12 de mar de 2017

ACCEPT – Restless and Live (DVD + Duplo CD)



2017

          Nuclear Blast Brasil

Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

Disc 1 (DVD):

1. Stampede
2. Stalingrad
3. London Leatherboys
4. Restless and Wild
5. Dying Breed
6. Final Journey
7. Shadow Soldiers
8. Losers and Winners
9. 200 Years
10. Midnight Mover
11. No Shelter
12. Princess of the Dawn
13. Dark Side of My Heart
14. Pandemic
15. Fast as a Shark
16. Metal Heart
17. Teutonic Terror
18. Balls to the Wall

Disc 2 (CD):

1. Stampede
2. Stalingrad
3. Hellfire
4. London Leatherboys
5. Living for Tonite
6. 200 Years
7. Demon’s Night
8. Dying Breed
9. Final Journey
10. From the Ashes We Rise
11. Losers and Winners
12. No Shelter
13. Shadow Soldiers
14. Midnight Mover 

Disc 3 (CD):

1. Starlight 
2. Restless and Wild
3. Son of a Bitch
4. Pandemic
5. Dark Side of My Heart
6. The Curse
7. Flash Rockin’ Man
8. Bulletproof
9. Fall of the Empire
10. Fast as a Shark
11. Metal Heart
12. Teutonic Terror
13. Balls to the Wall


Banda:


Mark Tornillo - Vocais
Wolf Hoffmann - Guitarras
Uwe Lulis - Guitarras
Peter Baltes - Baixo
Christopher Williams - Bateria


Contatos:

Instagram:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O Metal alemão influenciou muitas outras escolas pelo mundo todo, inclusive a brasileira. Refrãos marcantes, corais raçudos, riffs bem trabalhados, solos melodiosos e vocais ríspidos são alguns elementos mais seminais do Heavy Metal “made in Germany”. E na raiz disso tudo está o quinteto ACCEPT, com 40 anos de experiência e muitos clássicos na bagagem. E celebrando a ótima fase em que a banda está, lançando discos candidatos a novos clássicos e sendo bem recebidos em todos os shows que fazem, eles resolveram comemorar lançando “Restless and Live”, um duplo CD e DVD ao vivo.


Tudo bem, sabemos que o ACCEPT tem discos ao vivo excelentes como “Staying a Life” e “The Final Chapter”, mas faltava um registro ao vivo com a atual formação. Não falta mais e, além disso, o pacote tem um duplo ao vivo em CD fabuloso, gravado no na edição de 2015 do famoso festival “Bang Your Head!!!”, na cidade de Balingen (Alemanha). E o resultado não poderia ser melhor, pois se não superar seus antecessores, “Restless and Live” é tão bom quanto, trazendo clássicos de suas fases do passado, e muitas músicas ótimas do presente. Ou seja, o ACCEPT, diferente de tantas bandas de sua época, continua firme, forte e incansável.

A atual formação soa coesa, forte e fazem um show excelente. O baterista Christopher Williams segura bem a força rítmica da bateria, e por ser mais jovem que seus antecessores, tem uma pegada muito pesada, e o guitarrista Uwe Lulis (ex-GRAVE DIGGER e REBELLION) se encaixou perfeitamente no grupo, com sua guitarra soando firme e seus backing vocals ajudando bastante. Esses dois são novatos, e os mais experientes estão excelentes: o timbre de voz de Mark Tornillo encaixa perfeitamente na banda, fazendo bonito tanto nos clássicos antigos como nas músicas de sua fase; Pete Baltes continua sendo o baixista eficiente de sempre, sempre sem exagerar na técnica, preferindo dar substância pesada à base rítmica do quinteto. E Wolf Hoffmann está estupendo nas guitarras, com riffs sensacionais e solos que ainda possuem grande influência de música clássica. Esses cinco juntos formam um páreo duro de ser batido ao vivo, ainda mais porque a postura da banda ao vivo é excelente.



A qualidade do que se ouve e se vê nesse show é absurda. A captação é feita por muitas câmeras (parece que foram 12 no total), edição e takes perfeitos, dando a sensação real de que estamos no show. Mas que isso, só se realmente estivéssemos lá. Um trabalho ótimo de Benhard Baran (direção e edição de vídeo) e de Andy Sneaps (mixagem e edição de som). E o encarte, cheio de fotos e detalhes do DVD. Mas a dedicatória da banda aos fãs, logo na página dois, é de encher os olhos dos mais veteranos no meio de lágrimas.

Sobre as músicas, basta dizer que o ACCEPT soube balancear o setlist, já que temos músicas de “Blind Rage” (já que era a tour de divulgação do álbum), omitindo músicas apenas de “Russian Roulette”, “Eat the Rich”, “Death Row” e “Predator”, além da fase anterior a “Breaker”. De resto, está tudo perfeito, focando mais os 3 últimos álbuns.

No DVD, haja fôlego, pois o show é fabuloso!

“Stampede”, “Stalingrad”, a dobradinha clássica com “London Leatherboys” e “Restless and Wild”, “200 Years”, o retorno de “Midnight Mover”, além de “Teutonic Terror”, além dos clássicos maiores do grupo (“Fast as a Shark”, “Metal Heart” e “Balls to the Wall”) são exibições de gala para todas as gerações de fãs do grupo. E sem comentar nomes: alguns medalhões, se verem esse show, sentirão dores de braço inteiro, e não só de cotovelo, já que o ACCEPT mostra tesão, paixão e poder ao vivo, coisa que alguns estão devendo aos fãs a anos.

E é justamente no setlist dos CDs que encontramos versões ótimas para velhos clássicos, como “Starlight” (de “Breaker”), “Bulletproof” (única da fase como quarteto dos anos 9º que está presente), “Demon’s Night”, entre outras. Tudo com qualidade de áudio perfeita para garantir sua diversão.

Com uma banda como ACCEPT na ativa, muitos novatos ainda vão ter que suar a camisa.

E “Restless and Live”, recém lançado, comemora com chave de ouro os 40 anos de uma lenda vida do Metal!

Perfeito é pouco...




DEEP PURPLE - California Jam 1974 (DVD)


2017
Nacional

Nota: 9,0/10,0


Tracklist:

1. Burn
2. Might Just Take Your Life
3. Lay Down, Stay Down
4. Mistreated
5. Smoke on the Water
6. You Fool No One/The Mule
7. Space Truckin’


Banda:


David Coverdale - Vocais
Ritchie Blackmore - Guitarras
Jon Lord - Teclados
Glenn Hughes - Baixo, vocais
Ian Paice - Bateria


Contatos:

Instagram:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Poucas bandas podem bater no peito e dizer que são importantes na consolidação dos elementos do que formariam o Metal e o Hard Rock. Aliás, poucos são aqueles que possuem o status de ídolos do Rock eternos, cuja menção do nome é recebida com muita reverência. Um deles é o do quinteto Hertford (Inglaterra) DEEP PURPLE, que mesmo em meio a choques de ego e mudanças de formação, tem uma história recheada de discos clássicos e muitos shows. Aliás, o grupo ostenta uma das maiores discografias em termos de ao vivo de todo o Rock’n’Roll. E a Shinigami Records acaba de colocar no mercado brasileiro a versão em DVD de “California Jam 1974”.

Para quem não lembra ou não sabe, o California Jam foi um festival que aconteceu em Ontario, Califórnia, em 06/04/1974. O festival foi produzido pela ABC Entertainment, em conjunto com Sandy Feldman e Leonard Stogel. As partes de coordenação, booking das bandas e fez a divulgação foram responsabilidade da Pacific Presentations. O cast mataria qualquer radicalóide do coração:


RARE EARTH
EARTH, WIND & FIRE
EAGLES
SEALS AND CROFTS
BLACK OAK ARKANSAS
BLACK SABBATH
DEEP PURPLE
EMERSON, LAKE & PALMER

Ao mesmo tempo, este foi um dos primeiros shows da MK III, trazendo os novatos David Coverdale e Glenn Hughes, além dos experientes Ritchie Blackmore, Jon Lord e Ian Pace. E apesar de tudo, o quinteto está com um desempenho excelente, mostrando que existia vida após Ian Gillan e Roger Glover terem saído (Glenn não para quieto). E nem é preciso dizer o estado de hipnose que o grupo exerceu sobre os 400.000 espetadores. Óbvio que existem os problemas de Ritchie ter posto fogo em uma parede de amplificadores e ter atingido uma câmera ao final do show, levando a banda a sair às pressas após deixar o palco, e de helicóptero, para não serem presos pelas autoridades locais.






Fora isso, este é um show maravilhoso, ainda mais com algumas melhorias introduzidas pelo moderno tratamento de imagens dado por Rolf Mehler (restauração) e Stephan Liehr (edição adicional), fora o som estar ótimo. E isso a partir de gravações dos anos 70. Logo, se preparem, pois alguns defeitos estão claros (como a sujeira na lente de uma câmera em “Burn”), e o som é o que já conhecemos de outras vezes: visceral, gorduroso, mas limpo, com o nível de qualidade que o grupo sempre impôs. Óbvio que alguns podem reclamar to trabalho feito, mas está excelente, sem sombra de dúvidas.

E o encarte trás muitas fotos da época, fora um longo depoimento Geoff Barton sobre o evento em si (que muitas vezes é comparado ao Woodstock Festival) e sobre o próprio show do DEEP PURPLE (as tretas entre eles e o EMERSON, LAKE & PALMER sobre quem seria o “headliner” são históricas).

O setlist tem sete canções, focadas bastante no recém-lançado “Burn” (que chegara às lojas em 15/02/1974), como a incendiária “Burn”, que mostra belíssimo desempenho de Glenn, mas ao olhar para Ian na bateria, se percebe o motivo dele ser um dos bateristas mais influentes do Metal, tanto por sua técnica como por sua pegada pesada (e um vídeo foi feito justamente dela para divulgação); “Might Just Take Your Life”, onde se percebe a força das teclas impostas por Jon Lord, bem como sua técnica (o homem não era de fazer pano de fundo para ninguém); a porrada Hard clássica de “Lay Down, Stay Down” (onde a diferença é feita pelas guitarras de Ritchie, que mostra toda sua versatilidade e veia Rocker), mesmo com alguns toques de Soul nos vocais de Glenn e David (e isso iria causar mais tarde a saída de Ritchie); a clássica e bluesy “Mistreated” (novamente, Ritchie faz a diferença com um riff bem peculiar, além de uma interpretação fenomenal de David), e “You Fool No One”. Mas existem aquelas canções que são indispensáveis nos shows do DEEP PURPLE, como o hino “Smoke on the Water”, onde a versão clássica é respeitada, mas o contraste entre o que foi feito pela MK II e a MK III fica explicitado, mas por isso mesmo, ótimo (e é interessante ver Jon sair de trás de seus teclados e vir falar com a audiência e apresentar a canção); o forte e acentuado toque de Blues e Soul, mais uma forte dose de improvisação presentes em “You Fool No One/The Mule”. Agora, “Space Truckin’”, emu ma tradição do Purple, dos meros quase cinco minutos da versão de estúdio (imortalizada em “Machine Head”) mais uma vez vira uma gigante de improvisação, atingindo mais de 25 minutos de duração, com belíssimos solos de Ritchie (se ele já foi chamado de “Don Juan das Seis Cordas” uma vez em uma antiga revista, aqui mostra o porquê merece este título) e Jon (o que ele faz naquele órgão velho dele é algo que muitos mais jovens, com tanta tecnologia, estão longe de fazer), partes bem espontâneas de Glenn no baixo e nos vocais (com muito groove em ambos), mas mais uma vez, o vigor de Ian é incrível em suas viradas e conduções, e David faz bonito quando exigido. Óbvio que as imagens do incêndio dos amplificadores, da guitarra sendo quebrada na câmera e jogada ao público, fora a destruição de parte dos amplificadores por Ritchie estão imortalizadas nessa faixa. Acho que ele estava em um dia bem humorado.

No mais, ainda existem cenas bônus gravadas com a chegada à cidade de avião para o California Jam, a montagem do palco e de toda estrutura sonora (que foi a melhor disponível até aquela época), cenas comentadas sobre o show e mesmo as partes da destruição feita por Ritchie.

No mais, “California Jam 1974” serve não apenas como um documentário sobre a força da MK III nos palcos, mas também como diversão garantida para todos.