9 de jun de 2012

Severe Disgrace - Disciples of Aggression (Demo)


Independente – Nacional
Nota 7
Por Marcos Garcia


No Brasil, para se fazer Metal em qualquer vertente é algo infernal, sem trocadilhos, pois com os preços de estúdios e profissionais da área de gravação elevados, reflexos de uma economia ainda instável, cujos efeitos positivos quase nunca chegam às camadas sociais mais baixas (os negativos sempre chegam), e as bandas sofrem com prazos curtos e condições ruins para fazerem trabalhos. Muitas vezes, é necessário que as mesmas façam dívidas enormes, uma aposta em um futuro que, em geral, não é lá muito promissor.
Mais um bom nome do nosso Metal é trio Thrash/Death Metal oitentista Severe Disgrace, que com uma luta enorme, conseguiu chegar a esse Demo CD, Disciples of Agression.
A produção sonora está bem tosca, o que é uma pena, pois o som da banda é muito bom, em uma veia ‘kreatoriana’ forte, mas sem ser uma cópia xerocada do gigante germânico, pois tem força, peso e personalidade, pois as três faixas que compõem este trabalho são bastante empolgantes, pois Evil Possessed alterna bem momentos mais velozes com outros mais cadenciados, com ótimo refrão e riffs de guitarra bem postados; em Dark World, o baixo se mostra bastante técnico, bem como a bateria, em uma música que alterna cadência e velocidade de forma bastante satisfatória, com um climão bem Persecution Mania, mas a gravação acaba deixando o volume dos bumbos e do próprio baixo um pouco sumidos; e Behind the Mask é outra música bem forte, com ótimas guitarras e vocalizações à lá Petrozza, que é capaz de criar rodas de pogo instantaneamente e sem nenhum esforço, mas uma pena que uma guitarra base lhes faz um pouco de falta.
É óbvio que o produto final poderia ser bem melhor, e esperemos que a banda tenha chances para isso no futuro, pois sua música tem bom nível e técnica que lhes angariará bastante fãs, isso é certo.

Evil Possessed

Tracklist:

01. Evil Possessed
02. Dark World
03. Behind the Mask


Formação:

Danilo Macedo – Vocais e guitarras 
Leonam Costa – Baixo e  backing vocals
Vitor Macedo – Bateria


Contatos:


Thyresis – Thyresis (CD)

Independente - Nacional
Nota 9
Por Marcos Garcia

O Melodic Death Metal tem ganhado cada dia mais adeptos e atenção por parte da mídia especializada, porque é inegável que ele veio para ficar, ou seja, é uma porta que se abriu e não mais se fechará, por onde ótimas bandas estão passando e brindando os fãs de Metal com trabalhos muito bons, e ao mesmo tempo, revigorando-o e conferindo-lhe vigor para resistir a mais décadas de vida.
O Brasil também já anda revelando bons trabalhos no Death Melódico, e um nome forte que pode fazer a diferença é o do Thyresis, de João Pessoa (PB), que em seu primeiro CD, Thyresis, faz bonito e mostra uma sonoridade que mixa bem a brutalidade e peso do Death Metal tradicional com riffs e solos de guitarra advindos do Metal Tradicional.
Os vocais são urrados o tempo todo, fugindo de tons limpos, as guitarras sabem bem alternar rispidez e momentos ‘maidenianos’ em riffs e solos bem cuidados e firmes, a cozinha baixo e bateria mostra não só coesão e peso, mas se sobressaem vez por outras, e isso tudo em um trabalho onde a brutalidade e melodia casam de forma perfeita, e sem deixar nenhum buraquinho que seja, pois a música que sai dos falantes é bem compacta.
A produção sonora e a mixagem foram feitas pelo baixista e vocalista Victor Hugo Targino, e a masterização é do renomado produtor Sueco Jens Bogren (Amon Amarth, Katatonia, Symphony X, Paradise Lost, Ihsahn, entre outros), e apesar de ser um trabalho independente, está em um nível ótimo, mostrando bastante o poderio musical da banda, bem como sua versatilidade e técnica, principalmente em pequenas instrumentais que antecedem várias faixas, e mesmo sendo um trabalho bem homogêneo e com nível elevado, Journey, uma faixa bastante forte, com excelente trabalho de guitarras, onde a sonoridade empolga o ouvinte; Voices of Me, uma faixa com momentos mais intensos e pesados, onde a bateria se destaca bastante; a rápida e técnica Dispersed, e que guitarras; a densa e massacrante A Dead Resource, que é bem agressiva em seu início, mas que ganha um approach mais melódico de sua metade até o fim, graças aos solos de guitarra, que logo estão juntos, em um momento bem ‘maideniano’; The Ties of Ignorance, um pouquinho mais Death Tradicional mesmo, apesar dos solos melodiosos; a agressiva Strength Within; a bela Thyresis, uma instrumental de mais de 6 minutos muito bem feita e longe de ser enfadonha; a tijolada ríspida de Still Alive; e Risen, outra faixa em que a melodia e a agressividade se alternam bastante.
Uma banda promissora, e que merece bastante uma chance de mostrar seu trabalho.



Tracklist:

01. Silent Monologue
02. Journey
03. Refugee
04. Voices of Me
05. Dispersed
06. Broken Home 
07. A Dead Resource
08. Beyond Infinity
09. The Ties of Ignorance
10. Inside
11. Strength Within
12. Thyresis
13. Still Alive
14. Risen
15. Silent Scream




Formação:

Victor Hugo Targino – Baixo, voz
Danilo Rufino – Guitarras
Eduardo Borsero – Guitarras
Demetrius Pedrosa – Bateria


Contatos:

083 9144 2911 / vhdenovo@hotmail.com (Victor Hugo)

Serpent Sermon – Marduk (CD)


Century Media Records – Importado
Nota 10
Por Marcos Garcia

Constância versus Inovação é uma das grandes dicotomias existentes dentro do Metal atualmente, já que, de um lado, bandas que geraram o paradigma da ausência de mudanças em sua forma de fazer sua música, e criaram discos clássicos do estilo. Do outro, tempos bandas que, a cada lançamento, souberam (e sabem) evoluir e fazer trabalhos cada vez mais fantásticos, capazes de arrancar aplausos até dos críticos mais sisudos, e também criaram discos clássicos, e outras ainda, nessa mesma vertente, se perderam, ou seja, as mudanças foram tantas e tão radicais que as mesmas perderam qualquer tipo de identidade sonora com o seu passado.
Essa é uma equação difícil de ser desenvolvida em torno de uma solução única, digamos de passagem...
E ainda há aquelas que evoluem, mantendo suas raízes musicais intactas, e nos brindam com ótimos CDs, como é o caso do sueco Marduk, um dos nomes mais fortes e respeitados do Black Metal, que após 3 anos de espera, solta seu novo CD, Serpent Sermon, pela Century Media Records.
Desde que Legion saiu da banda, muitos fãs torcem o nariz para o trabalho do quarteto, em uma mostra de radicalismo desnecessário, já que Mortuus tem se mostrado um vocalista ao mesmo tempo agressivo e versátil, dando um sabor diferente ao som bruto da banda, e isso desde sua entrada, e a banda é sempre capitaneada pelo trabalho diferenciado de guitarras da parte de Morgan, um verdadeiro mestre em se fazer riffs fortes e ganchudos, daqueles que você ouve e não esquece mais, e isso tudo apoiado pela ótima cozinha rítmica de Devo e Lars, que se mostram ainda mais coesos e técnicos que no disco anterior.
Produzido pela própria banda, a sonoridade do disco é bem intensa e com doses de sujeira  essenciais para o estilo bem postadas aqui e ali, mas ao mesmo tempo sem prejudicar o produto final que sai pelos falantes, deixando a música em um ponto em que se compreende cada instrumento e nuance da mesma, mas bruto e intenso, dando a impressão que a banda é uma autêntica máquina de guerra.
Estilisticamente, bem pouco mudou em relação aos discos anteriores, embora exista um pouco de sofisticação em meio a agressividade mais explícita, como na arrasadora Serpent Sermon, na curta Messianic Pestilence, com excelente vocalizações de Mortuus; na destruidora Souls for Belial (que tem vídeo oficial na internet), onde os riffs de Morgan estão afiadíssimos e cada vez mais grudentos, mesmos pontos fortes encontrados em Hail Mary (Piss-soaked Genuflexion). Há também músicas mais cadenciadas e aterrorizantes, como Temple of Decay, com urros apavorantes, bateria muito bem encaixada e bases de guitarra de deixar muito guitarrista com o queixo caído e nuances sonoras sutis muito interessantes; e World of Blades, onde Lars e Devo mostram ótimos trabalhos individuais em seus instrumentos, mas a guitarra de Morgan continua roubando a cena. E também há aquelas em que a velocidade não chega a ser muito exagerada e há variações rítmica muito boas, como a absurda M.A.M.M.O.N., um dos pontos altos do CD.
Realmente, falar em Marduk continua sendo sinônimo de grande qualidade, e quem andava meio desiludido com a banda, acho bom dar uma boa ouvida no CD, especialmente porque existe um bônus na edição limitada, que é Coram Satanae.

Souls for Belial

Tracklist:

01.  Serpent Sermon 
02.  Messianic Pestilence 
03.  Souls for Belial 
04.  Into Second Death 
05.  Temple of Decay 
06.  Damnation's Gold 
07.  Hail Mary (Piss-soaked Genuflexion) 
08.  M.A.M.M.O.N. 
09.  Gospel of the Worm 
10.  World of Blades 


Formação: 

Mortuus – Vocais
Morgan Steinmeyer Håkansson – Guitarras 
Devo – Baixo 
Lars Broddesson – Bateria


Contatos:

www.marduk.nu 
www.facebook.com/mardukofficial 

Sigma 7 – Uma Bala, Uma Chance (CD)


Independente - Nacional
Nota 9
Por Marcos Garcia

Definitivamente, o Hard Rock está de volta com tudo para retomar seu espaço, que foi tomado pela moda Grunge/Alternativo dos anos 90, já que o número de boas bandas novas do estilo está aumentando cada vez mais, e o seu antigo opositor está em franca decadência. Venhamos e convenhamos: é preferível encarar o dia a dia com alto astral do que com uma visão perdedora e pessimista.
Seguindo uma linha Hard’n’Roll, temos o ótimo quinteto gaúcho Sigma 7, que chega com seu novo trabalho, Uma Bala, Uma Chance, e mesmo resgatando uma sonoridade bem fundamentada no Hard Rock/Rock’n’Roll dos anos 70, pulsa com vida e personalidade bem próprios, pois temos uma música trabalhada (embora simples) e empolgante, com fortes vocalizações melodiosas, guitarras com bastante categoria e peso nas bases e solos, baixo e bateria pesados e concisos, sem deixar espaços ocos nas músicas. E um bônus para aqueles que reclamam não compreender o idioma bretão: as letras são cantadas em português.
Apoiados por uma produção sonora bem limpa, as idiossincrasias do quinteto são bem evidenciadas sem grandes problemas, especialmente nos destaques do CD, as faixas Estrada, música do primeiro vídeo oficial do CD, com aquele saudável clima descompromissado e leve, onde as guitarras e os vocais se sobressaem, especialmente pelo refrão ganchudo; a paulada Submundo, aquele Hardão não tão rápido, mas que empolga e leva o ouvinte a cantar o refrão junto com a banda, com um solo de guitarra bem ‘frehleyana’, bem como Vida Fácil, outra que deixa o ouvinte arrepiado; a balada essencial Por Mais Que Eu Tente Esquecer, melodiosa e muito bem estruturada, onde os vocais e o baixo se mostram bastante; Mistérios, bem cadenciada e com ótimas guitarras, que estão presentes na tijolada Vida Rock’n’Roll, uma típica canção para levantar o público à loucura, graças à sua levada grudenta; a cadenciada Obsessão; e a bela Reinventando Solidão, outra balada feita com violão e voz muito legal, onde fica clara a versatilidade da voz de Marcos Delfino.
Discão, e vale a pena a conferida.
Estrada

Tracklist:

01. Estrada
02. Submundo
03. Vida Fácil
04. Por Mais Que Eu Tente Esquecer
05. Mistérios
06. Vida Rock’n’Roll
07. Ela Não Vai Parar
08. Obsessão
09. Reinventando a Solidão
10. Vida Fácil (Jacques Maciel)


Formação:

Marcos Delfino – Vocal 
Ted Justo – Guitarra Solo
Alessandro Librelato – Guitarra Base
Eduardo Schardosin – Baixo 
Zico Cavinato – Bateria 


Contatos:


Fear Factory – The Industrialist (CD)



Candlelight Records - Importado
Nota 10
Por Marcos Garcia

Os anos 90, apesar da contestação de muitos, teve muitos pontos positivos, como permitir que as bandas novas e criativas dessem um pontapé inicial em musicalidades que hoje estão consolidadas, especialmente falando no uso de elementos eletrônicos e groove.
O Fear Factory foi um dos grandes pioneiros, e um dos pais por direito do que hoje chamamos de Metalcore e Thrash Metal Industrial, posição ainda mais consolidada com seu novo trabalho, The Industrialist, que acaba de sair do forno.
Apoiado nos vocais ora absurdamente urrados, ora mais melódicos e suaves de Burton C. Bell e na guitarra caótica de Dino Cazares, um mestre de riffs agressivos e ganchudos, o quarteto mostra o porquê ainda é um dos mais fortes pilares do estilo, pois a música apresentada aqui é não só uma espécie de retorno à sonoridade do clássico Demanufacture, mas adicionam a experiência e criatividade de anos, e pronto: surge um disco obrigatório.
Produzido por Rhys Fulber  e pela própria banda em conjunto, e a mixagem de Greg Reely, a sonoridade que flui através dos falantes é límpida e vigorosa, pois nada na música complexa do grupo fica escondido, nem mesmo quando os elementos eletrônicos surgem, e ainda privilegia bastante o peso. E lembremos que a bateria no disco é programada, feita por Dino Cazares (que também tocou baixo), John Sankey (que gravou as sessões dos Demos) e do próprio Rhys Fulber. Mas que os mais puristas não se enganem: a bateria não está mecânica, mas bem variada.
O que se pode esperar de um trabalho onde esses dois estão enfiados?
Para quem conhece o poder de fogo da banda, a satisfação é garantida, já que espancamentos sonoros como a grandiosa e aniquiladora The Industrialist, que abre o CD com agressividade ríspida dos riffs de guitarra e pelos urros alucinados, em um andamento não tão veloz, mas focado na técnica; em Recharger, tome mais agressividade com ótimas levadas de bateria; New Messiah, com suas quebradas de ritmo e inserts de vocais limpos bem sacados; a cadenciada e variada God Eater, cheia de elementos industriais; e Difference Engine, outra pancada voraz sem muita velocidade.
Forte candidato ao Top Ten de muitos no final de 2012.
Aliás, se o mundo acabasse mesmo em dezembro, eis a perfeita trilha sonora!

The Industrialist

Tracklist:

01. The Industrialist
02. Recharger
03. New Messiah
04. God Eater
05. Depraved Mind Murder
06. Virus of Faith
07. Difference Engine
08. Disassemble
09. Religion is Flawed Because Man is Flawed
10. Human Augmentation


Formação:

Burton C. Bell – Vocais 
Dino Cazares – Guitarras, baixo, programação
John Sankey – Programação de bateria


Contatos: