1 de set de 2016

DEATH CHAOS - Prologue in Death & Chaos (EP)


2016
Independente
Nacional

Nota: 9,0/10,0


Músicas:

1. You Die I Smile
2. Death Division
3. House of Madness
4. Erased Sky
5. You Are Not You


Banda:


Denir Deathdealer - Vocais, baixo 
Julio Bona - Guitarras
David Oliver - Guitarras
Ueda - Bateria


Contatos:



Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Sempre que se fala em Death Metal brasileiro, é preciso ter clara em mente a idéia de que o gênero é uma tradição do país de longa data. E não é à toa que o país já revelou nomes de peso como KRISIUN, REBAELLIUN e tantos outros que também merecem citação, mas que não caberiam em um simples texto. E para se juntar ao time dos nomes promissores do cenário, chega o DEATH CHAOS, vindo de Curitiba (Paraná), e que mesmo sendo formada recentemente, despeja sua fúria em forma de música com "Prologue in Death & Chaos", seu primeiro trabalho.

Temos aqui um EP de cinco faixas, onde o quarteto mostra uma música que poderíamos classificar como Traditional Death Metal, mas é bom tomarem cuidado, já que eles não se furtam de usar elementos que, para muitos, poderiam ser inconcebíveis, como alguns tempos mais cadenciados e toques de melodias sombrias em algumas partes (que lembram o que PARADISE LOST, MY DYING BRIDE e ANATHEMA usavam em seus primeiros trabalhos). Ou seja, se procurarem extremismos de velocidade, podem se decepcionar. Mas para um fã de Death Metal de verdade, a música do quarteto é um prato cheio de brutalidade feita com bom gosto.

A produção sonora do EP é da própria banda. Apesar de alguns pontos em que poderia ter ficado melhor (alguns timbres nas peças da bateria poderiam ter sido melhores, especialmente a caixa), o nível é bom, pois eles conseguiram deixar suas músicas soando brutas e cruas, mas com um ótimo nível de clareza, pois usaram uma gravação mais seca, mais próxima do que eles soam ao vivo. E a arte do EP é caprichada, com capa, encarte e tudo muito bem feito.

Em termos musicais, o DEATH CHAOS, apesar de ter uma formatação mais próxima ao Death Metal tradicional, é diferente. A banda reescreve as regras conforme deseja, usando e abusando de bons arranjos em termos de guitarras (os riffs são de primeira, e os solos buscam fugir do padrão nota-alavanca-nota sem um alinhavo harmonioso), a dinâmica entre baixo e bateria é ótima, dando peso e um toque há mais de técnica ao som do grupo; e os vocais seguem aquela tendência de vozes guturais entremeadas de urros rasgados. Juntando isso tudo, a torrente de energia agressiva e de qualidade nos toma de assalto.

"You Die I Smile" - A banda usa de muitas mudanças de andamento nessa canção, além de um peso cru e avassalador. Mas é ótimo ver como essa pegada tradicional deles é permeada por arranjos musicais bem pensados. E reparem bem como baixo e bateria estão ótimos, fora os solos de guitarra.

"Death Division" - Talvez a melhor faixa do EP. Com uma levada em meio tempo (ou seja, nem rápida ou cadenciada) a banda usa de uma estética um pouco mais melodiosa e moderna nos riffs de guitarra (algo que o AT THE GATES sempre soube fazer muito bem), mas sem ceder um milímetro em termos de agressividade musical. E que refrão de primeira, onde o contraste entre os timbres guturais e rasgados ficam ótimos, entremeados de riffs crus e melodiosos.

"House of Madness" - É interessante em ver como a banda realmente não se prende a preceitos ou regras. Nesta canção, eles chegam a usar um pouco de Groove em certas partes, e em outras, alguns toques mais soturnos e crus. Destaque para o bom trabalho das guitarras e aos momentos em que os vocais mais sussurrados surgem.

"Erased Sky" - Mais uma vez, aquelas melodias azedas bem próximas ao que o PARADISE LOST fez estão presentes. E é incrível como a agressividade brutal da banda é conciliada com este lado mais sombrio sem que nada seja perdido. Mais uma vez, belos riffs e solos dão aquele molho amargo e duro que uma banda de Death Metal precisa ter, mas elas se encontram bem melodiosas.

"You Are Not You" - Fechando com chave de ouro, a banda mostra alguns momentos mais velozes (onde belas pegadas melodiosas aparecem em profusão). Mais uma vez, a banda apresenta aquela pegada mais do Death Metal de Gotemburgo de raiz, sem perder o lado agressivo. E basta reparar que a bateria e o baixo mais uma vez estão em grande forma, fora os vocais estarem ótimos.

O DEATH CHAOS é uma banda promissora, com uma música excelente, e que pelo que se percebe, ainda pode evoluir muito além do que é ouvido em "Prologue in Death & Chaos". Mas por agora, este EP é excelente. E ele pode ser ouvido na íntegra na página da banda no Soundcloud. mas é tão bom que quem ouvir vai querer a cópia física.

É uma banda corajosa, e é uma das maiores revelações do ano.


D.I.E. - D.I.E. II (EP)


2016

Independente
Nacional

Nota: 8,5/10,0

Músicas:

1. Truth Like Yourself
2. Religion
3. Space to Destroy
4. Lost


Banda:

Charles Guerreiro - Vocais
Hell Hound - Guitarras
Roger Voorhees - Baixo
Mortiz Carrasco - Bateria


Contatos:

Metal Media (Assessoria de Imprensa)


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia

Enquanto isso, em Botucatu...

Sim, a região de Botucatu anda há tempos revelando bons nomes em termos de Metal nacional. 

E um dos nomes mais interessantes da região é o do quarteto de Crossover/Metal D.I.E. Sim, o grupo andou evoluindo seu som diante do que foi apresentando no primeiro trabalho do grupo, o EP "D.I.E", e se preparem, porque "D.I.E. II" já nasceu um quebra-pescoços de primeira linha.

Antes de tudo, podemos dizer que a técnica musical do quarteto deu uma bela evoluída, os elementos musicais do grupo estão mais coesos. Continua bruto e agressivo como uma manada de búfalos, com aqueles toques de Groove/Thrash Metal à lá PANTERA aqui e ali, mas ao mesmo tempo, algum refinamento moderno está presente. Os vocais melhoram muito, ficando com timbres bem secos e agressivos, mas inteligíveis; as guitarras estão com riffs certeiros, usando uma simplicidade envolvente em seu favor, e aproveitando de alguns momentos para mostrar uma boa técnica, mas sem destoar; e a cozinha rítmica do grupo está ótima, usando boas conduções de dois bumbos e algumas mudanças rítmicas simples, mas coerentes com a musicalidade que o quarteto se propõe a fazer. E digamos de passagem: é de primeira, rasgando os tímpanos dos menos acostumados, e causando torcicolos em muitos.

O ponto-chave que explica essa melhora está justamente na produção. Fabiano Gil, Umberto Buldrini e o próprio grupo se esforçaram bastante para darem ao EP uma sonoridade brutal e pesada, mas que fosse mais clara, nos permitindo compreender completamente o que eles estão tocando, e o que eles querem de sua música. E Thiago D'Angelo criou uma capa bem interessante, um negativo em relação à capa do primeiro EP, quase que mostrando que o D.I.E. aprendeu lições importantes com shows e labutas, e está disposto a se impor no cenário nacional.

E eles têm música para isso, verdade seja dita!

Com a evolução musical do quarteto, veio junto uma vontade de vencer enorme. E essa vontade se traduz em quatro canções ríspidas, mas com uma qualidade diferenciada, mostrando que finalmente a personalidade do D.I.E. está sendo exposta. Arranjos bem feitos, agressividade embalada por um trabalho musical bem polido, mas sem que a banda perca seu lado despojado, e de certa forma, crítico e irônico.

"Truth Like Yourself" - Uma música pesada, com um andamento que varia bastante, mostrando uma dinâmica excelente entre a cozinha rítmica da banda e os riffs. Mas cuidado, pois a agressividade do quarteto está bem extremada.

"Religion" - Outra música bruta, mas onde vemos que esta estética agressiva da banda com certo alinhavo mais refinado, buscando deixar o trabalho da banda mais coeso. E reparem como os vocais estão raivosos, urrados, mas com boa dicção.

"Space to Destroy" - Enquanto as outras músicas mal chegam aos três minutos de duração, aqui o grupo lança mão de uma faixa mais longa, com mais de cinco minutos de duração. Mas é justamente onde o D.I.E. mostra versatilidade, com um andamento mais cadenciado, transformando esta é uma canção opressiva, onde o contraste azedo dos vocais e riffs nos deixa boquiabertos. E não deixem de ouvir como baixo e bateria estão em grande forma, conduzindo bem o ritmo com uma dose extra de peso.

"Lost" - Aqui, mais uma vez a banda usa um fundo mais cadenciado, mas evidenciando uma boa técnica em cada instrumento. Sim, o quarteto sabe tocar muito bem, e usa isso em seu favor, criando mais uma música grudenta e bruta, com toques modernos, sem deixar de soar intenso e bruto.

Desse jeito, podemos dizer que o D.I.E. está pronto para lançar seu álbum próprio. E o Metal extremo "Made in Botucatu" mostra a cara para o mundo.

Ouçam, caiam no moshpit e apreciem sem moderação alguma. Os Botucatu Bloody Freaks são a banda certa para isso!