4 de out de 2015

MAD DRAGZTER - Master of Space and Time (CD)

2015 - Army Music Records - Nacional

Nota 10,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Fazer Thrash Metal no Brasil é uma tradição que vem de muitos anos, desde que em 1985, ocorreu a primeira versão do Rock in Rio e uma nova geração começou a ajudar a construir um cenário em nosso país. É uma herança e uma questão de honra fazer bem feito, em nível de igualdade com bandas do exterior. E como é bom ver bandas que estão retomando o bom e velho Classic Thrash Metal, mas colocando energia e personalidade em seus trabalhos. E um dos nomes mais contundentes no momento é o do experiente quarteto MAD DRAGZTER, de São Paulo, e que com o retorno à ativa em 2012, nos dá a alegria de ouvir um excelente trabalho novo, "Master of Space and Time".

Primeiro disco após a volta, o que podemos perceber é que o quarteto voltou com tudo e sem medo de dar a cara à tapa. O seu som que relembra o Thrash Metal clássico de bandas como METALLICA, MEGADETH e TESTAMENT é forte e muito raçudo, com uma agressividade intensa, mas sem abrir mão de excelentes melodias (especialmente notadas durante os solos). E a banda capricha, tornando cada momento de "Master of Space and Time" uma experiência maravilhosa aos nossos ouvidos. E se preparem, pois temos aqui uma autêntica coleção de riffs destruidores, solos melodiosos, baixo e bateria formando uma das melhores cozinhas rítmicas do Thrash Metal nacional, e vocais muito bem colocados e com boa dicção. Preparem-se para o mosh!

Mad Dragzter
A produção do álbum é do guitarrista Gabriel Spazziani e a masterização de Maurício Gargel, que souberam deixar a banda com ótima dose de peso e boa clareza, mas usando timbres mais secos e próximos do que a banda soa em um show ao vivo. Chega a ser rascante de tão seco e intenso. E a arte da capa é muito boa, deixando clara qual é a mensagem lírica do grupo.

O que é surpreendente no trabalho do MAD DRAGZTER é a riqueza de arranjos. A cada momento, surgem arranjos diferenciados, fortes, mas muito bem encaixados, sem destoarem em um momento que seja. E as músicas possuem uma dinâmica entre os instrumentos que é assustadora. Experiência aliada à uma personalidade forte e energia sem fim.

Temos 15 faixas ótimas, cada uma com seu valor próprio. E não é muito fácil escolher melhores momentos no CD.

Almighty - Começa rápida e agressiva, com a presença de guitarras muito pesadas e um contraste ótimo entre backing vocals e os vocais, mas as guitarras apresentam riffs insanos e solos bem melodiosos. E que refrão abusivamente cativante!

Valley of Dry Bones - Um início azedo e mais cadenciado, mas logo a velocidade aumenta e vira um convite ao moshpit sem dó. Mas cuidado, pois as variações rítmicas são numerosas, fora o baixo está muito presente e mostrando que não está ali apenas para dar ligação entre as guitarras e a bateria (o que por si só, no caso do quarteto, não é algo lá muito simples).

Master of Space and Time - Um dos melhores momentos do CD. Precedida por um momento mais soturno, logo vemos um trecho com o andamento não tão veloz, mas mesmo assim, nos empolga com ritmo fica se alternando. Ponto para a bateria, que além da técnica, segura muito bem os andamentos sem se atrapalhar.

5708 - Azeda e cadenciada, onde o quarteto mostra o lado mais pesado e intenso de sua música, com belas vocalizações que casam perfeitamente com a linha instrumental. E que guitarras!

Megiddo - Outra que começa cadenciada e com uma atmosfera opressiva, mas logo, riffs rápidos e melodiosos aumentam a velocidade. E vemos que a empolgação atinge níveis absurdamente altos, com a bateria dando uma exibição de técnica nos bumbos.

Gehenna: The Second Death - Que introdução veloz, onde as guitarras esmerilham e os bumbos são absurdos, mas logo a velocidade dá uma amenizada (mesmo sendo uma faixa com velocidade insana). Novamente a cozinha rítmica da banda faz uma exibição de cair o queixo, mas sem que as guitarras ou vocais fiquem para trás. Um dos pontos mais altos do disco, e uma faixa para dar mosh sem piedade de quem está na frente.

King of Kings - Baixo e bateria já dão um ponta-pé inicial mostrando uma excelente técnica, mas esta é uma canção bem elaborada, mais uma vez boas mudanças de ritmo e mesmo a presença de alguns momentos com teclados e vocais com efeitos que antecedem momentos mais melodiosos e introspectivos. Outro grande momento do CD.

Army of Truth - Esta mostra uma pegada mais melodiosa que beira o Hard'n'Roll clássico, sem deixar de ser Thrash Metal. As melodias são bem claras aos ouvidos, mesmo debaixo de tanta agressividade. E reparem bem o final, onde guitarras limpas mostram-se de maneira calma e aconchegante.

Sons of Thunder - Mais direta que as outras, logo, a agressividade fica mais evidente, onde os riffs de guitarra mostram boa técnica e se misturam de forma homogênea, e outra vez os vocais e backing vocals são excelentes. E um refrão bem melodioso e novamente apresentando teclados bem pensados.

The Man by the Pool of Bethesda - Sinuosa, rica em mudanças rítmicas, e certo toque de introspecção no meio da violência musical da banda. E acreditem: eles sabem usar muito bem de tanta diversidade de tempos. Mais uma vez, os vocais e as guitarra dão um show à parte.

One Nation, One Church - Mais chumbo grosso Thrasher na cara de muitos, mas mais uma vez lançando mão de uma riqueza de arranjos fantástica, belo trabalho de baixo e bateria, e outro refrão que fica na mente por tempo.

From Emptiness to Infinity - Saiam da frente, que o trator Thrasher foi ligado na força máxima, cuspindo fogo e agressividade para todos os lados. Mas reparem como a música é bem elaborada nos mínimos arranjos.

Vox Spiritus Sancti - Boas mudanças de ritmo, belas linhas melódicas, baixo e bateria mostrando boa dose de peso (inclusive com alguns momentos bem cheios de groove), e vocais com boa diversidade de timbres. E se preparem que o refrão gruda nos ouvidos. 

Wrath of God - Um início que remete diretamente ao Reggae jamaicano, com guitarras usando e abusando de wah-wah, mas logo, um caos de brutalidade sonora dá as caras, e logo vem a surra de riffs e base rítmica pulsando com energia e peso. Mas reparem na versatilidade dos riffs e solos do grupo.

New Heaven and New Earth - Fecha o CD com chave de ouro, empolgante e que deixará o ouvinte com torcicolo devido aos riffs ganchudos, fora a aura mais "classic" de Thrash Metal.

Um disco sensacional, e em termos de Classic Thrash Metal, o MAD DRAGZTER, juntamente com o WOSLOM, são as duas pontas de lança do Brasil no gênero. E o CD pode ser ouvido e baixado aqui de graça.

Um comentário final: sim, este autor já bem sobre toda a polêmica sobre as letras da banda. E não, não dou a mínima. 

O mais importante é a música.



Tracklist:

1. Almighty 
2. Valley of Dry Bones 
3. Master of Space and Time 
4. 5708 
5. Megiddo 
6. Gehenna: The Second Death 
7. King of Kings 
8. Army of Truth 
9. Sons of Thunder
10. The Man by the Pool of Bethesda 
11. One Nation, One Church 
12. From Emptiness to Infinity 
13. Vox Spiritus Sancti 
14. Wrath of God 
15. New Heaven and New Earth


Banda:

Tiago Torres - Vocais, guitarras
Gabriel Spazziani - Guitarras
Armando Benedetti - Baixo
Eric Claros - Bateria


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