3 de set de 2016

ENDRAH - Shoot, Shovel, Shut Up (EP)


2016
Independente
Nacional

Nota: 8,0/10,0


Músicas:

1. Shoot, Shovel, Shut Up
2. Shame
3. Priced Out of Paradise
4. Bully
5. Cadáver na Barragem (2016)


Banda:


Relentless - Vocais
Covero - Guitarras
Adriano Vilela - Baixo
Bruno Santin - Bateria


Contatos:

Metal Media (Assessoria de Imprensa)

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Existem bandas que parecem incansáveis na arte da surpresa, de se reinventar e soarem cada vez mais pesadas e modernas. Nisso, o Brasil anda muito bem, já que muitos preferem a evolução à estagnação de viver no passado (embora algumas consigam alcançar a Pedra Filosofal musical de tal forma que a continuidade de seu trabalho permaneça sempre ótima). E em termos de versatilidade e peso, não podemos deixar de citar o ótimo trabalho do quarteto ENDRAH, de São Paulo, que após um período de certo silêncio, mostra que veio disposto a ganhar mais espaço no cenário.

E sim, a prova disso é seu novo EP, "Shoot, Shovel, Shut Up", que acaba de sair, e mostra a banda revigorada.

A verdade é que o ENDRAH é uma banda versátil, a ponto de conseguir fundir uma musicalidade tão bruta e feroz com uma sonoridade atualizada, moderna e explosiva. E isso tudo misturando Death Metal, Thrash Metal e HardCore sem pudor algum, e ainda colocando umas doses de Groove/Thrash à lá PANTERA aqui e ali, soando sempre coeso e pesado, sem dó dos ouvidos alheios e dos pudores musicais de muitos.

Em termos de produção musical, a banda acertou a mão: a sonoridade do EP é brutal, gordurosa e agressiva, graças a timbres instrumentais bem escolhidos, bem como a mixagem acertou a mão. Mas é bom que entendam que, apesar de tanta esporreira sonora, você não encontrará algo que não seja capaz de entender, já que a clareza é de bom nível.

É bom se prepararem, pois o quarteto não voltou disposto a abrir mão de sua agressividade, e muito menos do discurso azedo. Mas é interessante ver a banda conseguindo alimentar sua fusão de estilo com boa técnica musical, além de arranjos muito bem pensados. E cuidado, pois as mudanças de ritmo ocorrem sem você menos esperar, mas sempre nos trazendo aquela sensação de que estamos ouvindo uma banda dinâmica e madura.

"Shoot, Shovel, Shut Up" - Se percebe a clara influência de Groove Metal e Hardcore atual nessa canção. O trabalho instrumental é raivoso, e a agressividade salta os olhos, mas as mudanças de ritmo são constantes, mostrando um trabalho ótimo de baixo e bateria.

"Shame" - Cheia de Groove moderno, e percebe-se que os riffs de guitarra são ótimos, entremeados por boas mudanças rítmicas (ou seja, temos momentos mais lentos, e outros mais velozes). A música em si mostra aquela opressão musical moderna, mas sem deixar de ter peso cavalar.

"Priced Out of Paradise" - A agressividade aumenta bastante, usando de tempos que mudam constantemente. É interessante notar como os vocais assentam bem sob a base instrumental, seja nos momentos mais velozes ou nos mais lentos, contrastando urros intensos com gritos rasgados, além de um insert de algo próximo à ritmos latinos, onde o baixo se mostra bem técnico.

"Bully" - É a música do vídeo de divulgação, logo, se preparem. Novamente, as mudanças de ritmo ocorrem, mas sempre mantendo a atenção do ouvinte. Em termos técnicos, baixo e bateria mais uma vez roubam a cena, sem desprezar o excelente trabalho das guitarras (uma olhada no solo mostra como a técnica e agressividade não obliteram as linhas melódicas).

"Cadáver na Barragem (2016) - Aqui, temos o remake da faixa que a banda lançou no Single de 2014, novamente mostrando mudanças entre tempos lentos e azedos com levadas mais velozes. 

O ENDRAH provou que está mais vivo e forte que nunca, logo, aproveitem e ouçam "Shoot, Shovel, Shut Up" à vontade, mas cuidado com os ouvidos. E antes que me esqueça, o EP pode ser ouvido na íntegra no perfil da banda no Soundcloud.