11 de mar de 2017

AVERSIONS CROWN – Xenocide (Álbum)


2017

            Nuclear Blast Brasil

Nacional

Nota: 9,0/10,0


Tracklist:

1. Void
2. Prismatic Abyss
3. The Soulless Acolyte
4. Hybridization
5. Erebus
6. Ophiophagy
7. The Oracles of Existence
8. Cynical Entity
9. Stillborn Existence
10. Cycles of Haruspex
11. Misery
12. Odium 


Banda:


Mark Poida - Vocais
Chris Cougan - Guitarras
Mick Jeffery - Guitarras
Jayden Mason - Bateria


Contatos:

Site Oficial: 

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Existem bandas que realmente nos surpreendem pelo trabalho musical que fazem um trabalho tão brutal e opressivo em termos de Death Metal que chegam a doer os ouvidos dos mais incautos. Mas para os acostumados, pode ser uma descoberta fundamental. E este último é onde encaixamos o quarteto australiano AVERSIONS CROWN, de Brisbane. O terceiro e mais recente disco da banda, “Xenocide”, é uma autêntica máquina de guerra Death Metal, e que a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil acabam de soltar no mercado nacional.

O grupo faz um formato moderno do gênero, que muitos chamam de Deathcore, embora não reflita toda a realidade. É agressivo, brutal e cheio de impacto, com andamentos técnicos, um trabalho ótimo de baixo e bateria, e a técnica das guitarras é chocante. Além disso, os vocais oscilando entre tons guturais extremos e gritos rasgados dão uma sensação azeda e densa. E sim, sempre com qualidade diferenciada, uma garantia de que “Xenocide” é um ótimo trabalho.

A produção de “Xenocide” é da própria banda em parceria com Adam Merker, e as gravações foram feitas no Studio Anders Debeerz, na cidade natal do grupo. Mas a mixagem e masterização são de Mark Lewis (o mesmo que já trabalhou com nomes como WHITECHAPEL, DEVILDRIVER, THE BLACK DAHLIA MURDER) no Audiohammer Studio. O resultado: uma qualidade sonora moderna, azeda e onde a agressividade da música do grupo escorre pelos falantes, mas sempre mantendo a definição instrumental e nos permitindo entender o que eles estão tocando. E isso sem falar na ótima parte gráfica do CD, com uma capa linda e um encarte muito bem feito.

Bruto e explosivo, o disco é agradável justamente por muitas variações de ritmo e uso de partes melodiosas extremas. E nisso, a banda mostra a capacidade de criar algo diferenciado, que acrescenta valor ao Metal, e nisso, devemos aplaudi-los. 

O disco é bom de ponta a ponta, do inicio ao fim, mas algumas canções realmente merecem ser citadas em especial: o arregaço azedo e bruto de “Prismatic Abyss” (um festival esporrento de velocidade e muitos arranjos bem feito entre as mudanças de ritmo, e é evidenciado o trabalho ótimo de baixo e bateria), as partes lentas e climáticas de “The Soulless Acolyte” (os riffs de guitarra do grupo são excelentes, formando uma muralha de acordes de primeira), as passagens mais introspectivas e melancólicas em certos momentos de “Erebus” (a parte instrumental da canção é perfeita, mostrando ótima técnica, mas o destaque fica para os vocais), o peso opressivo de “Ophiophagy” e sua agressividade explícita (reparem como as guitarras criam passagens ótimas), as partes densas de “The Oracles of Existence” e de “Cynical Entity”, os tempos cadenciados de “Cycles of Haruspex” (mais uma vez, a base rítmica da banda rouba a cena com seu peso e técnica, fora as belas incursões de guitarras mais melodiosas), e o ataque destruidor de tímpanos chamado “Odium” (uma paulada, cheia de velocidade, peso e adrenalina).

No mais, o AVERSIONS CROWN é um nome excelente dessa nova safra, então, apreciem sem moderação alguma!


LANCER – Mastery (Álbum)



2017
           Nuclear Blast Brasil

Nacional

Nota: 8,5/10,0


Tracklist:

1. Dead Raising Towers
2. Future Millennia
3. Mastery
4. Victims of the Nile
5. Iscariot
6. Follow Azrael
7. Freedom Eaters
8. World Unknown
9. Widowmaker
10. Envy of the Gods
11. The Wolf and the Kraken
12. Follow Azrael (Reprise)


Banda:



Isak Stenvall - Vocais
Fredrik Kelemen - Guitarras
Peter Ellström - Guitarras
Emil Öberg - Baixo
Sebastian Pedernera - Bateria


Contatos:


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Bem, vez por outra, temos gratas surpresas quando lidamos com bandas novas que militem em vertentes do Metal que já estão abarrotadas. Sim, falo de quando a banda não inova absolutamente nada, mas coloca o coração naquilo que faz, nos brindando com um trabalho muito bom. E esse é o caso justamente do quinteto sueco LANCER, que acaba de soltar o ótimo “Mastery”, que chega ao Brasil pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil.

Este é o terceiro álbum do grupo, logo, se espera que a banda já esteja em um nível de evolução bom e mostrando sua personalidade. E assim, somos brindados com um Heavy/Power Metal de primeira, que beira a escola germânica, ou seja, sem que o grupo esteja fazendo o bom e velho “control C + control V”, as influências de nomes como HELLOWEEN, ACCEPT e GRAVE DIGGER são sensíveis, sem que isso os deixe soando como uma banda sem identidade. Isso eles possuem, e muito, e a música deles é deliciosamente melodiosa e envolvente, mostrando refinamento em cada refrão (um dos pontos fortes do quinteto), guitarras com bases e solos caprichadas nas melodias; e baixo e bateria formando uma base rítmica sólida e bem trabalhada. 

Ou seja, é um CD bom demais!

O próprio quinteto, em conjunto com Gustav Ydenius, produziram “Mastery”. E o resultado é uma sonoridade limpa e clara, deixando cada instrumento com timbres bem definidos (mas com a dose certa de peso). Mas é óbvio que a dose certa de peso está presente, transformando as músicas em pedradas quando é preciso. E a arte da capa é de Dimitar Nicolov, que ficou muito interessante. Essa gravura estilizada de Medusa é enigmática e sedutora.

Indo do suave e introspectivo ao pesado, o LANCER se mostra uma banda capaz de lidar com as nuances de seu estilo sem se perder ou ser repetitivo. Isso graças ao belo trabalho nos arranjos de cada canção, e o grupo se mostra maduro e com muita desenvoltura.

Melhores momentos do disco: a força pesada de “Dead Raising Towers”, que exibe belo trabalho de riffs e solos com boa técnica; “Future Millennia” e suas variações interessantes de ritmo, fora o refrão grudento que não sai mais dos ouvidos; a poderosa “Mastery”, que se desenvolve em riffs pesados e cativantes, andamento em velocidade mediana (que belo trabalho de baixo e bateria, falemos a verdade), mostrando ótimos vocais e mais um refrão excelente (ouviu, gamou, simples assim); as mudanças de ritmos apresentadas em “Victims of the Nile”, que vão do suave ao pesado sem pudores, e mais uma vez, vemos os vocais mostrando boa diversidade de timbres, mas o show é das guitarras; em “Iscariot”, uma música rápida e cheia de bumbos duplos que os fãs de Power Metal irão adorar, e existem citações ao trabalho de Fredrik W. Nietzsche (“quanto mais alto voamos, menores aparentamos para aqueles que não sabem voar”); a melodiosa e introspectiva “World Unknown”, que nos permite observar a faceta mais emotiva do trabalho da banda; e o peso-pesado chamado “The Wolf and the Kraken”, com andamento não muito veloz, permitindo assim que cada instrumento possa mostrar sua força em plenitude. Há ainda uma faixa extra, a reprise de “Follow Azrael”, que aparentemente possui uma mixagem ligeiramente diferente da que consta no álbum.

No mais, “Mastery” é um ótimo disco, e os fãs do gênero não se arrependerão de dar uma chance ao LANCER.




SONATA ARCTICA – The Days of Grays (relançamento)


2017
          Nuclear Blast Brasil

Nacional

Nota: 8,5/10,0


Tracklist:

1. Everything Fades to Gray
2. Deathaura
3. The Last Amazing Grays
4. Flag in the Ground
5. Breathing
6. Zeroes
7. The Dead Skin
8. Juliet
9. No Dream Can Heal a Broken Heart
10. As if the World Wasn’t Ending
11. The Truth is Out There
12. Everything Fades to Gray (full version)
13. In the Dark


Banda:


Tony Kakko - Vocais
Elias Viljanen - Guitarras
Henrik Klingenberg - Teclados, Hammond
Marko Paasikoski - Baixo
Tommy Portimo - Bateria

Músicos convidados:

Johanna Kurkela - Vocais femininos em “Deathaura” e “Juliet” 
Perttu Kivilaakso - Violoncelo em “Everything Fades to Gray”, “Zeroes” e “The Truth is Out There”


Contatos


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O SONATA ARCTICA é uma banda com uma longa e curiosa história, cheia de momentos brilhantes (e outros nem tanto), de aplausos e vaias por parte de fãs de música e crítica, mas sempre foram adiante. O interessante é notar que eles foram transitando do típico Power Metal melódico do final dos anos 90 e início do atual milênio para uma forma de Metal bem melodiosa e acessível, que reúne elementos do Hard, do tradicional e do AOR com todo um alinhavo moderno. Óbvio que nem sempre todos compreendem certos aspectos musicais do trabalho do quinteto por isso. E tais idéias nos levam a este relançamento para “The Days of Grays”, original de 2009 e que chega a nossas mãos pela parceria entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil.

Aqui, tal qual se ouve em trabalhos mais recentes, o quinteto continua o estilo que foi falado acima, ou seja, uma mistura de aspectos de vários estilos em uma moldura moderna e acessível. Óbvio que existem momentos em que partes sinfônicas e grandiosas contrastam com momentos introspectivos, e outros grandiosos e pesados. Mas tudo isso é o que o SONATA ARCTIVA oferece, embora venha a frustrar fãs da fase antiga, em especial de “Silence” (sim, torno a dizer isso pela segunda vez, mas em outro review). Mas mesmo eles terão que admitir: o bom gosto e trabalho musical da banda em “The Days of Grays” é do mais alto nível.

Produzido pelo vocalista e líder Tony Kakko, e tendo gravações em vários estúdios, pode-se aferir que a sonoridade do álbum é grandiosa, dando uma importância maior aos teclados e vocais, mas sem deixar que os outros instrumentos fiquem sumidos ou sem peso. Digo apenas que vocais e teclados receberam um tratamento um pouco melhor, apenas isso. Mas a sonoridade como um todo é ótima, já que guitarras, baixo e bateria soam com boa dose de peso. Nisso, o trabalho de Mikko Karmila (mixagem) e de Svante Klingenberg (masterização) mostra seu valor. E além disso, capa, encarte e layout estão ótimos, com uma diagramação linda.

Mas resta perguntar: tanto esforço na produção sonora e visual faz justiça ao conteúdo musical de “The Days of Grays”?

A resposta é sim, pois o CD é de alto nível, com boas canções, arranjos bem feitos e a qualidade que o quinteto sempre imprimiu em seus discos. Além disso, existem momentos pesados, com orquestrações densas, tudo muito bem feito e no seu devido lugar.

Como pontos altos do CD, citamos a grandiosa e pesada “Deathaura”, cheia de mudanças de ritmo e repeat de arranjos belíssimos de teclados e violoncelo, backing vocals perfeitos e lindíssimas guitarras; o clima ameno e empolgante de “The Last Amazing Grays”, onde se percebe a enorme acessibilidade da canção graças aos teclados e refrão muito bem arranjado; a forte e também bem acessível “Flag in the Ground”, onde certa influência de BLIND GUARDIAN se sente nos backing vocals, embora a estrutura musical dessa canção remeta um pouco ao passado do grupo, especialmente pelo refrão altamente contagiante; a quase Pop e sinuosa “The Dead Skin”e seus teclados, baixo e bateria poderosos e que reenchem todos os espaços com arranjos belos e variados; a belíssima e também acessível “Juliet”, cheia de momentos ganchudos e com belíssima participação especial de vocais femininos; o peso intenso e envolvente de “No Dream Can Heal a Broken Heart”, graças às belas passagens de guitarras; a balada mais melodiosa e branda “The Truth is Out There” (reparem nos violoncelos); e os arranjos de baixo guitarras limpas em “In the Dark”.

Para quem ainda não tem o CD, hora de completar a coleção, embora o resultado final de “The Days of Grays” seja sedutor para qualquer fã de boa música.


NERVOSA: trio leva a turnê de “Agony” para Sorocaba neste domingo


Depois do show devastador que as garotas da NERVOSA realizaram em Canoas/RS, no fim de semana passado, agora é a vez de Sorocaba/SP conferir a turnê de “Agony”, segundo disco delas. O show acontece no domingo (19/03), na Asteroid Entretenimento (R. Aparecida, 737, Sorocaba).

Além da NERVOSA, também se apresentam as bandas Warshipper, Father Karras e Speed Metal Hell.

Para mais informações, siga a página do evento no Facebook:


Em janeiro a NERVOSA foi co-headliner de uma turnê ao lado dos alemães do Destruction, tocando em diversos países, o que fez com que a banda ficasse ainda maior no velho continente. 

E neste ano elas já estão com tours agendadas em países como Rússia, e alguns países da América Latina, como o México – onde elas fazem algumas datas.

Ao contrário do que algumas pessoas pensam, as coisas não caem do céu para a NERVOSA, e se a banda está em ascensão, é graças ao trabalho árduo que elas desenvolveram ao longo dos últimos anos, sem medir esforços para que sua música chegasse em todos os cantos do mundo – a prova disso é a impressionante marca dos 150 shows em 2016, a maioria no exterior. Sem contar as votações, sempre figurando entre os melhores lançamentos, como por exemplo, o segundo lugar (entre 300) no renomado Headbangers Latino America.

A NERVOSA é, Fernanda Lira (baixo e vocal), Prika Amaral (guitarra e backing vocals) e Luana Dametto (bateria)

Para agendar shows da NERVOSA no Brasil: tc7producoes@gmail.com / www.tc7producoes.com / www.facebook.com/tc7producoes / Fone: 11 99653 9014 (Tiago)

Entrevistas/imprensa: lpiantonni@lanciare.com.br

Acompanhe a NERVOSA em seus canais oficiais:




SERVIÇO:

Depois da aclamada turnê europeia a banda Nervosa volta para o Brasil, e desembarca em Sorocaba para um grande show ao lado das bandas Warshipper, Father Karras e Speed Metal Hell!!
Dia 12 de Março | Domingo
Das 17:30h às 22:30h

Local: Asteroid Entretenimento (Rua Aparecida, 737 - Sorocaba/SP)

Shows com:

NERVOSA
WARSHIPPER
FATHER KARRAS
SPEED METAL HELL

Ingressos
R$ 25,00 [na hora]

Aceitamos: Visa / Mastercard / Diners / Amex / entre outros.

Com banheiro para cadeirante e amplo espaço externo.

Não é permitida a entrada de menores de 18 anos. É obrigatória a apresentação de RG, ou documento legal com foto, independente de cadastro.

EMBRIO: lançando lyric vídeo para "Hammerdown"


Ainda divulgando o mais recente trabalho de estúdio, o grupo paranaense de Thrash Metal EMBRIO disponibilizou no dia 10/03/2017 um lyric vídeo para a canção "Hammerdown", que faz parte do álbum "Karmadoom".

Assista:



"Karmadoom" pode ser ouvido no perfil da banda no Bandcamp:



Contatos:

Twitter: @embriothrash

Fonte: Embrio

NERVOCHAOS: novo clipe conta com Jão do RDP interpretando um padre!



Aproximando-se do lançamento de ‘Nyctophilia’, o NERVOCHAOS lança o primeiro videoclipe retirado do trabalho.

Com ares cinematográficos e belíssimos efeitos, o vídeo para a música ‘Ad Maiorem Satanae Gloriam’ conta com a participação especial do lendário músico Jão, um dos fundadores do Ratos de Porão, que aqui ataca de ator, interpretando um padre!

O belíssimo trabalho de edição e filmagem ficou nas mãos da empresa Video Days. Assista:




‘Nyctophilia’ é o sétimo álbum de estúdio de um dos principais nomes do Metal Extremo brasileiro e será lançado em 7 de abril pela Cogumelo Records no Brasil e pela Greyhaze Records na América do Norte e Europa.


Pela primeira vez, a banda gravou o álbum fora do Brasil, passando um mês em Como, Itália, no estúdio Alpha Omega junto com o produtor Alex Azzali, que também fez mixagem e masterização do novo álbum.

A arte do álbum foi criada por Alcides Burn, um talentoso artista brasileiro que trabalhou com bandas como Blood Red Throne, Acheron, Iconoclasm, Headhunter DC e muitos mais. ‘Nyctophilia’ também apresenta o convidado especial Sebastian L. da Into Darkness e Leandro P. da banda R.N.S. Além de uma faixa, ‘Vampiric Cannibal Goddess’, que apresenta os riffs de Bolverk (Ragnarok).


Sites Relacionados:

Fonte: Metal Media

ALTÚ PÁGÁNACH - Under the Ground (álbum)


2017


Nacional

Nota: 8,0/10,0

Tracklist:

1. The Journey
2. Zzog Dra Kra Tûll
3. Mellon
4. Dublûk Ub Ûr
5. Into the Cave with Golum
6. Ash Nazg
7. Kruk Dak Drakk Kâ Dúl
8. Zzog Dra Kra Tûll (demo version)
9. The First Night
10. The Old Forest
11. Amon Sûl: the Top of the Wind
12. Ash Nazg Durbatulûk
13. Lost in the Troll's Cave
14. Preludium
15. Kruk Sûl Dùr


Banda:


Dungortheb - Vocais, vocais barítonos, teclados, guitarras, violões, bateria, bateria eletrônica, baixo


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Muitas bandas no underground acabam ficando ocultas, sendo privilégio de poucos o acesso a materiais que seriam recebidos com palmas por muitos fãs. E esse é o caso do dueto brasileiro ALTÚ PÁGÁNACH, de Lavras (MG), dono de uma discografia de respeito, mas que ficou a maior parte da existência do grupo oculto. Sim, pois o dueto era lançado por um selo pequeno chamado North Winds, e somente agora, graças aos esforços da Cold Art Industry Records, nós temos acesso ao último trabalho do grupo, “Under the Ground”, em uma edição especial.


Sendo o canto do cisne da banda, a versão que temos em mãos apresenta 15 canções do mais puro Folk Black Metal, com incursões de teclados, vocais que oscilam entre vozes pagãs e os vocais guinchados comuns ao Black Metal, e um “insight” que oscila entre o Folk puro e simples e ritmos mais agressivos. É clara a influência de bandas como SUMMONING e RAGNAROK (UK), mas é óbvia a identidade do grupo em meio a arranjos simples e músicas realmente empolgantes.

A qualidade sonora é rala e bem crua, buscando ser o mais fiel possível às raízes do Folk Black Metal. Não ao ponto de não entendermos a música do grupo, e até se encaixa nos padrões mais sujos do gênero e no trabalho que o dueto se propõe a fazer, mas um pouco de limpeza e uns timbres mais graves ajudariam (e muito) o trabalho da banda. Mas acredito que a intenção de Dungortheb (produtor do disco) era realmente deixar o álbum com essa sonoridade.

Já a arte, em um design feito por Dungortheb em parceria com a Cold Art Industry Records é muito belo, com artes referenciando o trabalho literário de J. R. R Tolkien (a maior influência do grupo em termos líricos), e todo finalizado em Verniz UV, permitindo a melhor conservação do encarte.

Musicalmente, o trabalho da banda é fascinante. Mesmo com a qualidade sonora tosca para os padrões atuais, percebe-se todo o potencial do grupo em canções como a agressiva “Zzog Dra Kra Tûll” (reparem bem no contraste de vocais limpos e rasgados, além das mudanças rítmicas), o peso e clima soturno da bem trabalhada “Dublûk Ub Ûr” (bons momentos de baixo e bateria seguram a força da base rítmica), e a agressividade bruta, pura e simples de “Ash Nazg”. Mas há momentos mais experimentais e que remente ao Folk puro e simples, como a bela instrumental “Mellon” e seus dedilhados de violão e sons da natureza, a estranha e quase hipnótica “Into the Caverno of Gollum” (feita com efeitos sinistros de teclados), a totalmente folk “Kruk Dak Drakk Kâ Dúl” (com vocais pagãos, teclados e flautas muito bem encaixados), a coletânea de sons da natureza de “Old Forest”, os tambores de guerra de “Ash Nazg Durbatulûk” (garanto que o ouvinte se lembrará das cavernas de Moria que viu no filme “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel”), e a belíssima “Kruk Sûl Dùr” (lindos arranjos de pianos e teclados, permitindo que os vocais limpos mostrem todo seu valor).

No mais, espero que o grupo não tenha parado (como informações que li pela internet dizem), pois tem muito a oferecer. E parabéns a Cold Art Industry Records por correr atrás e conseguir mais um excelente trabalho.



LO HAN - Get High (álbum)

2017
Independente
Nacional

Nota: 9,5/10,0
Tracklist:

1. Time
2. Dance with the Devil
3. Get High
4. I'll Only Rest When I'm Dead
5. Sex, Drugs and Music
6. Bullet
7. Waiting for You
8. Green Lies
9. The Fallen Butterfly
10. Fight for Your Faith
11. The World Will Change Your Mind


Banda:



RB - Vocais
Alexandre Amoedo - Guitarras
Caio Aslan - Guitarras
Ricardo Lopo - Teclados
Caio Parish - Baixo
Adriano Lima - Bateria


Contatos:

Site Oficial: www.lohanband.com
TNT: www.tnb.art.br/rede/lohan
Facebook: www.facebook.com/lohanband
Youtube: www.youtube.com/lohanband

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O Brasil é, em termos de Metal e Rok, interessante em termos de cenário: apesar da omissão do público, o país ou está antenado com as tendências mais recentes do exterior, ou é capaz de criar novas miríades sonoras com os estilos pré-existentes, soprando uma vida diferenciada no que se encontra sendo feito no exterior. E mais uma vez, isso ocorre, já que existe um forte “revival” de bandas com sonoridades setentistas ocorrendo fora do Brasil. E o sexteto baiano LO HAN, de Salvador, mostra-se criativo e deliciosamente inspirado em seu álbum “Get High”.


A base de influências musicais do trabalho deles é formada por bandas como LED ZEPPELIN, AC/DC, uns toques psicodélicos à lá PINK FLOYD, além de muita, muita personalidade. Sim, personalidade, aquilo que os permite trazer uma sonoridade tão erodida e gasta pelo tempo para os dias de hoje, e com resultados extraordinários, uma vez que o som deles remete ao passado, mas nem de longe soa datado. As melodias dão um toque a mais de acessibilidade ao som descompromissado e despretensioso do sexteto. E é justamente por isso que soa tão bom aos nossos ouvidos, com cada refrão absolutamente grudento, além de um feeling bluesy de primeira.

Capa inteira de "Get High"

“Get High” foi produzido pelo conhecido guitarrista e bluesman Álvaro Assmar. O resultado é uma sonoridade híbrida, já que dá espaço para a banda desfilar seu lado mais cru e cheio de psicodelia, mas soando atual, sólido e bem feito. E isso os diferencia de um monte de cópias do exterior, que fazem de tudo para soar sujo como nos 70s. E assim, eles conseguem soar bem mais diferenciados e espontâneos, bem melhor que uma avalanche de Dolly Clones. É solto e bem espontâneo, mas feito com qualidade e com ótimos timbres.

O grupo é bem criativo, evitando cair no ponto comum em que muitos falham miseravelmente. Todos são ótimos músicos, sabendo arranjar suas canções com sobriedade e criando algo melodioso, pesado e com groove, mas sem imitar os gigantes do gênero.

Podemos aferir como melhores momentos da banda em “Get High” as seguintes canções: a deliciosamente instigante “Time”, recheada com melodias bluesy e belass passagens de teclados e vocais inspirados; a mais rocker cheia de boas variações rítmicas “Dance with the Devil” (mais uma vez, os vocais se destacam por usarem timbres diferentes de antes, e sem mencionar o som do velho Hammond, e o refrão ganchudo); a adrenalina empolgante que reveste a energética “Get High” (as guitarras mostram riffs e passagens muito boas); as claras influências de Southern Rock e Blues que permeiam “Sex, Drugs and Music”; a energia crua e contagiante da acessível “Bullet” (outra em que as guitarras se destacam bastante, mesmo sendo curtinha); o Rock’n’Roll cru e denso que é “The Fallen Butterfly”; a clara influência de Jimmy Page e sua gangue em “Fight for Your Faith” (reparem nos fraseados das guitarras e entenderão o que eu digo); e a intimista e totalmente inspirada no Rhythm’n’Blues “The World Will Change Your Mind” (outra aula do baixo e da bateria, mas sem eclipsar a bela exibição dos vocais). Mas o disco é excelente de ponta a ponta, logo, pode ouvir sem medo.

Se você quer realmente ouvir uma banda ótima que segue a linha dos 70, o trabalho do LO HAN foi feito especialmente para ti. Ouça “Get High”, e boa viagem!

Ah, sim, "Get High" pode ser ouvido nas seguintes plataformas digitais:

Deezer: http://www.deezer.com/album/10756922
Spotify: http://open.spotify.com/album/0hZ8kQQwwrQNKdBH9aXHR4
Rdio: http://www.rdio.com/artist/Lo_Han/album/Get_High/
Napster: http://br.napster.com/artist/lo-han/album/get-high