22 de out de 2016

AQUILES PRIESTER/GUSTAVO CARMO – Our Lives, 15 Years Later... Live in Studio! (Duplo DVD)


2016
Independente
Nacional

Músicas:

DVD 1: 

1. Elevator
2. Dolphin Race
3. Carousel
4. Our Lives, 13 Years Later…
5. Titanic: a Night to Remember
6. The Old Man and the Sea
7. Cluttered Inbox
8. The Bucket is Full
9. Salvation
10. The Maze
11. The Dance of Eternity

DVD 2:

1. 60 minutos de aula de bateria, guitarra, baixo e teclados
2. Entrevistas
3. Making Of DVD "Our Lives, 15 Years Later... Live in Studio!"


Banda:


Gustavo Carmo - Guitarras
Aquiles Priester - Bateria
Junior Carelli - Teclados
Bruno Ladislau - Baixo


Contatos:

http://trmpress.com.br (Assessoria de Imprensa)


Nota:

Originalidade: 10
Composição: 10
Produção: 10

10/10


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Em geral, discos ou DVDs de guitarristas são exclusivamente aulas de autoindulgência instrumental que são, em geral, cansativas para a paciência de pessoas que não tocam o instrumento. Imagine isso quando junta-se uma fera das guitarras com um monstro da bateria, e isso acompanhados de um baixista e um tecladista de primeira linha.

Seria um sonífero de primeira, a cura para a insônia crônica, se não estivéssemos falando de Aquiles Priester (HANGAR, NOTURNALL, ABOUT2CRASH) e Gustavo Carmo (VERS’OVER), dois músicos calejados e cujas qualidades são reconhecidas. Pois bem, eles se juntaram a Juninho Carelli (teclados, do NOTURNALL) e Bruno Ladislau (baixo, que já tocou no ETERNA, TIM “RIPPER” OWENS, VINNIE MOORE, e atualmente, toca com ANDRÉ MATTOS e na banda de Death Metal  BRAND NEW END) e resolveram lançar o Duplo DVD “Our Lives, 15 Years Later... Live in Studio!” que vem dar continuidade ao trabalho que eles já haviam mostrado no CD “Our Lives, 13 Years Later”, de 2014.

Musicalmente, poderíamos classificar a música que ouvimos como “Metal Fusion”, ou seja, é um Metal instrumental tocado com a versatilidade eclética do Jazz Fusion. E diferente do CD, agora temos a imagem do quarteto tocando as músicas, onde podemos perceber a qualidade individual de cada um dos integrantes. Mas mesmo se levando em consideração tanta técnica individual, percebe-se que o resultado final são músicas ótimas como um todo, sem a necessidade de vocais para a expressão de cada uma, e as músicas soam coesas, sem que um ou outro instrumento fique mais destacado. 

A produção visual do DVD é da Foggy Filmes, empresa de Júnior Carelli, que usou 14 câmeras Full HD para que nenhum detalhe da performance do quarteto fosse perdida, e não foi. E apesar do espaço não ser gigantesco (se comparado ao de um show ao vivo), o espaço do Estúdio Fusão serve confortavelmente para a finalidade: a gravação de som e imagens sem muitos overdubs e ajustes, sempre sendo o mais autêntico possível. E o é, sem sombra de dúvidas. E digamos que a gravação feita por Thiago Bianchi ficou de primeira!

Outro ponto interessante da produção do DVD é a questão do menu de opções bem simples e ágil, e cada uma das canções possui uma vinheta inicial em texto, identificando-as e mostrando alguns aspectos de cada uma delas.

Com produção de Aquiles e Gustavo, a mixagem do disco ficou nas mãos de Jesse Vainio, no Mofo Music, na Finlândia, e a masterização é Svante Forsbäck (que trabalhou no DVD “Live In Brusque/SC, Brazil”, do HANGAR), no Chartmakers Studio (também na Finlândia). Tudo isso ara que a qualidade do áudio fosse tão bom como a de imagem, e conseguiram. A sonoridade que nos é oferecida é clara, limpa, mas muito pesada. 

No DVD 1, temos a banda tocando material de “Our Lives, 13 Years Later”, e na mesma ordem. E digamos de passagem: ver e ouvir a banda tocando “Elevator”, “Dolphin Race”, “Carousel”, “Our Lives, 13 Years Later…”, “Titanic: a Night to Remember”, “The Old Man and the Sea”, “Cluttered Inbox” e “The Bucket is Full” é algo fantástico, uma experiência diferente e que realmente é única. Mas para pôr mais água na boca, temos três faixas inéditas, que são “Salvation”, “The Maze” e “The Dance of Eternity”. Tente ver e ouvir cada uma das canções como um todo, sem se prender demais a um dos músicos. Assim, nas posteriores, poderá perceber o quanto cada um deles é importante para a música, que nenhum dos quatro é descartável.

O DVD 2 tem algumas preciosidades: cada um deles administra uma aula. No caso de Aquiles, ele vai mostrando como microfonar e afinar sua bateria, dando dicas inclusive sobre os aspectos especiais do som que ele consegue, e depois mostra algumas técnicas como paradiddles, sempre com legendas em inglês e mesmo mostrando suas batidas em BPMs, hi-hat clutch, e mesmo sobre o uso de triggers (sinceramente, depois disso, espero nunca mais ouvir/ler debates sobre triggers). Na de Gustavo, ele mostra como tocar modos gregos em terças, passagens pentatônicas, entre outras. Já Júnior prefere mostrar a técnica da mesma tecla, padrão de solos a duas mãos (mostrando um fraseado de “The Bucket is Full”), e outras. Por sua vez, Bruno mostra seu virtuosismo nas quatro cordas, mostrando trechos de músicas do DVD, com arpejos e muito mais.

Além disso, temos as entrevistas, sendo que a presença ilustre de Antônio Carlos Monteiro (famoso e experiente jornalista do Metal e do Rock nacional) conduzindo cada uma delas, e assim, cada entrevista tem um brilho diferente, algo que gradualmente nos permite perceber como esse projeto começou, e como foi amadurecendo até se tornar realidade. E fica claro os motivos de Júnior e Bruno estarem no projeto. Ou seja, nosso querido Tony consegue fazer com que nada fique de lado na estória do projeto.

Fechando, temos o making of do DVD, mostrando partes dos ensaios, com as brincadeiras entre eles e tudo mais, o jantar pré-gravações (esse caras não dão pausa na zoeira em momento algum), além de piadas impagáveis de Thiago Bianchi e o bullying de Aquiles em Rudge Campos (parceiro de Júnior na Foggy Filmes), e mesmo os famosos “defeitos especiais”.

É uma aquisição de primeira, seja você músico ou apenas um fã de música, já que “Our Lives, 15 Years Later... Live in Studio!” é uma excelente pedida.

ATTRACTHA - No Fear to Face What’s Buried Inside You (Álbum)


2016
Nacional


Músicas:

1. Bleeding in Silence
2. Unmasked Files (Revisited)
3. 231
4. Move On
5. Mistakes and Scars
6. No More Lies
7. Holy Journey
8. Victorious
9. Payback Time


Banda:


Cleber Krichinak – Vocais 
Ricardo Oliveira – Guitarras 
Guilherme Momesso – Baixo 
Humberto Zambrin – Bateria 


Contatos:

https://www.facebook.com/DunnaRecords (Assessoria de Imprensa)


Nota:

Originalidade: 9
Composição: 10
Produção: 10

10/10


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia

É fato conhecido que a saída e consequente entrada de novos integrantes pode não alterar a identidade musical uma banda ou seu estilo. Mas toda a dinâmica muda, já que músicos costumam possuir personalidades e técnicas musicais bem pessoais. Não, não é uma questão do que é melhor ou pior, mas de simplesmente ser diferente.

E esta diferença é a tônica que faz com que “No Fear to Face What’s Buried Inside You”, primeiro álbum do quarteto paulista ATTRACTHA seja tão bom, e esteja credenciando a banda a brigar por um lugar entre os grandes discos do ano.

O grupo continua fazendo o bom e velho Heavy Metal com muita personalidade e sem se prender a este ou aquele subgênero. Mas o que podemos perceber é que entre o EP “Engraved” e esse álbum, a maior diferença é que as entradas de Cleber Krichinak nos vocais e de Guilherme Momesso no baixo, juntando com os veteranos Ricardo Oliveira (guitarras) e Humberto Zambrin (bateria) fizeram o ATTRACTHA soar mais pesado, agressivo e moderno. Óbvio que o lado mais melodioso da banda continua intacto, mas a agressividade é de saltar os olhos.

Produzido pelas mãos de Edu Falaschi em conjunto com o próprio ATTRACTHA, mais a mixagem e masterização de Damian Rainaud (na Califórnia, EUA), podemos afirmar que o quarteto deu um salto qualitativo em termos de qualidade sonora. Está muito pesado, com timbres bem escolhidos, mas sem que a clareza instrumental fique comprometida, ou as melodias sejam prejudicadas.

Sob o conceito do baterista Humberto, o designer João Duarte criou uma arte gráfica muito bonita, e fugindo do batido padrão de predominância de tons de vermelho ou preto.

Musicalmente, o quarteto não está nem aí para rótulos, características, ou seja lá o que for. A música do ATTRACTHA só admite um rótulo: Metal, e pronto!

Peso, agressividade, energia fluindo aos borbotões, boa técnica musical de cada um dos integrantes. E tudo isso se funde e cria uma música com muita personalidade, com ótimos arranjos, pegadas envolventes e uma dinâmica fantástica entre a parte instrumental e os vocais.

“No Fear to Face What’s Buried Inside You” é ótimo do início ao fim, desafiando-nos a cada ouvida, para que descubramos seus segredos. Mas destacam-se as seguintes canções:

“Bleeding in Silence” – Uma pancada agressiva e seca, com muita força e técnica, e um andamento daqueles que nos envolvem na primeira ouvida. É impossível não destacar o ótimo trabalho de Humberto e de Guilherme na base rítmica do grupo (como é pesada e com ótima técnica).

“231” – Outra em que a banda está soando moderna e cheia de vida, com ótimas partes de guitarras, boas mudanças de ritmo, e um trabalho excelente de Cleber (que sabe usar muito bem sua voz e a diversidade dos timbres dela). 

“Move On” – O refrão dessa aqui é um dos melhores de todo o disco. Mas é preciso atentar ao ótimo trabalho de Ricardo nas guitarras, com riffs muito pesados e cheios de feeling (e interessantemente, não se percebe bases de guitarra sob os solos, o que confere um toque “live” muito bom).

“Mistakes and Scars” – Agressiva de doer os ouvidos dos mais sensíveis e não iniciados, mas com melodias modernas impecáveis. E Mais uma vez, a ferocidade das guitarras está evidente. Mas o trabalho de baixo e bateria é fortíssimo (muitos ritmos quebrados e com peso absurdo). Mas como o refrão gruda nos ouvidos e essa canção nos empolga!

“No More Lies” – Uma canção mais amena, onde a emoção se faz presente com uma bela interpretação por parte dos vocais e timbres limpos das guitarras. E a agressividade vai crescendo parte a parte, mas ela não quebra o lado mais introspectivo da música. E que trabalho caprichado e técnico do baixo.

“Victorious” – Aqui, a modernidade sonora e a melodia natural do grupo se combinam, criando momentos muito intensos, sob todo o alinhavo mais Hard’n’Heavy oitentista que surge de forma natural. E a bateria arrasa em belas conduções, com boa técnica e bumbos perfeitos, além dos vocais estarem muito bem mais uma vez.

“Payback Time” – A dose de energia oferecida pela banda aqui é enorme, intensa e muito bruta. A velocidade de riffs quase Thrash de algumas partes é contrastada pela melodia dos vocais. É uma faixa um pouco mais simples, mas altamente ganchuda e empolgante.

“No Fear to Face What’s Buried Inside You” é uma jóia rara, uma pérola brilhante e muito bonita, e o ATTRACTHA mostra um nível musical que já não cabe no Brasil.

Parabéns, rapazes!



HANGAR – Live in Brusque/SC, Brazil (Duplo DVD)


2016
Independente
Nacional

Músicas:

Disco 1:

1. The Sounds of our Story  
2. Reality is a Prison  
3. The Revenant  
4. Forgive the Pain  
5. The Infallible Emperor (1956)  
6. Beauty in Disrepair  
7. To Tame a Land  
8. Forest of Forgotten  
9. One More Chance  
10. Just Like Heaven  
11. Call Me in the Name of Death  
12. Based on a True Story  
13. Time to Forget  
14. A Letter from 1997 (MHJ)  
15. Haunted by your Ghosts  
16. Hastiness  
17. Just the Beginning  
18. The Reason of your Conviction  


Disc 2:

1. Making of “Live in Brusque/SC, Brazil”  
2. Entrevistas
3. Making of Clipes “Reality is a Prison” e “Just Like Heaven”
4. Reality is a Prison (video clipe)
5. Just Like Heaven (video clipe)
6. Stronger Than Ever
7. Foggy Filmes


Banda:


Pedro Campos - Vocais
Cristiano Wortmann - Guitarras
Nando Mello - Baixo, backing vocals
Fábio Laguna - Teclados, backing vocals
Aquiles Priester - Bateria, backing vocals


Contatos:

http://trmpress.com.br (Assessoria de Imprensa)


Nota:

Originalidade: 10
Composição: 10
Produção: 10

10/10


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Uma tradição em termos de Heavy Metal sempre foram os discos ao vivo. E essa era levada tão a sério há uns anos atrás que, se uma banda ao vivo não reproduzisse o que havia feito em estúdio, era marcada de forma negativa pelo resto de sua carreira. Mas com o advento das tecnologias áudio/visuais no meio dos anos 80, começaram a surgir as primeiras fitas de vídeo. Mais tarde, após o lançamento do Plano Real em Julho de 1994, com a economia estabilizada, as bandas brasileiras começaram a apostar suas fichas no formato. Hoje em dia, é bem cotidiano vermos bandas brasileiras lançando DVDs, e com qualidade de primeira.

E um DVD duplo como “Live in Brusque/SC, Brazil”, do quinteto HANGAR, é algo que hoje é possível de ser feito e adquirido no Brasil. 

Ainda bem!

“Live in Brusque/SC, Brazil” foi gravado durante o primeiro show da tour de “Stronger Than Ever” na cidade de Brusque (SC), durante o festival Rock na Praça 2016, que é uma tradição da cidade. E graças às 18 (!!!!!!!) câmeras simultâneas Full HD usadas, duas gruas e um drone, nenhum detalhe é perdido, como o carpete com o logo da banda, além das mudanças de imagem no telão atrás da bateria. O trabalho da produtora Foggy Filmes nesse aspecto foi perfeito, com closes ótimos, e mesmo filmagens diagonais do alto. E isso sem falar nos menus bem feitos.

A produção do DVD é do próprio Aquiles Priester, com Pedro Campos, Cristiano Wortmann, Nando Mello e Fábio Laguna co-produzindo. A mixagem é do experiente Adair Daufembach e a masterização foi feita por Svante Forsbäck (ou seja, tal qual o álbum “Stronger Than Ever”, feita no exterior). E em termos sonoros, está perfeito, com tudo claro e audível, até mesmo a participação do público, e sem abstrair o clima “ao vivo”.

Outro ponto interessante é a presença de legendas em inglês nos momentos em que o vocalista Pedro se comunica com o público, bem como informações no início de cada uma das faixas que está sendo tocada. 

Agora, comentar sobre a força do HANGAR ao vivo chega a ser desnecessário. A banda tem aquele tesão, aquela vontade de estar no palco que transpira em cada momento do DVD, se mostrando como um dos grandes nomes do Metal nacional com certeza, pois todos possuem uma desenvoltura extrema no palco: Pedro mantém sua performance natural nos vocais, mas é um ótimo frontman, com boa postura e comunicação com o público; Cristiano Wortmann (guitarras) e Nando Mello (baixo) se movimentam bastante e se mostram muito à vontade e animados; Fábio Laguna é obrigado a ficar mais parado atrás dos teclados, mas reparem nos closes e verão que ele está muito animado; e Aquiles dispensa palavras, pois a cada close na bateria, é de ficar de olhos arregalados com sua técnica e pegada pesada (e o momento em que ele coloca a máscara e toca “To Tame a Land”, então?). 


O show que está no DVD 1 tem 17 músicas, cobrindo boa parte da carreira da banda, inclusive da coletânea “The Best of 15 Years, Based on a True Story”, mas o foco principal é no material do disco mais recente, “Stronger Than Ever”. E ver a banda executando canções como a pesada “Reality is a Prision”, “The Revenant”, “The Infallible Emperor (1956)”, “To Tame a Land”, “Call Me in the Name of Death”, a sensível “Based on a True Story”, é algo maravilhoso, um show grandioso, com uma banda grandiosa. Nem se pode destacar muito, pois o setlist é maravilhoso (só seria legal uma versão nova para “Hidden by Shadows”, que eles gravaram para o CD “William Shakespeare’s Hamlet”).

No disco dois, temos não apenas os “Making Of” do show e dos vídeos, e nem só as entrevistas com cada um dos membros da banda. 

Temos a parte “Stronger Than Ever”, onde vemos entrevistas com pessoas ligadas a equipe do HANGAR (não percam a com Thiago Mauro Rahal, da TRM Press, que é hilária), e “Foggy Filmes”, onde temos entrevistas com Rudge Campos e Júnior Carelli (que faz parte do NOTURNALL), falando sobre o trabalho de gravação e produção visual do DVD.

Sobre as entrevistas, vamos vendo através das palavras de Aquiles, Pedro, Nando, Fábio e Cristiano os bastidores que envolveram a composição e gravação de “Stronger Than Ever” e de “Live in Brusque/SC, Brazil”, bem como alguns depoimentos sobre eventos como o M.O.A. (Aquiles conta detalhes BIZARROS sobre a viagem) e outros assuntos.

Os clipes nem necessitam de muitas palavras: o HANGAR é exigente em tudo que faz. Em "Reality is a Prision" temos o lado mais pesado e intenso do Prog/Power Metal do grupo (sendo que o vídeo pode causar arrepios em muitos devido à forma densa que a banda usou para se expressar), e em "Just Like Heaven" o lado mais ameno e sensível da banda (pois é uma canção intimista, uma balada muito bonita, e a estética do vídeo não é convencional para bandas de Metal, mas funcionou muito bem).

No mais, “Live in Brusque/SC, Brazil” marca uma fase na vitoriosa história do HANGAR.