28 de abr de 2017

NERVOCHAOS - NYCTOPHILIA (ÁLBUM)



2017
Cogumelo Records
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

1. Moloch Rise
2. Ritualistic
3. Ad Majorem Satanae Gloriam
4. Season of the Witch
5. Waters of Chaos
6. The Midnight Hunter
7. Rites of 13 Cemeteries
8. Vampiric Cannibal Goddess
9. Stained With Blood
10. Lord Death
11. Dead End
12. World Aborted
13. Live Like Suicide


Banda:


Lauro Nightrealm - Vocais, guitarras
Cherry - Guitarras
Thiago Anduscias - Baixo
Eduardo Lane - Bateria


Contatos:

Site Oficial: http://nervochaos.net/

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Quando uma banda sofre mudanças em sua formação, fica sempre aquela velha dúvida: o que esperar da música do grupo no futuro?

Isso é algo óbvio no inconsciente coletivo de todos, já que mudanças de formação invariavelmente terminam em mudanças na sonoridade. E digamos de passagem: o que os fãs podem esperar de “Nyctophilia”, novo disco da instituição do Metal extremo nacional, o NERVOCHAOS?

Bem, o grupo vem em uma alta de produtividade desde “Battalions of Hate”, e tanto ele como “To the Death” e “The Art of Vengeance” são disco excelentes. Mas houveram mudanças significativas na formação, já que apenas o baterista Edu Lane permaneceu. Logo, a pergunta persiste: o que esperar do quarteto?

A resposta é simples: o que temos em “Nyctophilia” é o bom e velho estilo do quarteto, apenas um pouco mais obscuro, mas a força mostrada nos discos anteriores é a mesma. É como olhar para um diamante de vários ângulos diferentes, mas o diamante não muda. Ainda o mesmo Death Metal bruto e agressivo que os fãs conhecem, apenas com uma roupagem mais soturna. E que se diga de passagem: as entradas dos experientes Lauro Nightrealm (vocais e guitarras, ex-QUEIRON), Cherry (guitarras, do HELLSAKURA) e Thiago Anduscias (baixo, ex- CREPTUM e AMAZARAK) deram uma contribuição e tanto para que o CD soe tão bom aos ouvidos.

Ou seja: "Nyctophilia" é um disco infernal, destruidor de tímpanos e tão bom como os anteriores!

O disco foi gravado e produzido na Itália, na primeira vez que o quarteto ousou gravar um disco fora do país. Tudo foi feito no estúdio Alpha Omega, tendo como produtor Alex Azzali, e o mesmo também fez a mixagem e a masterização. O resultado do CD é que vemos a garra do grupo em um nível absurdo de clareza, mas com uma sonoridade seca e intensa que não deixa a banda sem peso. Ou seja, é um passo adiante do que haviam conseguido em “The Art of Vengeance”.

Em termos de arte gráfica, o trabalho de Alcides Burn (um artista brasileiro que já fez trabalhos para BLOOD RED THRONE, ACHERON, ICONOCLASM, HEADHUNTER DC e outros). Trabalhando com tons escuros de azul, cinza e negro, a arte ficou soturna, encaixando como uma luva no que eles estão fazendo sonoramente no álbum. E a diagramação do encarte está muito boa, de um jeito tradicional, mas sempre funcional e com muito bom gosto.

Se o estilo da banda se apresenta mais obscuro por um lado, há uma pegada de energia e técnica que remete aquele jeito meio anos 80 bem característico do NERVOCHAOS, mas mais uma vez, a mistura de influências nos deu algo novo e cheio de vida. Além disso, musicalmente, a banda continua madura e intensa. E isso sem mencionar as presenças de Sebastian L. do INTO DARKNESS e Leandro P. da banda R.N.S., e uma canja de Bolverk (do RAGNAROK) nos riffs em “Vampiric Cannibal Goddess”.

Nas 13 canções que compõem “Nyctophilia”, temos mais uma vez a mostra que a banda sabe caprichar quando se fala em música. 

“Moloch Rise” tem a pegada característica do grupo, com guitarras pesadas em ótimos riffs, assim como “Ritualistic” (que é um pouco mais cadenciada, mostrando muito peso e a força de baixo e bateria). Em “Ad Majorem Satanae Gloriam”, música de um dos videos de divulgação, temos uma pegada mais crua e cheia de energia à lá MOTORHEAD/HELLHAMMER, mais bem trabalhada e com vocais ótimos, e em “Season of the Witch” e “Waters of Chaos”, temos algo mais tradicional em termos de Death Metal, que nos remete ao que a banda fez em “Battalions of Hate” e “To the Death”, mas com ótimos backing vocals. Em “The Midnight Hunter”, ainda há o forte ranço tradicional característico do quarteto, mas algumas influências de HC se fazem presente nas levadas de bateria em alguns momentos, além de ter um refrão de primeira. E mais influência vinda dos primórdios (especialmente do DEATH em seus discos mais seminais) dá as caras em “Rites of 13 Cemeteries” com sua pegada mais rápida e envolvente. Um bate-estacas incessante é ouvido em “Vampiric Cannibal Goddess”, que soa mais reta que as anteriores, embora as guitarras logo apareçam trazendo um toque de Black/Thrash muito bem vindo. Mas uma faceta um pouco diferente surge em “Stained With Blood”, já que há momentos mais lentos bem vindos em meio à pegada suja tradicional da banda, enquanto “Lord Death” é mais suja e justa (embora apresentando guitarras infernais). Algo um levemente mais “swingado” surge em “Dead End”, graças ao ótimo trabalho do baixo em alguns momentos, e a bateria, mesmo simples, mostra que a base rítmica do NERVOCHAOS é o centro nervoso de sua essência. Esses mesmos elementos permeiam “Dead End”, embora o lado mais grooveado de antes esteja ausente em prol da agressividade latente do grupo. E a brutal e destruidora “Live Like Suicide” vem fechar o disco com chave de enxofre, com muitos momentos apresentando conduções nos bumbos duplos, enquanto outros a esporreira tradicional do grupo se evidencie.

Depois disso, basta dizer apenas que a instituição NERVOCHAOS está reestruturada para o melhor, e “Noctophilia” vem atestar que eles ainda continuam sendo um dos melhores grupos do Brasil no gênero.



COLDBLOOD - INDESCRIBABLE PHYSIOGNOMY OF THE DEVIL (ÁLBUM)



2016
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

1. Indescribable Physiognomy of the Devil
2. Tetragrammaton
3. Darkness Above the Firmament
4. The Synchrony of the Cursed Star
5. Cocoon of Neophyte
6. Demons of Nox
7. Sulphur
8. Draco/Pneumatik Phenom
9. Bury the Universe
10. Metaphysical Evil
11. Indescribable Physiognomy of the Devil (Instrumental)
12. Draco/Pneumatik Phenom (Instrumental)
13. Metaphysical Evil (Instrumental)


Banda:


Diego Mercadante - Vocais, guitarras
Artur Círio - Guitarra solo
Vitor Esteves - Baixo
Markus Couttinho - Bateria


Contatos:

Site Oficial: 
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Instagram:
Assessoria: 

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O cenário Metal do Brasil já possui bandas lendárias, uma vez que a consolidação, ocorrida ainda na primeira metade dos anos 80, permitiu a proliferação de alguns nomes que continuam na atividade, ou que pararam e depois retomaram as atividades. E este é um fator visto em todos os estados do país. O Rio de Janeiro, famoso por sua diversidade cultural, um dos nomes mais importantes do cenário extremo, é a terra natal do COLDBLOOD, quarteto de Death Metal que mostra constante evolução musical de um disco para o outro, mas sem perder sua essência.

Então, o que podemos esperar de “Indescribable Physiognomy of the Devil”, seu mais recente álbum?

Se em “Under the Blade I Die” a banda mostrou um lado influenciado pelo Death Metal da Flórida e em “Chronology of Satanic Events” já se percebia uma evolução técnica densa e até mais musical, em “Indescribable Physiognomy of the Devil” se percebe que o quarteto está com uma musicalidade densa, com uma pegada que ainda tem sua personalidade calcada no Death Metal do início dos anos 90, mas com uma forte carga do Black Metal desta mesma época, sem desvirtuar sua identidade. Ou seja, mais uma vez, a banda dá espaço à evolução, mas me permitam o uso de um velho chavão para ilustrar o que quero dizer de forma mais palatável a todos: quem gosta, vai continuar gostando; quem não gostava (ou não conhecia), melhor dar uma chance ao grupo.

A produção é assinada por Fernando Campos, e a mixagem e masterização foram feitas na Alemanha, por Mersus (baterista do ZARATHUSTRA). Assim como no antecessor, “Indescribable Physiognomy of the Devil” busca aliar uma produção suja e agressiva com qualidade sonora em que se possa compreender o que o grupo está tocando. E isso eles conseguiram, soando ríspido, com bons timbres instrumentais e muito peso. 

A capa é de Rafael Tavares, que deixou claro o que o grupo trata nas letras, ao mesmo tempo em que dá a clara ideia do que o ouvinte encontrará na música que irá ouvir.

Insano, com tempos bem feitos, arranjos bem pensados e uma dinâmica ótima entre instrumental e as partes vocais, esse disco é apaixonante em todos os sentidos, pois estamos lidando com um grupo de muitos anos e calos de experiência. E isso sem mencionar a presença de Alan Silva fazendo alguns vocais em“Draco/Pneumatik Phenom”, ou seja, a formação original mais uma vez estava junta em um mesmo CD.

O disco é bem homogêneo, nivelado por cima, com muita energia e agressividade. Mas por mera referência ao leitor, destacam-se a brutal e obscura “Indescribable Physiognomy of the Devil” e sua carga pesada de guitarras azedas; a opressiva e bem trabalhada “Tetragrammaton”, onde baixo e bateria estão de primeira, criando uma base rítmica intensa e bem trabalhada (e é cheia de mudanças de andamento); a mais direta ao ponto “Darkness Above the Firmament” (que mostra alguns arranjos de guitarras ótimos); a explosão de agressividade intensa em “Cocoon of Neophyte”; o cortejo fúnebre de riffs abusivamente distorcidos e envolventes de “Demons of Nox”, a arrastada e cativante “Sulphur” (faixa do vídeo de divulgação, onde os vocais mostram-se ótimos, indo dos timbres guturais mais intensos aos rasgados sem nenhum problema); a com um jeitão um pouco mais raiz em “Draco/Pneumatik Phenom” (reparem nos duetos de guitarras esbanjando melodias); e a longa e arrastada “Metaphysical Evil”, onde a banda exibe bastante seu potencial em termos de técnica. E de bônus, temos as versões instrumentais de “Indescribable Physiognomy of the Devil”, “Draco/Pneumatik Phenom” e “Metaphysical Evil”.

No mais, “Indescribable Physiognomy of the Devil” mostra que o COLDBLOOD está longe de ser uma banda sem gás ou que sente o peso dos anos. Pelo contrário, eles ainda têm muito o que mostrar e muito o que contribuir para o cenário.

GESTOS GROSSEIROS - WORLD’S HYPOCRISY (ÁLBUM)


2017

Independente
Nacional

Nota: 9,5/10,0


Tracklist:

1. Intro
2. The Ambition 
3. Intellectual Death 
4. Crushing the Cross 
5. Hate Against 
6. Killing With the Religion 
7. The Only Solution 
8. The Antichrist 
9. In the Name of God


Banda:



Kleber - Guitarras, vocais
Eduardo Ossucco - Baixo
Andy Souza - Bateria, vocais


Contatos:

Site Oficial: 
Instagram:
Bandcamp:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Bem, existem bandas cuja personalidade musical é tão intensa que chega a transparecer em sua música algum tipo de sentimento. Algumas, em especial no meio do Metal extremo, são tão agressivas que chegam a doer os ouvidos dos mais incautos. Mas é preciso compreender que personalidade é algo que se tem, e que embora uma banda possa evoluir, é justamente ela quem mantem a banda nos trilhos, que permite existir sinergia entre fã e banda. E nisso, meus caros, poucos grupos nacionais possuem uma personalidade tão bruta e agressiva como o trio GESTOS GROSSEIROS. E o grupo mostra em “World’s Hypocrisy” que não está de brincadeiras em termos de música!

Mesmo após 6 anos depois do lançamento de “Satanchandising”, eles voltaram ainda mais agressivos e sem fazer concessões. Mas é justamente nisso que o grupo mostra seu valor: são veteranos com quase 20 anos de underground nas costas, logo, sabe o que querem de sua música. Mas mesmo assim, o Death Metal tradicional e insano do grupo, que mostra alguns toques de Grindcore aqui e ali (mas bem subjetivos) mostra amadurecimento, uma vez que o lado musical da banda está bem evoluído. E além disso, a técnica deles não é simplória em momento algum.

O fator que mais salta os olhos é a produção sonora. 

“World’s Hypocrisy” teve o instrumental gravado no Estúdio Masterpiece, sob a custódia de Pedro Esteves, e os vocais foram gravados no UpTracks Studio pelo produtor Thomas Meyer (guitarrista da banda HELLARISE), que também fez a mixagem. E eles soube dar a banda um equilíbrio ótimo entre a clareza que nos leva a entender todos os detalhes das canções da banda, mas ao mesmo tempo, preservou a podreira sonora que o grupo carrega consigo. E sem mencionar que a gravação soa esmerada, com uma envoltória moderna que caiu como uma luva no trabalho do trio. E para a masterização, a banda entregou a responsabilidade para o estúdio Absolute Master, de São Paulo, o que deu um brilho a mais ao som da banda (como já se percebe em trabalhos anteriores feitos por eles). 

A capa, uma ilustração soturna e trabalhada em tons escuros, é de Tiago Medeiros. Óbvio que isso valoriza ainda mais o disco, pois transparece o conteúdo azedo de suas letras de forte mensagem contra a alienação. E que encarte bem feito!

Podemos dizer que “World’s Hypocrisy” é o melhor trabalho dos ogros do Metal extremo de Guarulhos. Tudo nele foi concebido de forma que a banda soe brutal e agressiva (como são suas raízes musicais), mas ao mesmo tempo, de forma bem arranjada, coesa e dinâmica, para que o ouvinte não se canse do disco.

Se bem que cansar desse disco é bem difícil!

Em oito faixas de puro amassa-crânio, citamos por mera referência a opressiva “The Ambition” (cheia de brutalidade, mostrando andamentos que oscilam de velocidade, onde o trabalho de baixo e bateria se destaca bastante), a extremada “Intellectual Death” e seu jeito Death Metal/Grindcore de ser (reparem como o contraste dos tons vocais é ótimo), a curta e crua “Hate Against” e suas passagens de guitarras bem feitas, e a técnica e brutal “Killing With the Religion”. Mas a longa e bem trabalhada “The Antichrist”, que justamente mostra todas as possibilidades: técnica, opressiva, com muitas mudanças de tempo, mas ela nos envolve desde a primeira ouvida. E o trabalho do trio como um todo é ótimo. Até mesmo alguns toques melodiosos surgem no solo de guitarra, e isso mostra uma banda sem medo de ousar, se dar um passo adiante, e de causar um choque de ordem nos fãs e no próprio gênero.

Verdade seja dita: o GESTOS GROSSEIROS pode não tem criado uma nova vertente em termos de Metal, mas com “World’s Hypocrisy”, mostram que são dignos de figurar entre os grandes nomes do Metal extremo nacional, sem sombra de dúvidas!