15 de set de 2016

DIABOLICAL TYRANTS - A Glimpse ov the Profane (EP)



2016
Independente
Nacional

Nota: 8,5/10,0


Músicas:

1. A Glimpse ov the Profane
2. Seere
3. Strength, Honor and Glory


Banda:


Consemptius Tenebrarum - Vocais
Ares - Guitarras
Frater Prophanous - Baixo, backing vocals 
Infernus - Bateria


Contatos:


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O Black Metal é um dos gêneros do Metal mais cheio de polêmicas, verdade seja dita. Mas ao mesmo tempo, não há como negar a qualidade dos trabalhos feitos dentro do gênero, bem como a criatividade que o estilo possui. E em termos de Brasil, quando um estilo que permite tantos experimentalismos se encontra com o jeito latino que o brasileiro tem em seu sangue para música, em geral, o resultado é o mais positivo possível.

E digamos de passagem: o trabalho do quarteto DIABOLICAL TYRANTS, de Uberlândia (uma cidade com forte histórico em termos de Metal) é de primeira linha, bem melhor que muitas bandas já consagradas do gênero e que andam vivendo do nome. Que o diga o primeiro trabalho deles, o EP "A Glimpse ov the Profane", que foi lançado em 2015.

A música da banda não se permite outro rótulo que não seja Black Metal. Mas isso não quer dizer que a música da banda seja simples. De forma alguma, eles conseguem transitar por quase tudo que o Black Metal pode oferecer, mas sem perder a coesão ou objetivo. Há momentos com aquela velocidade mais tradicional do estilo, outros mais fúnebres e sinistros (adornados por aquela melodias cheias de melancolia), e sempre com boas mudanças de ritmo, arranjos bem pensados, e sem medo de ousar e descontentar alguns ouvintes mais radicais e chatos. Não, o grupo se impõe, e sua música é cheia de energia, mórbida e fascinante.

"A Glimpse ov the Profane" foi gravado no próprio homestudio da banda, mas os trabalhos de mixagem e masterização ficaram nas mãos de Felipe Eregion (ex-vocalista/guitarrista do UNEARTHLY), que fez um trabalho de primeira. Ou seja, sem deixar de soar como uma banda de Black Metal (ou seja, existe aquela crueza obrigatória do gênero), tem uma qualidade diferenciada, mais seca e agressiva, mas ao mesmo tempo, clara, nos permitindo compreender o que o quarteto está fazendo.

A parte gráfica é um trabalho muito legal de Getúlio Faria (do Studio Vision Art), que deu ao formato papersleeve triplo usado um toque de classe e obscuridade. 

O grupo usa de faixas longas, pois assim se permite mostrar o quanto sabem ser diversificados e fugir do marasmo musical que assola todos os gêneros do Metal atualmente. E justamente por fugirem de fórmulas, o grupo é capaz de lançar mão de tantos elementos ao mesmo tempo, sendo que tudo está de primeira. E o mais legal: a banda usa bastante de solos de guitarras, ou seja, possuem personalidade bem forte.

"Infant Sorrow Prelude" - Em seus mais de sete minutos de duração, o grupo mostra um trabalho um pouco mais tradicional em termos de Black Metal, algo próximo aos pioneiros da SWOBM lá do início dos anos 90, mas mesmo assim, os momentos mais lentos e soturnos vão surgindo e transformando a audição em algo prazeroso aos ouvidos. Destaque para o trabalho de baixo e bateria, que estão muito bons.

"Seere" - Uma faixa permeada de uma atmosfera densa e mórbida, onde linhas melodiosas nas guitarras surgem e nos cativam nos primeiros momentos da audição. E reparem que, como dito antes, os solos são presentes. Nem mesmo quando os vocais rasgados aparecem, a aura soturna é quebrada. E embora o ritmo seja cadenciado, existem mudanças de tempo ótimas.

"Strength, Honor and Glory" - O começo é suave, com guitarras limpas bem melodiosas, criando aquela atmosfera melancólica e depressiva. A música alterna momentos assim com outros mais agressivos, mas mantendo o ritmo mais lento e azedo, sem perder a noção de morbidez sonora. E os vocais mostram um trabalho muito bom. São mais de dez minutos de puro prazer sombrio em forma de música.

Fica claro para o ouvinte que o DIABOLICAL TYRANTS pode oferecer ainda mais em termos musicais, e assim, tem tudo para ser um dos grandes nomes do gênero no Brasil.

Ouçam, comprem o EP e percebam como o Brasil tem bandas excelentes!

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