21 de dez de 2015

KRAPPULAS - Psychoworld


2012
Nacional

Nota 8,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Quem é iniciado e conhecem bem o estilo conhecido como Psychobilly, sabe que ele é, antes de tudo, um gênero musical bem diferente em suas características de muitos outros. Atrevo-me a dizer que o gênero tem como sua maior característica a obrigação de ser divertido. Sim, pois é ouvir, ficar agarrado à banda, e sair curtindo a música sem hora para parar. E pelo visto, em Curitiba (Paraná), temos uma cena fortíssima no gênero, e que deu ao mundo uma banda tão boa como o KRAPPULAS, que detona em seu disco de 2012, "Psychoworld".

Antes de tudo, é preciso dizer que a banda é extremamente despojada, musicalmente falando. O trabalho soa bem intenso, raçudo e empolgante, mas espontâneo e despretensioso, além da banda não cair nas armadilhas da auto-indulgência musical e não exagerar em aspectos técnicos (o que nem faz parte do estilo deles, para ser sincero). E é justamente por isso que "Psychoworld" é um disco ótimo, empolgante e que nos envolve da primeira nota até o último vocal urrado. Vocais com bons tons mais agressivos, guitarras com riffs simples e certeiros, baixo (acústico) e bateria formando uma base rítmica simples, mas precisa. E é ótimo do jeito que é!

A gravação do disco soa bem simples e despojada da vontade de ser um primor do gênero. E assim, consegue soar agressiva e até pesada como a banda precisa. É com essa gravação mais seca e orgânica que o grupo se mostra no ápice. 

Krappulas
E a arte usada em um cenário mezzo boteco/mezzo prostíbulo funcionou muito bem, deixando a proposta sonora da banda clara: aqui é para ser, antes de tudo, divertido. Uma ótima idéia e feita com muito esmero.

Esqueça firulas, fritadas ou 1000 acordes por segundo. Aqui, não irão encontrar, mas é justamente desse jeito mais solto, sujo e rasgado que a banda se mostra genial. E a banda, mesmo usando de um trabalho técnico simples, nos encanta com arranjos que entram pelos ouvidos e não saem mais.

A excelente "Shocked" (com riffs de guitarra muito bons, nos levando a ficar presos à canção), a irônica e azeda "Hassassin" (bem sinuosa e ganchuda, onde a ironia vem dos vocais esganiçados, e baixo e bateria mostram um trabalho ótimo), "Caring About" e seu refrão ganchudo; a sinuosa e cheia de energia "Krappulas " (esses vocais são de primeira, fora a presença forte da base rítmica, que mesmo simples, dá um show); a não tão veloz e recheada de belos backing vocals "Torture"; "Just Let Me Be Alone e seu jeitão despojado, e "Green Fairy is Dead", onde o lado mais Punk Rock fica evidente.

Uma ótima pedida para se divertir, e mesmo para se ouvir em casa, pois o KRAPPULAS é uma banda de primeira.





Músicas:

01. Hell
02. Shocked
03. Hassassin
04. Caring About
05. Earthquake
06. Krappulas
07. Torture
08. Just Let Me Be Alone
09. Green Fairy is Dead
10. Reincarnation
11. Devil Dead



Banda:

Breno - Vocais
David - Guitarras
Manolo - Baixo de pau
Cris - Bateria


Contatos:


SICK SICK SINNERS - Unfuckinstoppable (CD)


2014
Nacional

Nota 9,5/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Antes de tudo, música é uma diversão. Sim, tem que ser divertido, te fazer bem, independente de como você tem este sentimento. Ele se manifesta de várias formas, logo, não há como explicar algo tão amplo e tão abstrato. E sim, é assim que nos sentimento bem ao ouvir um disco, banda ou gênero muitas vezes seguidas e ter aquela sensação de prazer. E digamos de passagem: o trio curitibano SICK SICK SINNERS manja do riscado de fazer algo divertido e ótimo, pois "Unfuckinstoppable" é um disco para se ouvir vezes seguidas sem medo, e a diversão é garantida.

A banda faz aquilo que é conhecido como Psychobilly Maldito, ou seja, eles estão misturando Punk Rock, Rock'n'Roll tradicional e Rockabilly, ou seja, a musicalidade deles se baseia em um trabalho musical feito com arranjos simples e diretos, mas de grande acessibilidade e energia em altas doses. E sim, é extremamente ganchudo, e entrou nos ouvidos, não sai mais. E isso sem falar que a música do trio é maravilhosamente divertida, e de forma alguma é entediante. A música do trio é feita por vocais fortes e que exalam agressividade e ironia, riffs faíscantes, baixo e bateria em uma base forte e simples, mas de peso. E o baixo, meus caros, é acústico, ou seja, a sonoridade da banda foge bastante do convencional.

E apesar de ter um forte lado Punk, a produção sonora do grupo é muito boa, seca e intensa, com boa dose de agressividade, mas bem distante de ser sujo ao ponto de tornar a música da banda ininteligível. A produção lhes deu uma qualidade ótima, verdade seja dita.

Sick Sick Sinners
No tocante à arte, o trabalho da banda é ressaltado pelo digipack bem feito, feita por Wildner Lima, que pegou bem o espírito irônico e divertido da banda.

E é incrível como a banda, limitada pela técnica característica do Punk Rock se sai bem em criar riffs e bases rítmicas ótimas, sabendo nos manter presos ao som da banda. E isso sem contar que suas músicas não são longas (a média é de pouco menos de minutos), ou seja, a banda usa todo seu "know-how" para criar músicas ótimas.

É até difícil destacar uma ou outra faixa do disco, pois seria injusto. São dez canções ótimas sem tirar de dentro

Para uma primeira audição, a empolgante "Coffee Freak" (com ótimos riffs e mudanças rítmicas ótimas. Vocais e guitarras fazem bonito nela), "Where's My Baby Girl" (onde o baixo rouba a cena em vários momentos de uma canção raçuda e com ótimo refrão), a cavalar e instigante "Six Feet Underground", a irônica "Wild Party in Hell" (se não sacaram a música de onde surge o riff inicial... E que vocais ótimos nessa faixa com o jeitão mais Rockabilly da banda mais evidente), a icônica e antêmica "We Wanna Drink Some More" (para os cachaceiros em geral, é mais um hino, e ainda por cima adornado com adrenalina empolgante, mais excelentes riffs e backing vocals ótimos), a intensa "Unfuckinstoppable", e a esporreira desmedida de "Wasted Everyday". Depois, como o vício é certo, o CD vai ficar na função repeat do CD player até encher o saco do seu vizinho pentelho.

Excelente play, bandaça, e merece aplausos. Mas não os deixe perto de seu frigobar ou de seu estoque de bebidas...





Músicas:

01. Coffee Freak
02. Where's My Baby Girl
03. 3 Demons at My Door
04. Six Feet Underground
05. Wild Party in Hell
06. Same Breed
07. We Wanna Drink Some More
08. Unfuckinstoppable
09. Bacon Seed
10. Wasted Everyday


Banda:

Cox - Baixo, vocais
Vlad - Guitarras, vocais
Emiliano - Bateria, backing vocals


Contatos:


HILLBILLY RAWHIDE - Ten Years on the Road (CD)


2013
Independente
Nacional

Nota 9,5/10,0

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia

Uma das coisas que mais matam o Rock’n’Roll e o Metal no Brasil é o radicalismo burro, sem conhecimento da história do gênero, ou mesmo o endurecimento romântico em prol exclusivamente do Metal, e mesmo de um subgênero do mesmo. No fundo, tenho um pouco de pena de pessoas assim que perdem coisas muito boas feitas tanto aqui quanto lá fora. E uma das bandas mais legais que já ouvi dentro do Rock’n’Roll nacional é, sem sombra de dúvidas, o excelente sexteto HILLBILLY RAWHIDE, de Curitiba. E como a banda arrasa em “Ten Years on the Road”, se disco de estúdio mais recente.

Antes de tudo, não estamos lidando com uma banda de Metal. O sexteto tem uma pegada mais voltada ao Country Rock, ou seja, aquela mistura deliciosa e envolvente da energia do Rock com o ritmo e pegada do Country/Southern Rock norte americano, algumas pitada de Rockabilly, feito com uma energia maravilhosa, mas com um jeitão ganchudo, com ótimos refrões, vocais roucos eficientes, presenças maravilhosas de harmônicas e violinos bem evidentes, guitarras limpas, e uma cozinha inteligente em um trabalho não muito técnico, mas sempre de bom gosto. E meus caros, se este disco não o fizer sair dançando, você já faleceu e ainda não se deu conta disso!

A produção do disco é assinada pelo próprio sexteto, que teve como co-produtores Virgílio Milléo e William Fernandez. O trabalho em termos de sonorização é muito bem feito, com cada instrumento com bons timbres e em seu devido lugar, sem se embolarem mutuamente, e sinceramente: parece que estamos em uma apresentação ao vivo do grupo. E a arte da capa é ótima, dando a clara ideia de que o sexteto é uma banda cujo habitat natural é a estrada, com sua poeira, glória e aplausos.

Hillbilly Rawhide
E como merecem aplausos!

A música do grupo se baseia em arranjos bem simples, que o público consegue assimilar com facilidade, e sem deixar a energia cair em um momento que seja. 

Juntando músicas novas e algumas anteriores a este álbum, e misturando músicas cantadas em português e em inglês, o disco inteiro é muito é bom, mas como não destacar faixas como a envolvente “Uma Cerveja, Uma Cachaça e um Remedinho” (que é recheada de belos arranjos de pianos e com uma fina ironia na letra), a raçuda “Drunk and Stoned” (que melodias ótimas e de fácil assimilação! E reparem bem nos violinos), a mais comportada e totalmente western “Hillbilly Treasure”, a encorpada “Cavaleiros da Estrada” (mais uma participação brilhante do violino), as animadas e envolventes “Honky Tonk Linos” e “Lost and Found”, além da ácida e com toque Bluesy “Monkey's Cage”?? E nem falei de “E Agora, Johnny?”, que é a típica música para animar qualquer dia da semana (cheia de pianos ótimos), e que serviria como uma luva para as famosas cenas de brigas em saloons em filmes de Western.

Uma cerveja, uma mina no colo e “Ten Years on the Road” rolando é mais que qualquer ser humano pode desejar.

Um ótimo disco, sem sombra de dúvidas! 



Músicas:

01. Bull Beer Theme 
02. Uma Cerveja, uma Cachaça e um Remedinho 
03. Drunk and Stoned 
04. Longe Sem Dinheiro 
05. Hillbilly Treasure 
06. Cavaleiros da Estrada 
07. Fallin' Down Again 
08. Honky Tonk Linos 
09. Lost and Found 
10. Cavaleiros da Morte 
11. Monkey's Cage 
12. Boogie Woogie no Hospital 
13. E agora Johnny?


Banda:

Mutant Cox - Vocais, guitarras, violão
Mark Cleverson - Violino, vocais
Joe Ferriday - Piano, vocais
Osmar Cavera - Baixo acústico 
Juliano Cocktail - Bateria, cajón
Marcos Traad - Harmônica


Contatos: