A edição #219 (abril, 2017) da revista ROADIE CREW, que estará nas bancas de todo o Brasil até o dia 10 de abril, traz em sua matéria de capa King Diamond. O vocalista dinamarquês falou sobre os 30 anos de "Abigail" e sobre a turnê que passará pelo Brasil, além de detalhes do próximo disco de estúdio e o acordo que fez com o diabo por um pouco mais de vida e voz. "Nós nunca soamos tão bem ao vivo e também nunca tivemos uma presença de palco tão boa. Essa é a hora certa para nos ver", comentou.
Entrevistas:
King Diamond
Overkill
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Rhapsody
In Flames
The Dead Dasies
Krokus
Rebaelliun
Ancesttral
Traumer
Lancer
Twilight Force
Seções:
Cenário: Hylidae, Mattilha, Hevilan, Rebotte, Bestial, Palace, AntropomorphiA e Nails
Blind Ear: Dan Beehler (Exciter)
Collection: TNT
Background: Marduk
Eternal Idols: Rick Parfitt (Status Quo)
Playlist: Alex Vorhees (Imago Mortis)
Profile: Tarja Turunen
Hidden Tracks: Averse Sefira
ClassiCrew 67: Cream
ClassiCrew 77: Ted Nugent
ClassiCrew 97: Emperor
Live Evil: Ace Frehley, Lacuna Coil
Pôster: Tygers Of Pan Tang (Spellbound)
Colunas: Backspage, Brotherhood, Stay Heavy, It's Only Rock'n'Roll e Campo de Batalha
A Bahia sempre revelou ótimos e famosos nomes no cenário nacional do Heavy Metal. Bandas como MALEFACTOR, HEADHUNTER D.C. e THE CROSS são conhecidas fora de seu estado (e mesmo do Brasil) graças a seus trabalhos de primeira linha. E agora, eis que o veterano quinteto DREARYLANDS, de Salvador, se lança de braços abertos, com muita disposição para buscar seu lugar ao sol com o EP “No Poetry Lasts”.
Aqui, a banda mostra seu forte e vigoroso Metal tradicional, com doses generosas e homeopáticas de peso e melodia, técnica sóbria, e muita força nas composições. Mas apesar de soar espontâneo, as canções foram feitas com esmero, e transitam entre influências como MANOWAR (devido ao peso) e NWOBHM (em especial, IRON MAIDEN e um pouco de SAXON). Apesar de não ser nada de novo (como se precisasse ser assim), o grupo apresenta um trabalho honesto, feito com o coração, e honesto até a alma.
A produção e a mixagem foram feitas por Marcos Franco, Dan Loureiro e pelo próprio quinteto, enquanto Marcos e Dan fizeram a masterização. Apesar da qualidade sonora não ser a melhor possível (está um pouco crua além do necessário), é muito boa, com peso e clareza suficientes para que o trabalho do quinteto não soe sujo demais ou sem peso. E a arte de Rafael Syade é simples, mas tem uma mensagem reta e direta, e assim, atinge o objetivo.
Musicalmente, os quase 20 anos de experiência pesam bastante na questão de fazer música de primeira linha. Como dito anteriormente, é honesto, feito de coração e soa espontâneo, mas com músicas bem esmeradas, arranjos de primeira, com um trabalho ótimo das guitarras (riffs pegajosos e solos melodiosos), baixo e bateria formam uma base rítmica coesa e pesada (com momentos técnicos ótimos), e os vocais são muito bons, encaixando perfeitamente nas linhas instrumentais do grupo.
“No Poetry” é uma instrumental climática e introspectiva que vai preparando os ouvintes para “Collateral Damage”, que oscila entre o agressivo e o melodioso, mas sempre com boa dose de peso e um trabalho ótimo das guitarras (riffs de primeira e solos caprichados), seguida pela mais técnica e intensa “Addiction to War”, onde certa atmosfera mais melancólica surge de forma natural, e onde baixo e bateria estão fazendo um trabalho ótimo, com boa técnica e backing vocals muito bem encaixados. Em “Incerto Adeus”, cantada em português, é a típica semi-balada pesada e com ótimo refrão, e que belo trabalho de vocais e backing vocals. Mais agressiva e bruta é “Demophobia”, que chega a esbarrar no Thrash Metal em certos momentos, e assim as guitarras se destacam mais uma vez (e para quem não entendeu, “Demophobia” significa “medo do povo”, algo que os políticos possuem, já que passa a eleição, a maioria se comporta como prima donas). E o peso mais bem trabalhado e melodioso, cheio de boas harmonias, se ouve mais uma vez em “Learn to Fly” (outra boa atuação dos vocais), e na fogosa e cheia de energia “Lady Light” (onde baixo e bateria estão muito bem mais uma vez).
No mais, “No Poetry Lasts” é um ótimo EP, e esperemos que ele esteja antecedendo o próximo álbum do grupo.
As terras da Cidade “Maravilhosa”, conhecida por Rio de Janeiro, sempre foi muito boa na geração de nomes interessantes em termos de Metal. Do Hard Rock ao Black Metal, todos os estilos em que possa pensa possuem representantes nessa terra de Samba, futebol cerveja, tiroteios e carnaval. E o Thrash Metal sempre foi uma tradição na cidade desde os tempos em que o DORSAL ATLÂNTICA fazia os ouvidos alheios apitarem por horas. E o SAVANT, um veterano carioca bem experiente, é um ótimo nome, e que agora, depois de dez anos de espera, libera seu segundo álbum, “Serial Killers’ Tales”, um murro Thrasher nos cornos sem dó.
O grupo faz um Thrash Metal intenso e agressivo, mas com ótima noção melódica e excelente técnica, com claras influências da escola Thrasher norte-americana, em especial TESTAMENT, um pouco de SLAYER, e de bandas como OVERKILL, VIO-LENCE e FORBIDDEN. Nada de inovador, mas extremamente pessoal e cheio de energia, que nos toma de assalto nas primeiras audições sem esforços, tamanha energia e pegada da banda.
Gravado, mixado e masterizado por Sidney Sonh Jr., podemos dizer que a sonoridade de “Serial Killers’ Tales” é azeda e pesada, intensa e bem agressiva. Óbvio que o grupo mostra preocupação em manter certo nível de limpeza sonora para que o ouvinte possa compreender o que eles estão tocando. Está um pouco cru demais, mas está em um nível muito bom de qualidade.
A arte gráfica, por sua vez, é de Rafael Lipari. O objetivo é realmente se enquadrar na mensagem central das letras, e ao mesmo tempo, deixar claro como a banda soa em suas músicas. E eles, nessa arte simples, conseguiram, pois a diagramação do encarte deixa tudo muito claro.
O grupo realmente mostra evolução desde “No Hope”, seu primeiro álbum. Mesmo apostando no Thrash Metal descrito acima, o SAVANT soube se atualizar, soando como uma banda jovem, dispostos a não perder tempo. E suas músicas soam muito bem aos nossos ouvidos, com arranjos muito bons, deixando tudo mais dinâmico e longe de ser repetitivo.
O conteúdo lírico merece menção honrosa, pois há citações históricas. Fritz Haarmann (o famoso Vampiro de Hanover ou o Carniceiro de Hanover, retratado em “In the Eyes of a Butcher”, com uma contagem de mortos que trascende mais de 100 vítimas), Aileen Wuornos (uma prostituta assassina, a primeira mulher Serial Killer, inspiração para a letra de “Molested Whore”, com uma contagem de 6 mortos), Tsuotomu Miyazaki (assassino, estuprador e pedófilo de 4 meninas, citado nas letras de “Mishappen Earstern Geek”), Dr. Albert Fish (um pedófilo, masoquista, assassino em série e canibal norte-americano, também conhecido como o Lobisomem de Wysteria, Vampiro de Brooklyn, Papão e Homem Cinza, retratado em “The Gray Man”, cujos assassinatos chegam a 5, mas outros crimes graves tornam a contagem impossível de ser feita), Dr. Harold Shipman (suspeito da morte de 250 pacientes entre a década de 1970 e o final da década de 1990 por eutanásia, retratado em “Reaper of Pain!”), todos devidamente imortalizados nas letras do grupo, além do massacre e catequização dos índios Sul Americanos em “Colonizer”, e do Terceiro Anticristo de Nostradamus em “Third Antichrist”. Um deleite cultural em uma embalagem Thrash Metal.
E o álbum ainda tem as participações especiais de Frank "Blackfire" Gosdzik no solo de “The Gray Man”, Pedro Viana na guitarra base no
álbum todo e nos solos de “Serial Killer” e “Eyes of Butcher”, Daniel Escobar
nos solos de guitarra em “Mishappen Eastern Geek”, “Suicidal Premonition” e “Who
are the Serial Killers?”; Mili Redberyl na guitarra solo em “Who are the Serial
Killers?”, “Molested Whore”, “Reaper of Pain” e “Mishappen Eastern Geek”; além
de Luiz Syren nos backing vocals em “The Third Antichrist”, “The Gray Man” e “Suicidal
Premonition”.
Melhores momentos: a intensa e raivosa “Serial Killer” (cheia de mudanças de ritmos, dinâmica e agressiva de doer os dentes), a brutalidade quase Death Metal de “Eyes of Butcher” (ótimo trabalho de guitarras, com riffs cheios de energia, e solos muito bons), o Thrash Metal tradicional da Guanabara Bay Area ouvido em “Third Antichrist” (com um ritmo um pouco mais cadenciado, mas pulsando com uma energia agressiva, mostrando um trabalho ótimo de baixo e bateria), a cadência azeda dos riffs em “Mishappen Earstern Geek”, a força do refrão de “The Gray Man” (reparem como a banda faz arranjos ótimos, bem trabalhados, mas de fácil assimilação nas guitarras), a força amarga e lenta de “Molested Whore” (onde os vocais estão muito bem, se encaixando perfeitamente na base instrumental, em um rosnado em tons normais de voz), a pancadaria intensa nos dois bumbos de “Murderous Madam’s Family”, a força brutal de “Colonizer” (mais uma vez, as guitarras esbanjam riffs excelentes, mas o baixo mostra toques técnicos muito bons), e a lindas melodias que surgem em “Who are the Real Serial Killers?”.
No mais, o SAVANT retorna em grande performance, e “Serial Killers’ Tales” mostra que eles ainda têm espaço no meio, e não só no Rio de Janeiro!
Quem são os verdadeiros Serial Killers?
Em tempo: a formação já sofreu alterações após a gravação do CD.
Existem bandas que sempre terão uma legião de seguidores,
mesmo que nunca sejam sucessos no mainstream. Bandas cujos anos de atividade
criaram uma ligação íntima entre elas e seus fãs, tão forte que elas se
sustentam até os dias de hoje. Isso vem da fidelidade da banda a eles e à sua
própria música. São bandas como o OVERKILL, que mantém sempre um trabalho de
excelente qualidade, mesmo quando experimentam um pouco. E mantendo sua
fidelidade, o quinteto mais mal encarado e politicamente incorreto de Nova York
retorna com o triturador de ossos que tem por nome “The Grinding Wheel”, que a parceria
entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil possibilitou a chegada em
uma versão tupiniquim.
Agressivo, bruto e extremamente bruto, o Thrash Metal da
banda continua com aquela forte carga de Hardcore de Nova York que sempre foi
um de seus diferenciais. Não seria pecado algum chamar o quinteto de MOTORHEAD
do Thrash Metal. Ora mais veloz e cheio de energia, ora mais cadenciado e
bruto, o grupo continua fiel à suas raízes, mas sem soar repetitivo, sempre
sabendo se renovar e alcançar o público mais jovem, nem que seja na marra!
E meus caros, de raça, coragem e disposição, a gangue do
OVERKILL entende, e muito!
Em termos artísticos, o trabalho de Travis Smith ficou
ótimo, com uma capa icônica e encarte bem editorado, embora em uma forma
tradicional e simples. E isso tudo bem assentado em um Digipack muito bonito,
algo que a versão nacional é fiel.
Produzido pelo próprio grupo, e tendo mixagem e masterização
do já conhecido Andy Sneap, a qualidade sonora de “The Grinding Wheel” é realmente
bem clara e seca, ao ponto de cada um dos instrumentos musicais está claro e os
vocais agressivos como sempre. Mas o peso é evidenciado o disco todo, e a
agressividade é tanta chega a deixar os alto-falantes esgotados!
O OVERKILL se aprimorou em ser um grupo fiel à suas raízes,
sempre se mantendo agressivo e pesado enquanto muitos grupos buscam
alternativas mais melódicas para se manterem ativos. Com técnica musical na
medida, os vocais rasgados intensos de Bobby, os riffs e solos rasgados e bem
feitos de Dave e Derek, além do baixo trovejante de D. D. e da bateria bruta de
Ron, tudo isso fundido em altas energias formam uma música pessoal, ríspida e
de bom gosto. Graças a isso, pode-se dizer que “The Grinding Wheel” é um dos
melhores discos da banda.
Não tem como destacar essa ou aquela música, pois o capricho
nas composições deixou essa tarefa bem difícil. Mas por mero preciosismo, a trinca
raivosa formada por “Mean, Green, Killing Machine” (pesada, com andamento
mediano e esbanjando agressividade, com vocais excelentes), “Goddamn Trouble”
(grosseira e bruta, outra com o andamento não muito rápido, mas com uma energia
impressionante, além de baixo e bateria estarem esbanjando técnica) e a “Our
Finest Hour” (uma canção envolvente e intensa, com guitarras fulminantes e
ótimas mudanças de ritmo, além de um refrão memorável), além dos arregaços de “Shine
On” (mais peso furioso vindo da base rítmica, e mais uma vez eles rebuscam as
influências do HC nova-iorquino), as raçudas e dinâmicas “The Long Road” (backing
vocals de primeira, além de Bobby estar cantando em alta performance) e “Let’s
All Go to Hades”, o peso mais cadenciado e grosseiro de “Come Heavy”, a
velocidade intensa e pesada de “Red, White and Blue”, e a esmaga-átomos
chamadas “The Wheel” e “The Grinding Wheel” (esta mais cadenciada e bruta no
início, mais em certo momento, tome velocidade e riffs cavalares, uma
especialidade desses caras). E de presente, a versão nacional tem uma bela
faixa extra, “Emerald”, um cover do bom e velho THIN LIZZY, que aqui ganhou uma
roupagem mais personalizada nos moldes do OVERKILL, mas sem que o clima
melodioso original seja perdido, e onde Bobby canta de uma forma que lembra
bastante seu início de carreira.
Nem tem o que dizer: “The Grinding Wheel” já nasceu um dos
melhores discos do ano, sem sombra de dúvidas!
Para muitos, simples e Pop demais para ser tratada como uma banda de Rock Progressivo na essência do termo (muitos fãs puritanos do gênero sentiriam calafrios pela mera comparação), e musicalmente muito sofisticado e bem feito para os fãs de Pop (que nem são tão exigentes assim). Esta é a dualidade que sempre regeu a longa e vitoriosa carreira do grupo inglês MARILLION, mas que sempre rendeu discos do mais alto nível. Seja lá pelo que queiram chamar o quinteto, não se pode negar o quanto eles criaram músicas geniais nesses quase 40 anos de carreira. E para coroar a boa fase que a banda vive com a aclamação mundial de público e crítica de “Fuck Everyone and Run (F.E.A.R)” de 2016, eis que a banda lança seu sexto duplo ao vivo, “Marbles in the Park”. E digamos: é uma obra de arte em termos musicais, e que a Shinigami Records disponibilizou em versão brasileira.
No disco, a abordagem estilística do quinteto não guarda mistérios: ouvimos uma música mais introspectiva, melódica, mas forte, com claras influências do Rock Progressivo clássico e Folk, e sempre com arranjos musicais mais acessíveis aos fãs de música menos exigentes. Esta fórmula lhes custou críticas azedas nos anos 80 (sem contar o número de vezes que foram taxados como clone do GENESIS no passado). Mas esta mesmo equação vitoriosa fez com que o MARILLION se tornasse uma banda de sucesso inegável, que transcendeu o tempo e as fronteiras do Rock Progressivo, e cujo nome é reconhecido e adorado pelo mundo todo.
A gravação e mixagem do CD são de Michael Hunter, que soube captar perfeitamente a música da banda ao vivo e fazê-la soar tão bem aos ouvidos. O som intimista do grupo, executado de maneira perfeita, aparentemente não necessitou de ajustes em estúdio, logo, se tem a perfeita idéia de que a banda está diante de todos executando suas canções, e com uma qualidade invejável. Ou seja: a produção sonora de “Marbles in the Park” é perfeita, clara e bem acabada em todos os sentidos. Ao mesmo tempo, no que tange a parte gráfica, tudo está perfeito, com informações no encarte, capa muito bonita e fotos da apresentação escolhidas a dedo.
Outro fato a ser citado é que “Marbles in the Park” foi gravado durante o “Marillion Weekend” no Center Parcs, Port Zelande, na Holanda, no dia 21 de Março de 2015. Neste evento, que acontece a cada dois anos, o grupo costuma tocar um de seus discos na íntegra. Fica óbvio que este duplo é a gravação do CD “Marbles”, de 2004. Tudo bem, sabemos que este não é o disco mais icônico do grupo, mas ainda assim é uma jóia preciosa, que nos permite sentir que esta música belamente bem arranjada vai diretamente à mente e coração do ouvinte sem problemas, e nos seduz facilmente por suas melodias acessíveis.
O Neo Progressive Rock do quinteto (rótulo que deram a eles no exterior) é maravilhoso ao vivo, e não dá para não se sentir seduzido por canções como “The Invisible Man”, “Genie”, “Fantastic Place”, “The Only Unforgivable Thing”, “Ocean Cloud” ou “The Damage”, que estão no CD 1. E no CD 2, “Don’t Hurt Yourself”, “You’re Gone”, “Angelina”, “Drilling Holes”, “Neverland”, além das introduces instrumentais de nome “Marble” (que são quatro ao todo) são todas faixas indispensáveis, que vão nos conquistando, já que o MARILLION soa perfeito como um todo, sem espaços para individualidades pessoais. E como apenas “Marbles” não daria para encher um CD duplo, eles ainda tocaram “Out of This World” e “King”, do álbum “Afraid of the Sunlight”, e “Sound That Can’t Be Made”, do álbum de mesmo nome, sem que elas soem desconexas da atmosfera musical de “Marbles in the Park”. E o público interage, bate palmas e canta com a banda. E sim, este CD duplo não nos permite pular uma ou outra faixa por conta da preciosidade de cada uma delas, ao mesmo em que não tem como destacar este ou aquele músico em evidência, já que o quinteto soa como uma unidade, cada um dos cinco músicos contribui em alto nível. E o material é tão bom, tão bem feito e abrangente que mesmo aqueles que não são fãs da banda irão adorar.
No mais, o MARILLION prova com “Marbles in the Park” que os críticos passam e muitas vezes são esquecidos, mas a boa música (como a que eles fazem) permanece para todo sempre. Ei, estão esperando o que? Já que tem a versão nacional por aí, corram, comprem as suas antes que esgotem!
O Metal brasileiro tem problemas de infraestrutura e mesmo o desdém dos fãs com as bandas nacionais. Mas como este autor já citou incontáveis vezes, o brasileiro de hoje ainda vive com a cabeça no período Brasil colônia, acreditando que tudo que é bom tem que vir de fora. Ou então, vive falando que tudo que já foi feito de bom, foi feito nos anos 80. No caso do primeiro pensamento, devo dizer que precisa sair e pensar fora da bolha; no segundo, eu me pergunto como podem estar no meio pensando assim, já a existência do cenário, se tudo de bom já foi feito, é totalmente dispensável. Mas ambas as formas de pensar são irreais, já que o Metal continua indo bem, forte e vigoroso, com bandas ótimas surgindo de todos os cantos do Brasil. E um ótimo exemplo é o quinteto ANEUROSE, de Lavras (MG), que vem detonando tudo e todos com “Juggernaut”, seu segundo álbum.
O grupo continua destilando o mesmo Thrash Metal de seu primeiro álbum, o ótimo “From Hell”, mas diferente. Se no primeiro tinha-se uma agressividade extrema e um trabalho um pouco mais direto, em “Juggernaut” se percebe que a banda deu uma melhorada em termos de arranjos e ganhou maior diversidade sonora. Ou seja: se não é tão bruto, está bem mais trabalhado e bem feito. Mas cuidado, pois a banda continua detonando tímpanos!
A banda trabalhou no Kólera Estúdio, tendo as mãos de Celo Oliveira na produção, mixagem e masterização do disco. E nisso, a banda ganhou uma formatação musical mais bem acabada e encorpada, e mais limpa. Mas não deixou de ser pesado e agressivo nas medidas certas, já que os trabalhos de Celo são sempre de alta qualidade.E a capa, feita pelo designer Marcus Lorenzet, é muito boa.
Há duas estreias na banda em “Juggernaut”: Frederico Ciociola na bateria e de Raphael Wagner nas guitarras. E talvez isso seja o fator determinante na evolução musical da banda, uma vez que a banda está mostrando uma técnica mais apurada, e o alinhavo melódico que une todos os elementos da música da banda está mais evidenciado. Mas como já dito, eles mostram a mesma identidade musical de antes, apenas mais bem burilada. Ou seja, pode-se aferir que “Juggernaut” é um passo adiante de “From Hell”.
O disco possui 14 músicas, sendo os destaques: a trampada e forte “Closer to God” (um Thrash Metal tradicional, bem trabalhado e com o ritmo levado em tempo mediano, permitindo sentir-se a força do trabalho das guitarras do grupo, seja nos riffs ou nos solos), a força rítmica pesada e bem trabalhada de “Butcher” (sim, pois baixo e bateria estão criando uma base rítmica sólida e técnica, sem deixar buracos na música), o azedume dos riffs e vocais bem encaixados em “Rapriest” (ótimo refrão e que guitarras bem feitas), a bela homenagem ao Mr. Rock ‘n’ Roll em “To Lemmy” (que tem uma pegada bem Thrash’n’Roll, mostrando vocais muito bons, além de mostrar como a influência do MOTORHEAD no Thrash Metal é uma realidade), a cadência envolvente de “Juggernaut”, a divertidade e com toques de Crossover “Drunk as Skunk” (finalmente alguém traduz a boa e velha frase “bêbado que nem um gambá” para o inglês), e o mix de passado e presente ouvido nos ritmos de “Deathly, Cold, Chill” e “Arcade” (em ambas, baixo e bateria mostram suas garras). Óbvio que é preciso falar de “Magnata da Fé”, cantada em português, e em que existem percussões tribais, mistura de ritmos (inclusive doses de HC e Crossover bem claras), vocais que alternam os momentos agressivos normais e uma voz narrativa mais limpa, e que dá um toque experimental ao CD.
Sim, “Juggernaut” nasceu ótimo, e vai causar muitos torcicolos por aí.
Na atualidade, fazer Power Metal sinfônico virou um ato de coragem, uma vez que o estilo não está tão em evidência como no início da década passada. Mas assim, se separa aqueles que estão fazendo o estilo porque é algo deles dos oportunistas. Se bem que o oportunismo fede, e qualquer um com ouvidos mais apurados percebe essa diferença. Nisso, podemos aferir que o quarteto austríaco EDENBRIDGE se mostra autêntico, já que evoluem sem nunca abrir mão do próprio estilo. E como é bom vê-los de volta depois de quatro anos desde o lançamento de “The Bounding”, retornando com seu novo disco, “The Great Momentum”, lançado pela Shinigami Records no Brasil.
O maior diferencial em termos de evolução é que o quarteto está com uma pega perceptivelmente mais pesada, com timbres de guitarras mais agressivos, mas sem desfigurar o próprio estilo. Continuam fazendo o mesmo estilo de sempre: Power Metal com momentos bem envolventes e lindas partes sinfônicas, belas vocalizações, e peso na medida certa.
A arte gráfica de “The Great Momentum” é uma obra de arte. A capa de Anthony Clarkson e Johannes Jungreithmeier (este ultimo ainda fez o design do layout) é linda, bem feita, e a diagramação do encarte, com um enfoque mais tradicional, ganha uma vida diferenciada e nova.
Lanvall é o produtor o disco, bem como fez as mixagens em parceria com Karl Groom, e a masterização ficou na mão de Mika Jussila. A sonoridade do CD é forte, vigorosa e pesada, mas muito limpa, já que os momentos orquestrais necessitam de clareza para serem compreendidos em sua totalidade, como assim o é.
Para dar um toque a mais de classe ao disco, temos Thomas Strübler participando nos backing vocals e corais, Alexander “LX” Koller também nos backing vocals nas músicas “The Die is Not Cast” e “The Greatest Gift of All”; os vocais ótimos de Erik Mårtensson em “Until the End of Time”, além da orquestra Junge Philharmonie Freistadt. Tudo para que “The Great Momentum” ganhasse uma vida toda própria.
E o quarteto conseguiu!
“Shiantara” e seu jeito suave e rascante ao mesmo tempo, com linhas melódicas bem feitas e excelentes (com muito peso nas guitarras e vocais maravilhosos); a mais atmosférica e climática “The Die is Not Cast” (lindos corais e partes orquestrais); a sedutora, melodiosa e cheia de charme “The Moment is Now” (que lindo refrão, extremamente ganchudo em meio a partes de teclados bem encaixados), o pessoa abrasivo de “The Visitor” (o contraste entre momentos pesados e limpos é de primeira, com belíssimas passagens de baixo e bateria), a beleza introspectiva e terna de “Only a Whiff of Life” (em teclados e voz, onde se percebe todo o talento de Sabine), e a grandiosa e trabalhada “The Greatest Gift of All” em seus mais de 12 minutos de muitas partes diferentes entre si, mas que são coerentes no final de tudo, fora belos corais e orquestrações perfeitas. Estas são as melhores canções, embora o disco todo se nivele por cima.
E assim, o EDENBRIDGE prova que ainda tem espaço no cenário atual, e “The Great Momentum” é um ótimo disco.
Houve uma completa inversão de valores nos últimos 15-20 anos no Metal. Antigamente, recebia-se uma banda nova e com uma proposta sonora diferente do que já existia de braços abertos, como se fossem heróis; hoje em dia, elas são quase sempre vistas com desconfiança e apedrejadas por velhos fanfarrões dos anos 80 e meninos que nem sequer nasceram na referida década, mas se olham como bangers “old school”. Longe de ser correto, isso é um dos piores erros que se pode cometer, uma vez que o Metal tem como característica a evolução, por isso ele dura mais que outros estilos que vivem de regravações do passado, tal qual pessoas que reciclam lixo.
Nunca na vida deles entenderão os motivos de bandas como o ONCE HUMAN, sexteto norte-americano de Los Angeles, serem tão importantes. E o grupo chega ao Brasil com a versão nacional de seu segundo álbum, “Evolution”, recém-lançada aqui pela Shinigami Records.
O que podemos aferir é que o sexteto faz uma vertente moderna de Metal que ficam entre o Melodic Death Metal e o Thrash Metal atual, mas sem se furtar de usar elementos diferentes em sua música. A banda tem agressiva e bruta, mas sempre usando de um alinhavo melódico/técnico de primeira, e se preparem, pois o disco sangra em energia de uma forma intensa. E ao mesmo tempo, “Evolution” é sedutor, um disco que tem um “appeal” simples e acessível.
A arte visual do CD é caprichada, um trabalho interessante do artista grego Spiros Antoniou (que também é baixista vocalista do SEPTICFLESH), com uma capa linda e uma diagramação no encarte perfeita.
A sonoridade moderna, agressiva e vigorosa que se ouve na qualidade sonora é um trabalho ótimo do guitarrista Logan Mader (sim, o ex-guitarrista do MACHINE HEAD e do SOULFLY, e um conhecido produtor musical), que fez a gravação, a engenharia e a mixagem do CD, e os toques finais de arte são dados pelo produtor sueco Jens Bogen, que fez a masterização. E mesmo diante de tanto peso, se percebe uma clareza ótima, tornando a compreensão do que o grupo está fazendo bem simples.
A força do ONCE HUMAN vem de suas composições bem feitas, dos arranjos musicais que encaixam perfeitamente uns nos outros, e o fato de terem 3 guitarristas ajudam que o trabalho nas seis cordas seja bem pesado, mas criativo e diversificado.
A experiência de alguns membros do grupo transformam “Evolution” em um disco obrigatório para fãs de gêneros mais modernos de Metal, pois o disco beira a perfeição. Mas destacam-se momentos ótimos como a brutal e opressiva “Flock of Flesh” (preenchida por arranjos excelentes das guitarras e vocalizações urradas de primeira linha, além de ritmos que se alternam muitas vezes), o caos intenso e melancólico de “Eye of Chaos” (cadenciada e azeda, pode-se perceber melodias soturnas feitas pelas guitarras, fora vocais limpos excelentes em alguns momentos), a trabalhada e com toques jazzísticos no baixo e bateria “Mass Murder Frenzy” (sim a sessão rítmica da banda é incrível, e isso sem falar no refrão de primeira), a força opressiva das guitarras e ótimas linhas vocais urradas em “Dark Matter”, a lindas linhas melódicas das guitarras em “Paragon” (muito bem trabalhadas e complexas, mas sem deixar de ter um oque de acessibilidade), e o groove moderno de “Drain” (mais uma canção com o contraste vocal de timbres agressivos e outros mais limpos), e o contraste entre brutalidade azeda e elementos de Jazz de “Passenger”.
Podemos dizer que o ONCE HUMAN nasceu grande, que tem todas as condições de emplacar, e “Evolution” é o certificado de uma banda que veio para ficar e conquistar, para desespero dos puritanos chatos cuja única “contribuição” é falar mal de tudo e todos. Aos que apenas observam sem nada dizer, meu respeito.
No mais, comprem "Evolution", ouçam, e preparem-se para a dor de pescoço!