20 de ago de 2016

GAMMA RAY - Sigh No More - Anniversary Edition (2015)



2016
Nacional

Nota: 9,0/10,0


Músicas:

Disco 1:

1. Changes 
2. Rich & Famous 
3. As Time Goes By 
4. (We Won't) Stop the War 
5. Father and Son 
6. One With the World 
7. Start Running 
8. Countdown 
9. Dream Healer 
10. The Spirit 
11. Sail On (Live) 
12. Changes (Live) 

Disco 2:

1. One With the World (Live at Wacken 2011) 
2. Dream Healer (Live in Montreal 2006) 
3. Changes (Blast from the Past version) 
4. Rich and Famous (Blast from the Past version) 
5. One With the World (Blast from the Past version) 
6. Dream Healer (Blast from the Past version) 
7. Heroes (Preproduction) 
8. Dream Healer (Preproduction) 
9. As Times Goes By (Preproduction) 
10. (We Won’t) Stop the War (Preproduction) 
11. Dream Healer (Demo) 
12. Rich and Famous (Demo) 


Banda:

Ralf Scheepers - Vocais
Dirk Schlächter - Guitars, backing vocals
Kai Hansen - Guitarras, backing vocals, vocais adicionais em "As Time Goes By"
Uwe Wessel - Baixo, backing vocals
Uli Kusch - Bateria, backing vocals

Contatos:


Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


A história do GAMMA RAY poderia ser contada por seus discos, verdade seja dita, já que cada um deles marca um período diferente do grupo. E em relação ao passado do grupo, de seus estágios iniciais, a parceria entre a Shinigami Records e a earMUSIC tem nos brindado com a fase inicial, com os primeiros trabalhos do grupo, sendo lançados em terras brasileiras.

Desta vez, é a hora de falar da edição de aniversário de "Sigh No More", que ficou muito luxuosa e cheia de adendos formidáveis, já que é dupla.

1991.

Naquele momento na história, o mundo respirava com dificuldades, já que a Guerra do Golfo era uma realidade, e o Kuwait foi invadido por tropas americanas, visando debelar as forças militares do ditador iraquiano Saddam Hussein que haviam tentado anexar o país. Óbvio que tudo isso foi por causa do petróleo, e acabou influenciando os as letras de "Sigh No More", que se tornaram bem críticas, ao estilo que Kai sempre gostou, ou seja, um manifesto em prol da paz, da humanidade aprender a conviver unida, sem ódios mútuos (uma olhadinha nas letras de "As Time Goes By", "(We Won't) Stop the War", "Father and Son", "One with the World", "Start Running", "Countdown", e "The Spirit" vão mostrar como eles estavam alinhados com o que acontecia no mundo).

De outro lado, musicalmente, a banda deu seqüência ao que já havia feito em "Heading for Tomorrow", mas como a formação estava mais concisa, a musicalidade da banda deu um "boost". Ou seja, o bom e velho Heavy/Power Metal de antes ainda está presente, mas cada vez mais distante do que a antiga banda de Kai havia feito até então (e ainda mais do que fazia na época). A banda está mais polida, mas mais sólida. E as músicas ficaram mais centradas, com todos os elementos musicais do grupo concisos.

A produção do CD e sua mixagem foram feitas por Tommy Newton na época, tudo gravado no KARO Studio, o que deixou a banda com uma sonoridade ótima, pesada e limpa na medida certa. Mas é preciso citar que a remasterização feita por Eike Freese para esta edição comemorativa ficou excelente, dando um brilho maior às músicas, ao mesmo tempo em que a capa que Hervé Monjeaud fez ficou excelente, bem melhor que a original. E o encarte, além das letras, tem uma biografia do que ocorria na banda durante aquele tempo (foca especialmente na questão da invasão Grunge dos anos 90), escrita por Matthias Minneurs (guitarrista do MOB RULES), além de fotos da época e uma diagramação muito boa.

Musicalmente, "Sigh No More" já começa a exibir para o mundo o que o grupo poderia fazer, sua musicalidade pesada, mas bem trabalhada e com a dose certa de agressividade. Ou seja, o GAMMA RAY amadureceu. Os vocais de Ralf são excelentes, sempre com aquele jeitão "Halfordiano" de ser; as guitarras de Kai e Dirk estão ótimas, se completando em tudo, tanto nos riffs como nos solos; e a cozinha de Uwe (baixo) e Uli (bateria) é excelente, sabendo levar o ritmo da banda de forma trabalhada, mas pesada. E como a remasterização do disco deixou tudo mais limpo e com volume extra, podemos apreciar um momento bem criativo da banda. E se não fosse muito, em "Sigh No More" temos a presença especial de Piet Sielck nos teclados e backing vocals (sendo que ele trabalhou na engenharia sonora do disco), Tommy Hansen nos teclados, Fritz Randow na caixa militar em "One with the World", Tommy Newton nas guitarras adicionais em "Father and Son" e "Countdown", além de backing vocals, e o falecido Rolf Köhler (músico Pop de sucesso nos anos 70, dono do Karo Studios junto com Kalle Trap, e que já participou como convidado em discos de vários grandes nomes do Metal alemão, como GRAVE DIGGER, HELLOWEEN, e BLIND GUARDIAN, entre tantos outros) nos backing vocals.

Falar o que de "Sigh No More"?

Existem clássicos irretocáveis da banda aqui, que dispensam maiores comentários, como e pesada e arrastada "Changes", a divertidíssima "Rich & Famous" (uma das músicas mais acessíveis do grupo, graças ao seu refrão grudento cheio de backing vocals ótimos), a veloz e cativante "As Time Goes By" (o típico Power Metal germânico, com grande interpretação de Ralf), a intensa e introspectiva "One With the World" ou a pesada "Dream Healer". Estas canções já estão mais que marcadas na mente de todos os fãs de Power Metal que se prezem. Mas no CD 1, ainda temos como adicionais duas músicas ao vivo, "Sail On" (que só era encontrada na versão japonesa do CD) e "Changes".

Agora, o disco 2 é todo composto de canções extras: temos versões ao vivo ("One With the World" no Wacken de 2011, e Dream Healer" em Montreal, em 2006, ambas com a voz de Kai), de Demos da época ("Dream Healer" e "Rich and Famous"), as versões regravadas que constam na compilação "Blast from the Past" (todas com Kai nos vocais, e com uma sonoridade mais atualizada, que são "Changes", "Rich and Famous", "One With the World", e "Dream Healer"). Mas um tesouro especial são as versões de "Heroes" (uma versão alternativa para "Changes"), "Dream Healer", "As Time Goes By" e "(We Won’t) Stop the War" na pré-produção, ainda com uma sonoridade crua e mais pesada, mostrando o quanto a banda colocou ou tirou das versões finais que constam no CD.

No mais, esta versão de aniversário de "Sigh No More" merece o investimento de todo bom fã de Metal que se preze.

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