27 de mai de 2012

Rebaelliun - Burn the Promised Land (Review histórico)

 
1999 - Hammerheart Records - Nacional
Nota: 10
Por Marcos Garcia

O Death Metal brasileiro sempre revelou nomes fortes desde sua mais tenra idade, lá pelos idos de 1985/1986, evoluindo com o passar dos anos até se tornar um mix das escolas da Europa (caracterizada por uma agressividade musical mais forte) e a dos Estados Unidos (mais focada na técnica de seus músicos), mas com uma personalidade própria, aquilo que podemos chamar de Brazillian Way of Death Metal, muito embora por aqui o descaso com as bandas não seja pequeno, e alguns raros casos fogem à regra, virando referência para as gerações futuras.
Em Novembro do ano de 1999, um ano após sua fundação, o quarteto gaúcho Rebaelliun, capitaneado pelo guitarrista Fabiano Penna, lançou pelo selo holandês Hammerheart Records seu primeiro Full Length, que viraria um marco na história na cena mais cult do Metal nacional: Burn the Promised Land.



O disco mostra uma banda extremamente brutal na música que faz, mas que de forma alguma é apenas barulho, muito longe disso, já que a técnica refinada surge junto com a brutalidade serrada da banda, especialmente pelas muitas quebradas de ritmo que estão presentes, ou seja, é uma banda bem diferenciada das suas contemporâneas, pois aposta também em momentos mais cadenciados, fugindo várias vezes da velocidade, embora esta seja a tônica da banda.
Produzido pela própria banda, a sonoridade que sai pelos falantes é bem feita, mas sangra em crueza e vitalidade, sem ser pasteurizada, e a arte é bem legal, antenada com o conteúdo lírico do CD.



Musicalmente, este disco é bem carnívoro, com vocalizações insanas feitas por Marcello Marzari, que cuida também das quatro cordas, guitarras abusivamente rápidas em bases pesadas e solos insanos de Fabiano Penna e Ronaldo Lima, e bateria rápida e muito técnica de Sandro Moreira, criando música que poderiam ser citadas como clássicos do estilo, como a veloz e arrasadora At War, com riffs pesados e velozes e vocais insanos; Killing for the Domain, onde a cozinha baixo-bateria esbanja não só velocidade, mas técnica apurada e peso; a variada e brutal Spawning the Rebellion, que chega a ser um abuso de tão pesada e bruta; a densa instrumental Flagellation of Christ (the Revenge of King Beelzebuth), onde o clima tétrico segue por toda a música; em Hell's Decree, temos uma variação de momentos muito boa; a ‘mudança-a-cada-instante’ Burn the Promised Land e a ótima Triumph of the Unholy Ones, que encerra o genocídio sonoro.
A banda chegou a fazer excursões fora do país, já que o CD saiu antes na Europa, chegando ao Brasil apenas em 2001, pela Somber Music, quando o quarteto já gozava de bastante prestígio, e apesar de um futuro promissor, mesmo após um segundo CD, o ótimo Annihilation, já com Lohy Fabiano nos vocais e baixo, os problemas internos levaram a banda a um fim precoce, mas Burn the Promised Land é, até os dias de hoje, referência na cena.
Algumas músicas do disco:





Tracklist:

01. At War
02. ...And the Immortals Shall Rise
03. Killing for the Domain
04. Spawning the Rebellion
05. Flagellation of Christ (the Revenge of King Beelzebuth) – Instrumental
06. Hell's Decree
07. The Legacy of Eternal Wrath
08. Burn the Promised Land
09. Triumph of the Unholy Ones


Formação:

Marcello Marzari – Baixo, Vocais
Fabiano Penna – Guitarras
Ronaldo Lima – Guitarras
Sandro Moreira – Bateria


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