30 de abr de 2016

IRON MAIDEN - Iron Maiden (álbum)


1980
Emi
Nacional


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O ano é 1980.

Após o enfraquecimento dos efeitos iniciais da explosão do Punk Rock em 1977, a Inglaterra começava a mostrar o surgimento de uma nova geração de bandas de Heavy Metal. Todas possuíam similaridades, e muitas diferenças. A estética das bandas do início estava sendo alterada, personalizada e diversificada, mas mantendo o peso e energia de seus antecessores.

Capa da versão remasterizada
Este é o apogeu da NWOBHM, onde as bandas do gênero que começaram a lançar Demos e Singles de forma independente (um legado do Punk Rock, o bom e velho "Do It Yourself", que será uma bandeira de muitos nessa década que se iniciava), até que as gravadoras abriram os olhos para o potencial comercial do gênero. Mas é óbvio que, como todo movimento musical, algum nome, em meio a tantos, virá a se destacar e ser a ponta de lança do mesmo.

No caso da NWOBHM, não há o que questionar: o grande nome daquela geração era, sem sombra de dúvidas, o do IRON MAIDEN, que depois de muita ralação no circuito underground de shows em Londres, de muita luta para estabilizar sua formação e de ter sucesso enorme dentro do cenário underground com a Demo (que viraria um EP mais tarde) "The Soundhouse Tapes", chegou com seu primeiro álbum, "Iron Maiden", lançado pela Emi.

Lançado em 14/04/1980, podemos dizer que "Iron Maiden" já nasceu clássico, mas infelizmente, teve problemas e mais problemas até chegar nas mãos dos fãs: o produtor Will Malone mais foi um peso morto que uma peça a ajudar no processo criativo (e a banda já havia despedido dois antes dele: Guy Edwards por não gostarem da sonoridade que ele criou, e Andy Scott por insistir que Steve tocasse baixo com uma palheta), o guitarrista Dennis Stratton aprontando das suas em "Phantom of the Opera" pela costas da banda... Se lerem a biografia "Run To The Hills", terão a clara idéia do que digo. E um fator interessante é que Martin Birch (o produtor que foi o sexto membro do grupo até sua aposentadoria, em 1990) estava disposto a entrar no projeto com eles, mas nunca foi chamado.

Coisas da vida.

O motivo de "Iron Maiden" ser tão importante, histórica e musicalmente falando, pode ser compreendido com uma audição mais aprofundada e a consciência do que era feito em termos musicais naqueles dias: em palavras simples, a banda conseguia associar a agressividade e energia crua do Punk (que eles negavam na época), o peso do Metal tradicional (e o refinamento musical de bandas como THIN LIZZY e WISHBONE ASH) e as estruturas musicais complexas do Rock Progressivo (lembrando que Steve sempre foi musicalmente influenciado por Chris Squire (YES), Geezer Butler (BLACK SABBATH), entre outros). Ou seja, o IRON MAIDEN junta um grande bojo de influências musicais e transforma em músicas coesas, fortes e que são capazes de seduzir os fãs. E verdade seja dita: a banda assim deu passos em direção de se tornar o maior gigante do Heavy Metal em cima dessa fórmula.

Gravado nos Kingsway Studios, em Londres, a produção de Will Malone não ajudou. Embora a sonoridade de "Iron Maiden" não seja ruim, está muito aquém do que o quinteto iria nos oferecer nos próximos anos. Está limpa, mas carece de mais peso e soa oca, mesmo para os padrões da época. Mas lembrando que ele foi gravado em menos de 15 dias, com a banda basicamente fazendo tudo (já que Will não se mostrava muito interessado no trabalho), o resultado final não é ruim. É muito bom, mas como dito: longe do nível que os caracterizaria nos anos seguintes.

A capa, trazendo Eddie (o monstro favorito de quase 99% dos fãs de Metal), é de Derek Riggs, que seria o ilustrador da banda pelos próximos anos, até 1990. Óbvio que é bem simples em comparação ao que o grupo mostraria no futuro, mas é claramente uma declaração de guerra: o Heavy Metal estava de volta, e para ficar!


Musicalmente, falar das músicas do disco chega a ser algo pecaminoso. O que mais se pode acrescentar a canções que são hinos de 36 anos de idade que já não tenha sido feito? O que falar de Paul, Steve, Dave Murray, Dennis Stratton e Clive Burr, que se mostravam uma banda afiada e precisa?

"Prowler" mostra a força do dueto de guitarras da banda em uma canção rápida e cheia de energia, enquanto "Remember Tomorrow" e suas mudanças de ritmo nos embalam e exibem a habilidade instrumental do grupo em muitos momentos, mas a força e versatilidade de um vocalista inimitável. Já "Running Free", um dos maiores clássicos da banda, é simples e acessível, exibindo um caráter extremamente envolvente. Em "Phantom of the Opera", um dos maiores clássicos do grupo, a banda inteira se mostra em excelente forma em meio a tantas mudanças de ritmo, e com o baixo mostrando-se um tanque de guerra em certos momentos. Isso foi o lado A.

Já o lado B abre com a ótima instrumental "Transylvania", que mostra muitas mudanças, além de evidenciar a força de um dos elementos mais característicos do grupo: seus duetos de guitarra. Em "Strange World", uma balada introspectiva, mostrando o lado mais sensível dos vocais, mas é um tanto quanto descartável por não estar no mesmo nível das outras músicas. Embora cheia de energia e mostrando boas variações harmônicas, podemos aferir que "Charlotte the Harlot" seria um bom lado B de um Single, sendo uma boa canção, mas não no nível das outras. E fechando o disco, a clássica "Iron Maiden", com um dos melhores riffs e refrão do Metal, mostrando que realmente a Donzela de Ferro iria pegar a todos, não importasse o quão longe.

Nas versões mais recentes do CD, tem saído a clássica e mais Hard "Sanctuary", com uma sessão rítmica excelente e belo trabalho nos vocais. Ela poderia ter entrado no lugar tanto de "Strange World" ou "Charlotte the Harlot", mas quem conhece o IRON MAIDEN sabe que eles têm um histórico de pôr em lados B de Singles músicas que poderiam estar no álbum, como "Total Eclipse" que poderia ter entrado no lugar de "Gangland" no "The Number of the Beast". Mas esta é outra estória.

Um último ponto que gostaria de citar é que o trabalho de Paul neste disco e em "Killers" é tão contundente que, para muitos, é o melhor vocalista que passou pelo grupo, justamente por ter um timbre de voz bem mais particular que Bruce, mais cru e rocker. Nos anos 80, essa discussão era levada muito a sério, diga-se de passagem, e em um ponto, tem sua razão de ser: nas músicas de "Iron Maiden" ao vivo, Paul sempre se saiu melhor que Bruce (não seja fanático, meu caro leitor. Isso é um fato).

Enfim, se "Iron Maiden" peca no quesito de qualidade sonora (novamente referencio os problemas acima descritos), excede na qualidade sonora e ajuda a definir o que seria o Heavy Metal nos anos vindouros.

É ouvir e deixar que o IRON MAIDEN te pegue, não importando o quão longe estejam.



Músicas:

1. Prowler
2. Sanctuary
3. Remember Tomorrow
4. Running Free
5. Phantom of the Opera
6. Transylvania
7. Strange World
8. Charlotte the Harlot          
9. Iron Maiden


Banda:


Paul Di'Anno - Vocais
Dave Murray - Guitarras
Dennis Stratton - Guitarras
Steve Harris - Baixo
Clive Burr - Bateria


Contatos:

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