2 de abr de 2017

MARILLION - Marbles in the Park (duplo CD ao vivo)


2017
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

CD 1:

1. The Invisible Man
2. Marbles I
3. Genie
4. Fantastic Place
5. The Only Unforgivable Thing
6. Marbles II
7. Ocean Cloud
8. Marbles III
9. The Damage

CD 2:

1. Don’t Hurt Yourself
2. You’re Gone
3. Angelina
4. Drilling Holes
5. Marbles IV
6. Neverland
7. Out of This World
8. King
9. Sound That Can’t Be Made


Banda:


Steve Hogarth - Vocais, teclados, guitarras, percussões
Steve Rothery - Guitarras, violões
Mark Kelly - Teclados, samples e efeitos, backing vocals, programação
Pete Trewavas - Baixo, backing vocals, guitarras adicionais, samples e efeitos
Ian Mosley - Bateria, percussão


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Para muitos, simples e Pop demais para ser tratada como uma banda de Rock Progressivo na essência do termo (muitos fãs puritanos do gênero sentiriam calafrios pela mera comparação), e musicalmente muito sofisticado e bem feito para os fãs de Pop (que nem são tão exigentes assim). Esta é a dualidade que sempre regeu a longa e vitoriosa carreira do grupo inglês MARILLION, mas que sempre rendeu discos do mais alto nível. Seja lá pelo que queiram chamar o quinteto, não se pode negar o quanto eles criaram músicas geniais nesses quase 40 anos de carreira. E para coroar a boa fase que a banda vive com a aclamação mundial de público e crítica de “Fuck Everyone and Run (F.E.A.R)” de 2016, eis que a banda lança seu sexto duplo ao vivo, “Marbles in the Park”. E digamos: é uma obra de arte em termos musicais, e que a Shinigami Records disponibilizou em versão brasileira.

No disco, a abordagem estilística do quinteto não guarda mistérios: ouvimos uma música mais introspectiva, melódica, mas forte, com claras influências do Rock Progressivo clássico e Folk, e sempre com arranjos musicais mais acessíveis aos fãs de música menos exigentes. Esta fórmula lhes custou críticas azedas nos anos 80 (sem contar o número de vezes que foram taxados como clone do GENESIS no passado). Mas esta mesmo equação vitoriosa fez com que o MARILLION se tornasse uma banda de sucesso inegável, que transcendeu o tempo e as fronteiras do Rock Progressivo, e cujo nome é reconhecido e adorado pelo mundo todo.

A gravação e mixagem do CD são de Michael Hunter, que soube captar perfeitamente a música da banda ao vivo e fazê-la soar tão bem aos ouvidos. O som intimista do grupo, executado de maneira perfeita, aparentemente não necessitou de ajustes em estúdio, logo, se tem a perfeita idéia de que a banda está diante de todos executando suas canções, e com uma qualidade invejável. Ou seja: a produção sonora de “Marbles in the Park” é perfeita, clara e bem acabada em todos os sentidos. Ao mesmo tempo, no que tange a parte gráfica, tudo está perfeito, com informações no encarte, capa muito bonita e fotos da apresentação escolhidas a dedo.



Outro fato a ser citado é que “Marbles in the Park” foi gravado durante o “Marillion Weekend” no Center Parcs, Port Zelande, na Holanda, no dia 21 de Março de 2015. Neste evento, que acontece a cada dois anos, o grupo costuma tocar um de seus discos na íntegra. Fica óbvio que este duplo é a gravação do CD “Marbles”, de 2004. Tudo bem, sabemos que este não é o disco mais icônico do grupo, mas ainda assim é uma jóia preciosa, que nos permite sentir que esta música belamente bem arranjada vai diretamente à mente e coração do ouvinte sem problemas, e nos seduz facilmente por suas melodias acessíveis.

O Neo Progressive Rock do quinteto (rótulo que deram a eles no exterior) é maravilhoso ao vivo, e não dá para não se sentir seduzido por canções como “The Invisible Man”, “Genie”, “Fantastic Place”, “The Only Unforgivable Thing”, “Ocean Cloud” ou “The Damage”, que estão no CD 1. E no CD 2, “Don’t Hurt Yourself”, “You’re Gone”, “Angelina”, “Drilling Holes”, “Neverland”, além das introduces instrumentais de nome “Marble” (que são quatro ao todo) são todas faixas indispensáveis, que vão nos conquistando, já que o MARILLION soa perfeito como um todo, sem espaços para individualidades pessoais. E como apenas “Marbles” não daria para encher um CD duplo, eles ainda tocaram “Out of This World” e “King”, do álbum “Afraid of the Sunlight”, e “Sound That Can’t Be Made”, do álbum de mesmo nome, sem que elas soem desconexas da atmosfera musical de “Marbles in the Park”. E o público interage, bate palmas e canta com a banda. E sim, este CD duplo não nos permite pular uma ou outra faixa por conta da preciosidade de cada uma delas, ao mesmo em que não tem como destacar este ou aquele músico em evidência, já que o quinteto soa como uma unidade, cada um dos cinco músicos contribui em alto nível. E o material é tão bom, tão bem feito e abrangente que mesmo aqueles que não são fãs da banda irão adorar.

No mais, o MARILLION prova com “Marbles in the Park” que os críticos passam e muitas vezes são esquecidos, mas a boa música (como a que eles fazem) permanece para todo sempre.

Ei, estão esperando o que?

Já que tem a versão nacional por aí, corram, comprem as suas antes que esgotem!


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