28 de mar de 2015

Moonspell – Extinct (CD)

Nota 10,0/10,0

Por Marcos "Big Daddy" Garcia


Poucas pessoas conseguem se conscientizar de um dos maiores problemas que bandas mais antigas, com longas carreiras, enfrenta: o dinamismo que as coisas acontecem dentro do Metal em espaços de tempo curtos, ou algumas vezes, mais longos. É óbvio que a renovação do público sempre acarreta na chegada de jovens com a mentalidade voltada para o que é mais atual. E soar sempre jovem, com a energia e a vibração de bandas que ainda possuem muito que conquistar é desafio suficiente para qualquer banda mais vivida. Mas alguns veteranos são sempre capazes de nos surpreender positivamente. E nesse grupo, podemos incluir, com toda a certeza, o excelente quinteto MOONSPELL, nossos queridos patrícios de além mar, e que mesmo depois de 25 anos de carreira, nos surpreende com seu 11º trabalho, “Extinct”.

Quem conhece a banda, sabe que o quinteto nunca foi de ficar muito acomodado em uma única forma de fazer música. E como todo veterano, teve seus altos e baixos, mas sempre em busca de inovações, de transcender os limites, de expandir a capacidade de sua música. Mas a banda mostra no novo trabalho quase que uma mistura de tudo que já fizeram em sua carreira de forma bem homogênea, mas sempre nos surpreendendo no universo musical amplo em que se situam. As influências de Gothic Rock, os toques de Metal extremo, o refinamento e a beleza quase poética de sua música mostram uma alquimia envolvente e maravilhosa, e de um bom gosto que anda meio em falta no Metal hoje em dia. Os vocais de Fernando Ribeiro continuam nos brindando com várias formas de expressão, indo do gutural ao rasgado sem problemas, e usando muito de sua bela voz normal grave (chega a ser quase que um poeta ao cantar, verdade seja dita); a dupla de seis cordas de Paulo Paixão e Ricardo Amorim continua entrosada e afiada tanto nos ótimos riffs (a diversidade musical que eles conseguem é algo absurdo) e solos melodiosos e bem feitos, sem contar que eles ainda cuidam de todas as partes de teclados (que estão ótimas na aclimatação das músicas e efeitos eletrônicos em momentos providenciais); a cozinha rítmica de Aires Pereira e Miguel Gaspar é coesa, pesada e com boa dose de técnica. E apesar de excelentes músicos, a banda não destoa, soa como uma unidade sólida por todo o disco. 

Moonspell
A produção sonora é excelente, com todos os instrumentos soando claros e definidos, com timbres perfeitamente escolhidos, mas tudo muito pesado e sem destoar a climática soturna que o grupo possui. Mais um belo trabalho de Jens Brogen. A capa é bem sinistra, mais um belíssimo trabalho de Seth Siro Anton.

Musicalmente, podemos aferir que “Extinct” é o disco mais maduro e bem acabado do MOONSPELL, que após o “approach” mais agressivo que ouvimos em “Night Eternal” e “Alpha Noir”, voltam a deixar o lado mais sofisticado e acessível aparecer mais uma vez, mas sem que esse lado mais ríspido de sua música seja perdido. Peso, agressividade, acessibilidade e uma atmosfera soturna são elementos que a banda sempre soube usar, mas o nível de maturidade no saber arranjar as canções alcançou um patamar muito elevado. Algo que poucas bandas, mesmo entre os gigantes, está muito difícil de encontrar.

“Breath (Until We Are No More)” é uma surpresa maravilhosa, começando mais soturna e com leve toque Gothic Rock, mas a música é bem variada e cheia de momentos mais agressivos, onde a versatilidade de Fernando nos vocais se destaca. Com uma pegada envolvente, pesada e elegante, temos “Extinct”, onde as guitarras aplicam uma surra de excelentes riffs e ótimos solos no ouvinte, fora as orquestrações estarem perfeitas. Em seguida, temos uma trinca de músicas mais acessíveis: “Medusalem”, uma faixa com leve clima acessível, devido ao toque Gothic Rock, uma influência bem evidente da fase “Irreligious” no meio de uma música com peso e força; “Domina”, que é mais introspectiva e com belos arranjos de guitarras limpas, onde o lado mais requintado do MOONSPELL aparece claramente; e “The Last of Us”, primeira faixa de divulgação do álbum, com boa dose de peso, sendo uma faixa feita na medida para atingir um público mais amplo (mas lembrem-se: essa é uma característica bem antiga do grupo). “Malignia” é uma canção bem pesada e azeda, lembrando bastante a época do “Wolfheart”, mas o requinte dos anos e as influências que acumularam acrescentam elementos introspectivos ótimos, mais uma aula de interpretação de Fernando, que vai do soturno ao agressivo sem pudores. Aires e Miguel fazem um trabalho e tanto em “Funeral Bloom”, outra faixa em que o grupo se equilibra entre peso, elementos musicais góticos e uma elegância excelente, e nem mesmo os toques mais ríspidos, mesmo elementos que encontramos em “A Dying Breed”, onde as orquestrações estão sublimes. Novamente o lado mais Goth da banda fica evidente em “The Future is Dark”, uma faixa bem depressiva e elegante que poderia figurar em “Sin/Pecado” sem medo, embora tenha mais peso do que ouvimos no referido álbum. E fechando, “La Baphomette” é uma faixa que funciona mais como um encerramento, por ter a duração mais curta que a média do CD. Mas quem se aventurar, a versão deluxe tem quatro faixas a mais, “Until We Are No More” (uma versão diferente e mais eletrônica para “Breathe”), “Doomina” (que é uma versão ainda mais acessível de “Domina”, com ênfase completa no lado acústico da canção, que ficou ainda mais bela que a original), “The Last of Them” (um versão um pouquinho diferente de “The Last of Us”), e “The Past is Dark” (obviamente, outra versão para “The Future is Dark”).

Capa da Versão Deluxe
A verdade é: com erros e acertos, o MOONSPELL construiu uma carreira sólida e cheia de clássicos, e “Extinct” é a soma disso tudo, só que melhor. É a prova que os Lobos da Lusitânia ainda são ferozes o suficiente para assustar e surpreender muitos.

Candidato ao posto de melhor de 2015, e um aquecimento para o show da banda no Rock in Rio deste ano, onde eles se apresentarão no dia 25 de Setembro.




Tracklist:

01. Breathe (Until We Are No More) 
02. Extinct 
03. Medusalem 
04. Domina 
05. The Last of Us 
06. Malignia 
07. Funeral Bloom 
08. A Dying Breed 
09. The Future is Dark 
10. La Baphomette


Banda:

Fernando Ribeiro – Vocais 
Pedro Paixão – Teclados, guitarras 
Ricardo Amorim – Guitarras, teclados 
Aires Pereira – Baixo 
Miguel Gaspar – Bateria 



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