22 de mai de 2014

Técnica e sutileza nas seis cordas à serviço do Metal extremo – Entrevista com Vinnie Tyr



Por Marcos “Big Daddy” Garcia

Vinnie Tyr e Marcos Garcia, no dia do lançamento de "Flagellum Dei"

Bem, falar de Vinnie Tyr é fácil, em vista que sua trajetória musical dentro do Brasil é reconhecida por seus trabalhos com o UNEARTHLY e VIKING THRONE, REPUGNANT GORE, HORNED GOD E ENDLESS WAR.

Mas como gostamos de entrevistas diferentes com pessoas diferentes, quisemos enfocar mais o lado do guitarrista, do músico em si, e lá fomos nós.

Durante as gravações de "The Unearthly"
BD: Oi Vinnie. Antes de tudo, agradeço demais pela entrevista. Então, antes de entrarmos na coisa técnica, nos conte um pouco de sua história como músico: como começou, os primeiros contatos com o Metal, as primeiras bandas, trabalhos que fez e faz, ora, o básico.

VT: Antes de começar eu gostaria de agradecer pelo o apoio que você sempre deu a mim e ao UNEARTHLY.

Desde muito cedo eu tive influência musical dentro de casa pelo fato do meu pai ser músico, graças a isso eu sempre tive acesso aos instrumentos, estava sempre em meio aos shows e ensaios. Aos 8 anos eu comecei a ter aulas de teclado e fiz parte do coral da escola, mas isso foi meio que obrigado (risos). Por conta disso as aulas não duraram muito tempo. Somente aos 12 anos eu comecei a me interessar pelo o estudo.

A partir dessa época eu comecei a ouvir bandas de Rock/Heavy Metal e fui me aprofundando na guitarra. E como todo adolescente fui fazendo amigos que gostavam das mesmas coisas e assim foram surgindo as primeiras bandas de garagem. Até que eu fui convidado a entrar no UNEARTHLY em 2002. No ano de 2007 me mudei para São Paulo e fiquei 3 anos fora da banda. Nesse período em São Paulo, toquei muito brevemente no Horned God e no Endless War e dei aulas também. Quando voltei para o RJ, em 2010, voltei a tocar no UNEARTHLY. Desde então estou na banda e faço trabalhos paralelos na meio da música. Atualmente estou começando a compor temas para jogos e espero também trabalhar com isso num futuro próximo.

Detonando ao vivo

BD: Bem, você teve, se minha memória é boa, umas três guitarras até chegar a essa Jackson Kelly que usa atualmente. Mas ela já foi envenenada (risos). Quais as mexidas que deu, e visando que tipo de som? Ah, sim, aproveite e nos fale um pouco de seu set!

VT: Sim, além de ser uma guitarra muito boa tem um valor sentimental muito grande, Gravamos o "Flagellum Dei" com ela, nela eu uso captação Seymour Duncan, ponte Gotoh, tarrachas Gotoh, atualmente estamos com endorser da marca americana Blakhart. O "The Unearthly" (NR.: próximo disco do grupo) está sendo todo gravado com essas guitarras, particularmente são excelentes. Estamos com Amps Dual Rectfire da Mesa boogie JSX da Peavey, gabinetes MAK 3000 da Meteoro e temos simuladoras POD HD 300 e 500 da line 6.


BD: Vinnie, conforme o UNEARTHLY foi evoluindo musicalmente, antes de sua saída e após a sua volta, vemos que algumas sutilezas foram surgindo, como certos toques regionais nas cordas (sim, é perceptível no meio de tanta brutalidade). Até onde podemos ter a visão que há um toque seu nisso?

VT: Pode-se dizer que em certo ponto sim. Acredito que o passo inicial realmente foi meu. Sugeri colocarmos quando estávamos fazendo o "Flagellum...", mas agora todos temos interesse em investir em sonoridades mais brasileira, principalmente depois das turnês no exterior, sentimos que as músicas com ritmos brasileiros eram as que se destacavam nos shows e tinham mais interesse do público. Além do mais, somos brasileiros e o que você acha que o público esperava de nós? Sempre tive a mente muito aberta para a música, e sempre tento ouvir coisas novas e músicos diferentes, pra falar a verdade, enjoo da mesmas sonoridades ouvindo sempre o mesmo estilo, então busco outras em estilos diferentes, além disso ouvindo coisas diferentes, você não fica limitado na hora de compor, a criatividade vem do que você ouve, quando acho alguma coisa nova interessante tento logo entender como funciona.


BD: A sua técnica musical é bastante não convencional. Ou seja, sempre se percebe alguns acordes e arranjos em seus solos que fogem bastante do padrão “Metal”. Isso vem de seu background, ou seja, lá das influências musicais de início, ou foram se aglutinando com o tempo?

VT: Sim, na verdade essas idéias e influências foram se aprimorando de uns tempos pra cá, com o tempo e amadurecimento você sente a necessidade de experimentar coisas novas. Além disso, devido as altas doses de distorção que o Metal exige, me sinto um pouco limitado na hora de compor, pois a guitarra não aceita certas harmonias com muita distorção, então tento colocar melodias, escalas e alguns acordes diferentes. A mesmice pra mim é a derrota, não fico satisfeito quando faço alguma coisa que já usei em idéias anteriores, tento sempre buscar influências fora do Metal e tento criar coisas que eu gostaria de ouvir, mas claro sem viajar ou fugir do estilo. Nós que temos banda temos que tentar sempre criar coisas diferentes umas das outras, se não tomarmos o devido cuidado fica tudo muito parecido, o estilo é mutável, existem muitas possibilidades de se criar coisas novas e pra mim o legal é isso, a renovação, você mesclar coisas que não foram usadas antes, isso faz o estilo evoluir, você atrai mais adeptos. Além de conquistar mais fãs e a procura aumentar.


BD: Tá, o povo sempre faz esta pergunta, e ainda não te vi responder sobre isso em outras entrevistas: quais são os guitarristas que te influenciaram no início? E quais as feras que vê na cena atualmente? No fundo, há momentos em que me parece que existe certa técnica de Hard em seus dedilhados e solos...

VT: No início as minhas influências eram baseadas nos guitarristas clássicos como: Tony Iommi, Ace Frehley, Angus Young, Eddie Van Hallen e etc ... Me lembro que passava horas tentando tirar algum solo ou riff que eu gostava, graças a isso consegui melhorar muito a minha pegada, principalmente com pentatônica. Não sou muito exigente em questão de técnica, pra mim vale mais um riff, melodia, frases bem feitas do que uma fritação. Claro, a fritação é legal nas horas certas, mas isso é uma coisa fácil, a velocidade é fácil, mas demais enche o saco, o exemplo disso é o Malmsteen (risos). Pra mim essa é umas das perguntas mais difíceis de responder quando se ouve muitas coisas diferentes, mas como eu disse antes, gosto de músicos que fazem coisas simples e bem feitas, por isso prefiro sempre citar bandas ao invés de só guitarristas, em termo de metal gosto muito do Hypocrisy, Vader, Hate, Septic Flesh, Fleshgod Apocalypse, Melechesh, Moonspell (inclusive o UNEARTHLY estará em um tributo de bandas brasileiras ao Moonspell, chamado "Em Nome do Medo", feito pela Heavy and Loud Press e The Burn Pro­duc­tions. Tocaremos a faixa "Lickanthrope", que escolhemos devido à Licantropia fazer parte do Folclore brasileiro. Não deixem de conferir), e etc... Gosto muito de guitarristas solos como: Michael Lee Firkins, Joey Tafolla, Vinnie Moore, John Petrucci, Jake e Lee etc... o Hard Rock é uma base pra todo guitarrista, sempre ouvi muito Hard Rock e sem dúvida sempre foram os melhores guitarristas.


BD: Bem, você é um músico, e não me parece que possua uma atividade fora do mundo musical. Mas ao mesmo tempo, sabemos que o estilo não sustenta os músicos por aqui, salvo caso de bandas como Sepultura, Angra e Krisiun. Você tem atividades como professor de guitarra? E se sim, não se esqueça de mencionar como te contatar, pois os leitores podem te procurar para aulas!

VT: Sim, dou aulas presenciais e vou começar a dar aulas via Skype muito em breve e também faço parte de um projeto de vídeo aulas online que em breve estará no ar. Também faço gravações de violão e guitarra, composições, solos e etc ...
Facebook : Vinnie Tyr / E-mail : vinie.soares@gmail.com

Eregion, Vinnie, Mictian e B. Drummond na Europa.

BD: Falando um pouco do passado: como você compararia o encaixe de seu estilo no REPUGNANT GORE (Death Metal), e no VIKING THRONE (Viking Black Metal)? E como conseguia ter tanta diversidade?

VT: Essas bandas fazem parte do início da minha carreira, foi uma época muito boa, e aprendi muito com elas, nessa época já ouvia muita coisa dentro do estilo então as influências vinham de todos os lados, além de ter muito tempo livre também, época boa que a nossa preocupação era chegar da escola e ficar tocando a tarde inteira, sinto saudades. 


BD: O UNEARTHLY é endorsee da Meteoro, ou seja, você tem algum equipamento de ponta em suas mãos para ensaios e shows. Pode-se dizer que eles conseguem atender suas necessidades sonoras? E qual o modelo que usa de amps deles?

VT: Sim, a Meteoro é uma marca muito boa, Além dos timbres excelentes dos amps valvulados, tem muita potência e toda pressão necessária que o UNEARTHLY precisa ao vivo, atualmente estamos fazendo uma reciclagem e estamos só com os gabinetes MAK 3000 4 x 12 600 w !! 


BD: Agora vai pegar fogo: o que podemos esperar musicalmente de “The Unearthly”, o disco novo? Em “Flagellum Dei”, seu estilo já dava mostras claras de buscar alguns toques mais melodiosos e mesmo buscava alternativas em termos técnicos... E como está sendo a experiência de gravar no Estúdio AM do produtor Fernando Thorn, após a experiência de gravar na Europa? Existem muitas diferenças sonoras entre o que é feito no Brasil e lá fora, a seu ver?

VT: AAAaahhh, o "The Unearthly" é um disco no qual estamos muito ansiosos e otimistas, vai surpreender, pra mim está sendo o melhor da carreira do UNEARTHLY até agora, foi um disco muito trabalhoso, apesar de termos composto em muito pouco tempo. Conseguimos compor um disco muito bom, estamos mais maduros musicalmente e com a mente muito mais aberta agora, é um disco que mescla a identidade dos 4 membros da banda, todos nós colocamos o que cada um tem de melhor e ao meu ver isso está deixando o disco perfeito, estamos fazendo um disco com mais identidade e originalidade, e gravar no Brasil, principalmente no AM tem sido essencial pra isso tudo estar dando certo, pela complexidade das músicas nós precisávamos de tempo pra gravar, muitas coisas nós tivemos que modificar até encontrar o ponto certo e ficar tudo perfeito. Se tivéssemos gravado fora, não teríamos como colocar os elementos e o tempo necessário pra tudo ficar perfeito como queríamos, em questão de diferença sonora, existe sim. O "Flagellum..." foi um exemplo disso, o nível de profissionalismo lá fora é muito acima, mas graças ao conhecimento e profissionalismo do Fernando está ficando ótimo e o "The Uneartlhly" vai ter a sonoridade que queremos.

Inclusive gostaria de convocar todos os headbangers para o show de lançamento do "The Unearthly", o evento será no Studio B em Nova Iguaçu no dia 08 de Agosto às 21h: https://www.facebook.com/events/232934913568824/


BD: Bem, estamos chegando ao final da entrevista, agradecemos mais uma vez por suas palavras, e por favor, deixe sua mensagem aos nossos leitores.

VT: Mais uma vez agradeço pela ótima entrevista e por todo apoio que você tem nos dado desde o início, parabéns pelo trabalho!!!!

Pra finalizar gostaria de informar que já estamos finalizando a arte do rótulo da cerveja "Baptized in Blood Vienna Lager", que vai ser lançada pela Bushido Brasil (a mesma que fez a do Sepultura), e a previsão de lançamento é em julho, confiram!!!


Quem quiser fazer algum trabalho comigo ou com o UNEARTHLY, aqui vai os contatos:

Facebook Pessoal: Vinnie Tyr
E em breve meu site: https://www.vinnietyr.com

Contato da banda: