8 de jun de 2013

Orphaned Land - All is One (CD)

Century Media Records - Importado
Nota 10

Por Marcos Garcia

E quanto mais o Metal envelhece, melhor ele fica.

Estas palavras se justificam ao observarmos a diversidade musical enorme que cada dia nos assalta, com bandas cada vez mais corajosas fazendo trabalhos sublimes e dignos de nota, e um veterano em desafiar os ouvidos mais conservadores é, sem sombra de dúvidas, o quinteto ORPHANED LAND, de Israel, que faz um mix entre o Metal e música regional de seu país, e que chega com seu novo trabalho, o fantástico 'All is One', que a Century Media pôs no mercado.

O grupo faz um trabalho minimalista e rico, musicalmente falando, com belíssimos arranjos de música folclórica do Oriente, e isso tudo entremeado por vocais limpos de qualidade, lindos corais grandiosos, alguns vocais guturais aqui e ali, guitarras com ótimos riffs e solos bem arranjados (bem como cordas acústicas belíssimas), baixo e bateria pesados e coesos, e com técnica muito boia, teclados bem postados e alguns instrumentos regionais que acentuam o bom gosto musical. Isso tudo misturado nos dá uma música forte, diversificada e bem inovadora.

O quinteto produziu seu próprio trabalho, mas a mixagem passou pelas mãos de Jens Bogren (que já fez trabalhos com KREATOR, AMON AMARTH, JAMES LABRIE, DEVIN TOWNSEND PROJECT, OPETH e outros), que abrilhantou o trabalho do grupo, deixando todos os instrumentos (TODOS, pois são muitos) bem claros e audíveis sem nenhuma dificuldade para o ouvinte, e seja dita a verdade: o trabalho foi bem difícil, porque o ORPHANED LAND usa e abusa de uma diversidade de instrumentos musicais bem vasta. Já a arte, concebida por Metastazis, ficou bem trabalhada e com uma mensagem de união entre três povos: os de Israel, os de cunho muçulmano e os de cunho cristão, ou seja, toda a humanidade em um contexto abrangente.

Musicalmente, 'All is One' é um disco que a audição para muitos será um desafio, pois a banda não é nem um pouco simplista, mas ao mesmo tempo, seu trabalho mantém um nível bem elevado, à altura de muita banda grande que anda se atrapalhando nas próprias pernas.

Não dá para destacar o disco como um todo, já que tudo nele é brilhante, cada composição é esmerada e perfeita a seu modo, pois de 'All is One' (uma faixa com belíssimos corais e riffs de guitarra ótimos e bateria quebrada, tudo permeado por ótimos teclados), passando pela ótima 'The Simple Man' (com um andamento bem hipnótico e belo trabalho de baixo e vocais), a belíssima 'Brother' (uma linda balada com destaque para as maravilhosas vocalizações de Koby, cuja letra trata da relação entre Itzhal e Ishmael, os dois filhos de Abraão que deram origem aos povos de Israel e nações árabes, que vivem em eterno conflito. É um pedido de paz entre dois povos-irmãos), a variada 'Let the Truce Be Known' (novamente com ótimos vocais e riffs absurdamente belos), 'Through Fire and Water' (que começa lenta com belos arranjos de instrumentos regionais de Israel, para depois virar uma canção grandiosa e recheada por corais e teclados), a poderosa e pesada 'Fail'; a instrumental 'Freedom', que possui uma diversidade de encher os olhos de lágrimas de tão boa; 'Shama'im' e sua força e peso em uma música intrigante e ganchuda; a pegada empolgante de 'Ya Benaye'; os trajetos heavyssívos de 'Our Own Messiah'; e fechando com a tocante e hipnótica 'Children'. 

Em um ano onde alguns veteranos mostraram que cansaram do Metal em trabalhos sem brilho, o ORPHANED LAND mostra o quanto pode oferecer musicalmente ao mundo, bem como sua mensagem de unidade entre os povos deste mundo pode atingir muitos fãs carente de uma ideologia forte e que vale a pena ser vivida e defendida.

Ah, sim: este autor só gostaria de ressaltar que a mensagem da banda nada tem com o que 99% das pessoas do meio no Brasil andam divulgando. É necessária uma profundidade cultural enorme para entrar em debates sobre o assunto, a qual muitos (me perdoem por estas palavras) não possuem e nem estão interessados em ter...





Tracklist:

01. All Is One  
02. The Simple Man  
03. Brother
04. Let the Truce Be Known
05. Through Fire and Water  
06. Fail  
07. Freedom  
08. Shama'im
09. Ya Benaye  
10. Our Own Messiah
11. Children


Formação:

Kobi Farhi - Vocais, cânticos, narração, backing vocals, corais
Yossi Sassi - Guitarra solo, guitarra acústica, Guitars (acoustic), oud, saz, chumbush, bouzouki, piano, backing vocals
Chen Balbus - Guitarra base, bouzouki, piano, xilofone, backing vocals
Uri Zelcha - Baixo, baixo acústico, baixo fretless
Matan Shmuely - Bateria, percussão
Roei Fridman - Percussão (músico convidado)


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Queensrÿche - Queensrÿche (CD)

Century Media Records - Importado
Nota 9

Por Marcos Garcia

Que discão!

Sob a polêmica da briga entre Geoff Tate e o resto de seus companheiros de banda, bem como da posterior saída do vocalista (ou demissão dos outros, já que essa estória ainda vai render bastante) e lançamento do CD 'Frequency Unknown' (que recebeu críticas bem negativas), o grupo recrutou Todd La Torre e se mandou para o estúdio, gravando 'Queensrÿche'. E acreditem: fizeram um CD que, se não está no mesmo nível de 'Operation: Mindcrime I', 'Empire' e 'The Warning', quase chega lá.

A banda continua fazendo Metal tradicional com aquela sonoridade elegante, cheia de energia e com toques de Progressivo, com uma pegada pesada bem forte, mas agora rebuscam um pouco de seu passado glorioso, da fase entre 'The Warning' e 'Empire', só que com uma sonoridade um pouco atualizada. As guitarras da banda continuam ótimas em riffs fortes e solos melodiosos, a base rítmica baixo/bateria está com a mesma técnica e peso que já conhecemos, mas Todd (ex-CRIMSON GLORY) é um achado precioso, pois seu jeito de cantar se encaixa na proposta da banda de maneira perfeita, sem que a ausência do antigo vocal seja sequer notada.

A produção do disco, feita por James "Jimbo" Barton (que já havia feito as mixagens e engenharia de som de 'Operation: Mindcrime I' e 'Empire', fora trabalhos com RUSH, FATES WARNING e METALLICA) deixou o grupo soando refinado e pesado ao mesmo tempo, com cada instrumento em seus devidos lugares, cada detalhe musical do quinteto exposto à audição sem problemas. Já a arte do disco, feita por Craig Howell, ficou linda e bem feita, com o símbolo do grupo, numa alusão ao renascimento do grupo, o que espelha o trabalho musical que ouviremos.

E que músicas!

'Queensrÿche' não chega ao nível dos discos mais clássicos da banda por muito, muito pouco, pois há tempos eles não faziam um disco realmente tão bom, com um apanhado de canções que resgata a essência do grupo, mas sem soar como se eles estivessem se tornando uma 'banda-cover-de-si-mesma', ou seja, é um passo para o futuro sem esquecer de suas raízes.

Obviamente, existem pontos altos no disco, como a forte, elegante e pesada 'Where Dreams Go to Die', com belíssimos riffs de guitarra e ótimos vocais, especialmente pelo refrão; a mais focada em peso e com as quebradas costumeiras do grupo 'Spore', onde a base baixo/bateria dá um autêntico show; a trabalhada e um pouco mais moderada 'In This Light'; a peso-pesado 'Vindication', onde os solos de guitarra mostram força em uma canção com levada mais Prog; a quase-balada 'A World Without'; a curta e feroz 'Fallout', com um baixo forte e audível em uma canção bem forte, mais direta e moderna; e a balada elegante 'Open Road', que ganha peso em certos momentos. 

Realmente, um disco que mostra a muitos fundamentalistas do Metal uma coisa: que salvo raríssimos casos, nenhum músico é insubstituível.

Top 10 de 2013 com certeza, e esperamos ansiosos por sua versão nacional!!!!!



Tracklist:

01. X2
02. Where Dreams Go to Die
03. Spore
04. In This Light
05. Redemption
06. Vindication
07. Midnight Lullaby
08. A World Without
09. Don’t Look Back
10. Fallout
11. Open Road


Formação:

Todd La Torre – Vocais
Michael Wilton – Guitarras 
Eddie  Jackson – Baixo
Scott  Rockenfield – Bateria, percussão, orquestrações
Parker Lundgren – Guitarras  


Contatos: