17 de abr de 2015

Púrpura Ink – Breakin’ Chains (CD)

Voice Music (físico)/ Wikimetal (digital)
Nota 9,5/10,0

Por Marcos "Big Daddy" Garcia





Quando se fala em anos 80 no Brasil, os fãs de Metal pensam apenas nas bandas de Metal mais agressivo. Sim, mas esquecem-se do legado de bandas de Hard Rock, AOR e Glam Metal daqueles tempos, da força de nomes como MOTLEY CRUE, BON JOVI, W.A.S.P., POISON, RATT, CINDERELLA e tantos outros que não pode ser ignorada. Tanto é que muitos nomes grandes estão voltando à ativa, e outros surgindo. E podemos afirmar que os sucessores da famosa Sunset Boulevard ou estão na Suécia (CRASHDIET, H.E.A.T., GEMINI FIVE, e outros) ou nas terras do Brasil. Sim, pois por aqui, nomes como GLITTER MAGIC, HARD DESIRE, SUPERSTITIOUS, FURIA LOUCA, SIXTY-NINE CRASH e muitos mais andam fazendo trabalhos sublimes. E mais um se junta a esta turma: o excelente quinteto PÚRPURA INK, de São Luís do Maranhão, que chega com seu primeiro álbum, “Breakin’ Chains”. 

A força do Hard Rock/Glam Rock, unida à espontaneidade do Rock’n’Roll e o peso do Hard Rock clássico é o que eles nos concedem. Só que esses sujeitos têm uma música envolvente, melodiosa, grudenta, com ótima técnica e maravilhosa. É algo abusivamente ótimo ouvir esta mistura de vocais melodiosos e com boa dose de agressividade (lembra bastante o jeitão de Vince Neil em algumas partes, só que mais melodiosa), belas guitarras (riffs certeiros, solos caprichados e mesmo alguns lindos duetos), baixo e bateria mostrando não só peso, mas uma técnica absurda (mas sem cair no erro dos excessos individuais), belas incursões de teclados, e adicione à mistura excelentes refrões e muita energia, garra e empolgação. É a fórmula do sucesso, e de algo maravilhoso para nossos ouvidos.

Púrpura Ink
A produção musical é de alto nível. Sim, cada instrumento está em seu devido lugar, soando pesado e limpo nas medidas certas. E assim, a música da banda é capaz de ser compreendida em sua plenitude.

O quinteto abusa de ser uma ótima banda, desfilando composições bem arranjadas e espontâneas. Nada aqui soa forçado, buscando ser aquilo que não é. A música deles fala direto ao coração, com um dinamismo absurdo.

A pesada e grudenta “Breakin’ Chains” começa o disco de maneira perfeita, com andamento envolvente, refrão grudento e vocais muito bem encaixados, para em seguida, vir um murro na cara na forma de um Hardão/Sleazy ganchudo de categoria em “Lifestyle”, uma faixa mais seca e agressiva, ótima presença backing vocals perfeitos, baixo à lá Steve Harris, e guitarras fazendo bases, solos e duetos com uma categoria absurda. Em “Higher Ground”, temos um início mais etéreo, com bela presença de teclados e baixo, para então ganhar peso, com um andamento em tempo médio e presença de belos momentos mais limpos, uma música que chega bem perto do AOR, com presença marcante de baixo e bateria, e ótimos corais. Em “Kate”, temos um groove mais forte, além de um feeling moderno, onde as guitarras dão peso e melodia nas doses devidas. “Let Me Stay” é uma semi-balada instrospectiva e bluesy, com toques de Hard setentista, bem envolvente, onde os vocais mostram boa versatilidade. Em “The Enemy”, o lado mais Heavy Metal da banda fica claro, mas sem perder a pegada Hard grudenta da banda, mostrando um trabalho de guitarras bem instigante. A mais amena e bem acessível “Flying Away” é tão bem feita que poderia figurar nos antigos comerciais de cigarros, onde todos conhecemos certos hits do AOR/Hard nos anos 80, com teclados dando uma climática ótima e a base rítmica mostrando-se firme, e os mesmo elementos se repetem em “Rose With Thorns”, cheia de melodias certeiras, backing envolventes e lembrando o jeito europeu de fazer Hard/AOR. Em “Bitter Wishes”, novamente o jeitão mais moderno e cru do Hard’n’Roll se faz presente. E fechando com chave de ouro, a belíssima e melodiosa “Something to Believe”, que não é uma balada, mas outra faixa extremamente acessível ao grande público, com refrão excelente, e a banda toda em grande forma.

Uma excelente banda, que chega na hora certa. E como dito no início, são herdeiros mais que dignos daquela música excelente feita nos 80, mas sem soar retro ou cheia de mofo. Aqui, neste álbum, pulsa vida, e muita.

O CD possui cópias físicas disponíveis, mas também pode ser ouvido (e adquirido) em várias plataformas digitais na internet, que pode encontrar abaixo conforme seu desejo.


Verdade seja dita: o estilo está em ótima fase no Brasil, e o PÚRPURA INK é um de seus melhores nomes.





Músicas:

01. Breakin’ Chains
02. Lifestyle
03. Higher Ground
04. Kate
05. Let Me Stay (Go Away)
06. Enemy
07. Flying Away
08. Rose With Thorns
09. Bitter Wishes
10. Something to Believe


Banda:

E.J. – Vocais 
Márcio Glam – Guitarras 
Chris Wiesen – Guitarras
Seth Bass – Baixo 
Derick – Bateria 


Contatos:

Atomic Bomb – Metal Selvagem (CD)

Black Legion Productions
Nota 6,5/10,0

Por Marcos "Big Daddy" Garcia



Realmente, aqueles que conheceram os anos 80 e são da época possuem uma longa experiência no cenário. O fenômeno interessante é justamente ver bandas jovens rebuscando o que existia na época. Mas aqui reside um dos maiores perigos possíveis: tentar trabalhar em um estilo já erodido pelo tempo pode levar aquele sentimento “eu já ouvi isso antes”, e isso é problemático. É preciso personalidade para se sobressair nos tempos atuais, que andam bem difíceis. E o trio carioca ATOMIC BOMB, de Nova Iguaçu, ainda precisa de muito amadurecimento musical. “Metal Selvagem” não é de todo ruim, mas carece de personalidade.

O trio faz uma mistura do Thrash Metal mais próximo à escola germânica da primeira metade dos anos 80 com o Punk Rock. Chega a soar como uma versão Thrash Metal do MOTORHEAD, ou um WARFARE da época do “Metal Anarchy” mais sujo com toques de SODOM. E é aí que está o problema: muitas e muitas vezes, todos já ouvimos isso ser feito, e com mais personalidade. Não é que a mistura de vocais esganiçados (mas para que carregar tanto nos efeitos?), bons riffs de guitarra (e solos doentios), cozinha rítmica consistente (com o baixo aparecendo bastante) esteja em má forma ou seja ruim. A banda até tem bastante potencial, está bem perceptível, mas a tentativa de soar “Metal anos 80” está forçada demais, e joga por terra esforços preciosos que foram feitos até chegarem aqui.

Atomic Bomb
A produção sonora é tosca e crua, como a maioria das bandas dessa tendência gosta de fazer. E isso é ruim demais, pois acaba deixando o trabalho como um todo difícil de ser entendido muitas vezes. E talvez seja este um dos maiores calcanhares de Aquiles do CD. Já em termos de arte, ficou bem legal a capa bem feita e o layout mais simples.

A banda aposta suas fichas em composições curtas e diretas, com arranjos simples e letras cantadas em português. Eles têm muita energia e garra, verdade seja dita. Mas é preciso mais que isso para se destacar em um meio tão competitivo como o Metal.

As músicas duram, em média, pouco mais de dois minutos, e é óbvio que não temos perda total. Em momentos como a veloz e empolgante “Speed Metal 666”, a irônica e azeda “Livre Para Pensar”, e a bruta “Cães de Guerra” e seus belos riffs. E é assim que se percebe o quanto eles podem realmente render musicalmente.

“Metal Selvagem” acaba ficando na média, já que o potencial da banda é capaz de equilibrar o lado negativo. Mas acreditamos que mais uma lapidada nas músicas, um bom produtor musical, fora compreenderem que os anos 80 já acabaram há muito tempo (e assim, se torna necessário pôr vida e personalidade no que fazem) ajudará a terem melhores resultados.

Mas o ATOMIC BOMB é uma banda bem jovem ainda, e prometem bastante. Este autor deseja de coração que eles possam evoluir mais.



Músicas:

01. Metal Selvagem
02. Jonestown
03. Speed Metal 666
04. O Dia da Aniquilação
05. Livre Para Pensar
06. Setor Central
07. Libertem Barrabás
08. Cães de Guerra


Banda:

Renan Carvalho – Vocais, guitarras 
Marcos Calafalas – Baixo 
Rafahëll Torres – Bateria 


Contatos: