2 de abr de 2017

SAVANT - Serial Killers' Tales (álbum)



2017
Selo: Independente
Nacional

Nota: 9,0/10,0


Tracklist:

1. Serial Killer
2. Eyes of Butcher
3. Third Antichrist
4. Blooding Rising Sun
5. Mishappen Earstern Geek
6. The Gray Man
7. Suicide Premonition
8. Reaper of Pain
9. Molested Whore
10. Murderous Madam’s Family
11. Colonizer
12. Who are the Real Serial Killers?


Banda:


Antonio Vargas - Vocais, guitarras
Mili Redberyl - Guitarras
Joe Thunder - Baixo
Allan Argolo - Bateria


Contatos:

Site Oficial: www.savantmetal.com
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


As terras da Cidade “Maravilhosa”, conhecida por Rio de Janeiro, sempre foi muito boa na geração de nomes interessantes em termos de Metal. Do Hard Rock ao Black Metal, todos os estilos em que possa pensa possuem representantes nessa terra de Samba, futebol cerveja, tiroteios e carnaval. E o Thrash Metal sempre foi uma tradição na cidade desde os tempos em que o DORSAL ATLÂNTICA fazia os ouvidos alheios apitarem por horas. E o SAVANT, um veterano carioca bem experiente, é um ótimo nome, e que agora, depois de dez anos de espera, libera seu segundo álbum, “Serial Killers’ Tales”, um murro Thrasher nos cornos sem dó.

O grupo faz um Thrash Metal intenso e agressivo, mas com ótima noção melódica e excelente técnica, com claras influências da escola Thrasher norte-americana, em especial TESTAMENT, um pouco de SLAYER, e de bandas como OVERKILL, VIO-LENCE e FORBIDDEN. Nada de inovador, mas extremamente pessoal e cheio de energia, que nos toma de assalto nas primeiras audições sem esforços, tamanha energia e pegada da banda.

Gravado, mixado e masterizado por Sidney Sonh Jr., podemos dizer que a sonoridade de “Serial Killers’ Tales” é azeda e pesada, intensa e bem agressiva. Óbvio que o grupo mostra preocupação em manter certo nível de limpeza sonora para que o ouvinte possa compreender o que eles estão tocando. Está um pouco cru demais, mas está em um nível muito bom de qualidade. 

A arte gráfica, por sua vez, é de Rafael Lipari. O objetivo é realmente se enquadrar na mensagem central das letras, e ao mesmo tempo, deixar claro como a banda soa em suas músicas. E eles, nessa arte simples, conseguiram, pois a diagramação do encarte deixa tudo muito claro.

O grupo realmente mostra evolução desde “No Hope”, seu primeiro álbum. Mesmo apostando no Thrash Metal descrito acima, o SAVANT soube se atualizar, soando como uma banda jovem, dispostos a não perder tempo. E suas músicas soam muito bem aos nossos ouvidos, com arranjos muito bons, deixando tudo mais dinâmico e longe de ser repetitivo.

O conteúdo lírico merece menção honrosa, pois há citações históricas. Fritz Haarmann (o famoso Vampiro de Hanover ou o Carniceiro de Hanover, retratado em “In the Eyes of a Butcher”, com uma contagem de mortos que trascende mais de 100 vítimas), Aileen Wuornos (uma prostituta assassina, a primeira mulher Serial Killer, inspiração para a letra de “Molested Whore”, com uma contagem de 6 mortos), Tsuotomu Miyazaki (assassino, estuprador e pedófilo de 4 meninas, citado nas letras de “Mishappen Earstern Geek”), Dr. Albert Fish (um pedófilo, masoquista, assassino em série e canibal norte-americano, também conhecido como o Lobisomem de Wysteria, Vampiro de Brooklyn, Papão e Homem Cinza, retratado em “The Gray Man”, cujos assassinatos chegam a 5, mas outros crimes graves tornam a contagem impossível de ser feita), Dr. Harold Shipman (suspeito da morte de 250 pacientes entre a década de 1970 e o final da década de 1990 por eutanásia, retratado em “Reaper of Pain!”), todos devidamente imortalizados nas letras do grupo, além do massacre e catequização dos índios Sul Americanos em “Colonizer”, e do Terceiro Anticristo de Nostradamus em “Third Antichrist”. Um deleite cultural em uma embalagem Thrash Metal.

E o álbum ainda tem as participações especiais de Frank "Blackfire" Gosdzik no solo de “The Gray Man”, Pedro Viana na guitarra base no álbum todo e nos solos de “Serial Killer” e “Eyes of Butcher”, Daniel Escobar nos solos de guitarra em “Mishappen Eastern Geek”, “Suicidal Premonition” e “Who are the Serial Killers?”; Mili Redberyl na guitarra solo em “Who are the Serial Killers?”, “Molested Whore”, “Reaper of Pain” e “Mishappen Eastern Geek”; além de Luiz Syren nos backing vocals em “The Third Antichrist”, “The Gray Man” e “Suicidal Premonition”.

Melhores momentos: a intensa e raivosa “Serial Killer” (cheia de mudanças de ritmos, dinâmica e agressiva de doer os dentes), a brutalidade quase Death Metal de “Eyes of Butcher” (ótimo trabalho de guitarras, com riffs cheios de energia, e solos muito bons), o Thrash Metal tradicional da Guanabara Bay Area ouvido em “Third Antichrist” (com um ritmo um pouco mais cadenciado, mas pulsando com uma energia agressiva, mostrando um trabalho ótimo de baixo e bateria), a cadência azeda dos riffs em “Mishappen Earstern Geek”, a força do refrão de “The Gray Man” (reparem como a banda faz arranjos ótimos, bem trabalhados, mas de fácil assimilação nas guitarras), a força amarga e lenta de “Molested Whore” (onde os vocais estão muito bem, se encaixando perfeitamente na base instrumental, em um rosnado em tons normais de voz), a pancadaria intensa nos dois bumbos de “Murderous Madam’s Family”, a força brutal de “Colonizer” (mais uma vez, as guitarras esbanjam riffs excelentes, mas o baixo mostra toques técnicos muito bons), e a lindas melodias que surgem em “Who are the Real Serial Killers?”.

No mais, o SAVANT retorna em grande performance, e “Serial Killers’ Tales” mostra que eles ainda têm espaço no meio, e não só no Rio de Janeiro!

Quem são os verdadeiros Serial Killers?

Em tempo: a formação já sofreu alterações após a gravação do CD.

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