30 de mar de 2014

Andralls - 15 Years Breaknecking - Live in Belem (DVD)

Nota 10/10

Por Marcos "Big Daddy" Garcia


As bandas brasileiras andam investindo bastante no formato DVD para divulgar seus trabalhos nos últimos anos. E isso representa um avanço em vários sentidos, em especial para mostrar que as condições precárias para se fazer um show e mesmo para se gravar em vídeo uma apresentação está virando apenas um passado negro na história do Metal nacional. E a maior prova disso é o DVD "15 Years Breaknecking - Live in Belem" do ANDRALLS, trio de Thrash Metal moderno do Brasil, que além de estarem comemorando 15 anos de muito pescoço doído e hematomas causados pelos stagedives e moshpits de seus shows, mostram a força do público do Nordeste em termos de Metal. Um ótimo lançamento da Distro Rock Records.

Para o Nordeste, diz o Pai Marcão!

Gravado no dia 23 de Junho de 2013, em uma apresentação do trio no Teatro Experimental Waldemar Henrique, em Belém (PA), com produção da Leprosys Produções, do próprio grupo e pela On Fire Booking Agency (https://www.facebook.com/onfireagency), são 123 minutos do mais puro e duro "FasThrash" possível.

A qualidade de imagens é ótima (com o uso de várias câmeras, e edição e produção de Di Lallo e Fábio C. Lins, da AV Works Audiovisual), e a de som está perfeita (e pelo que conhecemos desses três, não tem overdub nenhum, apenas o tratamento de mixagem e masterização que foi feito por Jander Antunes, do Blue House Studio), conseguindo aliar esses fatores à captação da intensidade e energia de um show do grupo. E cada música tem a legenda com seu nome (o que ajuda bastante os fãs mais novos a começarem a aprender sobre o trabalho do grupo), bem como tem legendas em português disponíveis. E o menu interativo e feito com ilustrações de Laurindo Rodrigues (a imagem é hilária, com o desenho do Eddie soltando um urro, bem no espírito do ANDRALLS).

E ao vivo, o ANDRALLS é uma máquina Thrasher sem dó de pescoço algum!!

Andralls
O setlist do show foi escolhido muito bem, com composições que abrangem toda sua carreira, os 15 anos de pura vontade de ferro e selvageria, de investir em um estilo que era considera "fora de moda" e "morto" quando eles começaram. 

É interessante notar não só a solidez da formação (que infelizmente está desfeita, já que Alexandre Brito, batera da banda por anos, saiu do grupo), mas a interação de cada um deles com o público. Cléber se comunica muito bem entre as músicas, sabendo incendiar o público presente, mas sempre se mostrando educado (agradece sempre a presença de todos no evento), vocifera as canções com vontade enquanto toca riffs insanos e pesados, ao passo que o veterano Eddie no baixo não só se movimenta bem como interage bem com o público. E Alexandre, o querido e mano Xandão, ou como conhecemos, "Xandralls", mesmo por trás de seu kit de bateria (e é animal demais em sua técnica e pegada pesada) sabe se comunicar. E tome pérolas como "Under the Insanity", "Rotten Money", "Thrash Blood's Mine", "Cocaine", "In the Eyes of the Killer", e a clássica e incendiária "Andralls on Fire". Um show delirante, e que faz justiça à história do grupo, e que fique o testemunho: os bangers do Norte e Nordeste dão uma aula no quesito presença (pois haviam muitas pessoas na casa) e energia (pogo, slamdancing, satgedives, e tudo mais. O público estava insano!). E ver os três dando stagedives ao final do show e  cumprimentando o público é algo mágico, já que a interação público-banda é extremamente importante.

Na sessão "On the Road", temos um diário da banda, mostrando cenas da "Breakneck Tour", tocando em shows em várias cidades (Europa e Brasil), e chega a ser cômica a maneira que a banda posta em vários momentos, piadas aos montes, participação no programa de TV "Ritual Sonoro", então, deixaremos aos fãs como dever de casa a apreciação e descoberta de cada um deles. E este Tour Report vale a pena ser visto várias vezes.

E como se já não fosse muito, ainda temos na sessão "extras" um mini documentário, onde eles contam a história do ANDRALLS, com a presença de vários ex-membros, Alex Coelho, Gustavo Pinheiro, Júnior, Fabiano Penna (sim, ele mesmo, o ex-REBAELLIUN e ex-THE ORDHER, e produtor musical), Dewidson e Di Lallo. E tudo isso em ordem cronológica, seguindo os anos e os discos do grupo. Mas ver Cléber, Eddie e Alexandre em um bar e comendo tira-gostos enquanto contam a história do grupo é pura irreverência.

E para cravar o último prego no caixão, ainda temos os vídeos oficiais para "Subhuman Worms" e "Under the Insanity".

UM DVD que vale por cada um dos aspectos mostrados acima, como testemunhoi histórico dos 15 anos de vida do grupo. E pelo que vimos, ainda virão mais outros 15 ou 30 anos nessa vida insana!

Recomendadíssimo!




Tracklist:

- Live in Belem
01. Under the Insanity  
02. Enemy Within  
03. Rotten Money  
04. Unexpected / Fear is my Ally  
05. Thrash Blood's Mine  
06. The Age of Rage  
07. Cocaine  
08. Mercy Mass / Land of Disgrace  
09. In the Eyes of the Killer  
10. Two Sides  
11. Crosses Shall Burn  
12. Beyond the Chaos  
13. Andralls on Fire

- Documentário
- Vídeo de "Under the Insanity"
- Vídeo de "Subhuman Worms"


Banda:

Cléber Orsioli - Vocais, guitarras
Eddie C. - Baixo
Alexandre Brito - Bateria


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Ignition Overdrive - Ignition Overdrive (CD)

Independente
Nota 10/10

Por Marcos "Big Daddy" Garcia



Discos instrumentais orientados para a guitarra, como o vosso querido autor já disse algumas vezes antes, tendem a ser enjoativos para os pobres mortais que não são músicos, especialmente guitarristas. Isso se deve ao fato que, no auge da moda dos discos desse formato, nos anos 90, era um autêntico festival de auto-indulgência por parte dos guitarristas, que sobrecarregavam nossos ouvidos com milhões de notas por segundo. Mas sempre houveram, ainda bem, aqueles que fizeram da sobriedade e da música em si o maior objetivo, de compor para que todos pudessem ter a compreensão e acesso ao trabalho. E esses guitarristas podemos chamar de monstros da composição, já que tocar como ou emular um "rachador" é muito simples, mas compor é que são elas. Mas é bom ouvir um disco como "Ignition Overdrive", do projeto IGNITION OVERDRIVE, do guitarrista Rodrigo Santos, pois ele prova que realmente é um dos monstros da composição.

Sim, Rodrigo saber não só usar bem as seis cordas de sua guitarra (técnica ele tem, e muita), mas ao mesmo tempo, como um autêntico JOE SATRIANI brasileiro, ele foca seu trabalho nas composições. Nada de "rachadas", acordes à velocidades relativísticas, nada disso. O disco possui técnica, mas as composições é que são importantes, e assim, o feeling, a pegada e mesmo a técnica de Rodrigo se mostra apurada. É um senhor músico, diga-se de passagem, já que ele usa de Rock, Fusion e mesmo um pouco de Blues em suas composições. E que disco maravilhoso!

Rodrigo Santos (Ignition Overdrive)
Produzido pelo próprio Rodrigo, que gravou e mixou o trabalho, deixando a masterização nas mãos de Paulo Torres, a sonoridade do disco é translúcida, de forma que cada arranjo e acorde, cada simples nota, está audível, cada detalhe exposto, em algo que realmente nos comove. E isso ainda nos dá a clara visão que "Ignition Overdrive" teve um cuidado bem artesanal ao ser composto, gravado, mixado e masterizado.

A arte é bem explorada na capa e contracapa, nada exagerado, mas funcional, ao passo que o encarte trás apenas as informações necessárias e agradecimentos. Um trabalho simples, mas eficiente e bonito.

Ao ouvir o disco, é clara a impressão que as canções foram buriladas em um período bem longo, já que as músicas são muito bem cuidadas e acabadas. E nisso, vemos que o disco soa homogêneo, um trabalho bem acabado em termos musicais, e um deleite para nossos ouvidos!

Não há como destacar a melhor, então, a análise é: o disco abre com a mezzo Rock, mezzo "bluesy" com arranjos ótimos "Doomsday Blues" (a sonoridade da guitarra nos envolve completamente), seguida pela instigante e modernosa "Full Throttle" (onde realmente a guitarra mostra uma bela técnica), a ganchuda e empolgante "Gotta Push" (arranjos um pouco intrincados e bem pensados aqui), e a charmosa e bela "Breathe". Na sequência, temos a agressiva e pesada "Flux 31", a mais Hard "Thunderous Roar" (belos toques de Fusion aqui e ali), a mais sentimental "Branca" (é incrível como a guitarra soa com cera gentileza aos ouvidos. E pode parecer exagero, mas é a real impressão que temos: de algo mais gentil e delicado que nos envolve), "Bogus Fire" é mais seca e ríspida, com lindos arranjos (aqui, a bateria dá uma bela marcação junto com o baixo), a totalmente Fusion e diversificada "Can't Bring Me Down" (aqui sim a guitarra começa a  se exibir, mas de uma forma tão sutil que não soa enjoativa), e a com doses de Funk e Rhythm'n'Blues "Wonderful Sky", sem perder a veia roqueira do trabalho, com arranjos macios e fechando o CD com chave de ouro.

Sim, o disco é maravilhoso, uma aula de como se toca guitarras para todos, um tapa na cara dos "rachadores" e "pranksters" que só querem se exibir. E fazendo um disco onde o que importa mesmo é a música, o IGNITION OVERDRIVE mostra que a genialidade é algo que fica nas mãos não do grande músico, mas do grande compositor.

Ouçam 10, 15, 20 vezes, ah, ouçam até o CD player pifar! E não esqueçam: MP3 ilegal é coisa de fru-fru...






Tracklist:

01. Doomsday Blues
02. Full Throttle
03. Gotta Push
04. Breathe
05. Flux 31
06. Thunderous Roar
07. Branca
08. Bogus Fire
09. Can't Bring Me Down
10. Wonderful Sky


Banda:

Rodrigo Santos - Guitarras, baixo, bateria


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Lusferus - Black Seeds ov Obscure Arts (CD)

Nota 9,5/10

Por Marcos "Big Daddy" Garcia


Em termos de Black Metal, o Brasil sempre revelou grandes bandas. Não há como negar o potencial do estilo em nossas terras, já que nomes como SARCÓFAGO (um dos mais seminais grupos do gênero), MYSTERIIS, OCULTAN e outros surgiram neste território. E mais um nome começa a despontar no estilo em nosso país: LUSFERUS, um quarteto vindo de Ribeirão Preto (SP) e que mostra força em seu segundo álbum, o ótimo "Black Seeds ov Obscure Arts", lançado recentemente pela Eternal Hatred Records. E senhores, que disco excelente, destruidor de pescoços!

Seguindo uma escola não tão tradicional como as da Primeira e Segunda gerações do Black Metal, o grupo mostra potência e peso, sabendo aliar muito bem velocidade, peso, técnica e uma atmosfera soturna em suas composições. Mas ao mesmo tempo, não chegará a escandalizar fãs mais tradicionais com algumas melodias que surgem dos arranjos de guitarra aqui e ali, junto com a base baixo/bateria bem entrosada e firme, e vocais rasgados muito bons. Em certos momentos, eles parecem rebuscar elementos de bandas do underground sueco, como o THORNIUM, e outras mais conhecidas como o DARK FUNERAL. Mas isso tudo sem ser uma cópia, já que personalidade deles possuem, e muita.

Com a produção nas mãos do próprio quarteto, mais a masterização de Rômulo Ramazini (que ainda fez toda a engenharia sonora do CD), mais a masterização de Márcio Herzer, podemos dizer que peso, clareza e muita agressividade não são problemas para os fãs, pois a qualidade dos três itens está muito boa. 

Lusferus
Em termos artísticos, a banda preferiu seguir uma estilística mais tradicional, focada em algo mais simples, priorizando o uso da cor negra com contrastes em tons de marrom esmaecidos e claros, beirando o dourado fosco. Ou seja, os fãs mais ortodoxos do gênero não terão do que reclamar. A designer Ana Cristina Ferreira soube realmente captar e traduzir para a a arte visual o que a banda quer dizer com sua música.

Qualitativamente, o trabalho do grupo mantém um ótimo nível, sabendo ser interessante em cada faixa, mas mesmo assim, a técnica da banda é bem interessante, pois sabem variar e surpreender o ouvinte de forma positiva a cada momento. Sim, as músicas possuem bom nível musical, e os arranjos puxam o resultado final para cima. Resumindo: é bom demais!!!

Melhores momentos: a veloz e variada "The Eye" (uma ótima faixa de abetrura, com velocidade e ótima técnica da bateria, especialmente nos bumbos e viradas), a mais quebrada e instigante "Novam Aetate" (que trabalho absurdo de guitarras e bateria!), a sinistra "Black Seeds ov Obscure Arts" (que começa cadenciada, mas logo ganha velocidade e diversidade instrumental, com excelentes vocais), a mórbida e climática "Voices from Beyond", e a destruidora "The Day that Earth Shall Burn" (essa dupla de guitarras é verdadeiramente excelente! Que arranjos!).

Um disco excelente, que merece ser ouvido, comprado e colocado quando quiser pôr os vizinhos churrasqueiros fãs de pagode para correr.





Tracklist:

01. The Eye
02. Novam Aetate
03. Seasons of the Suffering
04. Path of the Serpent
05. Black Seeds ov Obscure Arts
06. Voices from Beyond
07. Dark Times
08. The Day that Earth Shall Burn


Banda:

Goehrnis - Vocais, guitarra solo
Ivåder - Bateria, Vocais
Solrac - Guitarra base, backing vocals
Mutt - Baixo, backing vocals


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MS Metal Press (Imprensa)

Scrok - Welcome to Terror (CD)

Nota 8,0/10

Por Marcos "Big Daddy" Garcia


De uns quatro anos para cá, mais e mais bandas estão surgindo da Região Nordeste do Brasil, e agora da cidade de Timon, no Maranhão, temos a chegada do SCROK, que enfim tem seu primeiro álbum lançado pela Eternal Hatred Records, chamado de "Welcome to Terror". E realmente, um terror musical e bruto espera os mais desavisados!

O trio (que após a gravação adicionou mais um guitarrista) segue uma linha thrasher bem ortodoxa, seguindo a escola alemã do gênero, como se fosse uma mistura do KREATOR da época do "Extreme Agression" e "Coma of Souls" com o arranjos ganchudos do DESTRUCTION, e isso tudo com uma roupagem moderna, sem aquela impressão de mofo por todos os lados. Chegam a soar bem brutais em vários momentos, embora os solos de guitarra muitas vezes nos remetam à gangue de Lemmy. Vocais à lá Petrozza, riffs de guitarra raivosos e solos bem feitos, baixo firme a marcação e um trabalho de bateria bem diversificado. Se preparem, pois o matadouro está de portas abertas!

Produzido pelo próprio grupo com a ajuda de Mike Soares (que além de mixar e masterizar o CD, ainda toca alguns teclados e participa nos vocais em "Kill the Tyrants" ), ficou com a produção na medida, sabendo deixar claro e pesado nas mesmas proporções e a escolha de timbres está ótima (especialmente no tocante às guitarras). E ainda temos a participação de Nixon, do veterano MEGAHERTZ (uma banda lendária da região), Cicy Arcangelo, Romano Rocha e do próprio nos vocais em "Kill the Tyrants".

Scrok
Em termos artísticos, o grupo recebeu um trabalho focado em tons de vermelho bem vivos, e o design como um todo ficou ótimo, a capa com um desenho que nos trás à memória velhos trabalhos de HQ de Jack Kyrby e George Perez, em um trabalho ótimo de Fábio Pitombeira (da Full Rock Inc) e Leno Carvalho (da Dynamite Entertainment).

Em termos de melhores momentos, deixamos claro que o grupo caprichou em termos de composições, distribuindo por todas as canções esmero e bom acabamento. Nada aqui foi feito apenas para preencher espaço, mas bem cuidado nos mínimos detalhes.

Das nove canções, podemos destacar a rígida e pesada "Disgrace Online" (que riffs alucinantes!), a ganchuda "Dead by Razor" e sua bateria fantástica, a brutal e não tão veloz "Terror from the Seas" (ótimas vocalizações, diga-se de passagem), a curta e grossa "Northeast (Misery and Faith)", e a avassaladora "Kill the Tyrants".

Mais um ótimo nome vindo das terras do Nordeste, e que tende a crescer mais e mais!

Bela revelação!




Tracklist:

01. Disgrace Online
02. Dead by Razor
03. Race 
04. Terror from the Seas
05. Corrosive Capitalism
06. Northeast (Misery and Faith)
07. Desolation 
08. Kill the Tyrants
09. Bem-Vindo Ao Terror/My Name is Rage


Banda:

Valter "Indio" Reis - Baixo, vocais
Juliano Sousa - Guitarras e violões
Félix Briano - Bateria e percussão


Contatos:

MS Metal Press (Imprensa)

Apoteom - Alienation (CD)

Nota 8,5/10

Por Marcos "Big Daddy" Garcia


A cena do RS é muito fértil, gerando sempre novas bandas que são capazes de surpreender aos fãs brasileiros de Metal. É das terras que vieram KRISIUN, REBALLIUN, LEVIAETHAN, THE ORDHER, PATRIA, THORNS OF EVIL e outros nomes de peso, logo, é de se esperar de bandas que venham do estado tenham algo de ótimo para mostrar. E o quarteto APOTEOM, de Santa Maria, cidade na região central do RS (e que todos conhecem devido ao triste evento do incêndio na boate Kiss, em Janeiro de 2013) mostra que tem peito e som para sustentar a tradição, pois "Alienation", seu primeiro álbum, é uma aula de Metal moderno e agressivo. Uma aposta da MS Metal Records, que se mostra ótima!

Seguindo tendências sonoras mais modernas de Metal, com muito da energia e força do Thrash Metal, mas sem perder as melodias e toques agressivos, o quarteto mostra que tem plenas condições de alcançar voos mais altos com sua música. 

Ótimo vocais, trabalho excelente de guitarras, baixo e bateria firmes em uma base rítmica bem pesada e sem abrir mão da técnica, essa combinação é ótima aos ouvidos. É como se tivéssemos um mix bem personalizado do melhor que TRIVIUM e METALLICA podem fazer.

Apoteom
Tendo a produção do próprio quarteto, mais mixagem e masterização de Ricardo Gehling, a sonoridade que flui do CD é limpa e bem cuidada, buscando colocar cada instrumento em seu lugar com o devido brilho e destaque, mas sem deixar de ter peso opressivo e bons timbres pesados. E ainda surge as participações especiais de Maykel Rodrigues (bombo) e Johnatan Garcia no violão, ambos na faixa "Alienation".

Já a arte visual realmente choca, pois a banda foge do padrão de tons escuros, com uma apresentação feita com a capa com predominância da cor branca e imagens em tons de preto e cinza, enquanto o encarte usa fotos de uma planície sob um céu azul. Um trabalho diferente, mas ótimo, de Sandro Chaves.

Apesar de ser um disco bem homogêneo em termos de composição, as melhores faixas são "Dead Alive" (uma energética e empolgante faixa de abertura, com ótimo trabalho das guitarras), a ganchuda e com andamento moderado "Social Contract", a modernosa e abrasiva "Alienation" (a bateria e o baixo estão perfeitos aqui, já que a diversidade de andamentos contribuiu bastante), a ótima "Rise" (que belas guitarras em momentos melodiosos imprescindíveis), e a bruta "Extinction".

Que bela revelação das terras do RS. Conheçam, comprem e se divirtam!



Tracklist:

01. Dead Alive
02. Social Contract
03. Alienation
04. Welcome to Insanity
05. Rise
06. Fake Preacher
07. Extinction
08. Old School


Banda:

Pedro Ferreira - Vocais, guitarras
André Gonçalves - Guitarras, backing vocals
Mauricio Dorneles - Baixo, backing vocals
Pablo de Castro - Bateria


Contatos:

MS Metal Press (Imprensa)

Soturnus - Of Everything that Hurts (CD)

Eternal Hatred Records
Nota 9,5/10

Por Marcos "Big Daddy" Garcia


E o celeiro de bandas do NE brasileiro nos mostra mais uma vez sua fertilidade em termos de boas bandas, já que o quinteto SOTURNUS, de João Pessoa (PB) retorna e lança um disco realmente fantástico, "Of Everything that Hurts", que a Eternal Hatred acaba de pôr nas prateleiras das lojas (com distribuição da Voice Music).

O grupo, que começou sendo uma banda mais voltada ao Gothic Metal, cujas influências que ainda surgem em sua música, só que agora tem um escopo Death Metal bem agressivo, ou seja, é pesado e bruto, com uma cadência de andamentos ótimas e bom trabalho técnico. Os vocais apresentam boa diversidade (se apresentam rasgados, guturais e normais nas medidas certas), uma dupla de guitarras ótima (riffs muito bem feitos e solos melodiosos, fora os momentos limpos bem sacados), baixo e bateria entrosados e firmes em uma base rítmica sólida e com boa técnica, pois saber variar bem os andamentos nesse estilo é algo que exige criatividade. É como se tivéssemos um MY DYING BRIDE de seus primeiros trabalhos, só que mais pesado, melodioso e agressivo, sem uso de violinos e teclados, ou o ANATHEMA da época do "Serenades".

Soturnus
A produção sonora de Victor Hugo Targino (que ainda mixou e masterizou o disco) ficou boa, seca e pesada, mas sem ser suja a ponto de obliterar a qualidade sonora. Está bem clara, com os instrumentos sonoros em seus devidos locais, e os arranjos estão bem audíveis. Poderia ser melhor, mas está em um bom nível. A arte busca ser mais soturna, deixando um clima melancólico no ar, complementando o trabalho musical do quinteto. Uma arte extremamente bem feite de Gustavo Sazes.

O grupo distribuiu por 9 canções sua capacidade de compôr boa música, logo, fica claro que cada uma delas é muito boa, o que tona bem difícil exaltar uma ou outra canção, e o CD é abrilhantado ainda mais pelas participações especiais de Victor Hugo Targino (que além de produtor musical, ainda toca no THYRESIS e no WOODEN BRIDGE) fazendo o solo de guitarra em "Empty Man", e de Rodrigo Guimarães (também do WOODEN BRIDGE) no solo de "Of Everything that Hurts".

Após algumas audições, fica claro que o disco todo é ótimo, e como faixas para se conhecer o disco a ótima e bruta "I Wish I Knew" (que ótimas guitarras e solos), "The Shame Within" (o contraste de vocais ficou ótimo), a azeda e com momentos bem lentos "The Doors of Perception", a elegante de depressiva "Of Everything that Hurts", e a trabalhada e cheia de nuances "Leaving" (belíssimo trabalho de baixo e bateria, fora as vocalizações bem feita).

Um disco ótimo, que merece mesmo uma audição carinhosa, bem como o investimento de uma cópia física.


Tracklist:

01. I Wish I Knew  
02. The Shame Within  
03. The Doors of Perception  
04. Of Everything That Hurts  
05. House of Hatred  
06. Cacophony of the Wonderful Sounds  
07. Empty Man  
08. Leaving  
09. Another Lonely Day


Banda:

Rodrigo Barbosa - Vocais
Andrei Targino - Guitarras
Eduardo Borsero - Guitarras
Guilherme Augusto - Baixo
Eduardo Vieira - Bateria


Contatos:

MS Metal Press (Imprensa)