4 de mar de 2017

SACRAMENTAL BLOOD - Ternion Demonarchy (Álbum)


2016
Nacional

Nota: 8,5/10,0


Tracklist:

1. Demonized
2. Buildings of Burning Flesh
3. Nearest to the God
4. Destroyer of Thought and Form
5. Aeons
6. Sanctimonious
7. The Relic
8. Livid Deaths Descend!
9. Imposed Resurrection
10. De Praestigiis Daemonum


Banda:


Srđan Todorović – Vocais, guitarrras
Milan Dobrosavljević – Guitarras, baixo
Ivan Petrović – Bateria


Contatos:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Um dos poucos gêneros do Metal que parece nunca ficar velho ou sofrer problemas com o tempo é mesmo o Death Metal. Mesmo quando bandas apostam em sonoridades do assado, tomando certo cuidado e tendo personalidade, podemos ouvir discos insanos, capazes de destroçar os ouvidos sem muito esforço. E em uma surpresa de alto nível, o trio sérvio SACRAMENTAL BLOOD, de Belgrado, recebe apoio dos selos brasileiros Isane Records e Lab6, para enfim lançarem seu primeiro álbum, o amassa-crânios chamado “Ternion Demonarchy”.

O trio não tem dúvidas do que quer de sua música: Death Metal Old School, com claras referências a bandas como DEATH, OBITUARY, MORBID ANGEL, mas com uma clara estética moderna, se permitindo o uso de uma técnica instrumental muito boa. E é insano, destruidor, bruto e agressivo, como as bandas do gênero devem ser. Em alguns momentos, chegam a ter leves toques de Thrash Metal nos riffs de guitarra, além de evitarem ficar com os andamentos em uma velocidade única. E embora não sejam inovadores (não, eles não querem criar novas subdivisões), a música do trio transpira honestidade, peso e personalidade. Sim, eles ainda estão em evolução, mas o que se ouve em “Ternion Demonarchy” é um disco de primeira qualidade.

Lendo os detalhes da gravação, se percebe que a produção do CD não foi um processo rápido. Uma parte das gravações foi realizada em 2009, outra já em 2012, e houve uma mexida no som em 2013. Mas tudo para que a sonoridade de “Ternion Demonarchy” soassem bruto e pesado, com bons timbres instrumentais, mas sem deixar de soar cru, e assim, as músicas soam espontâneas. Pode não ser a melhor qualidade sonora do mundo, mas está muito boa, mostrando que Stefano Morabito fez um trabalho muito bom na mixagem e na masterização.

A arte, por sua vez, é ótima e sinistra, trazendo capa feita pelo artista espanhol Juanjo Castellano, casando perfeitamente com a proposta sonora do trio. E isso em um formato Digipack muito bem sacado.

O grupo não se furta a usar de alguns toques mais experimentais, tendo a ajuda dos convidados Coa Lukovic (teclados), Aleksandar Plavšić (violão) e Marko Gospavić (backing vocals), tudo visando fazer de suas músicas algo diferente. E ela mostra bastante personalidade, embora seja evidente a noção de que o grupo se encontra em pleno processo de evolução. 

Ouvindo “Ternion Demonarchy” com toda atenção e calma que o disco merece, fica evidente que a banda tem um nível de qualidade musical bem homogêneo, se destacando “Demonized” (tem-se momentos bem velozes, riffs assassinos de primeira, e outros pontos em que a canção fica cadenciada, destacando a força dos vocais urrados), a empolgante e com leves toques Death/Thrash em algumas partes “Buildings of Burning Flesh” (os riffs são de uma energia absurda, mas fica evidente que o trabalho técnico da bateria é excelente), a estética mais trabalhada de “Nearest to the God” (como a base rítmica de baixo e bateria está bem), o alívio melodioso da soturna instrumental “Destroyer of Thought and Form” (feita com violões e solos de guitarra apenas), o peso cavalar das partes mais cadenciadas de “Aeons” (que vocais de primeira), e o massacre da esmagadora “Imposed Resurrection” (peso, velocidade e agressividade estão no talo, sem dó dos pescoços alheios, em mais uma exibição de gala da bateria).

Um disco honesto, a banda merece aplausos por seu esforço, e desejamos de todo coração que estes veteranos, que já estão na luta a 15 anos, não levem tanto tempo para lançarem seu segundo álbum.

São bons demais...