27 de ago de 2015

Crisix - Rise... Then Rest (CD)

2015 - Urubuz Records - Nacional
Nota 9,5/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Um aspecto interessante de ser avaliado nos últimos tempos é a tendência que as bandas de Thrash Metal old school andam apresentando. Em geral, no primeiro disco, elas ficam presas dentro da fórmula já mais que conhecida. Mas depois, começam mutações interessantes. JACKDEVIL e METALIZER no Brasil são testemunhas claras disso, e agora, vemos no ótimo trabalho do quinteto espanhol CRISIX a mesma coisa, neste ótimo "Rise... Then Rest", que a Urubuz Records colocou no mercado brasileiro.

Originalmente lançado em 2013, vemos que o quinteto é especializado em fazer Thrash Metal com influências do gênero praticado nos E.U.A., ou seja, é agressivo e ríspido, mas recheado de boa técnica e melodias muito bem trabalhadas. Mas é bom se destacar que há elementos anômalos aqui, como alguns vocais mais guturais acompanhando o rasgado que lembra bastante "Zetro" Souza e Paul Ballof. Há momento soberbos no CD, que fazem o rótulo "old school" não fazer tanto sentido assim, e isso é otimo. Mas não se exaltem os mais puritanos: esses elementos não chegarão a incomodar vocês.

Javi Bastard é o produtor do trabalho, mas é impressionante ver que Erik Rutan (sim, ele mesmo) mixou e masterizou o disco. Está limpo, intenso, pesado e brilhante, tudo nas medidas certas e sem descaracterizar a sonoridade do quinteto. E a arte que teve contribuições de Marc Busqué "Busi", Albert Requena, Javi Carrión, Marc Torras e Julián Baz ilustra aquele "feeling" do Thrash/Crossover dos anos 80.

Crisix
Como dito acima, o CRISIX não e de obedecer muito regras impostas ou limites determinados. A música deles soa como o coração de cada um os guia. E nada de ser enjoativo e repetitivo, ou mesmo mais do mesmo. Se prestar atenção, vai ver que estes "hermanos" sabem arranjar bem demais suas músicas, sem que elas soem polidas demais ou mecânicas.

Melhores momentos: a veloz e empolgante "I.Y.F.F." (recheada de riffs insanos e bem acabados), a variada "Rise...Then Rest" (alguns riffs aqui possuem toques mais modernos e melodiosos, fora citar o trabalho técnico da cozinha da banda, que é fantástico), a excelente e alternada "Bring 'Em to the Pit" (um Thrash ganchudo e bem divertido com uns toques irônicos à lá S.O.D.), a intrincada e mais cadenciada "Frieza the Tyrant" (também muito divertida, com boas variações vocais e ótimos backing vocals, e melodias muito boas nas guitarras), e a abrasiva "Army of Darkness" (também cadenciada e pesada, com um jeitão bem ANTHRAX na base rítmica). Mas como se já não fosse muito, a Urubuz Records ainda nos presenteia com um bônus ótimo na versão brasileira: uma versão Thrasher e cheia de energia do hino "Ace of Spades", só mais agressiva e extrema que a original, mas sem no entanto ser uma blasfêmia contra o trio mais insano e doentio do Rock'n'Roll.

Uma excelente aquisição para os fãs do Thrash Metal. Mas que tal se, no futuro, o primeiro disco do quinteto, "The Menace", também viesse a ser lançado na terra brasilis?

Por enquanto, vamos nos satisfazendo com "Rise... Then Rest", que é uma pérola do gênero.







Músicas:

01. I.Y.F.F. 
02. Rise...Then Rest 
03. Bring 'Em to the Pit 
04. Those Voices Shall Remain 
05. One by One 
06. Frieza the Tyrant 
07. Seven 
08. Army of Darkness 
09. Volcano Face 
10. Scars of the Wolf 
11. Waldi Gang 
12. Ace of Spades


Banda:

Julián Baz - Vocais
Marc Busqué "Busi" - Guitarras 
Albert Requena - Guitarras 
Marc Torras - Baixo
Javi Carrión - Bateria


Contatos:

Metalizer - Your Nightmare (CD)

2015 - Black Legion Productions - Nacional 

Nota 9,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Sempre é bom ter em mente o seguinte pensamento quando se começa uma banda: tentar soar retrô ou ir adiante rumo ao desconhecido, ambos os caminho guardam desafios enormes. No caso das bandas que buscam sonoridades antigas, é preciso ter cuidado para não soar como um clone, ou seja, nos dar aquela sensação de já ter ouvido. E o legal é que algumas aparecem para mudar um pouco as regras do jogo e dispersar o mofo. E é ótimo saber que o Thrash Metal brasileiro pode contar com o quarteto METALIZER, de Nova Odessa (SP), e que retorna ao Metal Samsara com seu segundo disco, "Your Nightmare".

Se em "The Thrashing Force" eles apresentaram um trabalho muito bom, apesar de nada inovador, agora eles resolveram começar a mudar as regras. Apesar de ainda soar Thrash Metal Old School, se percebe uma clara evolução no trabalho deles. Os vocais rasgados de Sandro agora usam de mais timbres e inclusive de certa ironia, as guitarras de Douglas estão mais diversificadas em termos de riffs e apresentando bons solos, e Nilão (baixo) e Thiago (bateria) estão formando uma base rítmica pesada e evoluíram demais em quesito de técnica. Está mais personalizada, pesado e com toques de melodias mais tradicionais aqui e ali. Ou seja, está mais maduro e encorpado, uma tendência que está surgindo e enriquecendo as bandas da Old School.

Metalizer
A produção está de bom nível, mas ainda precisa melhorar. Não que o trabalho de Fábio Ferreira seja ruim (não é isso, pelo contrário), pois está tudo bem certinho, pesado e claro, mas o lado mais agressivo da música deles ainda parece meio "preso". É um ponto que pode ser melhorado no futuro, mas não chega a afetar demais o trabalho musical deles. E a arte retrata bem a proposta contida no título: somos todos prisioneiros de nossos próprios pesadelos.

O ponto forte do METALIZER é o fato que a música flui deles. Não temos a impressão que eles estavam ouvindo um disco de referência para compor, o que seria clonagem. Não, percebe-se nos arranjos que a música deles é assim porque é desta forma que tem que ser. É como eles são, e pronto.

Em termos de canções, eles capricharam. O disco é bem homogêneo, mas seria covardia não dar uma menção especial à "Weapons of Metalization" com seus arranjos ótimos de guitarras; à veloz e furiosa "A Bridge Across Time and Space" e um trabalho de baixo e bateria fortíssimo, fora belas mudanças de tons dos vocais (o rasgado irônico à lá "Zetro" Souza dá espaço a passagens limpas ótimas), e lindas melodias tradicionais no solo de guitarra; à insanidade agressiva de "Still Alive"; à diversificação de ritmos encontrada em "Cause and Effect"; à Thrash'n'Roll "Zombified Generation" (um lado mais MOTORHEAD aparece claramente, aquele jeitão despojado e intenso de se tocar); e à intensa e mais cadenciada "Wake Up" (uma bela aula de interpretação dos vocais. Se sente algo de CANDLEMASS no jeito de Sandro cantar). 

Enfim, o METALIZER volta mais maduro, forte e pesado, sem deixar de lado suas raízes. E "Your Nightmare" é um ótimo álbum, que é capaz de agradar até o mais exigente dos fãs de Thrash Metal.

A diversão é garantida.

Em tempo: após gravarem "Your Nightmare", a banda recrutou Edson Ruy para a outra guitarra, logo, preparem os pescoços para o torcicolo nos shows da banda.











Músicas:

01. Weapons of Metalization
02. My Cage 
03. Street Dog 
04. A Bridge Across Time and Space 
05. Still Alive 
06. Cause and Effect 
07. Zombified Generation 
08. Wake Up 
09. Preacher of Hate 
10. Life is Your Nightmare 


Banda:

Sandro Maués - Vocais
Douglas Lima - Guitarras
Nilão Pavão - Baixo
Thiago Cruz - Bateria 


Contatos:

Bloodwork - Just Let Me Rot (CD)

2015 - Eternal Hatred Records - Nacional
Nota 8,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia



Falar do Metal do Rio Grande do Sul é fazer chover no molhado. Ainda mais se falamos de Metal extremo, já que os Pampas deram ao Brasil nomes como KRISIUN, REBAELLIUN, IN TORMENT e outros. Mas poucas vezes vimos as terra do Sul produzirem algo tão bruto, doentio e opressivo como "Just Let Me Rot", primeiro disco do quinteto BLOODWORK.

Aqui, a proposta da banda é investir em um Splatter Death Metal bruto, azedo e realmente nojento, mas recheado de qualidade instrumental. Mesmo tão ríspido, não é desprovido de boa técnica e personalidade. É como se fizéssemos uma fusão do velho BOLT THROWER de sua época clássica (de álbuns como "Realm of Chaos" e "Warmaster") com algo do AUTOPSY e do CARCASS (da fase "Symphony of Sickness"), mas com uma personalidade forte. Não procurem um clone aqui, pois podem sair sem alguns dedos, e mesmo o braço todo! A música deles não é para brincadeiras!

Sebastian Carsin e o quinteto dividiram a responsabilidade de produzir o disco. E verdade seja dita: conseguiram algo realmente doentio em termos sonoros. Mas doentio não significa imundo ou sem qualidade, longe disso, por favor. A qualidade é aquilo que este gênero degenerado precisa, mas com boa qualidade, onde podemos compreender o que a banda toca (mesmo algumas intervenções mais melodiosas que não mutilam o resultado final). E a arte de Marcos Miller, preferindo uma apresentação mais próxima a HQs, é ótima e não tão danosa aos mais sensíveis, quase uma referência à capa de "Acts of the Unspeakable", do AUTOSY, mas não sendo uma cópia.

Bloodwork
E se preparem: meso sendo uma banda de Splatter Death Metal, o grupo sabe usar muito bem de diversas influências sonoras para criar sua música. É insano, duro, bruto, mas com boa qualidade instrumental, e bons arranjos, mesmo dentro de relativa simplicidade.

Temos oito faixas de puro amassa-crânios de qualidade, se destacando pesadelos sonoros como "Defecating Broken Glass" (que apesar do vocal "From the Depths", aquele gutural em tons muito baixos, mostra uma levada bem próxima ao Grindcore, usando de riffs absurdamente insanos), a mais variada e opressiva "Asphyxiant Cum Load" (tempos bem cadenciados no início, mostrando o quanto baixo e bateria possuem de boa técnica, usando em seu favor esses tempos lentos. Mas depois alguns momentos mais velozes se fazem sentir. E que belíssimos duelos de solos guitarra, onde se percebe que os caras não são simplórios nas seis cordas), a bruta e explosiva "Human Slaughterhouse" (rápida e bem agressiva, com boas mudanças rítmicas, mas os vocais capricham em suas partes, oscilando entre guturais extremos e urros rasgados), e a bem trabalhada "Necro Sex Club".

Se as pessoas ainda tem dúvidas que fazer Splatter Death Metal tem suas exigências em termos de qualidade, é bom que conheçam este quinteto de São Leopoldo. Mas me perdoem, mas depois de ler as letras, preciso correr até o banheiro e pôr o estômago para fora de tanto vomitar...





Músicas:

01. Defecating Broken Glass
02. Cunt Suffocation
03. Asphyxiant Cum Load
04. Suck my Cut Finger
05. Human Slaughterhouse
06. Rotten 69
07. Necro Sex Club
08. Toothed Vagina


Banda:

Fabiano Werle - Vocais
Deleon Vith - Guitarras
Rafael Lubini - Guitarras
Henrique Joner - Baixo
Felipe Nienow - Bateria


Contatos:

Individual - Worst Case Scenario (EP)

2015 - Independente - Nacional
Nota 9,0/10,0

Texto: Marcos Garcia





Uma das características mais interessantes do Metal praticado em SP como um todo é a fidelidade à sonoridade mais costumeira dos gêneros. O que quero dizer é: grande parte das bandas de uma vertente do Metal respeita as características mais seminais da mesma. Mas não confundam isso com falta de criatividade, por favor, e bem longe disso: as bandas paulistas muitas vezes dão aulas. E mais uma excelente banda vem dar lições à muitos: o quarteto INDIVIDUAL, de Osasco, que acaba de soltar seu EP "Worst Case Scenario ".

A banda é adepta do Death Metal. Mas é bom tomar cuidado extremo (sem trocadilhos), pois eles não são conservadores. No meio da massa sonora bruta e agressiva da banda, vemos surgir melodias interessantes nas guitarras (especialmente nos solos), alguns vocais mais rasgados se alternando com os guturais, tempos não muito convencionais. Sim, é Death Metal, mas criativo e pronto para encarar desafios, nem que seja na marra, com coragem e muito sangue nos olhos!

A produção ficou nas mãos de Rafael Augusto Lopes (sim, ele mesmo, o guitarrista do IMMINENT ATTACK e FANTTASMA). E como sempre, ele soube captar aquilo que a banda queria e precisava de sua sonoridade, ou seja, aquele som bruto, abrasivo, mas claro e compreensível para todos. Pode não ser excelente, mas é muito boa. E a arte de Gustavo Sazes (da Abstrata) é perfeita para o que a banda faz musicalmente e aborda em seus temas. E a apresentação em um papersleeve ficou ótima, ainda mais que souberam aproveitar a parte interna como encarte (um recurso muito usado nos antigos LPs).

Individual
O material que "Worst Case Scenario" apresenta é muito bom, mostrando que tem um potencial enorme para o futuro. Mas mesmo agora, é surpreendente ver uma banda desse quilate por aqui, ousando ser técnica, bruta e agressiva ao mesmo tempo, com arranjos musicais que, na visão dos mais puritanos, não se encaixaria no Death Metal. Mas ele encaixaram, e ficou excelente.

"Every Man for Himself" é brutal e técnica na mesma medida, quase nos fazendo acreditar que estamos diante de uma banda de Brutal Death Metal, mas logo o andamento se torna mais cadenciado e abrasivo, com bases de guitarra com riffs bem feitos e azedos. Mas quando "Worst Case Scenario" começa é que vemos bem a que eles vem, com um ritmo quebrado e levadas criativas, usando guitarras sujas, baixo e bateria com um trabalho muito bom, mas nos solos mais melodiosos (inclusive com o uso de duetos) vemos a vocação da banda para quebrar barreiras. Em "Blindfold", mais uma vez a banda lança mão de tempos não muito convencionais, além de timbres vocais oscilando entre o rasgado e o gutural sem pudor algum, e se preparem para a diversidade de tempos. "Dissonant Affliction" é mais agressiva e rápida em seu começo, mas logo elementos diferentes surgem, como algumas estruturas melodiosas que esbarram bastante no Black Metal, mostrando uma riqueza na base rítmica ótima. E "The Synthetic Joy" já é mais agressiva e um pouquinho (só um pouquinho!) mais direta que as anteriores, mas mesmo assim, ostenta um trabalho vocal muito bom e guitarras insanas.

Se já estão assim agora, o que o futuro lhes reserva pode ser surpreendente!





Músicas:

01. Every Man For Himself
02. Worst Case Scenario
03. Blindfold
04. Dissonant Affliction
05. The Synthetic Joy


Banda:

Marco Aurélio - Vocais, baixo
Carlos Deloss - Guitarras
Vinícius Dias Babeto - Guitarras
Tex Anderson - Bateria


Contatos: