16 de jul de 2017

R.I.V. - Welcome to Prog-Core (Demo CD)


2017
Selo: Independente
Nacional

Nota: 9,1/10,0

Tracklist:

1. Headache
2. Animal
3. Freaks In Action
4. No… P.A.S.


Banda:


Helbert de Sá - Vocais
Cláudio Freitas - Guitarras
Rodrigo Boechat - Baixo
Ricardo Parreiras - Bateria

Contatos:

Site Oficial: http://www.riv.com.br/
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Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Desde o surgimento do experimentalismo no Metal, algo que vem desde os anos 70, mas que se tornou mais comum nos anos 90. Nem sempre isso é muito bem visto (já que o Brasil jaz eternamente sob o jugo do radicalismo anos 80 “cuecão de couro” de muitos), mas é saudável, revitaliza gêneros e permite que todas as vertentes sejam preparadas para novos tempos. Mas alguns levam isso a extremos que não foram sequer cogitados antes, como o RHYTHMS OF VIOLENCE (mais conhecido pela sigla R.I.V.) faz em seu Demo CD “Welcome to Prog-Core”.

Vindos de Belo Horizonte, o quarteto esteve na ativa de 1988 até 1996, quando pararam. Mas o vício de se fazer música é algo que depois que se apossa de nós, não tem jeito. E eis que eles voltaram e estão fundindo Hardcore/Crossover com mudanças de tempo insanas, elementos de vários estilos musicais diferentes em uma mistura extremamente insana que leva Jazz, Progressivo, Death Metal, Grindocre e outras coisas mais. Mas é muito interessante. Soa pesado e agressivo, mas muito diferente do que estamos acostumados.

Para muitos, intragável, mas para muitos mais, o R.I.V. vem em boa hora, para mudar as regras do jogo. E isso é ótimo!

A produção sonora ficou bem crua, pesada e muito azeda. Mas creio que para a loucura criativa do grupo, ela se enquadrou bem, nos permitindo entender o que o grupo está tocando. Mas essa crueza, essa sujeira, parece ser claramente intencional. Vamos ser sinceros: eles estão criando algo novo, logo, nenhuma possibilidade pode ser descartado.

Sonoramente, o R.I.V. é desafiador, ganchudo e encorpado. Óbvio que para muitos fãs no estilo “você não conhece o Manowar” e outros “uga-ugas” da vida, a música do grupo será difícil de ser engolida. Mas para quem conhece o passado e sabe que o futuro é feito pelos diferentes e não pelos clones, sabem que um grupo assim é corajoso e capaz de criar muitas possibilidades!

Muita pancadaria e influências de Hardcore e Jazz se misturam em “Headache”, que ainda possui uns breakdowns e muito peso, com bacteria e baixo mostrando muitas partes diferentes e ritmos quebrados (até chocalhos estão presentes); curta e direta é “Animal”, talvez a mais comportada dentro do Prog-Core do crupo, lembrando bastante o Crossover clássico, com belo trabalho de guitarras; mas a insanidade retorna à toda em “Freaks in Action”, com vocais animais no meio do caos criativo e cheio de mudanças de ritmo, que vão do Grind extremo ao jazzístico sem medo; e ainda insana e bem azeda é “No… P.A.S.”, outra insanidade fora de controle, pesada e uma exibição de ótima técnica de baixo e bateria mais uma vez, sem que vocais e guitarras fiquem para trás.


Preparem-se quando forem ouvir “Welcome to Prog-Core”, porque esses sujeitos vieram para pôr convicções sonoras abaixo na base da bicuda sem dó!

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