20 de ago de 2016

GAMMA RAY - Heading for the East (Anniversary Edition) (Duplo ao vivo)


2016
Shinigami Records / earMUSIC 
Nacional

Nota: 9,0/10,0


Músicas:

CD 1:

1. Intro
2. Lust for Life
3. Heaven Can Wait
4. Space Eater
5. Free Time
6. Who Do You Think You Are?

CD 2:

1. The Silence
2. Save Us
3. I Want Out
4. Ride the Sky/Hold Your Ground
5. Money
6. Heading for Tomorrow


Banda:


Ralf Scheepers - Vocals
Kai Hansen - Guitarras, vocais
Dirk Schlächter - Guitarras
Uwe Wessel - Baixo
Uli Kusch - Bateria


Contatos:




Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


E como o GAMMA RAY andou completando 25 anos de atividade ano passado, eis mais uma edição especial de aniversário.

Mas há uma diferença entre "Heading for the East" que todos conhecem, e este lançamento: antes, não existia lançamento em CD, só em VHS ou DVD. Mas agora, finalmente, temos em um CD duplo ao vivo, e com aquela mãozinha providencial da parceria da Shinigami Records com a earMUSIC, temos acesso à versão nacional desse disquinho precioso.

Historicamente falando, este disco representa um dos primeiros shows da banda no Japão, na tour de divulgação de "Heading for Tomorrow", que havia catapultado a banda para o estrelato. Foram quatro shows em terras nipônicas: dois deles em Tóquio, e os outros dois em Osaka e Nagoya. E como a gravadora estava acreditando no potencial do GAMMA RAY, bancou a gravação dos shows, que viraram uma fita VHS que ajudou o nome da banda crescer ainda mais. 

Ao vivo, se percebe que o quinteto não perde a força musical que apresentava em seu disco de estúdio. O peso e vibração das canções continuam os mesmos, apenas com uma energia avassaladora, que deve ter deixado os colegas da Terra do Sol Nascente de queixos caídos. E ao mesmo tempo, se percebe mudanças na formação: o guitarrista Dirk Schlächter (que apenas participou no primeiro disco da banda como convidado em algumas linhas de baixo) já está efetivado na banda, e o baterista é Uli Kusch, que substituiu Matthias Burchardt (batera que gravou o "Heading for Tomorrow").

A produção original é de Peter Ernst, que soube dar aquela dose de limpeza e "punch" ao trabalho musical do quinteto, mas ao mesmo tempo, preservou o clima ao vivo do disco, e conseguiu que a sonoridade ficasse bem limpa. Mas é preciso dar pontos para a remasterização de Eike Freese, que soube dar uma bela atualizada no conteúdo, sem violar o que já estava feito, mas dando brilho e peso.

Em termos de arte, o disco tem uma capa muito bonita, além de uma biografia que conta o que se passava na banda na época, além de fotos da época e dos shows no Japão. Tudo muito bem editorado, digamos de passagem.

"Heading For Tomorrow" é tocado ao vivo, na íntegra, logo, podemos perceber como a banda está afiada em clássicos próprios como "Lust for Life", "Heaven Can Wait", "Space Eater", e nas maravilhosas "The Silence" e "Heading for Tomorrow". Mas se há algo que chega a fazer o coração bater mais rápido é ver as versões da banda para "Save Us", "I Want Out" e o insert de "Ride the Sky" antes de começarem "Hold Your Ground". Mas sejamos sinceros: Ralph é um excelente vocalista, mas as músicas do HELLOWEEN não são muito para ele, em especial "Ride the Sky". Não que ele cante mal, mas o contraste de vozes em nossas mentes (acostumadas com a de Michael Kiske ou a de Kai Hansen nas versões originais) fica um pouco insólito. Não ficou ruim, longe disso, apenas estranho.

No mais, "Heading for the East" é um disco de primeira, que merece ser adquirido com todo carinho.

AGATHOCLES - PEIA BRABA (Split CD)



2016
Nacional

Nota: 8,5/10,0


AGATHOCLES

Músicas:

1. My Ride Goes On 
2. The Only Judge
3. Zie Mijn Gelaat
4. Emptiness
5. The Only Smile
6. Arty Farty Poetry
7. Frontal Confrontations
8. Keep Them

Banda:


Jan - Baixo, vocais
Koen - Guitarras
Nils - Bateria, vocais

Contatos:



PEIA BRABA:

Músicas:

9. Armas da Revolução 
10. Apoiadores
11. Atos de Covardia
12. Infecção Silenciosa
13. Evolução/Devastação
14. 10%
15. Verme Ambulante
16. Escória
17. Doutores da Morte
18. Estigmas da Ignorância
19. Filantropo de Internet
20. Pobre Criança

Banda:


El Matón - Vocais, bateria
El Chancho - Vocais
El Gerente - Guitarras

Contatos:


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Algumas pessoas se sentem ofendidas com a diversidade que o Metal possui. Alguns ofendem os fãs de estilos extremos, chamando-os de "fãs de barulho". Outros, por sua vez, chamam os fãs de gêneros mais melodiosos de "frescos".

Poderiam para com esta palhaçada e compreender que o Metal é um estilo com uma grade diversidade musical, e é justamente este aspecto que o faz ser tão cultuado e respeitado?

Que música/arte pode ter aspectos diferentes, e ainda assim, continuar sendo uma manifestação única?

Coisa chata de gente chata, e que deve viver uma vida bem chata!

Assim, após estas palavras, podemos falar sobre este ótimo Split CD que acaba de sair pela Cold Arts Industry Distro Records, que nos brinda com dois baluartes da música extrema: os belgas mais insanos do mundo, o AGATHOCLES, e os brazucas do PEIA BRABA, de Macapá, no Amapá.

O AGATHOCLES é lendário pela fúria musical que despeja com seu Mincecore/Grindcore, e por ter uma das mais extensas discografias que se tem notícias, e esbanja categoria em nos deixar com dores de ouvidos com uma esporreira clássica da melhor espécie. Já o PEIA BRABA prefere fazer um Grindcore/Noise extremo e bruto, sem concessões, cheio de vocais insanos e tempos que se alternam entre velocidade extrema e cadência azeda. E ambas as bandas fazem seus trabalhos com autenticidade, sem darem a mínima para quem os chama de sujos e extremos. Aliás, no caso dos trios, isso é um elogio.

Se vocês estão procurando algo super produzido, não irão achar aqui neste Split. Não é a proposta dos grupos, e justamente por serem tão extremos e espontâneos, funcionam bem. As propostas musicais são simples, mas longe de serem acessíveis aos menos iniciados. É podreira em cima de podreira, paulada em cima de paulada.

O AGATHOCLES não se contém e solta a serra elétrica em nove canções, entre as quais as melhores são a explosiva e esporrenta "The Only Judge" (muito bom o contraste entre vocais guturais, e os riffs insanos do trio), a empolgante "Emptiness" (na simplicidade, o batera mostra uma técnica simples e muito boa), a curta e pogante "The Only Smile", a mais cadenciada "Arty Farty Poetry" (que mesmo não sendo tão veloz, empolga e causa moshs e pogos sem limites), além das icônicas "Frontal Confrontations" e "Keep Them". O AGATHOCLES sempre arrasa, não tem jeito!

Já o extremismo bruto e grosseiro do PEIA BRABA se sai bem em "Armas da Revolução" (graças aos tempos extremados e ótimos vocais guturais), na empolgante "Apoiadores", a irônica e agressiva "Infecção Silenciosa" (a intro e o final são de uma reportagem, mas a música em si tem riffs ótimos), a instigante e excelente "Escória" (que foge do esquemão de pura velocidade, investindo bastante na cadência pesada e azeda), e a explosiva "Filantropo de Internet". É direto, reto, sem frescuras, e assim, ótimo.

Fora estes aspectos, o trabalho gráfico mais simples e despojado realmente está muito legal. O encarte em folha de papel avulsa da capa retoma uma tradição antiga do Hardcore e do Grindcore em seus tempos iniciais, onde tudo era mais amador, mas ainda assim, funcional.

No mais, é mais um ótimo lançamento, e vale a aquisição.

KATAKLYSM - Of Ghost and Gods (álbum)


2016

Shinigami Records / Nuclear Blast Brasil
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Músicas:

1. Breaching the Asylum
2. The Black Sheep
3. Marching Through Graveyards
4. Thy Serpent's Tongue
5. Vindication
6. Soul Destroyer
7. Carrying Crosses
8. Shattered
9. Hate Spirit
10. The World is a Dying Insect
11. Fire 
12. Push the Venom 
13. Elevate
14. Blood in Heaven


Banda:


Maurizio Iacono - Vocais
J-F Dagenais - Guitarras
Stéphane Barbe - Baixo
Oli Beaudoin - Bateria


Contatos:

http://kataklysm.ca/
https://www.facebook.com/kataklysm
http://twitter.com/kataklysmband
http://www.youtube.com/user/kataklysmrocks

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O Canadá é uma das maiores potenciais em termos de Metal do mundo.

Há anos, o país cede bandas excelentes, e muitas que marcaram a história do Metal, e em cada uma de suas vertentes. Chega a ser tão absurda a contribuição do Metal canadense para o mundo que só de saber que a banda é daquelas terras já cria expectativas bem grandes.

E chega a ser repetitivo falar do quarteto KATAKLYSM. O nome já virou sinônimo de qualidade, já que sua longa carreira e uma discografia irrepreensível os credencia como um dos maiores expoentes do Death Metal da atualidade. 

Tendo isso em vista, podemos afirmar que "Of Ghost and Gods" vem para surpreender os fãs, mas ao mesmo tempo, para fazê-los conquistar ainda mais território no que se refere à música. E a Shinigami Records, junto com a Nuclear Blast Brasil, nos presenteia com essa excelente versão nacional.

Ainda mantendo os pés firmes no Death Metal, o grupo desta vez imprimiu uma diversidade musical enorme. Sim, o KATAKLYSM está sendo mais complexo em suas canções, enriquecendo seu trabalho, já que a simplicidade de antes deu espaço a arranjos mais dinâmicos e bem acabados. Mas isso não os tornou menos agressivos por isso, apenas permitiu que aquelas melodias abrasivas de antes se tornassem um pouco mais evidentes. Preparem os pescoços, pois é impossível ficar parado!

Produzido pelo próprio quarteto, e tendo mixagem e masterização feitas pelas mãos de Andy Sneap, não é de surpreender que a qualidade sonora de "Of Ghosts and Gods" seja algo absurdamente bom, sabendo unir a agressividade sonora da banda com uma clareza enorme. O resultado é uma esporreira infernal com todos os instrumentos audíveis, onde se percebe que o trabalho do guitarrista J-F Dagenais na gravação dos instrumentos é um ponto crucial para o grupo ter esta agressividade toda, mas sem abrir mão de uma sonoridade mais clara.

A arte criada por Surtsey para a capa e layout é toda focada em tons escuros, buscando os contrastes mais básicos entre preto, branco e cinza, e se sai muito bem. Esta apresentação, que aparenta ser simples, dá corpo ao som da banda perfeitamente.

No que tange à musicalidade, o KATAKLYSM fugiu dos ritmos acelerados e constantes, o que permite mostrar que a brutalidade do grupo pôde ser aliada à uma técnica mais refinada sem danos ao que todos já conhecemos (e gostamos) do trabalho da banda. E isso transforma "Of Ghost and Gods" em um dos grandes discos do ano, mais uma obra-prima na discografia da banda.

Melhores momentos?

Nem a pauladas! O disco é ótimo de ponta a ponta!

"Breaching the Asylum" - O disco já abre com uma faixa que foge do padrão de velocidade que lhes é costumeiro, preferindo algo mais cadenciado ou com uma velocidade mais próxima ao Thrash Metal. Destacam-se o trabalho de Oli nas baquetas e bumbos, e a interpretação furiosa de Maurizio.

"The Black Sheep" - As guitarras de J-P usam de timbres fortes e intensos, e despejam riffs memoráveis, com muitas mudanças rítmicas de primeira, e partes com melodias agressivas de primeira.

"Marching Through Graveyards" - Nesta, temos o trabalho mais clássico da banda em termos de explosão, ou seja, existem momentos muito velozes como estamos acostumados. Mas é bom tomarem cuidado, pois o nível de mudanças de velocidade é grande, mostrando que Stéphane está em grande forma em momentos em que o baixo fica evidenciado.

"Thy Serpent's Tongue" - Outra que privilegia andamentos não tão velozes, mas com a bateria usando uma pegada bem técnica. E mais uma vez, os vocais estão dando uma aula de como usar o gutural de forma interpretativa.

"Vindication" - Como a banda sabe criar arranjos empolgantes! É incrível ver os riffs de guitarra contrastando perfeitamente com a velocidade brutal da bateria em alguns momentos. E é interessante ver melodias mais secas aplicadas sobre a base baixo/bateria esbanjando velocidade e peso em alguns momentos, bem como naqueles mais cadenciados. 

"Soul Destroyer" - Aqui já se vê um andamento mediano e empolgante, daquele que leva a cabeça a se mover espontaneamente. Se percebe que as guitarras estão muito bem trabalhadas em termos de riffs. 

"Carrying Crosses" - Mais uma vez, a banda consegue aglutinar elementos de Thrash Metal à sua música brutal e agressiva. E mais uma vez, os vocais estão muito bem em termos de interpretação, já que se entende o que ele está cantando com facilidade (algo que Maurizio é um dos poucos a conseguir no gênero).

"Shattered" - Se há algo que o quarteto aprendeu com a experiência é a usar andamentos mais lentos como uma alternativa para a velocidade explosiva, e sem perder sua brutalidade característica. E é possível ver belas melodias surgindo das guitarras enquanto os vocais urram ferozmente. É uma das melhores canções dos disco, sem sombra de dúvidas!

"Hate Spirit" - No meio da alternância de ritmos, percebe-se o uso de timbres de voz mais esganiçados, que encaixam muito bem com a canção. Mas o ponto mais forte da canção fica com a base rítmica da banda. Baixo e bateria estão excelentes, usando passagens bem modernas.

"The World is a Dying Insect" - Fecha o disco com chave de aço. Outra permeada com belas melodias nas guitarras, e um trabalho bem técnico da parte de baixo e bateria (especialmente as quatro cordas na parte mais lenta e intimista que possui quase no final). E como os vocais se mostram bem.

Aqui, fecha a edição comum. Mas se comprar a nacional, ela tem quatro faixas extras: "Fire", "Push the Venom", "Elevate", e "Blood in Heaven", quatro dos maiores hinos do quarteto, gravados ao vivo na Cidade do Cabo, em 18/07/2014, no que se chama de "Live in South Africa". A qualidade de gravação é ótima, mostrando o poder de fogo do grupo ao vivo, algo que aqueles que já viram conhecem bem (este que vos escreve é um destes afortunados).

E assim, com "Of Ghosts and Gods", o KATAKLYSM se firma ainda mais como um dos pilares do Metal extremo mundial, e com esta versão nacional, o CD é item obrigatório!



GAMMA RAY - Sigh No More - Anniversary Edition (2015)



2016
Nacional

Nota: 9,0/10,0


Músicas:

Disco 1:

1. Changes 
2. Rich & Famous 
3. As Time Goes By 
4. (We Won't) Stop the War 
5. Father and Son 
6. One With the World 
7. Start Running 
8. Countdown 
9. Dream Healer 
10. The Spirit 
11. Sail On (Live) 
12. Changes (Live) 

Disco 2:

1. One With the World (Live at Wacken 2011) 
2. Dream Healer (Live in Montreal 2006) 
3. Changes (Blast from the Past version) 
4. Rich and Famous (Blast from the Past version) 
5. One With the World (Blast from the Past version) 
6. Dream Healer (Blast from the Past version) 
7. Heroes (Preproduction) 
8. Dream Healer (Preproduction) 
9. As Times Goes By (Preproduction) 
10. (We Won’t) Stop the War (Preproduction) 
11. Dream Healer (Demo) 
12. Rich and Famous (Demo) 


Banda:

Ralf Scheepers - Vocais
Dirk Schlächter - Guitars, backing vocals
Kai Hansen - Guitarras, backing vocals, vocais adicionais em "As Time Goes By"
Uwe Wessel - Baixo, backing vocals
Uli Kusch - Bateria, backing vocals

Contatos:


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


A história do GAMMA RAY poderia ser contada por seus discos, verdade seja dita, já que cada um deles marca um período diferente do grupo. E em relação ao passado do grupo, de seus estágios iniciais, a parceria entre a Shinigami Records e a earMUSIC tem nos brindado com a fase inicial, com os primeiros trabalhos do grupo, sendo lançados em terras brasileiras.

Desta vez, é a hora de falar da edição de aniversário de "Sigh No More", que ficou muito luxuosa e cheia de adendos formidáveis, já que é dupla.

1991.

Naquele momento na história, o mundo respirava com dificuldades, já que a Guerra do Golfo era uma realidade, e o Kuwait foi invadido por tropas americanas, visando debelar as forças militares do ditador iraquiano Saddam Hussein que haviam tentado anexar o país. Óbvio que tudo isso foi por causa do petróleo, e acabou influenciando os as letras de "Sigh No More", que se tornaram bem críticas, ao estilo que Kai sempre gostou, ou seja, um manifesto em prol da paz, da humanidade aprender a conviver unida, sem ódios mútuos (uma olhadinha nas letras de "As Time Goes By", "(We Won't) Stop the War", "Father and Son", "One with the World", "Start Running", "Countdown", e "The Spirit" vão mostrar como eles estavam alinhados com o que acontecia no mundo).

De outro lado, musicalmente, a banda deu seqüência ao que já havia feito em "Heading for Tomorrow", mas como a formação estava mais concisa, a musicalidade da banda deu um "boost". Ou seja, o bom e velho Heavy/Power Metal de antes ainda está presente, mas cada vez mais distante do que a antiga banda de Kai havia feito até então (e ainda mais do que fazia na época). A banda está mais polida, mas mais sólida. E as músicas ficaram mais centradas, com todos os elementos musicais do grupo concisos.

A produção do CD e sua mixagem foram feitas por Tommy Newton na época, tudo gravado no KARO Studio, o que deixou a banda com uma sonoridade ótima, pesada e limpa na medida certa. Mas é preciso citar que a remasterização feita por Eike Freese para esta edição comemorativa ficou excelente, dando um brilho maior às músicas, ao mesmo tempo em que a capa que Hervé Monjeaud fez ficou excelente, bem melhor que a original. E o encarte, além das letras, tem uma biografia do que ocorria na banda durante aquele tempo (foca especialmente na questão da invasão Grunge dos anos 90), escrita por Matthias Minneurs (guitarrista do MOB RULES), além de fotos da época e uma diagramação muito boa.

Musicalmente, "Sigh No More" já começa a exibir para o mundo o que o grupo poderia fazer, sua musicalidade pesada, mas bem trabalhada e com a dose certa de agressividade. Ou seja, o GAMMA RAY amadureceu. Os vocais de Ralf são excelentes, sempre com aquele jeitão "Halfordiano" de ser; as guitarras de Kai e Dirk estão ótimas, se completando em tudo, tanto nos riffs como nos solos; e a cozinha de Uwe (baixo) e Uli (bateria) é excelente, sabendo levar o ritmo da banda de forma trabalhada, mas pesada. E como a remasterização do disco deixou tudo mais limpo e com volume extra, podemos apreciar um momento bem criativo da banda. E se não fosse muito, em "Sigh No More" temos a presença especial de Piet Sielck nos teclados e backing vocals (sendo que ele trabalhou na engenharia sonora do disco), Tommy Hansen nos teclados, Fritz Randow na caixa militar em "One with the World", Tommy Newton nas guitarras adicionais em "Father and Son" e "Countdown", além de backing vocals, e o falecido Rolf Köhler (músico Pop de sucesso nos anos 70, dono do Karo Studios junto com Kalle Trap, e que já participou como convidado em discos de vários grandes nomes do Metal alemão, como GRAVE DIGGER, HELLOWEEN, e BLIND GUARDIAN, entre tantos outros) nos backing vocals.

Falar o que de "Sigh No More"?

Existem clássicos irretocáveis da banda aqui, que dispensam maiores comentários, como e pesada e arrastada "Changes", a divertidíssima "Rich & Famous" (uma das músicas mais acessíveis do grupo, graças ao seu refrão grudento cheio de backing vocals ótimos), a veloz e cativante "As Time Goes By" (o típico Power Metal germânico, com grande interpretação de Ralf), a intensa e introspectiva "One With the World" ou a pesada "Dream Healer". Estas canções já estão mais que marcadas na mente de todos os fãs de Power Metal que se prezem. Mas no CD 1, ainda temos como adicionais duas músicas ao vivo, "Sail On" (que só era encontrada na versão japonesa do CD) e "Changes".

Agora, o disco 2 é todo composto de canções extras: temos versões ao vivo ("One With the World" no Wacken de 2011, e Dream Healer" em Montreal, em 2006, ambas com a voz de Kai), de Demos da época ("Dream Healer" e "Rich and Famous"), as versões regravadas que constam na compilação "Blast from the Past" (todas com Kai nos vocais, e com uma sonoridade mais atualizada, que são "Changes", "Rich and Famous", "One With the World", e "Dream Healer"). Mas um tesouro especial são as versões de "Heroes" (uma versão alternativa para "Changes"), "Dream Healer", "As Time Goes By" e "(We Won’t) Stop the War" na pré-produção, ainda com uma sonoridade crua e mais pesada, mostrando o quanto a banda colocou ou tirou das versões finais que constam no CD.

No mais, esta versão de aniversário de "Sigh No More" merece o investimento de todo bom fã de Metal que se preze.

TARJA - The Brightest Void (álbum)



2016
Nacional

Nota: 9,5/10,0

Músicas:

1. No Bitter End 
2. Your Heaven and Your Hell
3. Eagle Eye
4. An Empty Dream 
5. Witch Hunt
6. Shameless
7. House of Wax 
8. Goldfinger 
9. Paradise 


Banda:


Tarja Turunen - Vocais, piano
Alex Scholpp - Guitarras, violões
Christian Kretschmar - Teclados, piano, Hammond
Doug Wimbish - Baixo
Max Lilja - Cello
Mike Terrana - Bateria

Contatos:



Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia

Nos dias de hoje, em um contexto mais amplo, é quase impossível um músico se tornar uma celebridade, e quase uma unanimidade. Parece que as fronteiras se engrossaram, ou que o talento não basta. Poucos são os músicos que conseguem sair de suas bem sucedidas bandas e começarem do zero algo novo e serem bem sucedidos. 

Nisso, a vocalista Tarja Turunem é uma exceção. Após sair do NIGHTWISH em 2005, no ápice do sucesso, ela conseguiu consolidar uma sólida carreira solo. E esta carreira, em que usa apenas o nome TARJA para sua banda, tem rendido trabalhos excelentes, como "The Brightest Void", um de seus trabalhos mais recentes, que ganhou versão nacional pela parceria da Shinigami Records com a earMUSIC. E quem ganha são os fãs brasileiros, que pode ter o acesso ao trabalho facilitado.

Neste disco, Tarja preferiu pôr o material um pouco mais experimental, já que ela mesma admitiu ter muitas músicas no que seria seu novo álbum, "The Shadow Self" (que também vai ganhar versão nacional pela parceria Shinigami Records/earMUSIC). Ou seja, temos alguns covers, músicas que não seguiriam à risca o que Tarja costuma seguir em seus discos. Mas nem de longe isso significa que o disco é ruim, longe disso. É apenas um sabor diferente do que muitos estão acostumados, mas ainda assim, delicioso.

A própria Tarja colocou as mãos na produção do CD, tendo a ajuda de Tim Palmer (que ainda fez a mixagem), e produtores diversos para cada uma das faixas, e a masterização é de Justin Shturtz. Essa junção deu a "The Brightest Void" uma sonoridade mais cheia e pesada nos momentos certos, ao mesmo tempo em que buscou ter clareza onde a música mais necessita (especialmente nos momentos mais introspectivos e belos). 

Dizer que "The Brightest Void" é um disco de sobras (ou seja, aquelas faixas que não entram no disco após uma criteriosa seleção) não é justo. O material é vibrante, de primeira qualidade, mas diferente do usual. Mas os arranjos bem feitos, o cuidado com a estética musical como um todo, e tudo mais que sempre caracterizaram a carreira solo de Tarja, são os mesmos. E isso eleva o nível de exigência dela com ela mesma.

E quem ganha somos nós!

Melhores momentos: 

"No Bitter End" - Aqui, temos a versão do vídeo da canção, que também está em "The Shadow Self", só que um pouco mais curta. Mas é interessante este clima alto astral da música em si, preenchido pelo belo canto de Tarja e por riffs de guitarra com uma sonoridade moderna e agressiva em alguns momentos.

"Your Heaven and Your Hell" - Uma canção mais moderna, bem chegada ao Soft Rock atual, com timbres de guitarra interessantes. E é muito boa a participação de Michael Monroe, do grupo finlandês de Hard Rock HANOI ROCKS com sua voz esganiçada à lá Vince Neil contrastando com a voz de Tarja.

"Eagle Eye" - Esta é uma canção bastante influenciada pela New Age, amena e doce, que nos embala e comove. É interessante ver a participação dos vocais masculinos de Toni Turunen, fora o trabalho ótimo de baixo e bateria.

"An Empty Dream" - Esta canção é o tema principal do filme "Corazón Muerto". E é bastante focado nos teclados e efeitos eletrônicos. Mais próxima ao fim, foca-se no piano. Mas é uma canção amena, introspectiva, com vocais muito bonitos.

"Witch Hunt" - Mais uma canção introspectiva, focada em batidas e efeitos eletrônicos, com a voz de Tarja se postado se forma excelente mais uma vez.

"Shameless" - Novamente, Tarja aposta em uma música pesada e moderna, com alguns riffs com timbres bem intensos, e a música em si é forte. Reparem alguns vocais masculinos presentes, mas não tão evidentes.

"House of Wax" - Aqui, temos uma versão pessoal de Tarja para uma canção antiga de Paul McCartney. Óbvio que ela não fica distante da original, mas é uma versão bem feita, com alguns toques mais modernos.

"Goldfinger" - E lá vai ela fazer mais uma versão para um tema de um filme. Desta vez, é para o tema de "007 contra Goldfinger", filme de 1964, ainda com Sean Connery como James Bond. Óbvio que a voz de Tarja ficou bem melhor que a da cantora original (a talentosa Shirley Bassey), e embora respeite a canção original, ganhou uma roupagem mais moderna, com ótimo trabalho de guitarras, baixo e bateria, e assim, ganhou peso.

"Paradise (What About Us)" - Agora, um autêntico metalzão com a voz de Tarja dando aquele valor. Mas percebam como os andamentos são ótimos, e o peso se concentra bastante nos riffs das guitarras. Mas o toque a mais de elegância se mostra nas intervenções ótimas de teclados. E que refrão!

"The Brightest Void" é um ótimo trabalho, e prova que não é à toa que existe um culto enorme à Tarja e seus trabalhos...