13 de nov de 2016

METALLICA – Hardwired... To Self-Destruct (CD Duplo)


2016
Importado


Tracklist:

Disco 1:

1. Hardwired
2. Atlas, Rise!
3. Now that We’re Dead
4. Moth into Flame
5. Dream No More
6. Halo on Fire

Disco 2:

1. Confusion
2. ManUNkind
3. Here Comes Revenge
4. Am I Savage?
5. Murder One
6. Spit Out the Bone


Banda:


James Hetfield – Vocais, guitarra base
Kirk Hammett – Guitarra solo
Robert Trujillo – Baixo
Lars Ulrich – Bateria 


Contatos:

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Nota:

Originalidade: 10
Composição: 10
Produção: 10

10/10


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Analisar discos de bandas gigantes nem sempre é um trabalho simples, pois existe todo encargo de termos que lidar com a paixão que envolve a banda em questão. E não é algo fácil, acreditem. E imaginem isso lidando com um dos gigantes do gênero?

Pronto, agora já sabem a responsabilidade extrema que é lidar com “Hardwired... To Self-Destruct”, novo do METALLICA, um dos nomes mais famosos do Metal de todos os tempos.

Em primeira instância, poderíamos tratar “Hardwired... To Self-Destruct” como uma volta da banda aos seus tempos mais pesados, sem contanto negar o aprendizado dos anos. Ou seja, nesse álbum você encontrará elementos que remetem diretamente a “Kill ‘Em All”, “Ride the Lightning”, “...And Justice For All” e o próprio “Metallica”, e mesmo algumas coisas que vieram nos discos posteriores à fase áurea do grupo. Existem momentos tecnicamente mais elaborados, outros mais simples; há momentos velozes e cheios de agressividade, outros mais lentos e azedos, e outros no meio termo, mas a energia e vibração que estava ausente há uns tempos está de volta, e mesmo o ótimo trabalho da banda em construir refrãos de simples assimilação está mais uma vez na melhor forma. 

James está cantando muito bem, com agressividade e melodia, e sua mão direita, famosa por tocar alguns dos melhores riffs do Metal, está feroz; Kirk está indo muito bem nos solos (sempre com o uso do Wah-Wah" que lhe é característico) e bases, inspirado e inspirador na sua simplicidade técnica; Robert finalmente está encaixado perfeitamente, mostrando peso e segurança no baixo (e até mesmo no processo de composição), e mais contido em sua técnica; Lars continua sendo um bom baterista, sabendo muito bem conduzir o ritmo da banda, mas sem exagerar demais no aspecto técnico. E o melhor de tudo, o METALLICA está coeso, forte e cheio de energia.

Os Reis do Thrash Metal estão de volta, e estão com um apetite exagerado em termos musicais!

“Hardwired... To Self-Destruct” é o disco que a maioria dos fãs do grupo está esperando ansiosa não há 8 anos (espaço entre este e “Death Magnetic”), mas 25 anos, gente que cresceu hipnotizado pelo trabalho deles nos anos 80. Mas mesmo assim, não se percebe saudosismos da parte da banda. 

Se a banda sempre teve problemas na produção de discos importantes desde muitos anos, “Hardwired... To Self-Destruct” mostra-se muito bem acabado, muito bem cuidado. James, Lars e Greg Fidelman (conhecido produtor americano que trabalhou com o quarteto na mixagem e engenharia de “Death Magnetic”, além de ter trabalhos com SLAYER, APOCALYPTICA, SLIPKNOT, U2, JOHNNY CASH, ADELE e outros) souberam dar uma sonoridade que fosse pesada e polida ao disco, equilibrando bem ambos os aspectos. E a agressividade está óbvia, embalada com um toque de requinte. Óbvio que nem sempre se agrada a todos, mas a qualidade está inegável. 

Em termos gráficos, a capa já gerou muita polêmica, pois uns amaram, outros odiaram, e outros são indiferentes. Mas acho que John Buttino (diretor de arte) conseguiu traduzir em arte visual aquilo que o disco é em termos sonoros: um divisor de opiniões.

Sim, “Hardwired... To Self-Destruct” veio causar mais polêmica por muitos fatores, algumas já pululando na internet. Mas quem conhece a banda de muitos anos (especialmente a geração que os acompanha desde antes de “Master of Puppets” ser lançado), saberá que isso é comum, pois nenhum disco do METALLICA foi muito bem recebido pelos fãs no momento de seu lançamento. E esse não é diferente, necessitando que se tenha tempo para compreende-lo dignamente. 

Mas isso não nos impede de perceber que o grupo resgata sua sonoridade mais agressiva e que sangra energia aos borbotões, e funde à experiência dos acertos e erros desde “Metallica”. E em termos líricos, a banda preferiu se distanciar das polêmicas letras políticas e usa de uma abordagem de temas ligados ao mundo da fama e das celebridades. Mais uma vez, abordam temas polêmicos antes que muitos falem sobre o assunto.

Dissecando “Hardwired... To Self-Destruct”:

“Hardwired” – Primeiro Single de divulgação do CD, e nos apresentam uma rifferama absurda de cair o queixo, esbanjando energia e velocidade. A estrutura harmônica desta canção lembra a simplicidade veloz e impactante de “Kill ‘Em All” em seus melhores momentos. Óbvio que as guitarras se destacam absurdamente.

“Atlas, Rise!” – Terceiro Single de divulgação. Esta já mostra o andamento um pouco mais lento, mas mantendo os níveis de energia de antes, com partes empolgantes que nos levam a bater cabeça, e alguns detalhes mais técnicos. A típica música onde os vocais da banda estão de primeira (James canta usando a experiência, mas com timbres agressivos de sua voz normal), e as linhas melodiosas das guitarras estão fenomenais.

“Now that We’re Dead” – Outra com os tempos não muito rápidos, mas como o grupo esbanja riffs de alto nível! E o peso é absurdo, mas sem deixa que a banda fique suja em excesso. E que refrão, onde as partes de guitarras são memoráveis! Em termos estéticos, as linhas harmônicas lembram bastante as das melodias bem definidas de “Metallica”, mas com uma estética mais bem acabada e fluida, com a agressividade mais lenta do “And Justice For All”.

“Moth into Flame” – Esta foi escolhida para ser o segundo Single de divulgação. É uma torrente de energia crua e forte, com riffs absurdamente insanos e bem trabalhados. O refrão é maravilhoso, o ritmo é bem variado entre o cadenciado e a velocidade mais próxima do refrão e as linhas quase melancólicas dos vocais e backings durante o refrão em si, um traço que o grupo usou muito bem em “Master of Puppets” (se duvidam, ouçam “Disposable Heroes” atentamente, e verão que digo a verdade).

“Dream No More” – O ritmo fica bem cadenciado e pesado, azedo e com alguns toques mais modernos, especialmente perto do refrão. Reparem como a bateria mostra uma boa técnica e peso fenomenal, acompanhada muito bem do baixo. Mais uma vez, eles rebuscam a técnica mais simples e acessível de “Metallica”, só que mantendo uma agressividade ímpar.

“Halo on Fire” – É uma música de mais de oito minutos, e aqui, é aquele típico jogo do grupo com baladas: partes lentas e introspectivas (com belas linhas de guitarra, especialmente solos bem definidos), refrão mais agressivo e pesado, e final estilo locomotiva desembestada que está vindo para cima de ti. 

Isso foi só o disco um, já que a banda usou da velha estratégia de dois discos, como fez com “...And Justice For All” e “Metallica” nas suas versões em vinil (e uma versão de 45 RPM do “Master of Puppets”, não a original). O massacre continua no CD 2!

“Confusion” – Mais uma vez, a banda remexe no baú e rebusca o lado um pouco mais técnico e abrasivo de alguns momentos de “And Justice for All”, mistura à melodias bem pensadas e cria uma música ótima, com alguns toques modernos aqui e ali. Mais uma vez, baixo e bateria estão muito bem. 

“ManUNkind” – O dedilhado de guitarras limpas e baixo no início não engana os fãs mais antigos, pois o que temos pela frente é uma música técnica, pesada e densa, mas sem perder a noção melódica tão preciosa para o grupo. Os arranjos de guitarra estão ótimos, as melodias bem definidas, mas o destaque é mesmo para os vocais, que empolgam muito o ouvinte (isso sem falar em uns toques mais sujos e memoráveis do baixo).

“Here Comes Revenge” – Peso, feeling e qualidade se aliam para criar uma música bem feita, com um vocal cheio de tons irônicos em alguns momentos. Óbvio que os riffs de guitarra estão esbanjando qualidade, e alguns toques mais bem acabados de “Load” e “Reload” são sensíveis (especialmente nos vocais), mas a canção em si remete ao peso opressivo e criativo do “Ride the Lightning” e do “Master of Puppets”.

“Am I Savage?” – A banda revisa algumas de suas influências da NWOBHM e do próprio BLACK SABBATH (devido ao trabalho pesado, mas bem acabado, esteticamente falando), para criar algo climático, com o andamento provocando azedume em vários momentos, mas com outros com toques mais melodiosos.

“Murder One” – Acordes mais melodiosos e sensíveis se intercalam com partes com peso e agressividade. Os tempos buscam ser mais simples e com velocidade longe de exageros. Baixo e bateria mais uma vez estão em grande forma, mas como é bom ouvir a banda gastando seu arsenal de riffs assim de novo.

“Spit Out the Bone” – Se o disco abriu com uma faixa veloz, lá vem outra, com aquele jeitão “Kill ‘Em All” e “Ride the Lightning” mais uma vez, gerando uma canção que não vai deixar pescoço inteiro. Óbvio que, como dito antes, a experiência ajuda demais a banda, adicionando texturas diferenciadas sobre uma base mais simples, belos riffs, solos caprichados, alguns momentos do baixo usando uma distorção forte, e a bateria esbanjando adrenalina. 

Restam-nos apenas algumas considerações:

1. “Hardwired... To Self-Destruct” não é um disco para uma ouvida. Ele tem suas complexidades, logo, é melhor tomarem cuidado para não falarem besteiras (pois o Facebook já anda cheio delas, e algumas sem sentido);

2. Clássico? Sinto muito, não sou discípulo de Nostradamus para assumir a responsabilidade para dizer algo do tipo. Clássicos levam tempo para serem considerados assim, ainda mais quando se trata do METALLICA;

3. Óbvio que alguns irão reclamar que a banda não está fazendo nada de novo de alguma forma. Quando eles ousam, são espinafrados sem dó; quando fazem aquilo que sabem, são criticados ad nauseam. Então, danem-se vossas opiniões, apenas curtam o disco (ou não, mas não encham o saco, pois o meu não é bexiga de festa de aniversário);

4. Não é preciso terem medo: o METALLICA realmente está de volta, e com sede de fazer música! 

Não tem jeito... 

2016 é mesmo o ano dos velhinhos mostrarem aos mais jovens o que é fazer Metal de verdade e em alta performance...



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