7 de jun de 2012

The Agonist – Prisioners (CD)


Century Media Records - Importado
Nota 10
Por Marcos Garcia

Cada vez mais, o Metalcore e o Death Metal Melódico andam se fortalecendo e mutando, evoluindo e se desenvolvendo a olhos vistos, uma vez que bandas jovens estão surgindo em um e em outro e mostrando trabalhos dignos não só de uma audição cuidadosa, mas de reconhecimento por parte do público e da crítica.
E imaginem só uma banda que faz a mistura de ambos os estilos de maneira equilibrada e sóbria, aproveitando o que cada uma das subdivisões tem de melhor.
É, meus caros, tal banda existe, e é o quinteto canadense The Agonist, uma banda forte e coesa, que apresenta trabalhos diferenciados e bem coesos, como é o caso de seu novo CD, Prisioners, que acaba de sair via Century Media Records.
Tendo na frontwoman Alissa White-Gluz uma vocalista privilegiada que foge completamente de qualquer modelo pré-existente, combinando vocalizações guturais com outras mais suaves, e algumas mais rasgadas, sem causar nenhum tipo de instabilidade no som da banda, ainda mais com uma ótima dupla de guitarras que se alterna em ótimas bases e solos inspirados, com muita técnica e feeling, e uma rítmica muito pesada e ultra-variada, sabendo não só alternar andamentos, mas fazer quebradas de ritmo bem encaixadas.
Tendo a produção de Christian Donaldson (Crypstosy), e a mixagem e masterização feitas pelo arroz-de-festa Tue Madsen (The Haunted, Dark Tranquillity, Suicide Silence), o que sai das caixas de som é um som intenso, pesado e limpo, sabendo focar cada elemento da música da banda sem privilegiar este ou aquele instrumento.
Ouvir este CD é algo tão prazeroso aos ouvidos e empolgante que acaba sendo injusto com a banda destacar esta ou aquela faixa, mas não falar da ótima The Escape, onde a tônica é a mudança constante de andamentos, com técnica exacerbada; a intensa e melódica Predator and Prayer, com um andamento um pouquinho mais cadenciado, embora existam momentos mais velozes, e com peso de sobra, especialmente pela bateria, mesmíssimos elementos encontrados na arrasa-quarteirão Anxious Darwinians, onde as vocalizações se destacam bastante; a rápida e variadíssima Panophobia; a climática Dead Ocean, pesada e azeda na medida certa, o que não mata o forte toque melódico da banda; e as empolgantes The Mass of the Earth, Everybody Wants You “Dead” e Revenge of the Dadaists, sabendo variar do extreme ao climático e pesado sem pudores e sem medo de ousar.
Recomendadíssimo aos que não são puritanos.

Ideomotor

Tracklist:

01. You’re Coming With Me 
02. The Escape 
03. Predator and Prayer 
04. Anxious Darwinians 
05. Panophobia 
06. Ideomotor 
07. Lonely Solipsist 
08. Dead Ocean  
09. The Mass of the Earth 
10. Everybody Wants You “Dead” 
11. Revenge of the Dadaists


Formação:

Alissa White-Gluz – Vocais 
Danny Marino – Guitarras
Pascal “Paco” Jobin – Guitarras 
Chris Kells – Baixo
Simon McKay – Bateria 

Contatos: 


Firewind - Few Against Many


Century Media Records – Importado
Nota 9
Por Marcos Garcia

Após seu trabalho no Scream, de Ozzy Osbourne, o guitarrista grego Gus G. se tornou um músico conhecido, mas sua banda principal, o Firewind, ainda está meio que escondida no underground, apesar de seus agora sete discos de estúdio, mas Few Against Many deve mudar isso, e se mostra um disco forte e bastante consistente, capaz de levar o grupo a um novo patamar. 
Apesar de aparentar para muitos que a banda seria mais uma daquelas que só existem para exercitar o ego de um Guitar Hero, as músicas do CD mostram uma banda bem homogênea, fazendo um Metal Tradicional bem moderno com toques alguns Power de primeira, tendo ótimas melodias e composições fortes, ótimos riffs e solos de guitarra, zaga rítmica forte e pesada o tempo todo, teclados bem postados e ótimos vocais por conta de Apollo Papathanasio. 
Com a supervisão de Jason Suecof e Eyal Levi na mixagem do disco nos Audiohammer Studios, enquanto Alan Douches nos West  West  Side Music ficou na masterização, a banda conseguiu uma sonoridade bem densa e pesada, mas translúcida, assim, o peso e bom gosto de faixas como a abre-alas Wall of Sound, uma autêntica cacetada nos tímpanos com ótimas guitarras (novidade...), bem como a climática e pesada Losing My Mind, a variada Few Against Many, onde temos alternância entre momentos mais secos e outros mais melodiosos, onde o solo de guitarra arrasa, e Another Dimension segue esta mesma linha, com um belo refrão, a linda Edge of a Dream (onde o pessoal do Apocalyptica aparece nos celos), além da mezzo pancada, mezzo lenta No Heroes, No Sinners. A versão europeia Digipack ainda tem dois bônus, Battleborn e No Heroes, No Sinners em uma bela versão acústica.
Um disco que quem já era fã vai adorar, e que deve angariar alguns novos, pois o nível é alto, e este é um disco que vale a pena.

Wall of Sound

Tracklist:

01. Wall Of Sound  
02. Losing My Mind  
03. Few Against Many  
04. The Undying Fire  
05. Another Dimension  
06. Glorious  
07. Edge of a Dream  
08. Destiny  
09. Long Gone Tomorrow  
10. No Heroes, No Sinners   


Formação:

Apollo Papathanasio – Vocais 
Gus G. – Guitarras 
Petros Christo – Baixo  
Bob Katsionis - Teclados, guitarras adicionais
Jo Nunez – Bateria 

Contatos:


TesseracT - Perspective (EP)



Century Media Rec. – Imp.
Nota 9,0
Por Marcos Garcia

De alguns anos para cá, tem surgido cada vez mais bandas que buscam fazer trabalhos musicais mais e mais estranhos, como se buscando dar escopo musical ao próprio caos, sem, no entanto, ser algo desconexo e sem sentido, podendo ser algo que, mais adiante no tempo, seja lembrado como um momento de transição na história do Metal.
No meio de tantas bandas assim, um dos grupos mais interessantes é o quinteto inglês TesseracT, que mostra neste seu terceiro trabalho, o EP Perspective, que saiu via Century Media Records, o quanto não são conformistas com as sonoridades já existentes, mas dispostos a levar o chamado Progressive Metal a um novo patamar, onde o que importa às bandas é a capacidade de ser experimental e ousado, sem ficar se limitando a fórmulas já desgastadas. 
O disquinho em si é um EP com cinco faixas, sendo três acústicas, um cover e um remake de uma faixa de seu CD anterior, e verdade seja dita: a banda convence, pois em Perfection, April (que está no disco anterior, One, em sua versão elétrica) e Origin, faixas acústicas, eles fogem do formato chavão de baladas e caem em músicas densas e minimalistas, com climas progressivos complexos e intimistas bem distantes do visto nos anos 70, pois pulsam com atualidade e vida de forma contundente; já Dream Brother é um cover de Jeff Buckley, um músico ligado ao Rock Alternativo e ao Folk, que ganhou uma roupagem bem diferente, mais densa e progressiva, e Eden 2.0 é uma versão nova da faixa encontrada do disco anterior, uma música complexa e extremamente climática, com tantas variações que não deixam o ouvinte bocejar um instante que seja.
Um EP bem legal, e que merece uma conferida atenta, mas fiquem certos que o trabalho do grupo não é trivial, logo, pode assustar os mais incautos, e irá causar pesadelos crônicos nos conservadores e puristas parados no tempo.

Eden 2.0

Tracklist:

01. Perfection 
02. April 
03. Origin 
04. Dream Brother  
05. Eden 2.0  


Formação: 

Elliott Coleman – Vocais  
Acle Kahney – Guitarras  
James Monteith – Guitarras  
Amos Williams – Baixo e vocais 
Jay Postones – Bateria 

Contatos:



Suicidal Angels - Bloodbath (CD)


Noise Arts – Importado
Nota 4
Por Marcos Garcia

A onda retro-Thrash que anda em alta no Metal tem trazido alguns frutos interessantes, e outros que carecem de valor mais real, já que a originalidade e personalidade em muitos casos são deixadas de lado em prol de uma devoção ao que já foi feito, à repetição de clichês, que obviamente tem lá seu valor, mas que não deve ser feito sem dosagem meticulosa, pois cheira ou a oportunismo, ou a falta de personalidade. 
E uma das bandas que tem muito potencial, mas cai justamente neste erro grave são os gregos do Suicidal Angels, pois seu novo CD, Bloodbath, é a clara mostra de que o culto ao passado tem seu lado negativo.
Apesar dos bons músicos da banda, bem como a produção sonora extremamente bem cuidada (Feita por R.D. Liapakis, tendo Christian Schmidt como engenheiro de som e Jörg Ugen na mixagem e masterização), o que vemos no CD é apenas uma releitura de pontos comuns já abordados ad infinitum posteriormente, especialmente na segunda metade da década de 80: bem feito, tem energia de sobra e empolga os mais incautos, mas o quarteto está longe de ter personalidade própria, isso sem contar que muitas faixas são extremamente parecidas umas com as outras, porque pouco se varia nos andamentos das mesmas, não importando quantos argumentos possam ser usados em sua defesa. 
Há momentos legais como Moshing Crew, onde existe muito do velho Tankard; Face of God, onde o Exodus manda lembranças, pois a faixa é a cara do trabalho de Gary Holt e sua trupe; e Chaos (The Curse is Burning Inside), onde muito da música já se ouviu em discos por volta de 88 e 89, especialmente na escola Alemã de Thrash Metal (em especial,  o Kreator). 
A banda pode fazer bem mais que isso, tanto que tem músicas boas em seus trabalhos anteriores, mas este disco aqui mostra que precisam, e muito, sair da sombra do passado, e se reinventar, ser o Suicidal Angels, e não uma cópia de outra banda.

Bloodbath

Tracklist:


01. Bloodbath
02. Moshing Crew
03. Chaos (The Curse is Burning Inside)
04. Face of God
05. Morbid Intention to Kill
06. Summoning of the Dead
07. Legacy of Pain
08. Torment Payback
09. Skinning the Undead
10. Bleeding Cries






Formação:


Nick Melissourgos – Vocais, guitarras
Panos Spanos – Guitarras 
Angelos Kritsotakis – Baixo 
Orpheas Tzortzopoulos – Bateria




Contatos:


http://www.suicidalangels.com
http://www.facebook.com/SuicidalAngels
http://www.lastfm.com.br/music/Suicidal+Angels
http://www.reverbnation.com/suicidalangels
http://www.youtube.com/suicidalangelsgreece

Profissionalismo versus paixão – O gato de Schrödinger do Metal



Por Marcos Garcia


Quando se fala em Mecânica Quântica, a maioria das pessoas lembra logo de um gendaken (palavra alemã usada para escrever uma experiência mental, ou seja, um artifício muito usado para ilustrar problemas complexos cuja linguagem acadêmica o torna inviável aos não letrados no assunto) que já caiu no conhecimento popular: o famoso gato de Schrödinger.
O gendaken em si se baseia no seguinte: temos uma caixa fechada opaca (ou seja, não se pode ver o que está dentro), com um gato preso, um contador Geiger que está ligado a um martelo por meio de relés, e um vidro com veneno. Se o contador disparar, os relés funcionam, ativam o martelo, que quebrará o vidro e o gato morrerá. Se não, o gato continuará vivo.
O leitor logo dirá que basta abrir a caixa para saber o que está acontecendo dentro dela, mas aí ocorrerá um problema: fazendo isso, altera-se a probabilidade do gato estar vivo ou morto, ou seja, forçamos uma possibilidade, já que, na Mecânica Quântica, o observador faz parte do experimento, pois somente dele observar, ele já forçou o sistema observado a colapsar para um estado quântico.
Onde isso se liga ao Metal?
Simples: muitas críticas têm sido feitas à postura, muitas vezes apaixonada, dos críticos do estilo, com muitos clamando uma distância e imparcialidade que, em tese, poderia existir nos moldes europeus. Mas a distância vista entre eles não é uma premissa do profissionalismo, mas fator cultural do povo europeu, tanto que isso é sensível em várias situações nas vidas deles.
A crítica é válida?

Sim e não.
Realmente, é necessário saber que um disco é bom ou não independente do gosto de quem o analisa, e isso é ponto pacífico. Há bandas que possuem trabalhos sublimes dentro do que se propõem a fazer, outras não, mas isso independe do gosto pessoal de cada um, bem como existem bandas que são consagradas por certos aspectos para alguns que, para outros, não são válidos.
Um exemplo bem simples: Lulu, do Metallica, irritou alguns e satisfez a outros, mas isso se dá porque há diferenças de análise. Alguns críticos, que elogiaram o trabalho da banda (junto com Lou Reed, não nos esqueçamos disso), alegando ser uma banda corajosa e com ousadia suficiente para não se prender a padrões pré-estabelecidos; os que deram conotações negativas o fazem apoiados no que a banda já fez (nem sempre um bom parâmetro para este tipo de trabalho), bem como na falta de personalidade que o Metallica apresenta do Load para cá, já que cada disco apresenta algo estilisticamente distante do anterior, e algumas vezes, antenados com o que ocorre na cena Metal mundial. Mesmo os fãs mais apaixonados devem entender que isso é um fato.
Quem está errado nessa situação?
Nenhum dos dois lados, já que um crítico usa de seu background intelectual (que é único), e mesmo de sua opinião sobre esses aspectos em seu trabalho, de forma quase inconsciente. Ou seja, dentro disso está o Gato de Schrödinger, e se abrir a caixa, forçará um resultado a acontecer, porque uma coisa é fato: não existe imparcialidade se tratando de música, bem como de qualquer outra forma de arte.
O crítico está inserido nesse contexto, e como na Mecânica Quântica, ele não está isolado do experimento, e por mais distante que esteja, fará parte do processo, logo, ouvindo um disco, sua opinião será influenciada pelos seus sentimentos, porque a música está diretamente ligada aos sentidos humanos.
O crítico é, antes de tudo, um fã de música, e não um operário de fábrica.
Ainda é necessária uma maior compreensão de todos, bem como saber ouvir críticas, e quando as mesmas fazem sentido, assimilá-las, e melhorar nosso trabalho. Quando não, basta descartá-las sem maiores traumas.
A troca de experiências nos ajuda, e o isolamento em nossas opiniões e modelos, em geral, matará o gato na caixa...
Afinal de contas, somos todos humanos, e não senhores absolutos da verdade...