5 de ago de 2016

HANGAR - Stronger Than Ever (Álbum)


2016
Making Of
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Músicas:

1. Reality is a Prison
2. The Revenant
3. Forest of Forgotten 
4. A Letter from 1997 
5. Just Like Heaven
6. The Silence of Innocent
7. Beauty in Disrepair
8. We Keep Running the Course
9. The Hangar of Hannibal
10. Just Like Heaven (Acoustic Version)


Banda:

Pedro Campos - Vocais
Cristiano Wortmann - Guitars
Fábio Laguna - Teclados
Nando Mello - Baixo
Aquiles Priester - Bateria


Contatos:

TRM Press (Assessoria de Imprensa)

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O Brasil, devido à intensidade no que tange ao surgimento de bandas e à profissionalização dos músicos, já possui bandas que podemos chamar de clássicas, ou seja, aquelas que sabemos que sempre nos trarão discos diferenciados, e que sempre surpreendem.

E podemos colocar o HANGAR, quinteto vindo do RS, que tem e teve em sua formação músicos extremamente conhecidos, e que agora, depois de 7 anos sem disco novo (já que "Acoustic, but Plugged In!" de 2011 é um disco acústico, e "The Best of 15 Years, Based on a True Story" de 2014 é uma coletânea), eles retornam com "Stronger Than Ever", que é um disco ótimo, mostrando que o nível da banda não caiu.

A formação está estabilizada há um bom tempo, e de novo, apenas que o guitarrista Eduardo Martinez saiu (logo, Cristiano Wortmann gravou todas as linhas de guitarras) e o vocalista Pedro Campos é um novato no grupo, apesar de ter sido apresentado ao público em quatro faixas de "The Best of 15 Years, Based on a True Story". Mas o que se esperaria estilisticamente do HANGAR?

Antes de tudo, é preciso dizer que o Metal tradicional do grupo, adornado com a técnica refinada de seus integrantes e alguns elementos de Power/Prog Metal, deu uma apurada, e ganhou alguns contornos mais pesados (percebam como o peso em "The Revenant", "Beauty in Disrepair" e "The Hangar of Hannibal" é acentuado, graças à afinação mais baixa), mas sem perder aquele impacto melódico e o bom gosto de sempre.

As gravações de "Stronger Than Ever" foram feitas no Brasil, em três estúdios diferentes (Rush Recording Studios, em Bebedouro, em SP; Phantom Studio Recording Art, em Novo Hamburgo, no RS; e Laguna Home Studio, em Mococa, também em SP), com a finalização de Heros Trench no Mr. Som (também em SP), mais a mixagem e a masterização feitas no exterior: a mixagem é de Jesse Vainio (que já trabalhou com LORDI, APOCALYPTIKA, e THUNDERSTONE, só para citar alguns), enquanto que a masterização é de Svante Forsbäck (MICHAEL MONROE, RAMMSTEIN, APOCALYPTIKA, LINDEMANN), logo, se tem uma qualidade sonora compacta, forte e vigorosa, mas limpa e de alto nível. Podemos dizer que é uma das melhores já feitas por uma banda brasileira. A produção, como um todo, é do próprio Aquiles Priester.

A arte, que trabalha a dualidade presa/predador, é um trabalho muito bom, mais simples que nos acostumamos, mas ao mesmo tempo, a J. Duarte Design caprichou.

Melodias acentuadas e bem trabalhadas, peso e técnica seriam meras palavras, e assim, incapazes de traduzir a diversidade musical, a beleza intrínseca que "Stronger Than Ever" possui. Se na primeira audição já se fica grudado no disco, da segunda em diante vai se descobrindo cada uma das belas facetas de um disco que possui uma miríade de aspectos onde musicalidade e bom gosto se fundem. Os vocais são de primeira, as guitarras capricham em bases e solos inspirados, os teclados são presentes e não são meramente pano de fundo (Fábio Laguna é inspirado, diga-se de passagem), e o peso e técnica da base rítmica é o de uma das melhores cozinhas rítmicas do Brasil (falar do trabalho de Nando Mello ou de Aquiles Priester é necessário?).

"Reality is a Prison" - É uma canção onde o lado mais pesado da banda se sobressai, mas sem deixar que os arranjos mais técnicos fiquem de fora. É incrível ver como a voz de Pedro sabe ser diversificada em termos de timbres, e no meio de ótimas mudanças rítmicas. Não é à toa que é a música do vídeo oficial de divulgação.

"The Revenant" - Outra bem agressiva, mas cheia de partes bem progressivas. Óbvio que em termos de riffs, a diversidade e peso são grandes (Cristiano está muito bem), mas é uma faixa onde Aquiles rouba a cena por suas viradas e conduções perfeitas nos bumbos.

"Forest of Forgotten" - Outra bem pesada, com alguns arranjos onde a sonoridade é mais moderna. O alinhavo musical é denso e introspectivo, com aquele impacto agressivo de bandas mais modernas.

"A Letter from 1997" - Os arranjos de teclados e pianos de Fábio são de uma beleza ímpar, já que temos uma canção onde reina o contraste de partes mais calmas com outras mais pesadas. Há certo tom de acessibilidade musical, e é um dos pontos mais altos do disco. E é onde podemos sentir mais aguçadamente a diversidade de timbres dos vocais.

"Just Like Heaven" - É uma linda balada, que nos envolve com seu clima mais ameno. E não há aquele alinhavo melancólico que se vê na maioria das baladas que vemos por aí, mas sim uma beleza enorme, que nos faz bem e desperta um enorme bem estar por estarmos vivos. O jogo entre vocais e backing vocals é ótimo, assim como os arranjos do baixo de Nando e das guitarras de Cristiano.

"The Silence of Innocent" - Aqui, novamente temos aquele peso heavyssívo característico da banda, com o andamento um pouco mais comportado, permitindo que a técnica de baixo e bateria se sobressaia, isso sem falar como os teclados estão bem.

"Beauty in Disrepair" - O peso e a elegância se mesclam de uma forma que a agressividade fica subentendida. É uma característica da banda, mesmo com toda a sonoridade mais moderna usada aqui (reparem nos timbres das guitarras e entenderão o que digo). E isso tudo bem distribuído em sete minutos, onde solos de guitarra e teclados brilham, suportados por uma base instrumental perfeita. Outro ponto alto do CD.

"We Keep Running the Course" - Aqui, temos uma faixa um pouco mais amena e melodiosa que as anteriores, com uma beleza introspectiva interessante, com excelentes vocais e uma diversidade de arranjos de baixo e bateria que mantém o peso, mas sem quebrar a estética de pura beleza melódica.

"The Hangar of Hannibal" - Aqui, temos um peso mais azedo, mais visceral e agressivo, que prioriza muito o trabalho de guitarras, baixo e bateria. Mas a riqueza de arranjos e as melodias mais intrincadas nos deixam de queixos caídos.

"Just Like Heaven (Acoustic)" - Fechando, temos a versão acústica da balada do disco, E mesmo assim, ela continua cheia daquele clima alto astral que nos faz bem, em tempos em que o mundo parece de pernas para o ar, onde as pessoas estão cada vez mais agressivas umas contra as outras por pouca coisa.

O HANGAR voltou por cima, e (o título já diz tudo), mais forte que nunca.

É um dos discos mais esperados do ano, e garanto: não vai decepcionar.

Na lista dos melhores discos nacionais do ano.