17 de set. de 2016

KING OF BONES - Don't Mess With The King (Álbum)



2016
Independente
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Músicas:

1. Intro
2. No Way Out
3. Hold Me Closer
4. Wherever You Are
5. Walking on the Edge
6. Black Angel
7. Blinded By Faith
8. The World Goes Round
9. Goodbye Yesterday
10. Dry Your Eyes on Me
11. I Am
12. No More Lies
13. Point of No Return


Banda:


Júlio Federici - Vocal
Rene Matela - Guitarras
Rafael Vitor - Baixo
Renato Nassif - Bateria


Contatos:



Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O famoso Hard Rock clássico, que pouco ou nada tem com o Glam Metal da Califórnia, é um estilo bem difícil de ser feito, verdade seja dita.

É que ele já foi tão tocado e experimentado nos anos 70 e 80 que exige bastante do músico em criar algo novo e diferente para si dentro do cenário. Mas há aqueles que são ousados, que arregaçam as mangas e encaram o desafio sem medo e com sangue nos olhos. E o quarteto paulista KING OF BONES é desses, uma vez que após a boa recepção de "We Are The Law", retornam com tudo com seu segundo álbum, chamado "Don't Mess With The King". Que é ótimo, por sinal.

A banda segue a mesma veia de antes: aquele Hard'n'Heavy pesado, que nos trás à mente nomes como BLUE MURDER, OZZY OSBOURNE, DIO e outras bandas da primeira metade dos anos 80. Mas é bom não irem pensando que eles fazem parte de algo Old School, pois o som do grupo soa moderno, cheio de vida e energia, com refrões excelentes e é mais grudento que chiclete quente no cabelo. E vai pegar todos que ouvirem o disco, com certeza!

A produção é do experiente Henrique Baboom, que faz trabalhos com artistas como PANZER. E obviamente a sonoridade da banda está mais seca e bem acabada, com cada instrumento em seu devido lugar e com o volume que merece. Mas mesmo limpo, a quantidade de peso e agressividade que a banda ganhou em relação a "We Are The Law" é sensível, sem contar que há um toque refinado muito bom, aquela elegância que a tudo permeia e é essencial.

Já a arte gráfica é um trabalho ótimo de Gustavo Sazes, que mais uma vez, fez algo surpreendente, retratando a corrupção em que nosso país está imerso. Reparem na testa de cada porco os detalhes escritos: "sua vida", "seu dinheiro", e para eles, não somos nada e pagamos a conta.

Surpreendentemente envolvente, "Don't Mess With The King" leva o KING OF BONES a um patamar diferenciado dentro do cenário brasileiro. É criativo, técnico na medida certa (reparem nos solos virtuosos), pesado e ardido, mas sempre melodioso. Os arranjos são certeiros, a dinâmica entre instrumentos e voz está de primeira, e o resultado final é maravilhoso, uma tentação para os ouvidos.

Embora o disco seja muito homogêneo dentro de suas 13 faixas, destacamos algumas:

"No Way Out" - É uma canção típica de abertura de disco. Instigante, recheada com belíssimos riffs e vocalizações ótimas (os timbres são excelentes), um refrão envolvente e certo swing que se agarra aos nossos ouvidos na primeira audição. E é incrível o trabalho dos vocais e das guitarras (timbres agressivos assim nesse estilo são bem difíceis de encontrar).

"Hold Me Closer" - Um autêntico arrasa-quarteirões bem grudento e pesado de doer. Mas a atmosfera musical é muito forte e extremamente sedutora, e é favorecida por mais um excelente refrão. E reparem como a cozinha rítmica da banda está ótima, assim como os riffs são maravilhosos.

"Wherever You Are" - E eles não cansam de nos surpreender positivamente. Mais uma vez, uma faixa que nos toma de assalto na primeira ouvida, graças à sua atmosfera um pouco mais amena e não tão dura como as anteriores. É onde se percebe que o quarteto é completamente descompromissado em termos estilísticos, mas sempre competente em suas composições, destacando-se uma vez mais o trabalho das guitarras.

"Walking on the Edge" - O andamento fica um pouco mais cadenciado, logo, o lado mais pesado da música do quarteto fica evidenciado. Mas isso não os impede de criar algo com muita classe e swing, algo sedutor e de bom gosto. E que vocais ótimos!

"Black Angel" - Ainda mais cadenciada e intimista, com momentos limpos contrastando com aqueles mais pesados e densos. E é fascinante a dinâmica que a banda sabe dar nas partes mais ganchudas, especialmente porque existem arranjos de teclados muito bons, uma participação especial de Fábio Ribeiro (REMOVE SILENCE, que já trabalhou com ANDRÉ MATOS, ANGRA, SHAMAN, A CHAVE DO SOL e outros).

"Blinded By Faith" - Uma faixa mais introspectiva, cheia de passagens densas e com aquele toque de melancolia já tão familiar aos fãs do gênero. É belíssima, uma jóia rara em termos musicais nos dias de hoje.

"Dry Your Eyes on Me" - Outra em que a modernidade e o clássico se encontram e se mesclam, criando algo diferente, com passagens pesadas onde o baixo impera, e outras mais pesadas. Ponto para o refrão de primeira e para esses arranjos providenciais de teclados.

"I Am" - Apesar de respeitar o estilão pesado do KING OF BONES, esta é uma canção um pouco mais acessível, cheia de ótimo trabalho de backing vocals, e um refrão grandioso que esbarra no Hard/AOR.

"Point of No Return" - Como esse andamento empolga, e nos trás à mente algo positivo em termos de energia e música. Mais uma vez, os arranjos de guitarra estão ótimos, e o vocal lança mão de uma diversidade de timbres ótima.

E embora não citada, o guitarrista André "Zaza" Hernandes faz uma participação especial em "The World Goes Round".

No mais, podemos garantir que se você gostou de "We Are The Law", vai amar ainda mais "Don't Mess With The King". 

Outro que vai entrar na lista dos melhores do ano.

PERC3PTION - Once and For All (Álbum)



2016
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Músicas:

1. Persistence Makes the Difference
2. Oblivion's Gate
3. Rise 
4. Immortality
5. Braving the Beast
6. Magnitude 666
7. Welcome to The End
8. Extinction Level Event
9. Through the Invisible Horizons


Banda:


Dan Figueiredo - Vocais
Glauco Barros - Guitarras, backing vocals
Rick Leite - Guitarras, backing vocals
Wellington Consoli - Baixo
Peferson Mendes - Bateria


Contatos:

Site Oficial: http://perc3ption.com
ASE Press Music (Assessoria de Imprensa): http://www.asepress.com.br/music/index.php/clientes/perc3ption
Shows e Merchandising: contato@perc3ption.com

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


A evolução é uma das maiores forças que guiam as bandas de Metal.

Errando ou acertando, alguns preferem a dinâmica da evolução ao continuísmo eterno em algo. E verdade seja dita: poucos do segundo time conseguem se manter em alta, salvo raros casos. É arriscado, difícil e nem sempre reconhecido, mas evoluir é necessário, e explorar as possibilidades da própria música que se faz é algo que toda banda precisa aprender no bê-á-bá musical. Mas tem alguns que aprendem tão bem que chega a ser surpreendente o que fazem.

E digamos de passagem: o quinteto PERC3PTION, de São Paulo, realmente surpreende a todos com "Once and For All", seu novo álbum, que a Shinigami Records acaba de pôr no mercado.

Em "Reason and Faith", primeiro álbum da banda, eles já mostraram um potencial muito bom, mas está "Once and For All" é de cair o queixo em todos os sentidos. O estilo da banda não mudou, continua sendo aquele Heavy/Power/Prog Metal de antes, apenas com uma abordagem bem pesada e agressiva, mas sem deixar de ter belíssimas melodias, trabalho técnico acima da média, e uma capacidade de nos prender no lugar com sua música. E os vocais melhoraram bastante, pois a entrada de Dan Figueiredo deu vida e vibração às canções. Fora isso, o trabalho das guitarras de Glauco Barros e Rick Leite está excelente, e a base de Wellington Consoli (baixo) e Peferson Mendes (bateria) é pesado e técnico nas medidas certas. E isso ainda com alguns teclados e orquestrações muito bem encaixados (partes feitas por Glauco).

A produção do CD é do guitarrista Glauco Barros junto com Guilherme Lima, e a pré-produção é de Edu Falaschi (do ALMAH). As gravações ocorreram no Perc3ption Studios, enquanto a mixagem e a masterização foram feitas no Nimrod Studios, ambas com Glauco trabalhando junto com Rodrigo Nimrod. E o resultado: uma qualidade sonora de primeira, feita sob medida, justa, pesada e clara como raramente se ouve nessas terras. Sim, o nível está muito elevado.

Em termos gráficos, a arte é concebida pelo próprio quinteto, e feita por Wellington. É interessante a fuga do padrão de negro que é comum ao Heavy Metal, preferindo banco e tons de azul para a arte da capa e da contracapa, E o encarte, repleto de gravuras em sintonia com as letras, ficou muito bom.

Mas e as músicas?

Como dito, o PERC3PTION evoluiu muito, e é capaz de encarar nomes do exterior com facilidade, pois atingiram um nível em que o Brasil é pequeno demais para a música deles. Arranjos, dinâmica entre os instrumentos em si e com os vocais, tudo está perfeito, sem pontos a serem criticados, nem mesmo pelo mais cri-cri dos fãs que seja. E o brilho aumenta devido aos convidados especiais: Edu Falaschi (nos teclados em "Rise" e "Welcome to The End"), Mariliane Brizzoti (vocais em "Oblivion's Gate", "Rise", "Braving the Beast" e "Through the Invisible Horizons"), o próprio Rodrigo Nimrod (vocais em "Persistence Makes the Difference", "Immortality", "Braving the Beast", "Magnitude 666" e "Through the Invisible Horizons"), e Rômulo Dias (vocais em "Persistence Make the Difference").

Destaques? 

Nem brinquem dessa forma, pois "Once and For All" nasceu grandioso, forte e concebido com tanta vontade que não há como não agraciá-lo como um dos grandes discos do ano. Eles realmente superaram a si mesmo e a toda e qualquer expectativa.

As canções são, em sua maioria, longas, mas não nos cansam em momento algum.

"Persistence Makes the Difference" - Uma pedrada Heavy/Prog na cara, agressiva, veloz e refinada com belos toques de teclados. É impressionante o que as guitarras estão fazendo em termos de riffs e solos, mas ao mesmo tempo, baixo e bateria estão mostrando um trabalho de primeira. E que belíssimos vocais, que aliam bem a agressividade e melodia da banda, fora uma interpretação de primeira. E imaginem isso tudo posto sobre nossos ouvidos de uma vez.

"Oblivion's Gate" - Aqui, as melodias da banda são mais evidentes que o lado agressivo da música do quinteto. Há momentos mais cadenciados e azedos, permitindo que a dupla de guitarras exiba riffs bem ferozes, com baixo e bateria se sobressaindo bastante. Mas nos crescendos melodiosos se repara a beleza dos teclados e a força dos vocais.

"Rise" - A música se alterna entre momentos melodiosos e introspectivos, outros grandiosos, e outros bem envolventes e um refrão perfeito. E mais uma vez, o contraste dos timbres graves das guitarras se contrastam perfeitamente com as melodias, em especial nos solos de guitarra.

"Immortality" - Moderna e agressiva, com as melodias sendo entremeadas por algumas doses de groove. E que belíssimo trabalho de baixo e bateria, inclusive com momentos bem voltados ao Metal extremo. Mas a beleza Prog dos duetos e solos é absurda.

"Braving the Beast" - A faixa mais longa do disco, com mais de 10 minutos de duração. E é nela que se percebe que toda a parte mais técnica da música do grupo aflora naturalmente. Embora não exagerem demais, vemos passagens muito bem tocadas de cada instrumento, ao mesmo tempo em que imperam as variações de andamento bem feitas. Ela vai do agressivo ao introspectivo sem pudores, e nos ganha de assalto.

"Magnitude 666" - A agressividade opressiva mais uma vez se faz presente, entremeada por belíssimos arranjos de guitarras, teclados mais sombrios, e logo ganha velocidade e nos empolga. É a faixa do vídeo oficial de divulgação do disco, por isso, talvez seja a mais simples do disco, e mostra mais uma vez um trabalho ótimo dos vocais.

"Welcome to The End" - Temos uma faixa mais focada na beleza estética do que na agressividade ou técnica. E é uma das mais acessíveis, com melodias muito bonitas, belas guitarras e um trabalho ótimo dos vocais. É ouvir e ficar preso à banda.

"Extinction Level Event" - Técnica e azeda, esta é uma música cheia de elementos densos e sombrios, uma vez que o tema é bem pesado. Mas ao mesmo tempo, o lado técnico da banda é bem exigido, em especial da base rítmica, que mostra uma dose extra de peso, mas sempre com boa técnica.

"Through the Invisible Horizons" - Muito peso e técnica Prog, mas ao mesmo tempo, há uma preocupação em não exagerar nas firulas, em focar na banda como um todo. E funciona muito bem, alternando peso, agressividade e melodia nas devidas doses, com alguns backing vocals à lá QUEEN em alguns momentos.

Acertaram em cheio, mostrando que o PERC3PTION está no páreo para encarar quem quer que seja por seu lugar ao sol, seja no Brasil ou fora dele!

Um dos melhores discos de 2016, sem dúvida alguma!

HIPERCUBO - Trem da Loucura (Álbum)


2016
Hurricane Records
Nacional

Nota: 8,5/10,0

Músicas:

1. Intro
2. Trem da Loucura
3. Gasolina
4. Dance
5. Encruzilhada
6. Helena
7. Azul
8. Loucos no Inferno
9. Meu Amor
10. Rock'n'Roll Bar
11. Noite de Sexo


Banda:


J. Kid - Vocais
Matt - Guitarras
Malamanson - Guitarras
Saul - Baixo
Dieison - Bateria


Contatos:



Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Cada região de nosso país tem algo diferente em termos de Metal e Rock para mostrar, uma característica inata dela que entra no trabalho musical de qualquer grupo. Podem reparar, há algo que difere as bandas em relação à sua origem, talvez devido às características culturais do estado.

Nisso, o Rio Grande do Sul tem longa e forte tradição, e as bandas do estado possuem uma dose a mais de peso e agressividade. É algo sensível, mesmo em bandas mais voltadas ao Hard Rock/Rock'n'Roll, gênero que o estado possui uma boa tradição, e assim, não fica difícil entender os motivos que tornam "Trem da Loucura" um disco tão legal de ouvir. Sim, o primeiro álbum quinteto HIPERCUBO, de Campo Bom, é um disco empolgante.

Transitando entre o Rock'n'Roll e o Hard Rock praticado por bandas como MOTLEY CRUE, ou seja, algo despojado, com boa dose de agressividade e sujeira, mas envolvente, com refrões de fácil assimilação e muita energia. A fórmula não é inédita, muito menos é complexa, mas nas mãos de quem sabe (como o grupo sabe), sempre rende bons frutos. Entrem e sentem-se, pois o "Trem da Loucura" já vai partir por uma viagem prazerosa, regada à sexo, álcool e muito Hard Rock!

O disco foi gravado no Hurricane Studio, em Porto Alegre, sob a tutela de Sebastian Carsin. Assim, podemos aferir que a qualidade sonora que o grupo mostra em "Trem da Loucura" é boa, com bons timbres e tudo em seu lugar devido. E como Hard Rock precisa ter uma boa clareza, ela está presente, nos permitindo entender os arranjos da banda. 

Além disso, Alexandre Machado criou uma arte para a capa bem divertida, com aquele claro toque de Rock'n'Roll, fora um layout bem feito.

É bom que se perceba que o HIPERCUBO tem uma proposta musical que é sedutora, fazendo sua música de forma bem arranjada, com uma instrumentação sólida e um trabalho bem legal dos vocais. Mas apesar do clima descompromissado, percebe-se que a banda arranja bem suas canções, capricha nos refrões, e usa de letras em português, justamente para que se tornem mais simples para o público acompanhar.

Melhores momentos:

"Trem da Loucura" - Pesada e melodiosa na dose certa, aqui fica clara a veia mais Rock'n'Roll da banda. Belo andamento, vocais bem encaixados, e um trabalho ótimo de baixo e bateria, digamos de passagem.

"Gasolina" - Um dos hits da banda. A canção aposta em um dueto feroz de guitarras, com riffs mais simples (mas efetivos), e uma dinâmica de tempos muito boa. E um refrão ótimo, daqueles que se ouve e logo se está acompanhando a banda.

"Dance" - Sabem aquela levada não tão veloz, baseada em um trabalho forte de baixo e bateria? Pois é, ela está presente aqui, fora um refrão muito bom, além de um trabalho muito forte dos vocais e dos backing vocals.

"Helena" - Uma canção bem ganchuda, que gruda que nem chiclete. O ritmo é empolgante, o trabalho de guitarras é ótimo, e mais uma vez um refrão excelente.

"Meu Amor" - Transitando entre o Hard e o Rock'n'Roll, é uma faixa com boa dose de peso, novamente com a cozinha rítmica do grupo fazendo uma base sólida e de bom nível técnico. 

"Rock'n'Roll Bar" - Esta transita entre o Rock'n'Roll sujo e o lado mais cru do Hard Rock, focando bastante no andamento não tão veloz, e no refrão grudento.

A banda é muito boa, e está bem acima da média. E antes de tudo, eles possuem um trabalho muito divertido, descompromissado, e por isso é tão agradável e empolgante.

Todos a bordo desse trem do Rock'n'Roll, e boa diversão!

Em tempo: após o lançamento do álbum, o guitarrista Matt saiu da banda, entrando em seu lugar Roger (do ERIDANUS).

16 de set. de 2016

AS DRAMATIC HOMAGE - Enlighten (EP)



2016
Nacional

Nota: 9,0/10,0


Músicas:

1. Advert
2. Astral Infernal
3. Praxis
4. Enlighten
5. Full Moon Madness


Banda:


Alexandre Pontes - Vocais, guitarras, programmings
Alexandre Carreiro - Guitarras, guitarra solo
Leonardo Silva - Teclados
Vinicius Rodrigues - Bateria


Contatos:



Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Em termos de Metal nacional, todos os dias bandas novas surgem nesta Terra de Santa Cruz. Não há como negar este fato. Mas por outro lado, nomes de veteranos vez por outra aparecem mais uma vez, mostrando que estão em atividade, e dispostos a conquistarem seu lugar ao Sol na base da música. Nesse contexto, o Rio de Janeiro sempre foi um celeiro de bandas diferenciadas, muitas delas em sintonia com as tendências em evidência no exterior. 

E um dos nomes mais tradicionais do cenário carioca é o AS DRAMATIC HOMAGE, banda que ao longo de seus mais de 15 anos de existência soube evoluir, mas mantendo sua fidelidade às raízes do Avant-garde Metal que pratica. E depois de lançar dois Demo-CDs e seu primeiro álbum em 2012, o aclamado "Crown", lança seu novo EP, "Enlighten".

O que "Enlighten" nos trás?

A verdade é que a banda estabilizou sua formação como quarteto, e vemos que o gênero que trilham é um mix inteligente e pessoal de influências de bandas de Doom Metal clássicas, mais a energia de tendências extremas, e a força de bandas inovadoras como BORKNAGAR e ARCTURUS. Ou seja, é intenso, pesado, agressivo na medida certa, mas ao mesmo tempo, diferenciado e com momentos de pura beleza. 

Gravado no HCS Studio no Rio de Janeiro, tendo a produção, mixagem e masterização da própria banda, temos uma sonoridade bem feita, com cada instrumento em seu devido lugar, além do equilíbrio entre peso, melodia, agressividade e clareza estarem em ótimo nível. E vale salientar que quem gravou as partes de baixo do EP foi Fabiano Medeiros, músico convidado.

O trabalho gráfico da capa é cheio de uma simbologia subjetiva interessante, e que está plenamente em sintonia com o conteúdo musical do EP e com a proposta musical/lírica do AS DRAMATIC HOMAGE.

Composto por uma regravação, um cover e duas músicas mais atuais (a faixa "Advent" é uma introdução), percebe-se que "Enlighten" visa fazer uma ponte de ligação entre o passado da banda, o álbum "Crown" e o futuro que ainda virá. Mas é preciso ressaltar que o quarteto faz um trabalho longe de ser convencional, longe de ser comum ou repetitivo. 

As linhas melódicas do grupo são belas e com elementos progressivos/Avant-garde que estão longe da complexidade técnica que muitos esperam, e ao mesmo tempo não são simples. Arranjos ótimos, vocais que oscilam entre timbres agressivos e outros mais limpos, teclados muito bem encaixados, e base rítmica com boa dose de peso e técnica é o cerne do trabalho do quarteto, mas isso lhes permite infinitas possibilidades musicais. E isso, meus caros, eles sabem explorar muito bem.

"Advert" - Uma introdução bem soturna e climática, preparando o ouvinte para o desafio que virá.

"Astral Infernal" - Por ser uma música mais antiga da banda (vem do Demo CD "Atmosphere of Pain/Anthems of Hate", de 2005), apesar da roupagem atualizada, é mais seca e agressiva. Mas mesmo assim, existem momentos extremamente cheios de beleza ímpar, como as incursões de vocais limpos e belos teclados.

"Praxis" - Introspectiva e focada em guitarras limpas e vocais melodiosos, ela nos lembra bastante algo próximo ao que ARCTURUS e ULVER já fizeram. Mas o diferencial é a busca pelo belo em termos musicais/artísticos, e eles conseguem atingir seu objetivo. È onde vemos o que o futuro guarda para a banda.

"Enlighten" - Talvez seja faixa que vai deixar muitos dos ouvintes perplexos, pois ela junta o lado agressivo do grupo (algo que vem de suas raízes) com o Avant-Garde do futuro que está chegando. Existem belos momentos da base rítmica, uma riqueza de riffs muito boa, os vocais oscilando entre timbres rasgados e outros mais macios, solos de guitarra caprichados. E como dito acima: não é uma faixa complexa em termos técnicos, mas seus elementos são capazes de fazer a maioria dos fãs terem que ouvir muitas vezes para compreendê-la. E cada ouvida nova é uma experiência nova e bela.

"Full Moon Madness" - Aqui, temos a versão para um clássico do MOONSPELL que foi gravado para o tributo "Em Nome do Medo", lançado em 2014. A banda soube respeitar a música original, mas impõe sua personalidade, seu jeito de ser, criando ótimos momentos para nossas mentes e ouvidos.

Resumindo: "Enlighten" não veio para mostrar que o grupo está vivo, mas para mostrar para todos que o AS DRAMATIC HOMAGE ainda tem muito a dar ao cenário nacional. E não é a toa que foram escolhidos como "opening act" para o show do ROTTING CHRIST no Rio de Janeiro, em novembro próximo.

Quem viver, verá.

E a versão digital do EP já se encontra disponível, distribuída pela Cold Arts Industry no seguinte link: https://coldartindustry.bandcamp.com/album/cold008-as-dramatic-homage-enlighten-ep-2016

SPELL FOREST - Amentia Ludibrium Tenebris (álbum)



2016
Nacional

Nota: 9,5/10,0

Músicas:

1. O Poder Invisível do Caminho Pervertido
2. Amentia Ludibrium Tenebris
3. My Call of Hate 
4. Per Triangulum Autem Serpentis Nefarium
5. My Insanity Becomes Wisdom
6. Belial Dominus Deorum


Banda:

Lord Mephyr - Vocais, guitarras, teclados
Flagellum - Guitarras
Lord Morpheus - Baixo
Pestiferat XIII - Bateria, percussão


Contatos:


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Como é sabido por todos quando o assunto é Black Metal, o Brasil é um dos países onde o estilo é feito de uma maneira diferente, mesmo com a influência musical vinda da Europa. Aqui, o Black Metal ganha contornos diferenciados, com toques ou de outros estilos de Metal ou com a energia e acentuado toque latino nas linhas melódicas. Isso transforma e adapta um gênero ao público de nosso país.

E com certeza, um dos nomes mais fortes do país é o do SPELL FOREST, experiente grupo de São Paulo, e que retorna com o ótimo "Amentia Ludibrium Tenebris", que a Drakkar Productions acaba de pôr nas prateleiras das lojas.

De certa forma, o grupo preferiu fazer algo um pouco mais climático e voltado às raízes do Black Metal, ou seja, ainda continua criativo e com muitas mudanças rítmicas, mas a atmosfera do álbum como um todo é soturna, densa e cheia de momentos sombrios. Algo que retoma o que a banda fazia em seus trabalhos iniciais, mas sem negar a experiência acumulada pelos anos, logo, é um disco bem tradicional em termos de Black Metal, mas muito criativo e melodioso.

Tendo a produção dividida por Lord Mephyr (vocalista, guitarrista e tecladista da banda) e Fabiano Penna (do REBAELLIUN), mais a mixagem de David Castillo, a sonoridade de "Amentia Ludibrium Tenebris" é seca, com timbres cortantes, ou seja, mantém aquela qualidade característica do Black Metal. Mas ao mesmo tempo, foi bem cuidada, permitindo que o ouvinte compreenda bem o que o quarteto está fazendo.

O trabalho gráfico, por sua vez, ficou de primeira, com tudo trabalhado em tons de preto, marrom e amarelo, dando uma visualização sinistra ao que a banda faz musicalmente. Ou seja, a arte visual feita por Rubens Snitram (da Azoth Artwork) se encaixou perfeitamente na música do SPELL FOREST.

Apesar de voltado ao trabalho que conhecemos da SWOBM, o SPELL FOREST não nega sua experiência ou mesmo sua capacidade de criar músicas diferenciadas, com arranjos de qualidade que são capazes de surpreender até mesmo os detratores do Black Metal. Arranjos de primeira, boa dinâmica entre guitarras e teclados (criando aquela aura sinistra e mórbida tão característica da banda), baixo e bateria sabendo criar momentos diferenciados nos tempos, e vocais rasgados bem tradicionais são os elementos da banda, que unidos, criam algo fenomenal.

Usando de canções longas, os melhores momentos do disco são:

"O Poder Invisível do Caminho Pervertido" - é uma introdução bem climática e soturna, capaz de deixar os fãs arrepiados.

"Amentia Ludibrium Tenebris" - Uma música agressiva e ríspida, cheia de mudanças de andamento (o que mostra como a base rítmica da banda é técnica e coesa), mais um trabalho excelente dos teclados (que com suas intervenções providenciais ajudam a reforçar a atmosfera opressiva da canção). 

"My Call of Hate" - Mais uma vez, a agressividade é a tônica da música, mas o andamento não é tão veloz, embora bastante variado. E ela é cheia de passagens que nos empolgam, que nossos ouvidos captam e não esquecem mais, especialmente porque os trabalhos das guitarras e vocais estão de primeira linha.

"Per Triangulum Autem Serpentis Nefarium" - A banda usa uma pegada bem tradicional, onde mesmo os momentos mais rápidos estão próximos ao que a SWOBM ostentava em seu início. Mas o nível técnica é muito bom, mais uma vez se destacando o trabalho de primeira das guitarras em riffs sinistros à lá Euronymous.

"My Insanity Becomes Wisdom" - Aqui, impera aquele feeling melancólico e opressivo em meio a arranjos mais rápidos, mas com boas intervenções das guitarras, criando aquela aura macabra que o Black Metal brasileiro oferece sempre. Reparem que a dinâmica dos andamentos é fenomenal mais uma vez, indo de momentos bem velozes para outros mais soturnos sem pudor algum. E sempre muito criativo, especialmente porque baixo e bateria mais uma vez se destacam.

"Belial Dominus Deorum" - A velocidade dá espaço a uma música com enfoque mais cadenciado e arrastado. E isso cria algo ainda mais opressivo que antes, denso e climático, com a banda exibindo alguns momentos perfeitos nas guitarras, mas não se pode deixar de citar o quanto os vocais estão bem encaixados nessa música, que fecha o CD.

"Amentia Ludibrium Tenebris" é um ótimo CD, sem sombra de dúvidas, e existe em duas versões: a jewelcase e a edição Digipack (que é linda) em número bem limitado.

Corram logo, antes que acabem, pois este disco merece!

IMPERATIVE MUSIC Vol. XII (coletânea)


2016
Nacional

Nota: 8,5/10,0

Músicas:

1. ALICE IN HELL (Japão) - Time to Die
2. INFACT (Luxemburgo) - Change My Name
3. CAVERA (Brasil) - Controlled By My Hands 
5. NIHILO (Suíça) - On the Brink
6. STATUE OF DEMUR (Canadá) - Hot to Trot
7. DARCRY (Japão) - Cry of Despair
8. DEATH CHAOS (Brasil) - Atrocity on the Peaceful Fields
9. THE HOLY PARIAH (EUA) - No Forever
10. TRIBAL (Brasil) - Broken
11. HIDE BOUND (Japão) - Eden Kew
12. PHANTASMAL (EUA) - Specter of Death
13. BASTTARDOS (Brasil) - Exilados
14. METANIUM (EUA) - Resistiendo
15. THE WILD CHILD (Itália) - You and the Snow
16. ARMED CLOUD (Holanda) - Jealousy With a Halo
17. EDUARDO LIRA (Brasil) - The Edge
18. GODVLAD (Portugal) - Game of Shadows


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


E mais uma vez, temos em mãos uma coletânea com várias bandas. 

Dessa vez, é o décimo segundo volume da "Imperative Musis", uma compilação que já se tornou tradicional no meio, cujo enfoque é ter sempre o trabalho de bandas brasileiras junto com de bandas do underground mundial. E esta é uma idéia diferente, e muito bem vinda, mesmo em tempos onde uma grande parte do público esteja entregue ao download ilegal.

Voltando ao disco: desta vez, bem como no volume anterior, não existe nenhum nome gigante. O lado positivo é que a atenção do ouvinte não se foca em apenas uma ou duas bandas, podendo assim se dar o trabalho de ouvir e escolher aquelas que mais se adaptam ao gosto pessoal de cada um. 

Em termos de produção sonora, como quase todas as coletâneas conhecidas, o nível de gravação muda de um grupo para o outro, já que além de cada um deles ceder uma música gravada e já presente em algum trabalho já lançado (ou não), cada um ainda tem sua própria forma de fazer sua música e a idéia de como ele deve soar. Mas mesmo assim, a masterização feita no Slab Sound Studio, na França, deu uma uniformizada na sonoridade, sem obliterar a personalidade de cada grupo.

O nível das bandas é muito bom, mas destacamos as seguintes: a força Thrash agressiva e crua do ALICE IN HELL (Japão) em "Time to Die" (tem aquele jeitão KREATOR de ser, mas muito bem feito, e com uma insana saraivada de riffs), a fúria melodiosa do INFACT (Luxemburgo) que permeia "Change My Name" (embora existam momentos melodiosos muito interessantes), a força moderna do AS DO THEY FALL (Brasil) em "Burn", a brutalidade Death/Thrash Metal do NIHILO (Suíça) em "On the Brink", o destruidor de ouvidos DEATH CHAOS (Brasil) em "Atrocity on the Peaceful Fields" (já enfocado no Metal Samsara na resenha de seu EP de estréia, e aqui, arrasam mais uma vez, com uma faixa intensa e explosiva), o Death Metal bruto e melodioso do HIDE BOUND (Japão) "Eden Kew" (com vocais urrados bem diferentes do usual, bom nível técnico de bateria, e um ataque furioso das guitarras, com riffs intensos e solos cheios de boas melodias), o Thrash mais Old School do PHANTASMAL (EUA) em "Specter of Death" (muito legal ver uma banda que consegue pegar um estilo antigo e dar uma cara nova ao mesmo sem pudores de ser criativo), o Rock sujo e variado do BASTTARDOS (Brasil) com "Exilados" (mais um que busca ser diferente e criativo, usando um "outfit" melodioso e cheio de influências modernas no meio da sujeira despojada e empolgante), o Heavy Metal melodioso e cheio de influências do Hard clássico apresentado pelo THE WILD CHILD (Itália) em "You and the Snow", o lado mais melodioso e sinfônico do Metal dado pelo ARMED CLOUD (Holanda) em "Jealousy With a Halo" (belo trabalho dos vocais, diga-se de passagem, em uma música diversificada e cheia de momentos ótimos), as lindas melodias impressas pelo trabalho de EDUARDO LIRA (Brasil) em "The Edge" (uma faixa instrumental de primeira, onde a técnica do guitarrista é focada em criar uma ótima música, não uma exibição de ego), e a beleza melodiosa e moderna do GODVLAD (Portugal) apresentada em "Game of Shadows". Mas que fique claro: o trabalho de STATUE OF DEMUR (Canadá), DARCRY (Japão), THE HOLY PARIAH (EUA), TRIBAL (Brasil) e METANIUM (EUA) também são muito bons, merecendo aplausos.

Apesar da ausência de grandes nomes, este é um dos melhores versões da "IMperative Music", então, pode comprar com a certeza que vai gostar.

Parabéns à Imperative Music por mais uma ótima empreitada.

15 de set. de 2016

PATRICK PEDROSO - Labyrinth (Álbum)



2016
Independente
Nacional

Nota: 8,0/10,0


Músicas:

1. New Ways
2. Rage of the Storm
3. Only Ashes
4. Revolution
5. New Days
6. Some Creations
7. The New World Was Born
8. Inspiration
9. Visions of Time
10. Sounds of Mind
11. Freedom


Banda:


Patrick Pedroso - Guitarras
Marcos Janowitz - Baixo
Jarlisson Jaty - Bateria


Contatos:

Roadie Metal (Assessoria de Imprensa)

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O virtuosismo nas seis cordas que surgiu nos EUA na primeira metade dos anos 80, ganhou força na segunda e é aceito no mundo todo (até por aqueles que não tocam instrumento algum) tem alguns adeptos notáveis no Brasil. Falar do talento deles é chover no molhado, e ouvir um disco como "Labyrinth", do guitarrista PATRICK PEDROSO, é de fazer os sentidos chorarem de pura emoção.

Antes de tudo, é preciso dizer que "Labyrinth" é um disco instrumental, logo, o enfoque é mesmo no trabalho da guitarra. Mas diferente de muitos, Patrick prefere que sua técnica virtuosa expresse o sentimento das canções, e não que se exibam em uma mostra de auto-indulgência chata. Não, aqui, a técnica é sóbria, e é conseqüência das músicas, não a motivação por trás delas. As linhas melodiosas são respeitadas, e assim, o disco mostra algo semelhante ao que ouvimos em discos de JOE SATRIANI: a técnica servindo ao feeling, e não o oposto.

Produzido por Marcos Janowitz (baixista do trio) e pelo próprio Patrick, a sonoridade que o disco apresenta é muito boa, clara para que entendamos tudo que o guitarrista deseja expressar com suas canções. Mas óbvio que o peso é evidente, aquela dose de agressividade que distingue um disco de Rock de outro de Pop, logo, não há o que reclamar da qualidade sonora.

O disco é ótimo, e mostrando que a idéia principal de "Labyrinth" não é ser um disco orientado para guitarristas apenas, temos as participações do próprio Bruno e de Karim Serri em alguns solos, de Jailson Danielli nos violões, e de Anghelo Rodrigues nos teclados, logo, o disco soa ótimo em termos de composição, com músicas de primeira.

Apesar de ser bem homogêneo, podemos dizer que os melhores momentos do CD são: a pesada e variada "Rage of the Storm" (que apesar de ser bem agressiva, mostra alguns momentos mais introspectivos e versáteis, cheios de beleza), a raivosa "Only Ashes" (baixo e bateria mostram-se bem entrosados e com boa técnica, mas sem que o brilho do trabalho das seis cordas seja obliterado. Existem boas mudanças de ritmo, e uma dinâmica enorme em termos de arranjos de guitarra), a belíssima e sensível "New Days" (é uma música mais lenta, com ótimos arranjos das guitarras, em especial os fraseados bem feitos), a arrasadora e acessível "Some Creations" (é incrível ver a dinâmica de baixo e bateria com a guitarra, que exibe solos de primeira), a mais voltada ao Fusion Rock "The New World Was Born", a terna e envolvente "Inspiration", e "Sounds of Mind" e sua grande influência de música clássica.

"Labyrinth" é uma ótima estréia, e esperamos mais de Patrick, que se mostra mais um grande monstro das seis cordas.

DIABOLICAL TYRANTS - A Glimpse ov the Profane (EP)



2016
Independente
Nacional

Nota: 8,5/10,0


Músicas:

1. A Glimpse ov the Profane
2. Seere
3. Strength, Honor and Glory


Banda:


Consemptius Tenebrarum - Vocais
Ares - Guitarras
Frater Prophanous - Baixo, backing vocals 
Infernus - Bateria


Contatos:


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O Black Metal é um dos gêneros do Metal mais cheio de polêmicas, verdade seja dita. Mas ao mesmo tempo, não há como negar a qualidade dos trabalhos feitos dentro do gênero, bem como a criatividade que o estilo possui. E em termos de Brasil, quando um estilo que permite tantos experimentalismos se encontra com o jeito latino que o brasileiro tem em seu sangue para música, em geral, o resultado é o mais positivo possível.

E digamos de passagem: o trabalho do quarteto DIABOLICAL TYRANTS, de Uberlândia (uma cidade com forte histórico em termos de Metal) é de primeira linha, bem melhor que muitas bandas já consagradas do gênero e que andam vivendo do nome. Que o diga o primeiro trabalho deles, o EP "A Glimpse ov the Profane", que foi lançado em 2015.

A música da banda não se permite outro rótulo que não seja Black Metal. Mas isso não quer dizer que a música da banda seja simples. De forma alguma, eles conseguem transitar por quase tudo que o Black Metal pode oferecer, mas sem perder a coesão ou objetivo. Há momentos com aquela velocidade mais tradicional do estilo, outros mais fúnebres e sinistros (adornados por aquela melodias cheias de melancolia), e sempre com boas mudanças de ritmo, arranjos bem pensados, e sem medo de ousar e descontentar alguns ouvintes mais radicais e chatos. Não, o grupo se impõe, e sua música é cheia de energia, mórbida e fascinante.

"A Glimpse ov the Profane" foi gravado no próprio homestudio da banda, mas os trabalhos de mixagem e masterização ficaram nas mãos de Felipe Eregion (ex-vocalista/guitarrista do UNEARTHLY), que fez um trabalho de primeira. Ou seja, sem deixar de soar como uma banda de Black Metal (ou seja, existe aquela crueza obrigatória do gênero), tem uma qualidade diferenciada, mais seca e agressiva, mas ao mesmo tempo, clara, nos permitindo compreender o que o quarteto está fazendo.

A parte gráfica é um trabalho muito legal de Getúlio Faria (do Studio Vision Art), que deu ao formato papersleeve triplo usado um toque de classe e obscuridade. 

O grupo usa de faixas longas, pois assim se permite mostrar o quanto sabem ser diversificados e fugir do marasmo musical que assola todos os gêneros do Metal atualmente. E justamente por fugirem de fórmulas, o grupo é capaz de lançar mão de tantos elementos ao mesmo tempo, sendo que tudo está de primeira. E o mais legal: a banda usa bastante de solos de guitarras, ou seja, possuem personalidade bem forte.

"Infant Sorrow Prelude" - Em seus mais de sete minutos de duração, o grupo mostra um trabalho um pouco mais tradicional em termos de Black Metal, algo próximo aos pioneiros da SWOBM lá do início dos anos 90, mas mesmo assim, os momentos mais lentos e soturnos vão surgindo e transformando a audição em algo prazeroso aos ouvidos. Destaque para o trabalho de baixo e bateria, que estão muito bons.

"Seere" - Uma faixa permeada de uma atmosfera densa e mórbida, onde linhas melodiosas nas guitarras surgem e nos cativam nos primeiros momentos da audição. E reparem que, como dito antes, os solos são presentes. Nem mesmo quando os vocais rasgados aparecem, a aura soturna é quebrada. E embora o ritmo seja cadenciado, existem mudanças de tempo ótimas.

"Strength, Honor and Glory" - O começo é suave, com guitarras limpas bem melodiosas, criando aquela atmosfera melancólica e depressiva. A música alterna momentos assim com outros mais agressivos, mas mantendo o ritmo mais lento e azedo, sem perder a noção de morbidez sonora. E os vocais mostram um trabalho muito bom. São mais de dez minutos de puro prazer sombrio em forma de música.

Fica claro para o ouvinte que o DIABOLICAL TYRANTS pode oferecer ainda mais em termos musicais, e assim, tem tudo para ser um dos grandes nomes do gênero no Brasil.

Ouçam, comprem o EP e percebam como o Brasil tem bandas excelentes!

DOLORES DOLORES - ID Superpower (Álbum)



2014
Independente
Nacional

Nota: 8,5/10,0


Músicas:

1. Infant Sorrow Prelude
2. Confused
3. Behind the Hills
4. Crystal Ball
5. Perfect Man
6. Nothing to Lose
7. Waiting for a Train
8. Mama Technology
9. I Was Wrong
10. In Spite of Me
11. Time to Confess
12. Dramatic Lover
13. Infant Sorrow


Banda:

Willie Muries - Vocais
Humberto Maldonado - Guitarras
Rodrigo Cordeiro - Baixo
Alessandro Bagni - Bateria


Contatos:

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Roadie Metal (Assessoria de Imprensa)

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


E mais uma vez, um disco nos chega atrasado para uma resenha. Mas não tem problema, já que boa música não é erodida pelo tempo, apenas se torna cada vez mais prazerosa de ser ouvida. E podem ter certeza: o DOLORES DOLORES, de Belo Horizonte (MG) é daquelas bandas que ouvimos hoje, amanhã, e daqui a dez ou 20 anos, e a sensação de prazer que sua música dá é perene. Que o diga o segundo CD da banda, "ID Superpower".

Não se pode fixar o trabalho do quarteto em um único estilo dentro do Rock, já que temos a presença de influências e elementos variados dentro de sua música: Notadamente, seria um Hard Rock clássico com muita influência de Rock Pop, alguns toques de Blues aqui, uma influência de Rock dos anos 70 ali, e assim vai. E a banda capricha, não sendo cansativa aos ouvidos em momentos algum, trazendo uma experiência bem diferente em sua música espontânea e cheia de energia.

Gravado no Estúdio Solo, tendo a produção do guitarrista Humberto Maldonado, e com mixagem e masterização feitas por Rodrigo Aires Grillo, temos como resultado uma qualidade musical orgânica, densa e bem feita, com cada arranjo audível aos nossos ouvidos, e os instrumentos estão com timbres bem próximos do que a banda faz ao vivo, sem se preocupar demais com uma superprodução. 

Espontâneo, livre de rótulos musicais ou de pretensões, a música do DOLORES DOLORES funciona muito bem, nos envolvendo com suas melodias bem feitas, com os arranjos encaixando perfeitamente com cada passagem rítmica. E assim, o grupo nos seduz.

Melhores momentos: a pesada e insinuante "Confused" e suas guitarras de primeira (sem falar no ótimo trabalho de baixo e bateria), as melodiosas e modernas "Behind the Hills" (é incrível como o lado mais pesado se encontra com a acessibilidade musical para criar uma canção tão envolvente, principalmente porque os vocais estão bem e existem passagens ótimas de teclado) e "Crystal Ball" (que tem o maior enfoque na guitarra, embora a acessibilidade musical esteja presente), a força moderna e intensa da pesada "Perfect Man" (novamente, arranjos mais modernos surgem em meio às melodias do grupo, mas alguns backing vocals e corais parecem herdados do Rock Progressivo anos 70), a grooveada e azeda "Mama Technology" (aquele groove do Hard/Blues dos anos 70, mas é pesada, embora existam toques mais limpos e belos, focando bastante no trabalho das guitarras), e a belíssima balada "In Spite of Me" (recheada por toques mais Pop em alguns momentos, mas é permeada por arranjos lindos de guitarra, vocais macios de primeira, e um trabalho ótimo de baixo e bateria). Mas o disco como um todo é muito bom.

Ouçam "ID Superpower", e deixem que o DOLORES DOLORES os guiem pelos divertidos caminhos do Rock'n'Roll descompromissado.