27 de jul de 2015

Maquinários – Intacto (CD)

2015 – Wikimetal – Nacional 
Nota 8,5/10,0

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Fazer Metal/Rock em português nunca foi algo simples. Sempre existiram problemas, em especial para a banda buscar maior aceitação de um público que (em tese) está acostumado há décadas com bandas que cantam em inglês. Mas no atual momento do Brasil, em que bandas como STRESS, CENTÚRIAS, SALÁRIO MÍNIMO, METALMORPHOSE e outros estão de volta, abrindo espaços, a coisa toda tem evoluído muito nesse sentido, e o público tem sido bem receptivo.

E esse fator tem muito peso, pois assim, o cenário é capaz de receber bandas jovens nessa linha, como o ótimo trio MAQUINÁRIOS, que chega com seu álbum “Intacto”, uma paulada de puro Heavy Metal/Rock’n’Roll.

Focado em uma escola mais tradicional à lá BLACK SABBATH e com alguns toques de Stoner Rock (mas sem ser tão sujo), mais a energia e vitalidade do Hard Rock clássico pulsando no trabalho da banda, que usa de ótimos refrões em todas as canções. Timbres vocais bem diferentes (e compatíveis com o que a banda faz), riffs secos e diretos (mas extremamente grudentos), solos bem feitos, base rítmica pesada e concisa, podemos dizer que a nossa mente viaja para a primeira metade dos anos 80 ao ouvir o som da banda, mas sem soar datado ou mesmo mofado. Não, o MAQUINÁRIOS possui uma vida, uma garra e energia bem pessoais.

Maquinários
A produção é assinada pelo trio, mas tendo como co-produtores a dupla Marcello Pompeu e Heros Trench, com tudo feito no Mr. Som estúdio em São Paulo (que está virando a Meca das bandas do Sul e Sudeste do país em termos de gravação). Resultado: uma sonoridade forte, moderna, pesada, mas limpa e clara, com tudo muito bem timbrado e audível. E a capa, feita pelo artista francês Olivier DZO Ducuing, é ótima, mostrando certo refinamento.

O segredo do MAQUINÁRIOS é simples: arranjos muito bons, mas criados dentro de uma questão de feeling, e não técnica. Tudo em “Intacto” soa espontâneo e despretensioso, mostrando que o grupo é bem melhor que a média das bandas do mesmo gênero.

Um Grito na Noite – Uma faixa pesada e densa, mas muito pegajosa, com excelente refrão e riffs ótimos. Uma canção ótima para iniciar um disco.

Desgovernado – Um pouco mais cadenciada e pesada, mas transpirando de puro feeling, esta é um dos melhores momentos do disco, apresentando um trabalho fantástico de guitarras.

Além da Estrada – Outro refrão ótimo, grudento, mas a canção cheia de feeling e bem acessível, mais uma vez com riffs muito bem feitos e vocais fazendo um ótimo trabalho.

Veneno, Sangue e Destroços – Bem trabalhada e com doses de peso cavalares, mas sem perder a noção melódica um segundo sequer. Reparem na força da base rítmica do grupo nessa canção.

Ignição – Assim como a anterior, é uma faixa em que peso e melodia se equilibram, mas se evidenciando os riffs duros e melodiosos.

Vulto Negro – Mais agressiva e com uma vibração mais moderna que as anteriores, as melodias vocais e refrão mostram o lado mais melodioso do grupo.

Anjo ou Réu – Outra com muito peso nas guitarras, bela técnica de bateria e uma pegada pesada à lá DEEP PURPLE em alguns momentos. E a bateria mostra sua boa técnica de forma bem evidente.

Seis Milhas para o Inferno – Grudenta e com guitarras azedas, bateria e baixo com peso bem dinâmico, mas há um tempero Rock’n’Roll bem evidente aqui.

Intacto – Repetindo o mix “peso do Metal + garra do Hard”, esta faixa que encerra o CD mostra alguns momentos mais modernos em termos de velocidade em alguns momentos.

O trio mostra-se bem, é uma bela revelação, e tende a atingir patamares mais altos.



Músicas:

01. Um Grito na Noite
02. Desgovernado
03. Além da Estrada
04. Veneno, Sangue e Destroços
05. Ignição
06. Vulto Negro
07. Anjo ou Réu
08. Seis Milhas para o Inferno
09. Intacto 


Banda:

Watson Silva – Vocais, guitarras
Matheus Andrighi – Baixo 
Diego Massola – Bateria 


Contatos:

ASE Pess Music (Assessoria de Imprensa)

Save Our Souls – The Otherside (CD)

2015 – Shinigami Records – Nacional

Nota 8,5/10,0

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Fazer Symphony Metal é bem difícil. De um lado, temos uma parte considerável do público muito arraigado à mentalidade dita Old School (que não o é, na verdade), outros são conservadores do barulho (qualquer coisa mais trabalhada, para estes, é “farofa”). Mas mesmo assim, existem bandas por aqui que vão trabalhando, lutando contra as dificuldades e se destacando. E uma bela revelação do gênero é o quarteto SAVE OUR SOULS, de Porto Alegre (RS), que enfim lança o primeiro álbum, “The Otherside”.

Explorando um conceito intrincado, baseado em um personagem chamado Dr. Lynch, que vive agoniado em busca de uma solução para a “teoria do tudo”, e suas experiências pessoais diante do desafio que um espelho que o transporta a outro mundo, gerado pelo próprio reflexo. É preciso ler e compreender. Mas imaginem esta temática bem trabalhada sob um instrumental melodioso e cheio de orquestrações lindas, comum vocal feminino ótimo, belos timbres nas guitarras, baixo e bateria em grande forma e bem trabalhados, e teclados excelentes. Sim, a banda capricha, e tem bastante personalidade.

Save Our Souls
A produção sonora é do próprio quarteto aliado a Diego Voges. O resultado é uma sonoridade forte, pesada, clara e elegante, sem deixar a banda sem peso ou seca demais, e com ótimos timbres. A arte, por sua vez, é muito bela, se encaixa como uma luva no conceito lírico do CD, em mais um belo trabalho de João Duarte.

Symphonic Metal requer riqueza de arranjos, e o SAVE OUR SOULS sabe claramente o que está fazendo e o que quer de sua música. Não há nada de exagerado ou de menos aqui, tudo feito com esmero em cada uma das 11 faixas. E um ponto interessante: existem faixas grandes (como “Another Life” e “Dark Enigma”, que passam dos 7 minutos de duração), mas a duração média é de 4 minutos, logo, os sentidos não ficam cansados, muito pelo contrário.

Another Life – Abre com uma introdução melódica com enfoque nos teclados, mas logo vira uma belíssima canção, onde a base rítmica dita o peso, com muita diversidade técnica e um lindo trabalho dos vocais (que trabalham muito bem timbres fortes e agradáveis).

All the Lost Souls – Outro trabalho de alto nível dos vocais (especialmente os contracantos de vozes masculinas e femininas), sendo esta uma canção mais forte, centrada mais nas guitarras.

The Judgement Day – Uma faixa empolgante devido ao belo trabalho feito por baixo e bateria, com doses maciças de peso.

The Sound of Heart – Introspectiva e com foco na bela instrumental, com ótimos riffs que não quebram a beleza da canção em momento algum.

Web of Lies – Peso em doses cavalares no início (devido ao trabalho ótimo da bateria nos bumbos), mas que depois ganham maior elegância com vocais femininos elegantes e providenciais.

Soul Domination – Órgãos de igreja abrem a canção, seguidos de riffs pesados e base rítmica pesada, com vocalizações belíssimas se alternando com momentos declamados.

Find the Way – As variações rítmicas são excelentes, alternando momentos mais calmos e belos com outros mais pesados e intensos. E como os vocais femininos encaixam bem aqui.

Leave Me Alone – Mais uma vez, temos uma canção mais intensa e introspectiva, com belo solo de guitarra e teclados muito bem compostos. E isso em pouco mais de 2 minutos!

You (Leave Me Alone Part 2) – Bem trabalhada, com pianos se intercalando bem com riffs agressivos no início, e novamente, baixo e bateria estão muito bem.

Dark Enigma – Belos tempos quebrados, uma diversidade técnica muito boa, que ajuda uma canção mais longa a passar sem nos deixar entediados (como se fosse possível nesse disco tal coisa). E aqui, ainda vemos o uso providencial de vocais guturais vez por outra (mais uma bela participação de Gustavo Voges), sem contar que os vocais femininos exibem uma riqueza de timbres muito boa.

The Sound of Heart (Acoustic Bonus Track) – Versão de “The Sound of Heart” focada mais em piano e voz. E este approach nos permite aproveitar bem o trabalho belíssimo dos vocais de Melissa.

Uma banda realmente muito boa, mas meus instintos me dizem que eles podem fazer ainda melhor que isso.

O futuro do SAVE OUR SOULS é promissor, sem dúvidas!



Músicas:

01. Another Life
02. All the Lost Souls
03. The Judgement Day
04. The Sound of Heart
05. Web of Lies
06. Soul Domination
07. Find the Way
08. Leave Me Alone
09. You (Leave Me Alone Part 2)
10. Dark Enigma
11. The Sound of Heart (Acoustic Bonus Track)


Banda:

Melissa Ironn – Vocais, teclados
Marlon Lago – Guitarras, vocais
Jackson Harvelle – Baixo
Andrêss Fontanella – Bateria


Contatos:

Metal Media (Assessoria de Imprensa)

Hellsakura – Venömrizer (CD)

2015 – Shinigami Records – Nacional

Nota 8,5/10,0 

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Muitas vezes, este autor gosta muito de falar sobre a presença feminina no Metal, em especial quando as mulheres estão em bandas. Sempre é diferente, e na maioria das vezes, fica um trabalho com um toque a mais de peculiaridade. Sim, sempre que elas estão presentes, temos algo diferente, ótimo, e que nos cativa. E como é maravilhoso ver um veterano nessa questão, o quarteto HELLSAKURA, de volta à carga, e com um CD novo, o ótimo “Venömrizer”, que a Shinigami Records acaba de lançar.

O rótulo atribuído à banda de “Metal Punk” não faz justiça ao trabalho musical do quarteto. A música do quarteto é diversificada, ganhando elementos do Thrash e do Metal tradicional, mais algumas coisas um pouco mais experimentais, e isso sem deixar se soar despretensioso e espontâneo. Além disso, pesa em muito o HELLSAKURA não soa datado ou sujo, mas jovem e bem mais versátil que o dito rótulo permite (talvez uma herança dos tempos em que Cherry liderava o finado OKOTÔ, nos anos 90). Ou seja, temos vocais agressivos e bem diferenciados, riffs de guitarra muito fortes e empolgantes (um dos pontos mais fortes do grupo, graças à experiência de Cherry e de Donida), e uma base rítmica forte, pesada e bem variada, com Napalm (baixo) e St. Denis (bateria) muito bem entrosados. E assim, quem ganha é o ouvinte.

Hellsakura
Um dos pontos fortes de “Venmörizer” está na produção sonora. Se ela não é exagerada por um lado, é mais seca e direta, com os timbres de cada instrumento mais próximos do som ao vivo do grupo, sem deixar de ter peso e soar limpa e organizada do outro (ou seja, cada instrumento está em seu devido lugar). Ponto para a produção Cherry e Henrique Khoury (este ainda mixou o disco), e a masterização de Wagner Meira. 

O HELLSAKURA tem por mérito fazer uma música não muito complicada, mas sabendo fazer aquilo que desejam. A capacidade de arranjos da banda é ótima, sem soar forçado em momento algum. E abrilhantando ainda mais o CD, temos a presença de convidados ilustres como Bob Vigna na guitarra solo em “Mark of the Witch”, Serpenth na guitarra solo em “Venom” e “Lethal”, Guiller Cruz (ex-NERVOCHAOS) nos vocais em “Gory”, Felipe Freitas (baixista do NERVOCHAOS) e Edu Lane (baterista do NERVOCHAOS) nos backing vocals em “Toxic”, João nos vocais na introdução de “Toxic”, e Pitchu Ferraz (baterista do NERVOSA) na bônus “Death Row”. 

Emergency – Cadenciada e intensa, abre o disco cheia de energia. Reparem bem como os riffs são intensos e certeiros, mais a força dos vocais azedos de Cherry.

Venom – Um pouco mais rápida que a anterior (e também mais curta), tem aquele jeitão despojado à lá MOTORHEAD, outra vez mostrando força nas guitarras, além de belo solo.

Lethal – Com uma introdução peso-pesada bem cadenciada, uma canção azeda, mas com belas melodias, que dão corpo à música. E que belo trabalho da base rítmica.

Mark of the Witch – Andamento mais trabalhado (existem algumas mudanças muito boas), esta é uma canção densa e com bom trabalho dos solos.

Bloody Hell – Essa já é mais acessível, com uma pegada voltada ao Rock’n’Roll, mas pesada e uma bela performance do vocal esganiçado e azedo de Cherry.

Toxic – Mais veloz, forte e com uma pegada HC, e mesmo na simplicidade, mostra alguns belos arranjos de baixo e bateria, fora corais bem sacados.

No Serum – Uma canção mais experimental e soturna, cheia de efeitos sonoros, marcados pela presença do baixo. Serve bastante como uma introdução.

Gory – A faixa mais agressiva do álbum, com peso intenso nas guitarras, e um trabalho ótimo na bateria (veja o uso dos bumbos duplos).

You Got the Metal – Outra com forte ranço de Rock’n’Roll, mas sendo mais técnica e cheia de energia. E novamente os riffs mostram a que vieram, nos envolvendo e agarrando pelos ouvidos.

Death Row – O fechamento do disco. Aqui, a velocidade é maior (embora nada excessiva), mas não é reta (veja como a bateria e o baixo mostram sua técnica em boas mudanças de ritmo).

O HELLSAKURA volta à carga com tudo, e mostra que o cenário do país pode contar com eles para tudo. E “Venömrizer” é o testemunho disso!




Músicas:

01. Emergency
02. Venom
03. Lethal
04. Mark of the Witch
05. Bloody Hell
06. Toxic
07. No Serum
08. Gory
09. You Got the Metal
10. Death Row


Banda:

Cherry – Vocais, guitarras
Donida – Guitarras 
Napalm – Baixo 
St. Denis – Bateria 


Contatos:

Metal Media (Assessoria de Imprensa)

ALMAH: Tito Falaschi Project abrirá o show da banda em São Paulo





A banda brasileira ALMAH, liderada pelo ex-vocalista do Angra, Edu Falaschi, acabou de confirmar o Tito Falaschi Project como a banda de abertura para o seu show em São Paulo que acontecerá no próximo dia 29 de agosto às 18h no Manifesto Rock Bar.

O Tito Falaschi Project é a banda solo do produtor, cantor e multi-instrumentista, irmão de Edu Falaschi, Tito Falaschi (Zaltana, Soulspell, ex-Symbols). Além do próprio Tito Falaschi, que atua como cantor e compositor, o projeto conta também com o guitarrista Alexande Comicio, o baixista Caio Pamplona e o baterista Ed Gasparini. O show no Manifesto será a festa de lançamento do disco “Mother In Silence” dedicado à Ester Falaschi, mãe dos músicos que faleceu em dezembro 2012, e vai incluir 12 músicas. O lançamento do material no formato físico e digital está previsto para o segundo semestre do ano corrente.



Confira um pedacinho da versão que o Tito Falaschi fez da Woman in Chains do Tears for Fears e que estará no set list do show no Manifesto junto com o ALMAH:


O show do ALMAH no Manifesto será uma das últimas apresentações da Unfold World Tour e terá um repertório com algumas novidades, como as jamais executadas ao vivo “In My Sleep” e “Treasure of the Gods”, ambas do “Unfold” (2013). E, em clima de celebração dos 25 anos de carreira de Edu Falaschi, a banda também fará alguns clássicos do Angra, tais como “Nova Era” e a inusitada “Angels and Demons”, dos álbuns “Rebirth” e “Temple of Shadows”, respectivamente. Adquira agora o seu ingresso clicando no link ao lado: https://ticketbrasil.com.br/show/3267-almah-sp/



Para saber mais sobre as atividades da banda, basta entrar no site http://www.almah.com.br



Fonte: Almah