26 de mar de 2016

MACHINAGE - Slave Nation (álbum)


2016
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Em termos de Thrash Metal, o Brasil sempre foi um celeiro de ótimas bandas, e o gênero exportou vários nomes para o cenário internacional. SEPULTURA foi o pioneiro, mais cada vez mais bandas estão seguindo este rumo e conquistando o exterior, e um dos que mais tem se destacado nessa nova Brazilian Thrash Metal Invasion é, sem sombra de dúvidas, o quarteto MACHINAGE, de Jundiaí (SP), que já anda causando arrepios nos norte-americanos. E após 4 anos desde "It Makes Us Hate", chega a vez do segundo álbum do grupo, o matador "Slave Nation".

O quarteto, assim como seus contemporâneos, segue uma linha híbrida dentro do Thrash Metal: eles continuam com aquela vibração da velha escola, fundindo os aspectos trabalhados e melodiosos de bandas como MEGADETH com os mais brutos de um SLAYER ou NUCLEAR ASSAULT, e mais uma essência atualizada, que lhes permite ganhar impacto e peso. Ótimos vocais com timbres normais agressivos, belos backing vocals, uma dupla de guitarras inspiradas em riffs cortantes e solos melodiosos, base rítmica com peso e técnica muito boa, e tudo na medida para transformar o trabalho da banda em algo memorável. É para segurar o pescoço!

O grupo aproveitou de suas idas aos Estados Unidos para gravar "Slave Nation" por lá, sob a tutela do produtor Curran Murphy (que já trabalhou com ANNIHILATOR e NEVERMORE), além da mixagem e masterização terem sido feitas por Max Norman (BAD COMPANY, OZZY OSBOURNE, MEGADETH, LOUDNESS, entre outros). O resultado é uma sonoridade agressiva, bruta, mas mesmo assim refinada e que flui muito bem. O balanço entre peso e agressividade do grupo com uma qualidade sonora limpa está em um nível excelente.

Em termos de arte, o trabalho de Jean Michel (KEEP OF KALESSIN, SKINLEPSY VETOR) é ótimo, pois além de muito bem trabalhada, mostra o conteúdo azedo das letras do quarteto. E tudo em termos artísticos está realmente bem feito e coerente com o que a banda faz.

Os quatro anos de diferença entre "It Makes Us Hate" e "Slave Nation" são justificados pela melhoria do grupo como um todo, estando mais coeso e pesado, com cada aspecto de sua identidade musical bem evidente. Além disso, os arranjos da banda andaram melhorando muito, as músicas ganharam maior diversidade de influências, mas sempre mantendo seu estilo.

Slave Nation - Feita com seus riffs certeiros e mudanças de ritmo bem feitas, com uma levada bem tradicional. Mas a bateria mostra alguns momentos não convencionais ao estilo aqui e ali.

Follow Your Idols - Mesmo azeda, a banda se mostra rápida e com alguns momentos que vão deixar pescoços doloridos, devido ao ataque de riffs ferozes e solos muito bem feitos (onde o lado melodioso do grupo aparece com clareza).

Destiny - Aqui, o andamento dá uma desacelerada, onde o peso de baixo e bateria mostram-se muito bem. Mas mesmo assim, a agressividade do trabalho musical do grupo é de saltar os olhos.

My Monster - O quarteto resolver fugir do convencional, pois temos canção que destoa um pouco do Thrash Metal, justamente por ter certa influência de Hard Rock clássico e Heavy Metal, embora adaptada para a fúria Thrasher do quarteto. E que lindo trabalho das guitarras em riffs e solos melodiosos.

Spirits of War - Cadenciada, pesada e brutal, a banda usa de um trabalho forte no baixo e bateria mais uma vez, mas sem deixar de mencionar que os vocais estão ótimos. Mas deixar de mencionar a saraivada de riffs certeiros seria algo grosseiro.

Bring the Tourment - Apesar de todo peso e brutalidade da banda, o lado melodioso se evidencia por conta da influência de Metal tradicional nos andamentos e tempos da música. E que solos!

Voices - Incrível ver como a banda sabe o que fazer para conseguir se diferenciar de outras bandas. Aqui, algumas influências mais modernas e melodiosas aparecem, mas sem deixar de ser pesado ou consensual com o que o MACHINAGE faz. E mais uma vez, uma surra de riffs, além de baixo e bateria estarem excelentes.

Revolution - O cheiro de moshpit é evidente nesta canção. A pegada é aquela em tempo mediano, cheia de boas melodias e capaz de arrastar qualquer um para a zona de mosh e slam dancing. E que trabalho do baixo!

Rage of Gods - Aqui, o lado mais agressivo da banda, mesmo com o andamento não tão veloz assim, se sobressai. Os riffs ficaram mais duros e agressivos, mas ainda assim, com boa técnica.

Secrets of Life - Aqui vemos uma canção que é levada em meio tempo, abrasiva e recheada por riffs e backing vocals excelentes, além de baixo e bateria estarem mostrando suas garras. E que refrão excelente!

Machine/Age of Darkness - Uma música sinuosa, que começa com muita velocidade e adrenalina no ápice, mostrando uma gama de mudanças rítmicas ótimas, e com vocais ótimos, além de riffs insanos.

Podemos dizer que "Slave Nation" mostra o amadurecimento do MACHINAGE como banda. E digamos de passagem: estes caras, se continuarem assim, não terão quem os segurem, e pode ser que o quarteto se torne um ponta de lança da nova geração.

Quem viver, verá.


  
Músicas:

01. Slave Nation
02. Follow Your Idols
03. Destiny
04. My Monster
05. Spirits of War
06. Bring the Tourment
07. Voices
08. Revolution
09. Rage of Gods
10. Secrets Of Life
11. Machine/Age of Darkness


Banda:



Fábio Delibo - Guitarras, vocais
Ricardo Macan - Guitarras
Adriano Bauer - Baixo
Ricardo Mingote - Bateria

Contatos:

Metal Media (Assessoria de Imprensa)