20 de ago de 2016

TARJA - The Brightest Void (álbum)



2016
Nacional

Nota: 9,5/10,0

Músicas:

1. No Bitter End 
2. Your Heaven and Your Hell
3. Eagle Eye
4. An Empty Dream 
5. Witch Hunt
6. Shameless
7. House of Wax 
8. Goldfinger 
9. Paradise 


Banda:


Tarja Turunen - Vocais, piano
Alex Scholpp - Guitarras, violões
Christian Kretschmar - Teclados, piano, Hammond
Doug Wimbish - Baixo
Max Lilja - Cello
Mike Terrana - Bateria

Contatos:



Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia

Nos dias de hoje, em um contexto mais amplo, é quase impossível um músico se tornar uma celebridade, e quase uma unanimidade. Parece que as fronteiras se engrossaram, ou que o talento não basta. Poucos são os músicos que conseguem sair de suas bem sucedidas bandas e começarem do zero algo novo e serem bem sucedidos. 

Nisso, a vocalista Tarja Turunem é uma exceção. Após sair do NIGHTWISH em 2005, no ápice do sucesso, ela conseguiu consolidar uma sólida carreira solo. E esta carreira, em que usa apenas o nome TARJA para sua banda, tem rendido trabalhos excelentes, como "The Brightest Void", um de seus trabalhos mais recentes, que ganhou versão nacional pela parceria da Shinigami Records com a earMUSIC. E quem ganha são os fãs brasileiros, que pode ter o acesso ao trabalho facilitado.

Neste disco, Tarja preferiu pôr o material um pouco mais experimental, já que ela mesma admitiu ter muitas músicas no que seria seu novo álbum, "The Shadow Self" (que também vai ganhar versão nacional pela parceria Shinigami Records/earMUSIC). Ou seja, temos alguns covers, músicas que não seguiriam à risca o que Tarja costuma seguir em seus discos. Mas nem de longe isso significa que o disco é ruim, longe disso. É apenas um sabor diferente do que muitos estão acostumados, mas ainda assim, delicioso.

A própria Tarja colocou as mãos na produção do CD, tendo a ajuda de Tim Palmer (que ainda fez a mixagem), e produtores diversos para cada uma das faixas, e a masterização é de Justin Shturtz. Essa junção deu a "The Brightest Void" uma sonoridade mais cheia e pesada nos momentos certos, ao mesmo tempo em que buscou ter clareza onde a música mais necessita (especialmente nos momentos mais introspectivos e belos). 

Dizer que "The Brightest Void" é um disco de sobras (ou seja, aquelas faixas que não entram no disco após uma criteriosa seleção) não é justo. O material é vibrante, de primeira qualidade, mas diferente do usual. Mas os arranjos bem feitos, o cuidado com a estética musical como um todo, e tudo mais que sempre caracterizaram a carreira solo de Tarja, são os mesmos. E isso eleva o nível de exigência dela com ela mesma.

E quem ganha somos nós!

Melhores momentos: 

"No Bitter End" - Aqui, temos a versão do vídeo da canção, que também está em "The Shadow Self", só que um pouco mais curta. Mas é interessante este clima alto astral da música em si, preenchido pelo belo canto de Tarja e por riffs de guitarra com uma sonoridade moderna e agressiva em alguns momentos.

"Your Heaven and Your Hell" - Uma canção mais moderna, bem chegada ao Soft Rock atual, com timbres de guitarra interessantes. E é muito boa a participação de Michael Monroe, do grupo finlandês de Hard Rock HANOI ROCKS com sua voz esganiçada à lá Vince Neil contrastando com a voz de Tarja.

"Eagle Eye" - Esta é uma canção bastante influenciada pela New Age, amena e doce, que nos embala e comove. É interessante ver a participação dos vocais masculinos de Toni Turunen, fora o trabalho ótimo de baixo e bateria.

"An Empty Dream" - Esta canção é o tema principal do filme "Corazón Muerto". E é bastante focado nos teclados e efeitos eletrônicos. Mais próxima ao fim, foca-se no piano. Mas é uma canção amena, introspectiva, com vocais muito bonitos.

"Witch Hunt" - Mais uma canção introspectiva, focada em batidas e efeitos eletrônicos, com a voz de Tarja se postado se forma excelente mais uma vez.

"Shameless" - Novamente, Tarja aposta em uma música pesada e moderna, com alguns riffs com timbres bem intensos, e a música em si é forte. Reparem alguns vocais masculinos presentes, mas não tão evidentes.

"House of Wax" - Aqui, temos uma versão pessoal de Tarja para uma canção antiga de Paul McCartney. Óbvio que ela não fica distante da original, mas é uma versão bem feita, com alguns toques mais modernos.

"Goldfinger" - E lá vai ela fazer mais uma versão para um tema de um filme. Desta vez, é para o tema de "007 contra Goldfinger", filme de 1964, ainda com Sean Connery como James Bond. Óbvio que a voz de Tarja ficou bem melhor que a da cantora original (a talentosa Shirley Bassey), e embora respeite a canção original, ganhou uma roupagem mais moderna, com ótimo trabalho de guitarras, baixo e bateria, e assim, ganhou peso.

"Paradise (What About Us)" - Agora, um autêntico metalzão com a voz de Tarja dando aquele valor. Mas percebam como os andamentos são ótimos, e o peso se concentra bastante nos riffs das guitarras. Mas o toque a mais de elegância se mostra nas intervenções ótimas de teclados. E que refrão!

"The Brightest Void" é um ótimo trabalho, e prova que não é à toa que existe um culto enorme à Tarja e seus trabalhos...

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