos pontos altos do CD, mesmo com alguma coisa nos lembrando os momentos mais lentos do "Kill 'Em All"), "Bestial Warlust" e seus arranjos mais intrincados de guitarras (outra excelente faixa do CD), "Beelzebub" e seu lado mais melodioso (mais uma vez, ótimos backing vocals e enriquecem a faixa, além de solos mais caprichados), e a Thrash'n'Heavy "Black Witch" (com um jeitão MOTORHEAD de ser, levada em tempo médio, empolgante e tende a se tornar um dos maiores sucessos nos shows da banda, com certeza. E reparem nas melodias dos solos de guitarra mais uma vez).

Mais uma vez, esses Cangaceiros do Thrash Metal mostraram seu valor, e as portas do sucesso se escancararão para eles. Até chega a ser óbvio, pois "Evil Strikes Again" é uma bicuda na porta.


Músicas:

01. Abaddon 
02. Evil Strikes Again 
03. Devil Awaits 
04. Satan's Rite 
05. Nightcrawler 
06. Bestial Warlust 
07. Beelzebub
08. The Reaper 
09. Death by Red Lights 
10. Black Witch 
11. Cangaço


Banda:

André Nadler - Vocais, guitarras
Ric Mukura - Guitarras
Renato Speedwolf - Baixo, teclados em "Abaddon" e "Black Witch"
Filipe Stress - Bateria


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Arkona - Yav (Явь) (CD)

2015 - Shinigami Records - Nacional 
Nota 9,5/10,0


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O chamado Pagan/Folk Metal tem rendido frutos muito interessantes nos últimos 5-10 anos dentro da cena Metal. Além de promover um resgate histórico das raízes pagãs de várias culturas (destruídas ou pelo Cristianismo na Idade Média, ou pelas ditaduras socialistas/comunistas no século XX), temos a criação de sonoridades novas, híbridas, e que no fundo, vão aglutinando vida e coisas novas ao Metal como um todo. E um de seus maiores expoentes é, sem sombra de dúvidas, o quinteto russo ARKONA, um nome já bem estabelecido e importante no gênero, quase uma referência em muitos aspectos. E mais uma vez, um trabalho deles chega ao Brasil em sua versão nacional. "Yav" (no original em cirílico "Явь", que significa "Realidade") ganha sua versão nacional pela Shinigami Records, tornando a aquisição bem mais fácil.

Falar de todos os aspectos musicais da banda é um pouco desnecessário, já que a banda é muito reconhecida pelo seu híbrido de influências do Metal tradicional e mesmo alguma coisa dos gêneros mais extremos com música Folk. Mas em "Yav", a banda mostra um lado mais obscuro e introspectivo, com músicas de maior duração, mas igualmente rico em melodias e ótimos arranjos instrumentais, que nos fascinam sempre. Não há um simples momento enjoativo no álbum inteiro, mesmo com músicas enormes. Quem é fã, vai continuar sendo, e quem não é, corre o risco de se tornar, verdade seja dita.

As mãos de Sergei (guitarrista do grupo) seguraram a produção. E verdade seja dita: o nível é ótimo, com todos os elementos musicais da banda sendo expostos, mesmo quando usam instrumentos não convencionais. E a arte está muito bela, trazendo as letras traduzidas para o inglês (verdade seja dita: não adiantaria querer tentar entender o russo. Não há como pronunciar sem saber qual fonema está ali).

Arkona
É impossível não se apaixonar por "Yav". O disco é possui algo que nos fala direto ao coração, bem como possui uma riqueza instrumental grande, e os arranjos são ótimos e muito os. E sim, a dinâmica do disco faixa à faixa é excelente.

Os melhores momentos do CD estão nas faixas "Zarozhdenie" (climática, introspectiva e melodiosa, recheada de ritmos quebrados, vocais que se alternam entre o urrado e o limpo com maestria), a dinâmica e mais rápida "Na Strazhe Novyh Let" (elementos de Metal extremo e Folk se entrelaçam com um viés Folk perfeitamente, usando muito bem dos instrumentos regionais, Marsh usando vários timbres de sua ótima voz, e ótima base rítmica), a introspectiva e intensa "Gorod Snov" (melodias bem soturnas dão início à canção, mas logo o peso se torna mais presente, sem contanto desfazer a atmosfera mais depressiva que dá corpo à música em si, fora teclados e flautas muito bem utilizados), a excelente "Ved'ma" (cheia de elementos mais agressivos e ríspidos, mas sem danificar a aclimatação Folk/Pagã da canção), e a longa e diversificada "Yav".

Podemos dizer que "Yav" é o disco mais maduro do ARKONA, que soube explorar muito bem sua identidade musical e trazer algo de belo, pesado e intenso para seus fãs.

Se é fã do gênero, pode comprar sua cópia sem medo algum.

Ah, sim: postei os nomes em russo na lista das músicas junto com a versão latina, mas optei pelos nomes em nesta última no texto da resenha em si para a maior comodidade de todos.



Músicas:

01. Zarozhdenie (Зарождение) 
02. Na Strazhe Novyh Let (На страже новых лет) 
03. Serbia (Сербия) 
04. Zov Pustyh Dereven'" (Зов пустых деревень) 
05. Gorod Snov (Город снов) 
06. Ved'ma (Ведьма) 
07. Chado Indigo (Чадо индиго) 
08. Yav (Явь) 
09. V Ob'yat'yah Kramoly" (В обьятьях крамолы)


Banda:

Masha "Scream" Arkhipova - Vocais, teclados
Sergey "Lazar" Atrashkevich - Guitarras
Vladimir "Wolf" Reshetnikov - Gaita Gallega, flauta doce, tin whistle, low whistle, Sopilka
Ruslan "Kniaz" - Baixo 
Andrey Ischenko - Bateria


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