19 de set. de 2016

VOCIFERATUS - Mortenkult (álbum)



2016
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Músicas:

1. Eloi, Eloi, Lama Sabachthani
2. Blood Runs Over Bayt Lahm
3. The New Opposition
4. Storms Are Mine
5. Terrível Coisa é Cair nas Mãos do Deus Vivo
6. Mortenkult
7. Chaos Legions Battlefront
8. Where Hope Dies
9. Amenti


Banda:


Pedrito Hildebrando - Vocais
Luiz Mallet - Guitarras
Filipe Lima - Guitarras
Lucas Zandomingo - Baixo
Augusto Taboransky - Bateria


Contatos:

MS Metal Agenci Brasil (Assessoria de Imprensa): http://www.msmetalagencybrasil.com/ptbr/artista-vociferatus/

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Uma das melhores experiências de se pode ser um escritor de Metal é acompanhar a evolução de algumas bandas desde sua gênese mais primordial e ir observando o quanto elas evoluem e amadurecem. Óbvio que nem tudo é um mar de rosas e decepções ocorrem, o que é extremamente normal. Mas existem aquelas que nascem para ser grandes, para modificar as regras do jogo, e fazer as coisas a seu modo. E isso, meus caros, é traço dos grandes, de bandas que não aceitam a zona de conforto sob o pretexto de "não queremos fazer nada de novo". 

E nisso, no se reciclar e crescer sempre, nós temos no quinteto carioca VOCIFERATUS um de seus nomes mais fortes no cenário nacional. Tal idéia nasce após poucas ouvidas em "Mortenkult", que após uma laboriosa gestação, chega para buscar ser um dos discos do ano. 

E do jeito que está eles conseguem!

A banda não abriu mão de seu jeito Blackned Death Metal em nada desde o Demo CD "Vociferatus" de 2010, e depois com o EP "Blessed By the Hands of Flames" de 2011. Mas o grupo foi aglutinando musicalidade e influências musicais diferenciadas, crescendo e buscando se diferenciar. E conseguiram, pois "Mortenkult" dista dos clichês do gênero, pois existem partes percussivas muito bem utilizadas, guitarras limpas, teclados, backing vocals insanos, vocais com timbres diferentes e outros detalhes muito inteligentes. Mas se você curte música agressiva, capaz de destruir seu pescoço, podemos garantir que este disco é feito para você.

Produzido por Luiz Freitag e Jon Marques, e tendo a masterização feita no GrindHouse Studios na Grécia por George Bokos (ex-guitarrista do ROTTING CHRIST, atualmente no STONE COLD DEAD), a sonoridade de "Mortenkult" é surpreendente. Brutal e opressiva como a banda sempre foi, mas devido à estar seca, o peso é absurdo e se consegue compreender cada mínimo detalhe das músicas (e não são poucos).

Na arte gráfica, temos mais um trabalho primoroso de Marcelo Vasco (da PR2Design), que soube dar uma capa que seja coerente com a proposta musical/lírica do quinteto. É a expressão agressiva e mórbida do que o VOCIFERATUS faz musicalmente.

O disco é repleto de convidados: Dominic Mongrain-Thériault, mais conhecido como Tal (vocalista do grupo canadense CRYPTIK HOWLING), participa dos vocais em "The New Opposition", Santiago Galdino e Leonardo Dias nas percussões brasileiras (com os arranjos criados por Thiago di Sabbato), Arthur Kauffman fez o trabalho das percussões orientais, Sandro Shankara tocou cítaras, Bruno Sá fez as partes de piano, Natália Espinosa deu uma canja nos vocais, e os corais estão cheios de convidados ilustres, como Thiago Pereira (baterista do SOLIFVGAE), Renan Brito (guitarrista/vocalista do SPREADING HATE e ESPERA XIII), Eduardo Ayres (baixista do SPREADING HATE), Rodolfo Ferreira (baixista do DARKTOWER), Flávio Gonçalves (vocalista do DARKTOWER), e Bruno Valente (ex-baixista do DARKTOWER). E cada um deles deu um toque de classe ao disco.

"Mortenkult" nasceu em berço de ouro, pois sua demorada gestação permitiu o VOCIFERATUS atingir o máximo de sua criatividade no momento, e é um dos melhores discos do Metal extremo nacional em sua história. E eu, Marcos Garcia, falo muito sério quando digo isso, pois a ousadia da banda transcendeu barreiras. Todos os arranjos são caprichados, a dinâmica das músicas não deixa de ser espontânea em momento algum. E não, o quinteto não se limitou por regras ou modelos, mas criou o próprio modelo. 

Dissecando o CD (pois não tem "melhores momentos" nele):

"Eloi, Eloi, Lama Sabachthani" - Uma introdução que mostra sons de uma guerra com pessoas orando em árabe ou aramaico ao fundo, mostrando que o grupo está em sintonia com o que ocorre no mundo atual. E para quem não matou, o título vem do aramaico e significa "meu deus, meu deus, por que me desamparou?", passagem célebre da bíblia.

"Blood Runs Over Bayt Lahm" - Um torpedo de brutalidade, veloz e opressivo, com a cara do grupo. Apesar de ser uma música um pouco mais simples, vemos surgir arranjos de piano que vão dando aquele toque diferencial à canção, onde a base rítmica de Lucas (baixo) e Augusto (bateria) se destaca bastante. E o encerramento vem com um dedilhado que nos lembra a música do Oriente Médio (para quem não pegou a idéia, "Bayt Lahm" é o nome em hebraico de Belém, cidade onde nasceram Davi e Jesus).

"The New Opposition" - Uma cítara melodiosa dá a partida, e o quinteto começa a mostrar as garras, criando alguns arranjos de guitarra bem diferentes, fora algumas mudanças rítmicas de primeira. E vai fazer as pessoas gritarem o refrão nos shows. Obviamente, o destaque vai para o ótimo trabalho nos vocais, pois a participação de Tal dá um toque diferencial, embora Pedrito seja um dos grandes vocalistas da atual geração do Metal extremo nacional. E que belas percussões são encontradas próximo ao fim da canção!

"Storms Are Mine" - Primeiro Single de divulgação do álbum. A velocidade é brutal, embora o grupo use de passagens diferenciadas nas guitarras (verdade seja dita, Luiz e Filipe estão destilando veneno extremo durante todo o disco), fora passagens de teclados, baixo e bateria mudando os tempos sem perder a coesão e peso.

"Terrível Coisa é Cair nas Mãos do Deus Vivo" - É uma instrumental curta, focada no em percussões e a melodia hipnótica de cítara, que nos trás à mente as regiões do Oriente Médio assoladas por conflitos religioso-étnicos extremos.

"Mortenkult" - O quinteto é capaz de gerar uma muralha sonora absurda e intransponível com seu instrumental. Algumas incursões das guitarras aumentam uma sensação soturna, e logo momentos de guitarras limpas com toques percussivos e vocais femininos aumentam a aura opressiva da música. E solos de guitarra melodiosos começam a sair pelos falantes acompanhados de percussões hipnóticas, antes de voltarem ao andamento original e os vocais urrados deixarem tudo ainda mais extremo. E o encerramento é todo feito com percussões (lembrando que o culto aos mortos tem profunda influência indígena).

"Chaos Legions Battlefront" - Curta e grossa, essa aqui veio para saciar o lado mais extremo do grupo, embora os arranjos de guitarra estejam de primeira mais uma vez, fora as variações de timbres dos vocais, e o coral de muitas vozes sendo usado com maestria no refrão.

"Where Hope Dies" - A banda abre a canção com bumbos velozes e o baixo acompanhado perfeitamente na base rítmica, mas o uso de melodias melancólicas é assombroso. E isso sem falar que é uma canção com andamento mais cadenciado, enriquecida com detalhes de guitarra perfeitos, criando uma aura soturna e depressiva, mais alguns vocais limpos bem pensados. É uma música atípica da banda, mas que está perfeita no disco, dando aquele toque diferenciado tão essencial.

"Amenti" - Fechando o disco, temos uma faixa cheia de mudanças e passagens diferenciadas. O início é épico, com um toque egípcio perfeito, ótimos teclados e coral de vozes intocado. A dinâmica da banda está perfeita, com arranjos em velocidade que se alterna nos momentos certos, a cozinha rítmica com peso e muitas mudanças de ritmo (apresentando momentos brilhantes), momentos de acordes limpos de guitarra (com um belo solo) e bateria regendo. Novamente, para os que não sabem, "Amenti", na mitologia egípcia, é o templo que existe no post mortem, onde Osíris, deus dos mortos, julga as almas daqueles que faleceram.

No mais, "Mortenkult" é daqueles discos que fascinam na primeira ouvida, e nas seguintes, vamos percebendo o quanto ele está diante de seu tempo.

Parabéns, VOCIFERATUS, por ousar, por buscar ser diferente. E por fazer de "Mortenkult" um compêndio de como ser criativo, inovador e bruto no Metal extremo.

DEATH CHAOS: anuncio de novo baixista e mudanças nos instrumentos de cada músico


A banda Curitiba DEATH CHAOS, vem colhendo excelentes resenhas sobre seu debut álbum “Prologue in Death & Chaos” e com o seu nome estando entre os principais veículos de comunicação do país, a banda anuncia uma novidade relacionado a formação atual.

A DEATH CHAOS anuncia oficialmente o novo integrante que a partir de agora assume todas as linhas de baixo da banda, Edson Mammoth é um músico da velha guarda do metal paranaense e agora soma seus trabalhos junto ao grupo, o músico tocou nos anos 90 na extinta banda “Vagabunds” e trás em suas linhas de baixo, influências de bandas renomadas como Slyer, Extreme Noise Terror, Deicide, Napalm Death, Morbid Angel, entre outros.


Com a entrada de Edson, a banda muda o direcionamento de outros músicos, o vocalista e ate então baixista, Denir Deathdealer, abandona o baixo e irá concentrar todas as suas energias nos vocais do grupo.

Você pode adquirir o novo álbum da banda “Prologue In Death & Choas” nas redes sociais do grupo.

Confira a faixa “House of Madness”:



Formação Atual:

Denir DeathDealer – (Vocal)
Julio Bona – (Guitarra)
David Oliver – (Guitarra)
Edson Mammoth – (Baixo)
Ueda – Bateria


Links Relacionados:



A/C Gleison Junior

BRUNO MANSINI: divulgando novo álbum na RST Rádio


“The Golden Soul”, o recém lançado terceiro álbum do multi-instrumentista Bruno Mansini, é destaque nesta terça-feira, 20 de setembro, na RST Rádio Rock. Músicas da última parte da trilogia “Dreams from the Earth” serão apresentadas no programa Made in Brasil, que vai ao ar a partir das 20h30. Serão aproximadamente 30 minutos com o trabalho do artista paulistano. Escute em rstradiorock.com.br.

Composto, arranjado e produzido por Bruno Mansini, “The Golden Soul” possui 10 faixas que variam entre andamentos progressivos, nuances de hard rock e o swing da música brasileira, além de referências à música oriental. Assim como os álbuns anteriores, “Dreams from the Earth” e “Secret Signs of Green”, a sonoridade ambienta à busca pelo sagrado e a viagem ao autoconhecimento sugerido pelas letras.

A fusão de sonoridades é uma das marcas de Bruno Mansini e presente em “The Golden Soul” de forma ainda mais cristalina. De acordo com o músico, a junção de referências facilita o diálogo entre gerações, o que torna este disco orientado tanto para fãs do experimentalismo do Yes como também da grandiosidade do rock sinfônico do Queen e do pioneirismo da banda Angra no álbum “Holy Land”.


A/C Erick Tedesco (Assessor de Imprensa)

VALIRIA: revelando em vídeo detalhes da música “Lies”



A banda paulista VALIRIA lançou recentemente, no seu canal oficial no YouTube, a sua nova série de vídeos, batizada de “Inside Blind Faith”.

Neste projeto, os músicos da banda comentam sobre o processo de composição e gravação e também sobre as letras das músicas que compõe o seu primeiro EP,“Blind Faith”.


No segundo capítulo, a banda teve como foco a música “Lies”, revelando todos os detalhes da referida composição.

Para mais informações sobre as atividades da banda VALIRIA e demais clientes da empresa, basta entrar em contato com a MS Metal Press através do e-mail contato@msmetalagencybrasil.com.


SILVER MAMMOTH: prestes a entrar em estúdio para registrar material inédito


A banda paulista SILVER MAMMOTH confirmou que entrará em estúdio, ainda no segundo semestre de 2016, para a gravação de dois singles inéditos, que farão parte do seu próximo álbum, a ser lançado em 2017.

O material será lançado no formato digital, com distribuição mundial conduzida pela Onerpm.

Em paralelo, o SILVER MAMMOTH continua o processo de agendamento de datas para os shows da sua turnê em suporte ao referido trabalho. Para mais informações sobre como reservar uma data para qualquer cidade do país, basta entrar em contato através do e-mail contato@msmetalagencybrasil.com.

“Mindlomania”, terceiro álbum da banda, foi lançado no segundo semestre de 2015, através da MS Metal Records, com distribuição da Voice Music.

Para mais informações sobre as atividades da banda SILVER MAMMOTH e dos demais clientes da empresa, basta entrar em contato com a MS Metal Press através doe-mail contato@msmetalagencybrasil.com.


VOCIFERATUS: confirmada data de lançamento e track list do seu debut álbum



A versão digital do primeiro álbum da banda carioca VOCIFERATUS, intitulado "Mortenkult", será lançada mundialmente no próximo dia 23 de setembro, nas principais plataformas online, tais como Spotify, Deezer, Google Play, iTunes e muitas outras.


A versão física será disponibilizada no Brasil através da Eternal Hatred Records, com distribuição da Voice Music, ainda no segundo semestre de 2016.


Track List:

01. Eloi, Eloi, Lama Sabachthani
02. Blood Runs Over Bayt Lahm
03. The New Opposition
04. Storms Are Mine
05. Terrível Coisa é Cair nas Mãos do Deus Vivo
06. Mortenkult
07. Chaos Legions Battlefront
08. Where Hope Dies
09. Amenti

Para mais informações sobre as atividades da banda VOCIFERATUS e dos demais clientes da empresa, basta entrar em contato com a MS Metal Press através do e-mail contato@msmetalagencybrasil.com.


17 de set. de 2016

KING OF BONES - Don't Mess With The King (Álbum)



2016
Independente
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Músicas:

1. Intro
2. No Way Out
3. Hold Me Closer
4. Wherever You Are
5. Walking on the Edge
6. Black Angel
7. Blinded By Faith
8. The World Goes Round
9. Goodbye Yesterday
10. Dry Your Eyes on Me
11. I Am
12. No More Lies
13. Point of No Return


Banda:


Júlio Federici - Vocal
Rene Matela - Guitarras
Rafael Vitor - Baixo
Renato Nassif - Bateria


Contatos:



Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O famoso Hard Rock clássico, que pouco ou nada tem com o Glam Metal da Califórnia, é um estilo bem difícil de ser feito, verdade seja dita.

É que ele já foi tão tocado e experimentado nos anos 70 e 80 que exige bastante do músico em criar algo novo e diferente para si dentro do cenário. Mas há aqueles que são ousados, que arregaçam as mangas e encaram o desafio sem medo e com sangue nos olhos. E o quarteto paulista KING OF BONES é desses, uma vez que após a boa recepção de "We Are The Law", retornam com tudo com seu segundo álbum, chamado "Don't Mess With The King". Que é ótimo, por sinal.

A banda segue a mesma veia de antes: aquele Hard'n'Heavy pesado, que nos trás à mente nomes como BLUE MURDER, OZZY OSBOURNE, DIO e outras bandas da primeira metade dos anos 80. Mas é bom não irem pensando que eles fazem parte de algo Old School, pois o som do grupo soa moderno, cheio de vida e energia, com refrões excelentes e é mais grudento que chiclete quente no cabelo. E vai pegar todos que ouvirem o disco, com certeza!

A produção é do experiente Henrique Baboom, que faz trabalhos com artistas como PANZER. E obviamente a sonoridade da banda está mais seca e bem acabada, com cada instrumento em seu devido lugar e com o volume que merece. Mas mesmo limpo, a quantidade de peso e agressividade que a banda ganhou em relação a "We Are The Law" é sensível, sem contar que há um toque refinado muito bom, aquela elegância que a tudo permeia e é essencial.

Já a arte gráfica é um trabalho ótimo de Gustavo Sazes, que mais uma vez, fez algo surpreendente, retratando a corrupção em que nosso país está imerso. Reparem na testa de cada porco os detalhes escritos: "sua vida", "seu dinheiro", e para eles, não somos nada e pagamos a conta.

Surpreendentemente envolvente, "Don't Mess With The King" leva o KING OF BONES a um patamar diferenciado dentro do cenário brasileiro. É criativo, técnico na medida certa (reparem nos solos virtuosos), pesado e ardido, mas sempre melodioso. Os arranjos são certeiros, a dinâmica entre instrumentos e voz está de primeira, e o resultado final é maravilhoso, uma tentação para os ouvidos.

Embora o disco seja muito homogêneo dentro de suas 13 faixas, destacamos algumas:

"No Way Out" - É uma canção típica de abertura de disco. Instigante, recheada com belíssimos riffs e vocalizações ótimas (os timbres são excelentes), um refrão envolvente e certo swing que se agarra aos nossos ouvidos na primeira audição. E é incrível o trabalho dos vocais e das guitarras (timbres agressivos assim nesse estilo são bem difíceis de encontrar).

"Hold Me Closer" - Um autêntico arrasa-quarteirões bem grudento e pesado de doer. Mas a atmosfera musical é muito forte e extremamente sedutora, e é favorecida por mais um excelente refrão. E reparem como a cozinha rítmica da banda está ótima, assim como os riffs são maravilhosos.

"Wherever You Are" - E eles não cansam de nos surpreender positivamente. Mais uma vez, uma faixa que nos toma de assalto na primeira ouvida, graças à sua atmosfera um pouco mais amena e não tão dura como as anteriores. É onde se percebe que o quarteto é completamente descompromissado em termos estilísticos, mas sempre competente em suas composições, destacando-se uma vez mais o trabalho das guitarras.

"Walking on the Edge" - O andamento fica um pouco mais cadenciado, logo, o lado mais pesado da música do quarteto fica evidenciado. Mas isso não os impede de criar algo com muita classe e swing, algo sedutor e de bom gosto. E que vocais ótimos!

"Black Angel" - Ainda mais cadenciada e intimista, com momentos limpos contrastando com aqueles mais pesados e densos. E é fascinante a dinâmica que a banda sabe dar nas partes mais ganchudas, especialmente porque existem arranjos de teclados muito bons, uma participação especial de Fábio Ribeiro (REMOVE SILENCE, que já trabalhou com ANDRÉ MATOS, ANGRA, SHAMAN, A CHAVE DO SOL e outros).

"Blinded By Faith" - Uma faixa mais introspectiva, cheia de passagens densas e com aquele toque de melancolia já tão familiar aos fãs do gênero. É belíssima, uma jóia rara em termos musicais nos dias de hoje.

"Dry Your Eyes on Me" - Outra em que a modernidade e o clássico se encontram e se mesclam, criando algo diferente, com passagens pesadas onde o baixo impera, e outras mais pesadas. Ponto para o refrão de primeira e para esses arranjos providenciais de teclados.

"I Am" - Apesar de respeitar o estilão pesado do KING OF BONES, esta é uma canção um pouco mais acessível, cheia de ótimo trabalho de backing vocals, e um refrão grandioso que esbarra no Hard/AOR.

"Point of No Return" - Como esse andamento empolga, e nos trás à mente algo positivo em termos de energia e música. Mais uma vez, os arranjos de guitarra estão ótimos, e o vocal lança mão de uma diversidade de timbres ótima.

E embora não citada, o guitarrista André "Zaza" Hernandes faz uma participação especial em "The World Goes Round".

No mais, podemos garantir que se você gostou de "We Are The Law", vai amar ainda mais "Don't Mess With The King". 

Outro que vai entrar na lista dos melhores do ano.

PERC3PTION - Once and For All (Álbum)



2016
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Músicas:

1. Persistence Makes the Difference
2. Oblivion's Gate
3. Rise 
4. Immortality
5. Braving the Beast
6. Magnitude 666
7. Welcome to The End
8. Extinction Level Event
9. Through the Invisible Horizons


Banda:


Dan Figueiredo - Vocais
Glauco Barros - Guitarras, backing vocals
Rick Leite - Guitarras, backing vocals
Wellington Consoli - Baixo
Peferson Mendes - Bateria


Contatos:

Site Oficial: http://perc3ption.com
ASE Press Music (Assessoria de Imprensa): http://www.asepress.com.br/music/index.php/clientes/perc3ption
Shows e Merchandising: contato@perc3ption.com

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


A evolução é uma das maiores forças que guiam as bandas de Metal.

Errando ou acertando, alguns preferem a dinâmica da evolução ao continuísmo eterno em algo. E verdade seja dita: poucos do segundo time conseguem se manter em alta, salvo raros casos. É arriscado, difícil e nem sempre reconhecido, mas evoluir é necessário, e explorar as possibilidades da própria música que se faz é algo que toda banda precisa aprender no bê-á-bá musical. Mas tem alguns que aprendem tão bem que chega a ser surpreendente o que fazem.

E digamos de passagem: o quinteto PERC3PTION, de São Paulo, realmente surpreende a todos com "Once and For All", seu novo álbum, que a Shinigami Records acaba de pôr no mercado.

Em "Reason and Faith", primeiro álbum da banda, eles já mostraram um potencial muito bom, mas está "Once and For All" é de cair o queixo em todos os sentidos. O estilo da banda não mudou, continua sendo aquele Heavy/Power/Prog Metal de antes, apenas com uma abordagem bem pesada e agressiva, mas sem deixar de ter belíssimas melodias, trabalho técnico acima da média, e uma capacidade de nos prender no lugar com sua música. E os vocais melhoraram bastante, pois a entrada de Dan Figueiredo deu vida e vibração às canções. Fora isso, o trabalho das guitarras de Glauco Barros e Rick Leite está excelente, e a base de Wellington Consoli (baixo) e Peferson Mendes (bateria) é pesado e técnico nas medidas certas. E isso ainda com alguns teclados e orquestrações muito bem encaixados (partes feitas por Glauco).

A produção do CD é do guitarrista Glauco Barros junto com Guilherme Lima, e a pré-produção é de Edu Falaschi (do ALMAH). As gravações ocorreram no Perc3ption Studios, enquanto a mixagem e a masterização foram feitas no Nimrod Studios, ambas com Glauco trabalhando junto com Rodrigo Nimrod. E o resultado: uma qualidade sonora de primeira, feita sob medida, justa, pesada e clara como raramente se ouve nessas terras. Sim, o nível está muito elevado.

Em termos gráficos, a arte é concebida pelo próprio quinteto, e feita por Wellington. É interessante a fuga do padrão de negro que é comum ao Heavy Metal, preferindo banco e tons de azul para a arte da capa e da contracapa, E o encarte, repleto de gravuras em sintonia com as letras, ficou muito bom.

Mas e as músicas?

Como dito, o PERC3PTION evoluiu muito, e é capaz de encarar nomes do exterior com facilidade, pois atingiram um nível em que o Brasil é pequeno demais para a música deles. Arranjos, dinâmica entre os instrumentos em si e com os vocais, tudo está perfeito, sem pontos a serem criticados, nem mesmo pelo mais cri-cri dos fãs que seja. E o brilho aumenta devido aos convidados especiais: Edu Falaschi (nos teclados em "Rise" e "Welcome to The End"), Mariliane Brizzoti (vocais em "Oblivion's Gate", "Rise", "Braving the Beast" e "Through the Invisible Horizons"), o próprio Rodrigo Nimrod (vocais em "Persistence Makes the Difference", "Immortality", "Braving the Beast", "Magnitude 666" e "Through the Invisible Horizons"), e Rômulo Dias (vocais em "Persistence Make the Difference").

Destaques? 

Nem brinquem dessa forma, pois "Once and For All" nasceu grandioso, forte e concebido com tanta vontade que não há como não agraciá-lo como um dos grandes discos do ano. Eles realmente superaram a si mesmo e a toda e qualquer expectativa.

As canções são, em sua maioria, longas, mas não nos cansam em momento algum.

"Persistence Makes the Difference" - Uma pedrada Heavy/Prog na cara, agressiva, veloz e refinada com belos toques de teclados. É impressionante o que as guitarras estão fazendo em termos de riffs e solos, mas ao mesmo tempo, baixo e bateria estão mostrando um trabalho de primeira. E que belíssimos vocais, que aliam bem a agressividade e melodia da banda, fora uma interpretação de primeira. E imaginem isso tudo posto sobre nossos ouvidos de uma vez.

"Oblivion's Gate" - Aqui, as melodias da banda são mais evidentes que o lado agressivo da música do quinteto. Há momentos mais cadenciados e azedos, permitindo que a dupla de guitarras exiba riffs bem ferozes, com baixo e bateria se sobressaindo bastante. Mas nos crescendos melodiosos se repara a beleza dos teclados e a força dos vocais.

"Rise" - A música se alterna entre momentos melodiosos e introspectivos, outros grandiosos, e outros bem envolventes e um refrão perfeito. E mais uma vez, o contraste dos timbres graves das guitarras se contrastam perfeitamente com as melodias, em especial nos solos de guitarra.

"Immortality" - Moderna e agressiva, com as melodias sendo entremeadas por algumas doses de groove. E que belíssimo trabalho de baixo e bateria, inclusive com momentos bem voltados ao Metal extremo. Mas a beleza Prog dos duetos e solos é absurda.

"Braving the Beast" - A faixa mais longa do disco, com mais de 10 minutos de duração. E é nela que se percebe que toda a parte mais técnica da música do grupo aflora naturalmente. Embora não exagerem demais, vemos passagens muito bem tocadas de cada instrumento, ao mesmo tempo em que imperam as variações de andamento bem feitas. Ela vai do agressivo ao introspectivo sem pudores, e nos ganha de assalto.

"Magnitude 666" - A agressividade opressiva mais uma vez se faz presente, entremeada por belíssimos arranjos de guitarras, teclados mais sombrios, e logo ganha velocidade e nos empolga. É a faixa do vídeo oficial de divulgação do disco, por isso, talvez seja a mais simples do disco, e mostra mais uma vez um trabalho ótimo dos vocais.

"Welcome to The End" - Temos uma faixa mais focada na beleza estética do que na agressividade ou técnica. E é uma das mais acessíveis, com melodias muito bonitas, belas guitarras e um trabalho ótimo dos vocais. É ouvir e ficar preso à banda.

"Extinction Level Event" - Técnica e azeda, esta é uma música cheia de elementos densos e sombrios, uma vez que o tema é bem pesado. Mas ao mesmo tempo, o lado técnico da banda é bem exigido, em especial da base rítmica, que mostra uma dose extra de peso, mas sempre com boa técnica.

"Through the Invisible Horizons" - Muito peso e técnica Prog, mas ao mesmo tempo, há uma preocupação em não exagerar nas firulas, em focar na banda como um todo. E funciona muito bem, alternando peso, agressividade e melodia nas devidas doses, com alguns backing vocals à lá QUEEN em alguns momentos.

Acertaram em cheio, mostrando que o PERC3PTION está no páreo para encarar quem quer que seja por seu lugar ao sol, seja no Brasil ou fora dele!

Um dos melhores discos de 2016, sem dúvida alguma!

HIPERCUBO - Trem da Loucura (Álbum)


2016
Hurricane Records
Nacional

Nota: 8,5/10,0

Músicas:

1. Intro
2. Trem da Loucura
3. Gasolina
4. Dance
5. Encruzilhada
6. Helena
7. Azul
8. Loucos no Inferno
9. Meu Amor
10. Rock'n'Roll Bar
11. Noite de Sexo


Banda:


J. Kid - Vocais
Matt - Guitarras
Malamanson - Guitarras
Saul - Baixo
Dieison - Bateria


Contatos:



Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Cada região de nosso país tem algo diferente em termos de Metal e Rock para mostrar, uma característica inata dela que entra no trabalho musical de qualquer grupo. Podem reparar, há algo que difere as bandas em relação à sua origem, talvez devido às características culturais do estado.

Nisso, o Rio Grande do Sul tem longa e forte tradição, e as bandas do estado possuem uma dose a mais de peso e agressividade. É algo sensível, mesmo em bandas mais voltadas ao Hard Rock/Rock'n'Roll, gênero que o estado possui uma boa tradição, e assim, não fica difícil entender os motivos que tornam "Trem da Loucura" um disco tão legal de ouvir. Sim, o primeiro álbum quinteto HIPERCUBO, de Campo Bom, é um disco empolgante.

Transitando entre o Rock'n'Roll e o Hard Rock praticado por bandas como MOTLEY CRUE, ou seja, algo despojado, com boa dose de agressividade e sujeira, mas envolvente, com refrões de fácil assimilação e muita energia. A fórmula não é inédita, muito menos é complexa, mas nas mãos de quem sabe (como o grupo sabe), sempre rende bons frutos. Entrem e sentem-se, pois o "Trem da Loucura" já vai partir por uma viagem prazerosa, regada à sexo, álcool e muito Hard Rock!

O disco foi gravado no Hurricane Studio, em Porto Alegre, sob a tutela de Sebastian Carsin. Assim, podemos aferir que a qualidade sonora que o grupo mostra em "Trem da Loucura" é boa, com bons timbres e tudo em seu lugar devido. E como Hard Rock precisa ter uma boa clareza, ela está presente, nos permitindo entender os arranjos da banda. 

Além disso, Alexandre Machado criou uma arte para a capa bem divertida, com aquele claro toque de Rock'n'Roll, fora um layout bem feito.

É bom que se perceba que o HIPERCUBO tem uma proposta musical que é sedutora, fazendo sua música de forma bem arranjada, com uma instrumentação sólida e um trabalho bem legal dos vocais. Mas apesar do clima descompromissado, percebe-se que a banda arranja bem suas canções, capricha nos refrões, e usa de letras em português, justamente para que se tornem mais simples para o público acompanhar.

Melhores momentos:

"Trem da Loucura" - Pesada e melodiosa na dose certa, aqui fica clara a veia mais Rock'n'Roll da banda. Belo andamento, vocais bem encaixados, e um trabalho ótimo de baixo e bateria, digamos de passagem.

"Gasolina" - Um dos hits da banda. A canção aposta em um dueto feroz de guitarras, com riffs mais simples (mas efetivos), e uma dinâmica de tempos muito boa. E um refrão ótimo, daqueles que se ouve e logo se está acompanhando a banda.

"Dance" - Sabem aquela levada não tão veloz, baseada em um trabalho forte de baixo e bateria? Pois é, ela está presente aqui, fora um refrão muito bom, além de um trabalho muito forte dos vocais e dos backing vocals.

"Helena" - Uma canção bem ganchuda, que gruda que nem chiclete. O ritmo é empolgante, o trabalho de guitarras é ótimo, e mais uma vez um refrão excelente.

"Meu Amor" - Transitando entre o Hard e o Rock'n'Roll, é uma faixa com boa dose de peso, novamente com a cozinha rítmica do grupo fazendo uma base sólida e de bom nível técnico. 

"Rock'n'Roll Bar" - Esta transita entre o Rock'n'Roll sujo e o lado mais cru do Hard Rock, focando bastante no andamento não tão veloz, e no refrão grudento.

A banda é muito boa, e está bem acima da média. E antes de tudo, eles possuem um trabalho muito divertido, descompromissado, e por isso é tão agradável e empolgante.

Todos a bordo desse trem do Rock'n'Roll, e boa diversão!

Em tempo: após o lançamento do álbum, o guitarrista Matt saiu da banda, entrando em seu lugar Roger (do ERIDANUS).

16 de set. de 2016

AS DRAMATIC HOMAGE - Enlighten (EP)



2016
Nacional

Nota: 9,0/10,0


Músicas:

1. Advert
2. Astral Infernal
3. Praxis
4. Enlighten
5. Full Moon Madness


Banda:


Alexandre Pontes - Vocais, guitarras, programmings
Alexandre Carreiro - Guitarras, guitarra solo
Leonardo Silva - Teclados
Vinicius Rodrigues - Bateria


Contatos:



Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Em termos de Metal nacional, todos os dias bandas novas surgem nesta Terra de Santa Cruz. Não há como negar este fato. Mas por outro lado, nomes de veteranos vez por outra aparecem mais uma vez, mostrando que estão em atividade, e dispostos a conquistarem seu lugar ao Sol na base da música. Nesse contexto, o Rio de Janeiro sempre foi um celeiro de bandas diferenciadas, muitas delas em sintonia com as tendências em evidência no exterior. 

E um dos nomes mais tradicionais do cenário carioca é o AS DRAMATIC HOMAGE, banda que ao longo de seus mais de 15 anos de existência soube evoluir, mas mantendo sua fidelidade às raízes do Avant-garde Metal que pratica. E depois de lançar dois Demo-CDs e seu primeiro álbum em 2012, o aclamado "Crown", lança seu novo EP, "Enlighten".

O que "Enlighten" nos trás?

A verdade é que a banda estabilizou sua formação como quarteto, e vemos que o gênero que trilham é um mix inteligente e pessoal de influências de bandas de Doom Metal clássicas, mais a energia de tendências extremas, e a força de bandas inovadoras como BORKNAGAR e ARCTURUS. Ou seja, é intenso, pesado, agressivo na medida certa, mas ao mesmo tempo, diferenciado e com momentos de pura beleza. 

Gravado no HCS Studio no Rio de Janeiro, tendo a produção, mixagem e masterização da própria banda, temos uma sonoridade bem feita, com cada instrumento em seu devido lugar, além do equilíbrio entre peso, melodia, agressividade e clareza estarem em ótimo nível. E vale salientar que quem gravou as partes de baixo do EP foi Fabiano Medeiros, músico convidado.

O trabalho gráfico da capa é cheio de uma simbologia subjetiva interessante, e que está plenamente em sintonia com o conteúdo musical do EP e com a proposta musical/lírica do AS DRAMATIC HOMAGE.

Composto por uma regravação, um cover e duas músicas mais atuais (a faixa "Advent" é uma introdução), percebe-se que "Enlighten" visa fazer uma ponte de ligação entre o passado da banda, o álbum "Crown" e o futuro que ainda virá. Mas é preciso ressaltar que o quarteto faz um trabalho longe de ser convencional, longe de ser comum ou repetitivo. 

As linhas melódicas do grupo são belas e com elementos progressivos/Avant-garde que estão longe da complexidade técnica que muitos esperam, e ao mesmo tempo não são simples. Arranjos ótimos, vocais que oscilam entre timbres agressivos e outros mais limpos, teclados muito bem encaixados, e base rítmica com boa dose de peso e técnica é o cerne do trabalho do quarteto, mas isso lhes permite infinitas possibilidades musicais. E isso, meus caros, eles sabem explorar muito bem.

"Advert" - Uma introdução bem soturna e climática, preparando o ouvinte para o desafio que virá.

"Astral Infernal" - Por ser uma música mais antiga da banda (vem do Demo CD "Atmosphere of Pain/Anthems of Hate", de 2005), apesar da roupagem atualizada, é mais seca e agressiva. Mas mesmo assim, existem momentos extremamente cheios de beleza ímpar, como as incursões de vocais limpos e belos teclados.

"Praxis" - Introspectiva e focada em guitarras limpas e vocais melodiosos, ela nos lembra bastante algo próximo ao que ARCTURUS e ULVER já fizeram. Mas o diferencial é a busca pelo belo em termos musicais/artísticos, e eles conseguem atingir seu objetivo. È onde vemos o que o futuro guarda para a banda.

"Enlighten" - Talvez seja faixa que vai deixar muitos dos ouvintes perplexos, pois ela junta o lado agressivo do grupo (algo que vem de suas raízes) com o Avant-Garde do futuro que está chegando. Existem belos momentos da base rítmica, uma riqueza de riffs muito boa, os vocais oscilando entre timbres rasgados e outros mais macios, solos de guitarra caprichados. E como dito acima: não é uma faixa complexa em termos técnicos, mas seus elementos são capazes de fazer a maioria dos fãs terem que ouvir muitas vezes para compreendê-la. E cada ouvida nova é uma experiência nova e bela.

"Full Moon Madness" - Aqui, temos a versão para um clássico do MOONSPELL que foi gravado para o tributo "Em Nome do Medo", lançado em 2014. A banda soube respeitar a música original, mas impõe sua personalidade, seu jeito de ser, criando ótimos momentos para nossas mentes e ouvidos.

Resumindo: "Enlighten" não veio para mostrar que o grupo está vivo, mas para mostrar para todos que o AS DRAMATIC HOMAGE ainda tem muito a dar ao cenário nacional. E não é a toa que foram escolhidos como "opening act" para o show do ROTTING CHRIST no Rio de Janeiro, em novembro próximo.

Quem viver, verá.

E a versão digital do EP já se encontra disponível, distribuída pela Cold Arts Industry no seguinte link: https://coldartindustry.bandcamp.com/album/cold008-as-dramatic-homage-enlighten-ep-2016

SPELL FOREST - Amentia Ludibrium Tenebris (álbum)



2016
Nacional

Nota: 9,5/10,0

Músicas:

1. O Poder Invisível do Caminho Pervertido
2. Amentia Ludibrium Tenebris
3. My Call of Hate 
4. Per Triangulum Autem Serpentis Nefarium
5. My Insanity Becomes Wisdom
6. Belial Dominus Deorum


Banda:

Lord Mephyr - Vocais, guitarras, teclados
Flagellum - Guitarras
Lord Morpheus - Baixo
Pestiferat XIII - Bateria, percussão


Contatos:


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Como é sabido por todos quando o assunto é Black Metal, o Brasil é um dos países onde o estilo é feito de uma maneira diferente, mesmo com a influência musical vinda da Europa. Aqui, o Black Metal ganha contornos diferenciados, com toques ou de outros estilos de Metal ou com a energia e acentuado toque latino nas linhas melódicas. Isso transforma e adapta um gênero ao público de nosso país.

E com certeza, um dos nomes mais fortes do país é o do SPELL FOREST, experiente grupo de São Paulo, e que retorna com o ótimo "Amentia Ludibrium Tenebris", que a Drakkar Productions acaba de pôr nas prateleiras das lojas.

De certa forma, o grupo preferiu fazer algo um pouco mais climático e voltado às raízes do Black Metal, ou seja, ainda continua criativo e com muitas mudanças rítmicas, mas a atmosfera do álbum como um todo é soturna, densa e cheia de momentos sombrios. Algo que retoma o que a banda fazia em seus trabalhos iniciais, mas sem negar a experiência acumulada pelos anos, logo, é um disco bem tradicional em termos de Black Metal, mas muito criativo e melodioso.

Tendo a produção dividida por Lord Mephyr (vocalista, guitarrista e tecladista da banda) e Fabiano Penna (do REBAELLIUN), mais a mixagem de David Castillo, a sonoridade de "Amentia Ludibrium Tenebris" é seca, com timbres cortantes, ou seja, mantém aquela qualidade característica do Black Metal. Mas ao mesmo tempo, foi bem cuidada, permitindo que o ouvinte compreenda bem o que o quarteto está fazendo.

O trabalho gráfico, por sua vez, ficou de primeira, com tudo trabalhado em tons de preto, marrom e amarelo, dando uma visualização sinistra ao que a banda faz musicalmente. Ou seja, a arte visual feita por Rubens Snitram (da Azoth Artwork) se encaixou perfeitamente na música do SPELL FOREST.

Apesar de voltado ao trabalho que conhecemos da SWOBM, o SPELL FOREST não nega sua experiência ou mesmo sua capacidade de criar músicas diferenciadas, com arranjos de qualidade que são capazes de surpreender até mesmo os detratores do Black Metal. Arranjos de primeira, boa dinâmica entre guitarras e teclados (criando aquela aura sinistra e mórbida tão característica da banda), baixo e bateria sabendo criar momentos diferenciados nos tempos, e vocais rasgados bem tradicionais são os elementos da banda, que unidos, criam algo fenomenal.

Usando de canções longas, os melhores momentos do disco são:

"O Poder Invisível do Caminho Pervertido" - é uma introdução bem climática e soturna, capaz de deixar os fãs arrepiados.

"Amentia Ludibrium Tenebris" - Uma música agressiva e ríspida, cheia de mudanças de andamento (o que mostra como a base rítmica da banda é técnica e coesa), mais um trabalho excelente dos teclados (que com suas intervenções providenciais ajudam a reforçar a atmosfera opressiva da canção). 

"My Call of Hate" - Mais uma vez, a agressividade é a tônica da música, mas o andamento não é tão veloz, embora bastante variado. E ela é cheia de passagens que nos empolgam, que nossos ouvidos captam e não esquecem mais, especialmente porque os trabalhos das guitarras e vocais estão de primeira linha.

"Per Triangulum Autem Serpentis Nefarium" - A banda usa uma pegada bem tradicional, onde mesmo os momentos mais rápidos estão próximos ao que a SWOBM ostentava em seu início. Mas o nível técnica é muito bom, mais uma vez se destacando o trabalho de primeira das guitarras em riffs sinistros à lá Euronymous.

"My Insanity Becomes Wisdom" - Aqui, impera aquele feeling melancólico e opressivo em meio a arranjos mais rápidos, mas com boas intervenções das guitarras, criando aquela aura macabra que o Black Metal brasileiro oferece sempre. Reparem que a dinâmica dos andamentos é fenomenal mais uma vez, indo de momentos bem velozes para outros mais soturnos sem pudor algum. E sempre muito criativo, especialmente porque baixo e bateria mais uma vez se destacam.

"Belial Dominus Deorum" - A velocidade dá espaço a uma música com enfoque mais cadenciado e arrastado. E isso cria algo ainda mais opressivo que antes, denso e climático, com a banda exibindo alguns momentos perfeitos nas guitarras, mas não se pode deixar de citar o quanto os vocais estão bem encaixados nessa música, que fecha o CD.

"Amentia Ludibrium Tenebris" é um ótimo CD, sem sombra de dúvidas, e existe em duas versões: a jewelcase e a edição Digipack (que é linda) em número bem limitado.

Corram logo, antes que acabem, pois este disco merece!

IMPERATIVE MUSIC Vol. XII (coletânea)


2016
Nacional

Nota: 8,5/10,0

Músicas:

1. ALICE IN HELL (Japão) - Time to Die
2. INFACT (Luxemburgo) - Change My Name
3. CAVERA (Brasil) - Controlled By My Hands 
5. NIHILO (Suíça) - On the Brink
6. STATUE OF DEMUR (Canadá) - Hot to Trot
7. DARCRY (Japão) - Cry of Despair
8. DEATH CHAOS (Brasil) - Atrocity on the Peaceful Fields
9. THE HOLY PARIAH (EUA) - No Forever
10. TRIBAL (Brasil) - Broken
11. HIDE BOUND (Japão) - Eden Kew
12. PHANTASMAL (EUA) - Specter of Death
13. BASTTARDOS (Brasil) - Exilados
14. METANIUM (EUA) - Resistiendo
15. THE WILD CHILD (Itália) - You and the Snow
16. ARMED CLOUD (Holanda) - Jealousy With a Halo
17. EDUARDO LIRA (Brasil) - The Edge
18. GODVLAD (Portugal) - Game of Shadows


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


E mais uma vez, temos em mãos uma coletânea com várias bandas. 

Dessa vez, é o décimo segundo volume da "Imperative Musis", uma compilação que já se tornou tradicional no meio, cujo enfoque é ter sempre o trabalho de bandas brasileiras junto com de bandas do underground mundial. E esta é uma idéia diferente, e muito bem vinda, mesmo em tempos onde uma grande parte do público esteja entregue ao download ilegal.

Voltando ao disco: desta vez, bem como no volume anterior, não existe nenhum nome gigante. O lado positivo é que a atenção do ouvinte não se foca em apenas uma ou duas bandas, podendo assim se dar o trabalho de ouvir e escolher aquelas que mais se adaptam ao gosto pessoal de cada um. 

Em termos de produção sonora, como quase todas as coletâneas conhecidas, o nível de gravação muda de um grupo para o outro, já que além de cada um deles ceder uma música gravada e já presente em algum trabalho já lançado (ou não), cada um ainda tem sua própria forma de fazer sua música e a idéia de como ele deve soar. Mas mesmo assim, a masterização feita no Slab Sound Studio, na França, deu uma uniformizada na sonoridade, sem obliterar a personalidade de cada grupo.

O nível das bandas é muito bom, mas destacamos as seguintes: a força Thrash agressiva e crua do ALICE IN HELL (Japão) em "Time to Die" (tem aquele jeitão KREATOR de ser, mas muito bem feito, e com uma insana saraivada de riffs), a fúria melodiosa do INFACT (Luxemburgo) que permeia "Change My Name" (embora existam momentos melodiosos muito interessantes), a força moderna do AS DO THEY FALL (Brasil) em "Burn", a brutalidade Death/Thrash Metal do NIHILO (Suíça) em "On the Brink", o destruidor de ouvidos DEATH CHAOS (Brasil) em "Atrocity on the Peaceful Fields" (já enfocado no Metal Samsara na resenha de seu EP de estréia, e aqui, arrasam mais uma vez, com uma faixa intensa e explosiva), o Death Metal bruto e melodioso do HIDE BOUND (Japão) "Eden Kew" (com vocais urrados bem diferentes do usual, bom nível técnico de bateria, e um ataque furioso das guitarras, com riffs intensos e solos cheios de boas melodias), o Thrash mais Old School do PHANTASMAL (EUA) em "Specter of Death" (muito legal ver uma banda que consegue pegar um estilo antigo e dar uma cara nova ao mesmo sem pudores de ser criativo), o Rock sujo e variado do BASTTARDOS (Brasil) com "Exilados" (mais um que busca ser diferente e criativo, usando um "outfit" melodioso e cheio de influências modernas no meio da sujeira despojada e empolgante), o Heavy Metal melodioso e cheio de influências do Hard clássico apresentado pelo THE WILD CHILD (Itália) em "You and the Snow", o lado mais melodioso e sinfônico do Metal dado pelo ARMED CLOUD (Holanda) em "Jealousy With a Halo" (belo trabalho dos vocais, diga-se de passagem, em uma música diversificada e cheia de momentos ótimos), as lindas melodias impressas pelo trabalho de EDUARDO LIRA (Brasil) em "The Edge" (uma faixa instrumental de primeira, onde a técnica do guitarrista é focada em criar uma ótima música, não uma exibição de ego), e a beleza melodiosa e moderna do GODVLAD (Portugal) apresentada em "Game of Shadows". Mas que fique claro: o trabalho de STATUE OF DEMUR (Canadá), DARCRY (Japão), THE HOLY PARIAH (EUA), TRIBAL (Brasil) e METANIUM (EUA) também são muito bons, merecendo aplausos.

Apesar da ausência de grandes nomes, este é um dos melhores versões da "IMperative Music", então, pode comprar com a certeza que vai gostar.

Parabéns à Imperative Music por mais uma ótima empreitada.

15 de set. de 2016

PATRICK PEDROSO - Labyrinth (Álbum)



2016
Independente
Nacional

Nota: 8,0/10,0


Músicas:

1. New Ways
2. Rage of the Storm
3. Only Ashes
4. Revolution
5. New Days
6. Some Creations
7. The New World Was Born
8. Inspiration
9. Visions of Time
10. Sounds of Mind
11. Freedom


Banda:


Patrick Pedroso - Guitarras
Marcos Janowitz - Baixo
Jarlisson Jaty - Bateria


Contatos:

Roadie Metal (Assessoria de Imprensa)

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O virtuosismo nas seis cordas que surgiu nos EUA na primeira metade dos anos 80, ganhou força na segunda e é aceito no mundo todo (até por aqueles que não tocam instrumento algum) tem alguns adeptos notáveis no Brasil. Falar do talento deles é chover no molhado, e ouvir um disco como "Labyrinth", do guitarrista PATRICK PEDROSO, é de fazer os sentidos chorarem de pura emoção.

Antes de tudo, é preciso dizer que "Labyrinth" é um disco instrumental, logo, o enfoque é mesmo no trabalho da guitarra. Mas diferente de muitos, Patrick prefere que sua técnica virtuosa expresse o sentimento das canções, e não que se exibam em uma mostra de auto-indulgência chata. Não, aqui, a técnica é sóbria, e é conseqüência das músicas, não a motivação por trás delas. As linhas melodiosas são respeitadas, e assim, o disco mostra algo semelhante ao que ouvimos em discos de JOE SATRIANI: a técnica servindo ao feeling, e não o oposto.

Produzido por Marcos Janowitz (baixista do trio) e pelo próprio Patrick, a sonoridade que o disco apresenta é muito boa, clara para que entendamos tudo que o guitarrista deseja expressar com suas canções. Mas óbvio que o peso é evidente, aquela dose de agressividade que distingue um disco de Rock de outro de Pop, logo, não há o que reclamar da qualidade sonora.

O disco é ótimo, e mostrando que a idéia principal de "Labyrinth" não é ser um disco orientado para guitarristas apenas, temos as participações do próprio Bruno e de Karim Serri em alguns solos, de Jailson Danielli nos violões, e de Anghelo Rodrigues nos teclados, logo, o disco soa ótimo em termos de composição, com músicas de primeira.

Apesar de ser bem homogêneo, podemos dizer que os melhores momentos do CD são: a pesada e variada "Rage of the Storm" (que apesar de ser bem agressiva, mostra alguns momentos mais introspectivos e versáteis, cheios de beleza), a raivosa "Only Ashes" (baixo e bateria mostram-se bem entrosados e com boa técnica, mas sem que o brilho do trabalho das seis cordas seja obliterado. Existem boas mudanças de ritmo, e uma dinâmica enorme em termos de arranjos de guitarra), a belíssima e sensível "New Days" (é uma música mais lenta, com ótimos arranjos das guitarras, em especial os fraseados bem feitos), a arrasadora e acessível "Some Creations" (é incrível ver a dinâmica de baixo e bateria com a guitarra, que exibe solos de primeira), a mais voltada ao Fusion Rock "The New World Was Born", a terna e envolvente "Inspiration", e "Sounds of Mind" e sua grande influência de música clássica.

"Labyrinth" é uma ótima estréia, e esperamos mais de Patrick, que se mostra mais um grande monstro das seis cordas.