21 de mai de 2016

METAL CHURCH - XI (Álbum)


2016
Shinigami Records
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Em 1985, uma banda de SEATTLE causou uma enorme comoção no underground americano, e aqui no Brasil, sentimos as conseqüências. Sim, foi ali que o quinteto METAL CHURCH apareceu com seu primeiro disco, e começou a lançar as bases do que viríamos a conhecer como Metal tradicional moderno, graças à fusão da agressividade moderna a uma musicalidade mais clássica e bem melodiosa. Mas infelizmente, sempre assombrado por constantes mudanças de formação, e também devido à queda do Metal no mercado dos EUA, a banda foi diminuindo sua popularidade até se separarem em 1994. Retornam em 1998, e encerram as atividades mais uma vez em 2009, até que Kurdt Vanderhoof (seu líder e fundador) resolve voltar às atividades em 2012. E "XI" é o segundo disco desde esse retorno.

O que se pode esperar do disco?

Primeiramente, só o fato do vocalista Mike Howe (que substituiu o finado David Wayne ainda nos anos 80, e gravou o ótimo "Blessing in Disguise" de 1989, "The Human Factor" de 1991, e "Hanging in the Balance" de 1993) já é algo para se louvar de pé. Ainda mais que "XI", se não chega ao nível dos clássicos "Metal Church" e "The Dark", se mostra um disco vigoroso e pesado, apresentando composições melhores e mais bem feitas como o quinteto não anda produzindo há um tempinho.

Resumindo: o trabalho do grupo resgata a essência de sua música lá dos anos 80, mas soa atual, pesado e disposto a encarar desafios grandes. Basta ver como os vocais estão de primeira (lembrando um pouquinho os timbres de David Wayne em certos momentos), o trabalho da dupla das seis cordas é excelente (Kurdt, junto a Rick van Zandt, mostram excelentes riffs e ótimos solos), e a base rítmica de Steve Unger (baixo) e Jeff Plate (bateria) está de primeira, com peso e técnica em muito bom nível.

Metal Church
Em termos de produção sonora, o chefão Kurdt Vanderhoof produziu, mixou, e masterizou o disco (com a ajuda de Chris "Wizard" Collier na mixagem), e isso fora ter feito a capa e o design artístico todo (tendo Kat Moats no Layout). Óbvio que esta concentração de tarefas rendeu frutos muito bons, pois a sonoridade de "XI" é muito pesada, mas clara, deixando o ouvinte boquiaberto. Sim, está pesado e agressivo, vigoroso e moderno, mas pode-se perceber que o cuidado estético com os timbres sonoros é grande, fora a sonoridade estar soando clara, nos permitindo ouvir separadamente cada instrumento sem grandes esforços.

Musicalmente, podemos dizer que a agressividade melódica da banda está ótima, mantendo uma boa diversidade de arranjos. Mas ao mesmo tempo, o resultado musical está mais forte, consensual e intenso que antes. É como se o METAL CHURCH estivesse relendo e atualizando seu evangelho metálico, e reescrevendo as regras (algo que para eles sempre foi uma característica forte).

Sente-se a força desse quinteto por todo disco, que soa como uma unidade. Mas músicas como a agressiva "Reset" com seu trabalho excelente de baixo e bateria (sim, a cozinha está de primeira, guiando com maestria os andamentos), a ganchuda e suja "Killing Your Time", onde as guitarras mostram sua força (e vejam que refrão excelente, com backing vocals raçudos, uma especialidade do METAL CHURCH), "No Tomorrow" e " Signal Path", ambas com levadas pesadas e arrasadoramente envolventes (com aquele jeitão meio Metal germânico que o grupo sabe adaptar à seu jeito de fazer música, fora os vocais estarem excelentes em ambas, mas os momentos mais limpos e suaves da segunda são encaixados com maestria), o peso cadenciado e sinistro de "Sky Falls In" e "Blow Your Mind" (esta recheada de backing vocals providenciais), a balada pesada e cheia de nuances de mellotron e sintetizadores "It Waits" (e mais uma vez, certa dose de melancolia aparece quando o quinteto cria uma balada), e a abusivamente melodiosa "Suffer Fools" com suas levadas mais técnicas (reparem nos bumbos e baixo, bem como no duelo de solos de guitarras). Ou seja, o sermão metálico do grupo continua excelente, do mais alto nível!

Verdade seja dita: o METAL CHURCH mais uma vez mostra que ainda tem muita lenha para queimar, e "XI" é a prova disso. Ouça e tenham bons torcicolos!









Músicas:

1. Reset
2. Killing Your Time
3. No Tomorrow
4. Signal Path
5. Sky Falls In
6. Needle and Suture
7. Shadow
8. Blow Your Mind
9. Soul Eating Machine
10. It Waits
11. Suffer Fools


Banda:

Mike Howe - Vocais
Kurdt Vanderhoof - Guitarras, Mellotron, Sintetizadores
Rick van Zandt - Guitarras
Steve Unger - Baixo, backing vocals
Jeff Plate - Bateria


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TORTURE SQUAD - Return of Evil (EP)


2016
Nacional

Nota: 9,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


A progressão musical de uma banda já bem experiente é algo bem comum. Seja pelo tempo, seja por mudanças de integrantes, uma banda com uma vida mais longa (digamos, com mais de 10 anos de carreira em diante) tende a exibir essa característica claramente. Mas é importante que a banda mantenha a coerência, ou seja, a fidelidade às raízes de sua música, já que mudar de estilo poderia acarretar a perda da base de fãs já consolidada, bem como da identidade.

No caso do quarteto paulista TORTURE SQUAD, podemos dizer que a banda tem apresentado esta característica de forma interessante. Do Death/Thrash rasgado da época de Vitor Rodrigues nos vocais, passando pela época em que Rafael Lopes trouxe o refinamento de melodias, e pelo Thrash Metal sujo e intenso de "Esquadrão de Tortura", eis que a banda teve uma mudança de formação singular, e retorna com o EP "Return of Evil", que a Shinigami Records acaba de colocar no mercado.

Agora, nos vocais temos Mayara "Undead" (que passou pelo NECROMESIS), e nas guitarras está o experiente Renê Simionato, com várias bandas em seu currículo. A base rítmica é a mesma, com os experientes Castor no baixo e Amilcar Christófaro na bateria.

O que mudou na banda?

Bem, podemos dizer que o grupo resgata um pouco o lado Death Metal de sua música, ao mesmo tempo em que mantém o peso e agressividade dos discos mais recentes. Ou seja, o quarteto se reinventou mais uma vez sem perder a noção do próprio estilo. Está agressivo, brutal, mas muito bem construído e (em termos de acabamento), esmerado.

Wagner Meirinho e o próprio grupo chamaram a responsabilidade de gravar e mixar o disco, sendo tudo feito no Na Cena estúdio (em SP), sendo que Wagner ainda fez a masterização. O que a banda nos apresenta é uma sonoridade pesada, intensa e suja na medida certa, mas com cada um dos instrumentos aparecendo muito bem, e verdade seja dita: em termos de timbres, acertaram a mão. Sim, a clareza é suficiente para compreender bem o que eles estão tocando, ao ponto de reparar como Castor e Amílcar estão muito bem entrosados.

Torture Squad
Já a capa (feita por Eugênio Colonnese) é bem simples, bem como a arte do encarte (mais um trabalho de João Duarte), e tudo da forma mais simples e despojada possível, talvez deixando claro que o grupo realmente renasceu para uma nova vida. E a banda ainda mostra uma idéia interessante: disponibilizar as letras das músicas tanto em português como em inglês.

Musicalmente, o TORTURE SQUAD mostra o peso da longa experiência, sabendo explorar as possibilidades de sua música. É agressivo e intenso, mas se percebe o alinhavo refinado em termos de arranjos e dinâmica instrumental. Apesar disso, é claro que uma segunda ouvida nos dá uma noção bem mais clara de como a banda está em boa forma e coesa.

"Return of Evil" é uma faixa de longa duração, intensa e bruta, alternando momentos mais velozes e outros mais soturnos, com a cozinha baixo-bateria mostrando-se muito bem, mas cheia de uma pluralidade musical de bom gosto; em "Swallow Your Reality", o quarteto mostra algo ainda mais brutal, com o lado Death Metal de sua musicalidade bem exposto, mesmo porque as vocalizações estão muito boas (a diversidade de tons vocais é ótima), foram alguns momentos mais grooveados; um ataque de riffs de primeira por parte das é o que se ouve em "Dreadful Lies", com um andamento muito variado, muito peso e aquela pegada ganchuda que o quarteto sempre teve, com os vocais mostrando trabalho; e "Iron Squad" é uma faixa instrumental, bem diversificada em termos de ritmo, com momentos mais lentos, outros suaves, e outros ainda bem explosivos, com um trabalho muito bom das guitarras mais uma vez (o solo inicial é bem caprichado), o baixo aparecendo bastante e mostrando uma técnica muito boa, e a bateria é firme e cheia de passagens mais técnicas. E ao final, a sensação que o disco poderia ser maior é clara, fica aquela vontade de ouvir mais e mais.

E ainda temos dois bônus: o vídeo para "Return of Evil" e um mini-documentário, mostrando a banda em estúdio, durante as gravações do EP, onde existem cenas impagáveis (ver Renê tocando "Changes" do BLACK SABBATH no piano, ou na bateria, é algo bem legal).

O que se pode afirmar é: o TORTURE SQUAD se mostra revigorado e pronto para a briga mais uma vez. Quem já era fã, vai continuar sendo; e quem não foi, é bom dar uma ouvida com toda atenção em "Return of Evil".






Músicas:

1. Return of Evil
2. Swallow Your Reality
3. Dreadful Lies
4. Iron Squad

Vídeos:

05. Return of Evil
06. Behind the Evil


Banda:

Mayara "Undead" Puertas - Vocais
Renê Simionato - Guitarras, violões
Castor - Baixo, backing vocals
Amílcar Christófaro - Bateria


Contatos: