29 de mai de 2015

Marenna – My Unconditional Faith

Independente
Nota 9,5/10,0

Por Marcos "Big Daddy" Garcia





A cena nacional, enfim, está começando a romper com a vocação quase exclusivamente extrema. Sim, pois finalmente, bandas de musicalidade mais voltada ao Hard Rock e AOR andam aparecendo de norte a sul em nosso país, e com trabalhos bem diferentes. E entre eles, um nome que anda causando bastante alvoroço e despertando paixão em fãs é o do grupo MARENNA, do RS, que foi cotado para tocar no Sweden Rock ano passado e que nos chega às mãos com “My Unconditional Faith”, seu EP de estréia.


Temos aqui o mais puro e delicioso Hard/AOR no estilo anos 80, ou seja, segue a mesma escola de bandas como JOURNEY, BON JOVI, FIREHOUSE e outros nomes conhecidos. É um trabalho bem feito, com músicas ótimas, refrões de fácil assimilação, coros bem postados, instrumental polido e muito bem cuidado, mas cheio de energia e vida. E sim, é bem grudento e envolvente, com vocais perfeitos (Rodrigo tem uma voz ótima, e sabe como utilizá-la muito bem), guitarras ótimas em riffs ganchudos e solos melodiosos, baixo e bateria com peso na medida certa, e alguns teclados que preenchem bem os espaços em cada música. Resumindo: um tipo de música formidável!

Rodrigo Marenna
Jonas Godoy fez a toda produção do trabalho (mixagem, masterização) no estúdio Linha Sonora, em Caxias do Sul (RS), e em termos de qualidade, não há do que reclamar, já que tudo está em seu devido lugar, com volume e clareza, mas mantendo aquela dose de peso que bandas de Rock precisam. A arte, feita por Marcel Briani (vocalista do IN SOULITARY) é bem básica, mas é nessa simplicidade que se pode reparar em um bom trabalho musical.

E fazer este estilo é uma arte. Arte que Rodrigo e banda entendem muito bem, pois os arranjos são encaixados com maestria, criando uma música que nos toma pelos ouvidos de assalto e sem direito a fugir. Mas quem quer fugir de um trabalho tão bom assim?

O EP já abre como a excelente e ganchuda “You Need to Believe”, preenchida pelo canto forte e agradável de Rodrigo, e apresentando ótimos riffs e solo, como todos os elementos que um Rockão AOR precisa, com um senhor refrão. Em “Like An Angel”, temos uma faixa bem mais açucarada e melodiosa, mas com refrão forte, belos teclados, elegante e grandiosa (reparem bem no baixo e bateria dando suporte rítmico de primeira à música). Em “Keeping on Dreaming”, uma típico Hard/AOR um pouco mais pesado, mas ótimo e de bom gosto, outro refrão que não sai mais da mente, em uma canção que poderia muito bem ser de antigos comerciais de cigarro (antes da censura feita atualmente no Brasil). E fechando o EP, temos a versão acústica para “You Need to Believe”, mostrando um lado mais suave e intimista da banda, mas que expõe como a voz de Rodrigo é extremamente versátil. Uma pena que só tenha 4 músicas, pois o gosto de “quero mais” é forte demais, e os dedos aperta logo a tecla repeat do CD player.

Um trabalho ótimo, que é capaz de fazer qualquer um ficar fissurado pelo MARENNA, e merece não só uma ouvida caprichada, mas a aquisição, e let the good times roll!









Músicas:

01. You Need to Believe
02. Like An Angel
03. Keep On Dreaming
04. You Need to Believe (versão acústica)


Banda:

Rodrigo Marenna - Vocais, backing vocals 
Jonas Godoy - Guitarras, teclados, baixo, backing vocals 
Guilherme Mello - Bateria 
Matt Thofern - Bateria em “Like An Angel”
Sasha Z. - Guitarra solo em “You Need to Believe”
Geraldo Alta - Guitarra solo em “Like An Angel”
Cesar Branco - Guitarra solo em “Keep On Dreaming”, backing vocals
Arthur Appel - Backing vocals
Aaron Alves - Backing vocals



Contatos:

Castifas – Bloodlust and Hate (CD)

Nota 9,0/10,0

Por Marcos "Big Daddy" Garcia



O Black Metal no Brasil possui uma história importante e bem singular: enquanto a maioria dos países fora do eixo Noruega/Grécia/Suécia/Finlândia tiveram suas cenas aparecendo após a explosão da cena norueguesa por volta de 1993, o Brasil já possuía uma cena em paralelo às citadas acima, com características musicais bem delineadas. E um dos remanescentes daqueles tempos é o quarteto carioca CASTIFAS, formando em 1993 e que levou 16 anos para lançar seu primeiro trabalho, “Journey Through the Darkness Path” (de 2009), e que após seis anos de luta dentro da cena e mudanças de formação, retorna com seu segundo álbum, “Bloodlust and Hate”.

O quarteto sempre se caracterizou por um som voltado à SWOBM, ou seja, aquele Black Metal soturno e mórbido, ora veloz e ora mais cadenciado, focando em uma atmosfera mais soturna e densa. Mas o grupo nos surpreende neste álbum, pois a banda apresenta certo refinamento musical antes ausente, fruto da experiência de Hoertel Infernum e Deathcult com a garra e técnica dos mais jovens Nuctemeron e Lord Anti-Christ (guitarrista/vocalista e baterista do IMPACTO PROFANO, respectivamente). Ou seja, um híbrido entre o trabalho ríspido e abrasivo ouvido em “Journey Through the Darkness Path” com força e técnica um pouco mais burilada, mas sem perder a identidade. Os vocais se mostram em timbres um pouco mais graves que antes, mas ainda com gritos rasgados; as guitarras melhoraram bastante em termos de riffs, o baixo apresenta um trabalho bem técnico e não fica apenas na marcação, e a bateria ganha em peso e diversidade técnica. Sim, a banda soube se renovar.

A produção é de Rodrigo Bissoli, o disco foi gravado e mixado no Estúdio Pereira em Duque de Caxias (no RJ). O resultado, em termos de sonoridade, é bem satisfatório, sem obliterar a sonoridade mais crua e azeda que o CASTIFAS necessita, mas sem abrir mão de certa qualidade, imprescindível para que possamos aproveitar o melhor de sua música. E Yuri D’Ávila fez o trabalho gráfico, que ficou muito bom, aliando simplicidade com bom gosto e um layout bem cuidado.

Castifas
Em termos de musicalidade, o CASTIFAS não precisa se justificar diante de ninguém, muito menos de tapinhas nas costas. Sua música, embora não seja inovadora (no sentido de criar uma nova vertente ou algo assim), é muito pessoal, distante de ser rotulada. E não há o mínimo saudosismo musical ou aquela sensação de algo datado. É como citado acima: a fusão de 50% da experiência dos veteranos com o pique, técnica e energia dos 50% mais jovens resultou em bons arranjos e faixas muito bem acabadas, mesmo sendo a maioria com duração superior a 5 minutos. E isso, meus caros, é sinal de mentes pensantes, embora as músicas soem bem naturais.

“Bloodlust and Hate” é uma faixa com aquela sonoridade da SWOBM, arrastada e azeda, com guitarras mostrando riffs ótimos, o baixo aparecendo bastante, além um trabalho de bateria incrível (muita presença de dois bumbos), enquanto “A World of Bones” já possui um pouco mais velocidade (que não é extrema ou constante), embora cheia de variações interessantes de ritmos e vocais muito bem encaixados (usando de mudanças de timbres muito boas, alternando entre rasgados e vozes narradas mais normais). Em “Screams and Torment”, primeiro Websingle de promoção do CD, o andamento é em tempo médio, boa conduções rítmicas por parte da bateria, outra mostra de ótimos riffs e vocais excelentes. “Kingdom of Satan” segue a mesma linha em termos de andamento, mas com um pouco mais de simplicidade em termos técnicos (o que não desmerece a canção de forma alguma), repleta de momentos mais climáticos. “Lucifer My Master” é outra um pouco mais veloz, onde a banda como um todo se sai muito bem. E as três faixas restantes, “Into the Cerimonial Sodom”, “The Mystic and Occult Son of the Moon” e “The Wicked Master of Souls” são regravações de canções presents em “Journey Through the Darkness Path”, que ganharam uma nova forma, com um pouco mais de técnica, mas respeitando as versões originais. E as três servem para comprovar que o CASTIFAS é uma banda que possui raízes, mas que está pronto para encarar o futuro sem medo.

O grupo está de parabéns, e mostra que depende apenas de si mesmo para ir ainda mais longe.





Músicas:

01. Bloodlust and Hate 
02. A World of Bones 
03. Screams and Torment 
04. Kingdom of Satan 
05. Lucifer My Master 
06. Into the Cerimonial Sodom 
07. The Mystic and Occult Son of the Moon 
08. The Wicked Master of Souls


Banda:

Hoertel Infernum – Vocais 
Deathcult – Guitarras 
Nuctemeron – Baixo, guitarras 
Lord Anti-Christ – Bateria 


Contatos: