21 de mar. de 2016

Pondo desordem no Metal bom mocista - Entrevista com o GODZORDER




Por Marcos "Big Daddy" Garcia

E falando em Thrash Metal, o GODZORDER, de Jundiaí (SP) é um belo exemplo do não conformismo.

Tendo na formação músicos experientes do cenário, o quarteto formado em 2013 veio e botou a casa abaixo com o EP "Obey", de 2015, que veio cuspindo fogo e fugindo um pouco do modelo OldSchool, dando uma pegada e sonoridade mais modernas ao Thrash Metal. E no fundo, não tem bons moços no quarteto.

Aproveitando a chance, fomos bater um papo com eles.



BD: Antes de tudo, eu gostaria de agradecer de coração pela entrevista. Então, vamos logo de cara com a pergunta mais clichê de todas: vocês já passaram por bandas como MACHINAGE, GORE ADDICTION e INFESTATIO, sendo que quase todo mundo tocou no finado STUPID VISION, certo? Logo, como foi que resolveram formar o GODZORDER, e qual a diferença das bandas por onde passaram, musicalmente falando?

Rafael Barba: Sempre quis resgatar o trabalho do o Stupid Vision, que ficou em modo “stand by” desde 2008. Então, em meados de 2012, impulsionado pela tour que eu havia feito pelos Estados Unidos com a banda Machinage e por uma série de comentários saudosos sobre o Stupid Vision que havia visto nas redes sociais decidi que era hora de retomar o projeto. Convoquei músicos que, além de já serem meus amigos e conhecerem o trabalho da banda, também foram influenciados por ela na época quando montaram seus projetos. Isso facilitou o entrosamento e logo nos primeiros ensaios as músicas fluíram tão naturalmente que o hiato de quase 5 anos em silêncio pareceu nem existir. O Marco e o Gustavo (ex-Gore Addiction/Sangue no Zóio), também aproveitaram para rever suas antigas composições e juntos achamos que seria viável uma fusão das ideias, uma vez que se assemelhavam na proposta musical. Seria só uma questão de “lapidar” as composições.


BD: E uma que já anda atormentando o juízo: por que justamente GODZORDER? Parece ser a junção das palavras "god" (deus) e "disorder" (desordem) no inglês, correto? E de onde veio a idéia, e qual o conceito que ele guarda?

Marco Mingote: Correto.É um nome com um duplo sentido,e veio da expressão “God’sorder”, ordem (ou desordem) divina trazendo a letra "Z" no meio unindo as palavras e deixando com uma única pronúncia fazendo com que cada um escolha o significado que lhe caia melhor. 

Rafael: É um conceito de livre arbítrio, de que tudo é uma questão de escolha, sempre haverá o SIM e o NÃO para o que quer que seja e cabe a cada um decidir o que escolher e qualquer que seja o deus em que você acredite, você obedecerá sempre a ordem do seu deus interior.


BD: Vocês surgiram em 2013, mas até o lançamento de "Obey", vocês lançaram apenas o vídeo Single para "Trademark", mais alguns shows, mas nada de lançamento de Demos ou outros Singles. O que levou a banda a gastar dois anos "na surdina"? E justamente hoje em dia, onde parece que, se você não grava logo um EP ou álbum, basicamente ela não existe?

Marco: Acho que isso foi meio natural, pois pensamos muito em dar o passo certo na hora certa, e enquanto o single rolava, íamos trabalhando em outras composições ou repaginando algumas coisas nos bastidores. Não adianta somente fazer algo e lançar na mídia, tem que se ter no mínimo um planejamento do que fazer, para que fazer, com quem trabalhar, enfim...

Rafael: Também houve uma série de contratempos nesse período que acabou postergando as coisas. Troca de integrante, problemas em conciliar horários de trabalho com compromissos da banda, quem estava desenvolvendo a arte da capa do EP desistiu e tivemos que procurar outro profissional e recomeçar tudo novamente, entre outras coisas... Só pra você ter uma ideia, o EP já estava pronto em novembro de 2014! Mas tudo acontece no seu devido tempo e nesse intervalo houve, por exemplo, o contato com os selos, o que agregou uma importante ajuda na distribuição.


BD: A famosa pergunta chata: O que levou o Zé Cantelli, antigo guitarrista, a sair da banda?

Rafael: Quando convidei os músicos para esse projeto, um dos guitarristas se recusou devido a outros compromissos e o Zé foi uma “opção 2”. Porém ele já atuava (e atua) como baixista de uma banda que está na ativa há mais de uma década.

Marco: No primeiro ano rolou legal, mas conforme a banda foi crescendo não deu para conciliar o tempo pessoal com duas bandas,e assim houve a saída dele. Mas nada pessoal, continuamos grandes amigos e sempre que possível compartilhamos os palcos nos shows.



BD: Outra coisa interessante: notamos em "Obey" é justamente esse mix muito bem feito entre um som que pega o Thrash Metal "OldSchool", coloca uma energia absurda, mas com uma sonoridade bem moderna e agressiva, que chama a atenção. Atribuem isso à gravação ou a proposta sonora do grupo em si? E digamos de passagem: o trabalho de vocês e do Adair (NE.: Adair Daufembach, produtor de "Obey") ficou de primeira. Aliás, na época, o assessor de imprensa de vocês, o Renato (da Heavy And Hell Press) basicamente me intimou a resenhar o EP (gargalhadas)... Aliás, o baixinho trabalha bastante, hein?

Marco: Quanto à composição, posso afirmar que foi 100% do grupo. A parte de produção deve ser toda atribuída ao Adair. Mas todos se envolveram inteiramente no desenvolvimento de cada faixa, dando a devida atenção a cada detalhe, buscando sempre conseguir o melhor resultado dentro da proposta que queríamos para este trabalho.

Rafael: A parceria com o Adair foi crucial não só na produção musical do EP, mas também para o amadurecimento da banda em relação a tudo referente a musica, desde a sua criação e execução até a mixagem e masterização. Foi uma aprendizagem valiosíssima que vai refletir nos futuros trabalhos.

Marco: E quanto ao nosso grande amigo Renato (Heavy And Hell Press) não temos nem o que falar. É um cara altamente profissional, que sabe fazer muito bem as coisas, e muita coisa boa e positiva vem acontecendo com a banda graças a essa parceria. Esperamos ainda este ano poder conhecê-lo pessoalmente. Um grande abraço ao nosso querido pequeno grande amigo.

Rafael: Acho q posso dizer que viemos crescendo juntos. Quando eu estava procurando uma assessoria para a banda, ele (o Renato) foi o único que me respondeu e se interessou em trabalhar com a gente. Tínhamos lançado recentemente o Single “Trademark” e mesmo só com isso em mãos ele fez acontecer uma série coisas, como resenhas, entrevistas, até agregou um número de fãs, o que aumentou os “views”e “likes” na nossa página. Mantivemos a parceria e desenvolvemos uma ótima sintonia. O considero como um integrante da banda. 


BD: E esta é uma pergunta: por que o Adair para produzir o disco? Existem outros nomes por aí, no mercado, tão experientes quanto. O que os levou até ele? 

Rafael: Em 2011 eu e o Marco trabalhamos com ele num outro projeto e nos demos muito bem,tanto pessoal quanto profissionalmente. Gostamos do método de gravação e produção que ele desenvolve em conjunto com a banda sempre buscando o melhor resultado, e também por ele ser referência como produtor musical de grandes bandas de rock e metal com trabalhos de qualidade inquestionável.


BD: Falando de "Obey": como foi a escolha das faixas do EP? Óbvio que vocês devem ter mais músicas, mas por que justamente estas?

Marco: Estava sendo meio complicado, daí deixamos a bomba para o produtor (gargalhadas)... Sim, temos outras composições prontas. Gravamos uma demo-ensaio com todas as músicas que tínhamos e enviamos para o Adair analisar. Ele gostou e achou bem interessante, daí criou um set para o EP escolhendo as que melhor se enquadrassem na proposta musical da banda para um primeiro trabalho, e o resultado que obtivemos foi exatamente o que queríamos passar para o público: um som cru, pesado, direto e reto, porém com definição e clareza.


BD: Ainda sobre "Obey": como anda sendo a recepção de público e crítica? Espero que boa.

Rafael: Posso afirmar com certeza que vem superando (e muito !) todas as nossas expectativas. As resenhas e críticas até o momento são totalmente positivas em todos os aspectos. Revistas, zines, blogs, críticos e o público em geral estão elogiando bastante o trabalho e isso é muito gratificante porque realmente investimos nisso para que não soasse apenas como “mais um CD de mais uma banda de metal”. Um único ponto “negativo” em comum mencionado em praticamente todas as resenhas foi o fato de se tratar apenas um EP. Entendo que isso seja mais pró do que contra, já que pediram mais...(risos).


BD: Por falar nisso, "Obey" chegou em um momento muito interessante que estamos vivendo: de um lado, alguns fãs defendendo o MP3 e as tecnologias atuais, mas ao mesmo tempo, o download ilegal acaba sendo uma consequência; e do outro, finalmente, está havendo uma reação, uma conscientização por parte de público e crítica do quanto o download ilegal acaba lesando as bandas. E no meio desse tiroteio, qual a posição de vocês? E ser neutro não vale, pois até eles estão levando chumbo no meio da coisa toda (risos)!

Marco: É relativo. Essa tal era digital, do mesmo modo que ela te ajuda, ela também te fode em vários aspectos...(risos). É uma realidade que temos que nos adaptar e saber trabalhar com ela. Como o GODZORDER é uma banda nova buscando conquistar espaço, a internet nos ajuda na divulgação fazendo com que a nossa música chegue a pessoas que jamais alcançaríamos só com vendas de CDs. E sabemos que infelizmente hoje em dia as bandas já não sobrevivem mais de vendas de CDs e DVDs, mas sim da venda de seus shows.

Rafael: Sou a favor da música como produto físico, mas confesso que iria lançar o EP apenas em formato digital justamente por causa dessa era em que estamos vivendo. Deixaria disponível para download em várias plataformas e investiria em divulgação o valor que gastaria numa prensagem. Mas como surgiu interesse de selos, mudei de ideia e nisso percebi que estamos numa fase de transição, em que um fã quer fazer o download gratuito mas também voltou a se interessar pelo CD físico. O mais certo é trabalhar em conjunto tendo sua música para oferecer em ambos os formatos.


BD: Eu ouvi e fiquei surpreso, pois o mix que falei acima ficou muito bom. Mas a capa tem uma simbologia interessante: uma hóstia sendo entregue à uma pessoa. Logo, qual a mensagem que querem transmitir com ela? E é claro que a ideia de "obediência" está bem clara nela, mas em um aspecto um pouco mais relacionado ao fanatismo, estou certo?

Marco: Sim, é bem por aí. Por causa do nome da banda, tivemos a ideia de usar esse ato da eucaristia como uma forma de protesto ao fanatismo de um modo geral, que sempre foi (e ainda é!) responsável por inúmeros conflitos e guerras causadas por divergências de crenças ou ideais. E como isso também acontece no mundo do Heavy Metal, achamos que seria interessante o conceito.

Rafael: Você também pode interpretar como a banda oferecendo ou entregando um CD para o fã curtir, absorver a ideia e seguir nossos passos se assim ele desejar, já que respeitamos o livre arbítrio.


BD: Hora da polêmica: sem ficarmos enchendo mais e mais o assunto do que já foi, o que acharam de toda essa polêmica que cercou o Phil Anselmo? Pergunto porquê de um lado escalavraram o homem até dizer chega, mesmo com ele se desculpando, e de outro, houve propostas amigáveis, como a de Scott Ian.

Marco: É um assunto bem difícil de tratar, porque ele já teve dessas crises desde a era Pantera. Enxergo ele como um cara problemático e, pra mim, ele foi totalmente errado ao expressar isso, principalmente em cima de um palco diante de um público. O que entendi desse assunto é que já passou dos limites, e isso revoltou a todos resultando em vários boicotes com a imagem dele. Ele criou isso a si próprio e vai ter que lidar com a situação por um bom tempo.

Rafael: Fiquei chocado. Mas acho que isso só tomou essa proporção porque alguém filmou e publicou o vídeo causando essa coisa toda. Tá... Cada um tem a ideologia que quiser. Beleza. Mas dependendo de qual seja ela, melhor manterem segredo em certos lugares afim de evitar polêmica, conflitos e divergências, principalmente se você é uma figura pública, popular, famosa, influente ou idolatrada. A merda tá feita e agora isso vai ficar marcado na vida dele, manchando sua carreira e sua imagem por muito tempo ainda.Mas a galera também gosta de causar, né... Tenho certeza que muitos dos que se pronunciaram protestando contra ele (Phill) nem sabiam o significado daqueles gestos e palavras. Só foram na onda por causa do “IBOPE” do fato.


BD: E shows? Como está a carga para vocês? Muitas propostas? E algo concreto para fora de SP, e pensando mesmo no Nordeste e RJ? 

Marco: Nossa agenda está aberta com datas disponíveis. 

Tocamos dia 05/03 em Jundiaí (SP), foi o primeiro do ano. Temos mais datas confirmadas novamente em Jundiaí para abril e também na cidade de Leme (SP), para o mês de Maio. Para fora de SP, ainda não temos nada concreto, mas já há probabilidade de shows em Minas e na região Sul. Nordeste seria uma boa, mas ainda não temos um contato certo naquela região. 

Rafael: Já houve convites para tocar na Argentina e nos Estados Unidos, o que seria excelente, mas para isso é preciso fazer um planejamento melhor e estudar as condições. Mas estamos dispostos a tocar em qualquer país, estado ou cidade que tenha interesse em nosso trabalho.


BD: E os planos? Tudo bem que o EP já supre algumas necessidades, mas deixa um gosto de "quero mais" em todos nós. Quando é que vem o álbum?

Marco: No momento, a prioridade é continuar promovendo o "Obey", mas já temos algumas músicas novas prontas e também estamos trabalhando em várias novas ideias, temos dezenas delas “na gaveta”, fora outras que vão surgindo.

Rafael: Acredito que ainda é cedo para prever uma data para um full lenght, mas não devemos nem podemos nos estender muito, pois tem muito “quero mais” para saciar...(risos). 


BD: Agradeço mais uma vez, e o espaço é todo de vocês para sua mensagem para nossos leitores.

Marco: Nós é que agradecemos pelo espaço e pela entrevista!

Um grande abraço a todos da redação, amigos e leitores, que seguem firme e forte o GODZORDER. Não deixem de acompanhar a nossa página do facebook, que sempre haverá novidades por lá. OBRIGADO !

Rafael: Faço minhas as palavras do Marco e quero acrescentar um THANKS especial para VOCÊ, leitor, que valoriza o Heavy Metal nacional e apoia a cena comprando os produtos das bandas, marcando presença nos shows e eventos, compartilhando e divulgando o trabalho de quem representa o gênero.
SIM! Precisamos de TODOS para que isso se mantenha vivo e se fortaleça.

“Éh nóis... e vocêis!”

Valew!



Nota: o Metal Samsara gostaria de agradecer encarecidamente a Renato Sanson (da Heavy And Hell Press, a assessoria do grupo) por tornar esta entrevista possível

Ouçam o EP "Obey na íntegra:



Contatos:

heavyandhellpress.blogspot.com.br (Assessoria de Imprensa)

HELLLIGHT - Journey Through Endless Storm (álbum)


2015
Mutilation Records
Nacional

Nota: 9,5/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O Doom Metal é, antes de tudo, um estilo dentro do Metal cheio de subdivisões bem distintas. Mas a essência é a mesma para cada uma dessas vertentes: um som cadenciado, azedo, fúnebre e bem inacessível para os não acostumados. Mas para aqueles que não ligam para regras, sejam bem vindos a um novo universo de infinitas possibilidades. E digamos que esta nova realidade encontra no trio HELLLIGHT, de São Paulo (SP) um de seus grandes representantes. Que o diga "Journey Through Endless Storm", seu mais recente trabalho.

Aqui, temos uma obra prima do Funeral Doom Metal. Ou seja, o som é ainda mais arrastado, pesado e intenso que nos outros estilos, e ainda carrega aquela mesma aura fúnebre que clássicos do Doom Death Metal como "Turn Loose the Swans", "Serenades" e "Shades of God". É preciso tomar cuidados, pois a sonoridade da banda realmente é de arrepiar, mas depois do primeiro momento, qualquer um fica estupefato pelo quilate do trabalho. Sim, pois o trio se superou!

Com mixagem de Fábio de Paula (guitarrista/vocalista do grupo), mais a masterização de Roberto Toledo deixaram a sonoridade de "Journey Through Endless Storm" azeda e densa, pesada e agressiva, mas com tais fatores se equilibrando com uma ótima clareza instrumental. E assim, a música do trio flui de maneira espontânea, e podemos absorvê-la de maneira natural. E a arte de Rodrigo Bueno é simples, mas sombria, como o trabalho do grupo, transparecendo o que vocês poderão ouvir.

A beleza musical do disco é surpreendente, pois em meio a tanto azedume e clima denso, existe uma elegância sutil, mas evidente. O grupo não se furta de ir adiante dentro de seu estilo, transcendendo tudo que já haviam feito antes, pois o experimentalismo tomou conta da banda, sem que seu estilo tenha perdido a essência. E para dar um toque a mais de elegância, temos as convidadas Cielinszka Wielewsk, do BULLET COURSE, tocando violoncelo em "Dive in the Dark", além de Cláudia O. Ghisi nos vocais femininos em "Journey Through Endless Storm"       e "End of Pain", ambas dando um toque a mais de brilhantismo ao disco.

A banda caprichou, verdade seja dita, pois cada uma das músicas é preciosa à sua maneira, tornando a audição de cada uma delas obrigatória, sem pular nenhuma, e mesmo sendo faixas enormes (a menor, "End of Pain", tem pouco mais de três minutos, mas todas as outras transcendem os oito minutos de duração).

Mas posso citar como destaques as seguintes faixas: a espetacular e diversificada "Journey Through Endless Storm" (azeda de doer, mas com a presença melancólica do violoncelo de Cielinszka, contrastando bem com riffs duros e teclados sinistros), a melancolicamente fúnebre "Dive in the Dark", que é adornada por riffs ótimos e com um trabalho pesado de baixo e bateria; a variada e elegante "Time", onde mais uma vez as guitarras mostram um trabalho excelente, junto com os vocais (que ganharam bem mais diversidade em termos de timbres nesse disco), a soturna e bela "Beyond Stars", com seus belos arranjos de teclados e forte melancolia, e a trituradora de ossos "Shapeless Forms of Emptiness" e sua atmosfera altamente depressiva, adornada mais uma vez com ótimos vocais e recheada de mudanças entre momentos mais duros, e outros mais melodiosos e elegantes.

Em suma: "Journey Through Endless Storm" é um disco bem difícil de ser absorvido, mas a cada ouvida, percebemos que o HELLLIGHT tem todo talento do mundo para preencher o espaço no coração que muitos sentem de música agressiva e melancólica.

E sou forçado a repetir um velho chavão: o Brasil já está muito pequeno para o grupo...




Músicas:

1. Journey Through Endless Storm
2. Dive in the Dark
3. Distant Light that Fades
4. Time
5. Cemetherapy
6. Beyond Stars
7. Shapeless Forms of Emptiness
8. End of Pain


Banda:


Fábio de Paula - Guitarras, vocais
Alexandre Vida - Baixo
Rafael Sade - Teclados, backing vocals

Contatos:

Metal Media (Assessoria de Imprensa)

20 de mar. de 2016

LUCIFER'S CHILD - The Wiccan (Álbum)


2016
Nacional

Nota: 9,5/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


Muito se fala na cena de Black Metal da Noruega, no início dos anos 90. Mas é bom não esquecer que existem duas outras escolas, com características sonoras bem próprias, a da Suécia e a da Grécia. No caso da última, temos um Black Metal mais soturno e climático, muitas vezes com tempos mais lentos. Basta ver nomes como ROTTING CHRIST, VARATHRON e NECROMANTIA são influentes por todo mundo em termos de Black Metal. E justamente da Grécia (mais especificamente de Atenas) surge um excelente novo nome, uma revelação maravilhosa, o LUCIFER'S CHILD, que acaba de lançar seu primeiro disco, "The Wiccan", que inclusive ganhou versão nacional pela Heavy Metal Rock.

O quarteto é, antes de tudo, um projeto paralelo de George Emmanuel (guitarrista do ROTTING CHRIST) e de Stathis Ridis (baixista do NIGHTFALL), logo, experiência longa eles possuem. E o estilo é um Progressive Black Metal atualizado, cheio de agressividade e ótimos arranjos instrumentais, e cheio de melodias sinistras. E a banda não economiza nas surpresas, se inovando a cada faixa, sendo que isso torna "The Wiccan" um disco precioso e bem diversificado musicalmente.

Produzido, mixado e masterizado pelo próprio George, podemos dizer que o CD tem uma sonoridade mais que satisfatória. Sim, pois a limpeza para compreendermos o que é feito está em ótimo nível, mas ao mesmo tempo, a agressividade e peso tradicionais da escola grega também estão presentes, deixando o trabalho altamente palatável aos nossos ouvidos. A arte e o design como um todo é de Stathis, que soube usar de uma aproximação mais simples, mas ótima e envolvente, dando corpo ao som do quarteto.

A banda nos surpreende a cada instante, pois temos uma diversidade musical ótima, indo de momentos mais agressivos a outros mais introspectivos e sinistros sem problema algum ou sem destoar. Óbvio que o know-how de anos de George e Stathis pesa muito, mas mesmo assim, os vocais de Marios Dupont mostram ótimos timbres agressivos, e a bateria de George Dovolos é pesada e firme, mas com boa técnica.

Escolher destaques em "The Wiccan" não é lá muito simples, pois o nível de qualidade é alto. Mas a ótima e ritmicamente diversificada "Hors de Combat" (recheada de riffs excelentes, além de um belo trabalho de vocais), a densa e sinistra "A True Mayhem" (que é permeada por certa melancolia, além de um trabalho muito bom de baixo e bateria), a pesada e também bem sinistra "He, Who Punishes and Slays" (belíssimos vocais, usando variações interessantes nos timbres rasgados), a intensa e versátil "Wiccan" (até uns slides de guitarra aparecem aqui, junto com uma diversidade técnica ótima), e a sinistra "Lucifer's Child", cheia de momentos mais soturnos e com arranjos ótimos de guitarra e baixo, além de corais fúnebres que dão um toque a mais de horror à música.

O LUCIFER'S CHILD já nasceu grande, e tem tudo para conquistar todos os fãs de Metal extremo que possuam bom gosto.

Em tempo: o baterista George deixou a banda após as gravações, entrando Nick Vell em seu lugar.





Músicas:

1. Hors de Combat
2. A True Mayhem
3. Spirits of Amenta
4. He, Who Punishes and Slays
5. King ov Hell
6. Wiccan
7. Lucifer's Child
8. Doom


Banda:


Marios Dupont - Vocals
George Emmanuel - Guitarras
Stathis Ridis - Baixo
George Dovolos - Bateria

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THE GOTHS - The Death (Álbum)


2016
Independente
Nacional

Nota 8,5/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


É interessante ver que novas bandas de Metal mais melodioso andam aparecendo por estas bandas, mesmo ainda timidamente. Não que a tradição do Metal extremo no Brasil seja algo ruim, apenas é necessário termos o melhor de dois mundos. É assim em qualquer lugar do mundo, logo, por que não aqui?

O THE GOTHS, de Campinas (SP), tem um trabalho voltado ao Metal mais tradicional, com alguns toques mais agressivos, mas sempre mantendo uma ótima noção melódica, com peso e maturidade. É o que temos ao ouvir "The Death", primeiro disco do grupo.

Como dito, a banda tem sua fonte de inspiração em um jeito um pouco mais moderno de se fazer Heavy Metal tradicional, ou seja, com aqueles riffs com certos toques de Thrash Metal. Mas mesmo assim, as guitarras possuem forte conotação melodiosa. E justamente esses ajustes fazem o trabalho soar tão bom. Pode-se dizer que a banda faz algo que o METALLICA tentou fazer no "Black Album", só que mais bem feito e equilibrado.

Com produção de Renato Napty, o CD tem uma qualidade sonora muito boa, equilibrando bem as questões de peso, agressividade e melodia, além de bons timbres sonoros em cada instrumento. E a arte da capa de Marcelo Nespti é muito boa, e bem feita.

O quarteto capricha em suas canções, sabendo ter personalidade, bons arranjos musicais, sem que deixe de soar espontâneo. E é bom citar que o baixo foi gravado por Fábio Ferrucio, e os solos foram gravados por Bruno Gusman e Felipe Disselli na seguinte ordem:

The Death - 1º Solo - Felipe Disselli, 2º Solo - Bruno Gusman
Killing your Fate - 1ºSolo - Bruno, 2º- Disselli
Kingdom of Sorrow - Disselli fez todos os solos 
Waiting for Changes - Disselli fez todos os solos 
Me My own Enemy - Interlúdio por Disselli e Bruno
Strange Way of Living - 1º Solo - Disselli, 2ºSolo - Bruno
Nightmares in Your Head - Disselli fez todos os solos 
Too Late - Interlúdio por Disselli e Bruno

Todas as oito faixas de "The Death" atestam que o grupo tem potencial, bastando que os fãs concedam um pouco de atenção ao quarteto. Mas a agressiva "The Death" (com um trabalho de guitarras, arranjos bem executados, e um vocal que consegue ser agressivo na medida certa), a azeda e certeira "Killing Your Fate", cheia de melodias mais envolventes e refrão bem feito; "Kingdom of Sorrow" com seu trabalho muito bom de baixo e bateria, além de mudanças entre momentos mais introspectivos e outros mais agressivos; a soturna e melodiosa semi-balada "Waiting for Changes", e a levemente intrincada "Nightmares in Your Head", com seu feeling mais moderno e guitarras caprichadas.

Muito bom mesmo o trabalho do THE GOTHS. Deem uma chance aos seus ouvidos, meus caros, e não se arrependerão.



Músicas:

1. The Death
2. Killing Your Fate
3. Kingdom of Sorrow
4. Waiting for Changes
5. Me… My Own Enemy
6. Strange Way of Living
7. Nightmares in Your Head
8. Too Late


Banda:


Felipe Disselli - Vocais, guitarras
Felipe Martins - Guitarras
Will Costa - Baixo
Lucas Disselli - Bateria
  
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19 de mar. de 2016

JAILOR - Stats of Tragedy (álbum)


2015
Independente
Nacional

Nota: 8,5/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O Brasil, apesar dos problemas advindos da política feita aqui, sempre foi uma terra capaz de gerar bandas relevantes, com trabalhos muito bons. E não é ufanismo, mas apenas uma constatação dos fatos. Bandas e mais bandas aparecem por aqui, sempre mostrando bons discos, assim como o quinteto JAILOR, de Curitiba (PR), que em seu segundo álbum, "Stats of Tragedy", deixa as garras à mostra.

Violento e bruto, mas com uma pegada mais old school, assim é o Thrash Metal do grupo, buscando não deixa pedra sobre pedra, mas ao mesmo tempo, eles não se furtam de usar de boa técnica, mudanças de ritmo bem interessantes e alguns tempos quebrados. Óbvio que tocar Thrash Metal já não é algo tão novo assim, mas o enfoque do grupo é bem pessoal, logo, sua personalidade está bem evidenciada. Preparem os pescoços, meus caros!

Maiko Thomé Araújo é quem produziu "Stats of Tragedy", e ele conseguiu deixar a sonoridade da banda bem agressiva e pesada, mas limpa, a ponto de todos os instrumentos estarem claros e com timbres bem sacados. Tudo funciona muito bem. E sem falar que a capa e arte são ótimas, um trabalho de Anderson L.A., da Naturza Morta arts & Design (http://www.naturezamorta.com/), que ficou ótima.

Muito bem trabalhada é a música do JAILOR, sempre mostrando algo diferente e que vai melhorando conforme você vai ouvindo. Apesar da clara influência da escola Thrasher alemã, o grupo desce a marreta em quem ficar pela frente, fazendo uma música intensa, mas sempre firme e cheia de bons arranjos.

Melhores momentos: a bruta e bem trabalhada "Human Unbeing" (que por sua vez, tem mudanças rítmicas muito boas além de voais urrados muito bem encaixados), a saraivada de riffs bem feitos de "Stats of Tragedy" (que riffs abusivamente pesados!), a bela e forte presença do baixo em "Throne of Devil" (além de uma bateria muito versátil), e a forte, pesada e opressiva "The Need of Perpetual Conflict" (mais uma vez lançando mão de guitarras muito boas em riffs agressivos). Ou seja, o resultado é bem positivo.

No mais, o JAILOR ainda tem muito para pôr para fora em forma de música, mas "Stats of Tragedy" já mostra que eles vão chegar lá.



Músicas:

1. G.O.D.       
2. Human Unbeing
3. Stats of Tragedy
4. Throne of Devil
5. Merciless Punishment
6. Jesus Crisis
7. The Need of Perpetual Conflict
8. Ephemeral Property
9. Six Six Sickness


Banda:


Flávio Wyrwa - Vocais
Daniel Hartkopf - Guitarras
Alessandro Guima - Guitarras, backing vocals
Emerson Niederauer - Baixo
Jefferson Verdani - Bateria

Contatos:

18 de mar. de 2016

TRAVO: Anunciada data de lançamento do primeiro videoclipe. Confira teaser!


Recentemente o TRAVO anunciou a produção do seu primeiro videoclipe. O vídeo seria o ponto de partida para a devida e oficial estreia da banda no cenário musical independente.


A música escolhida é a faixa de abertura do seu primeiro álbum, 'Sobre Todos, Para Ninguém' gravado no estúdio Ruído 111, e leva o título de 'Era X'. O clipe terá seu lançamento oficial no próximo dia 22 de Março de 2016. Confira o teaser abaixo:


As gravações do videoclipe foram feitas em uma instituição de ensino público, desgastada pelo tempo e pelo abandono das autoridades responsáveis da cidade, em Fortaleza-CE.

O clipe foi dirigido por Ítalo Ríbeiro da IR Produções.


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17 de mar. de 2016

LOST SOCIETY - Braindead (CD)


2016
Shinigami Records
Nacional

Nota: 9,0/10,0

Texto: Marcos "Big Daddy" Garcia


O número de bandas de Thrash Metal anda crescendo absurdamente no atual momento dentro do cenário Metal. Algumas buscam um enfoque mais old school, ou Thrash metal clássico, outros algo mais violento e explosivo, e mesmo algumas tendências mais modernas. E isso é bom, pois o estilo ganhou diversidade, e é em bandas como o quarteto finlandês LOST SOCIETY que vemos amadurecer tanta carga musical. E "Braindead", terceiro disco da banda, é um murro sônico em nossos ouvidos.

O impacto sonoro imposto pelo quarteto é algo surpreendente, mas ao mesmo tempo, eles usam muito da garra do Thrash Old School, e algumas poucas vezes, algo mais cheio de Groove abrasivo. Ou seja, eles buscam fazer um amálgama de tudo de bom que o Thrash Metal tem em si, e se saem muito bem na empreitada. E os aspectos técnicos e melódicos da banda estão bem equilibrados, mostrando peso e energia de sobra. E quem ganha é o ouvinte, já que "Braindead" é ótimo do início ao fim.

A produção de Nino Laurenne (que já trabalhou com AMORPHIS, ELVENKING, FINNTROLL, WINTERSUN, entre outros), assim como a mixagem dele também. A masterização de Svante Forsbäck. E o trabalho desses dois deu ao grupo uma sonoridade seca e cristalina, onde as melodias da banda são evidenciadas e podemos compreender o que eles estão fazendo. Mas também soa pesado e agressivo, como a banda precisa. E o trabalho artístico de Jan Meininghaus (capa) e Tim Wezel (arte adicional) ficou ótimo.

O LOST SOCIETY trilha por um estilo que já possui vários grupos, e que já foi usado outras vezes, verdade seja dita. Mas a diferença entre eles e outros é simples: os caras não estão copiando ninguém, mas sentando a pua do jeito deles, com arranjos muito bem pensados, e o uso dos clichês do gênero é feito com personalidade e muita garra. O quarteto não abre mão disso em prol de conservar uma sonoridade antiga.

O disco é bem feito do início ao fim, e banda realmente deu uma caprichada nas composições. Mas a cadenciada e bruta "I Am the Antidote" com suas guitarras pesadas nos riffs e nos solos bem feitos, a rápida e quase crossover "Mad Torture", que apresenta algumas mudanças de andamentos muito boas, a explosiva "Hollow Eyes" (que também possui um andamento mais refreado, mas com vocais insanos e riffs de guitarra empolgantes. Haja pescoço!), a sinuosa e cheia de belos arranjos de baixo e bateria "Hangover Activator" (mais rápida e com certo toque do Thrash Metal anos 80, mas sem deixar que o peso se perca), mais a bem equilibrada "Only (My) Death is Certain" (onde o quarteto busca mixar todas as suas influências, e se sai muito bem. A saraivada de riffs brutos e grudentos é incessante). O disco ainda tem uma versão maravilhosa para "P.S.T. 88" do PANTERA (do disco "Power Metal") e uma nova roupagem é dada a "Terror Hungry (Californian Easy Listening Version)", que recebe um jeito mais acessível e realmente digerível para os fãs não muito acostumados com o peso e velocidade do quarteto. E como a Shinigami Records anda nos prestando serviços ótimos, a versão nacional de "Braindead" ainda tem "Overdose Brain" em uma gravação ao vivo, que é bônus da versão em vinil do disco, como uma bonus hidden track.

É pôr o disco no CD player e preparar o pescoço para o massacre!





Músicas:

1. I Am the Antidote
2. Riot
3. Mad Torture
4. Hollow Eyes
5. Rage Me Up
6. Hangover Activator
7. Only (My) Death is Certain
8. P.S.T. 88
9. Terror Hungry (Californian Easy Listening Version)
10. Overdose Brain (live) (hidden track)


Banda:

Samy Elbanna - Vocais, guitarras
Arttu Lesonen - Guitarras
Mirko Lehtinen - Baixo
Ossi Paananen - Bateria

Contatos:

Facebook (Brasil)

Máquina de guerra Stoner-Thrash invencível - Entrevista com o PANZER




Por Marcos "Big Daddy" Garcia


O PANZER é uma das maiores instituições do Metal nacional, isso não há o que ser questionado.

Após um hiato de 10 anos, a banda retomou as atividades em 2012, e de lá para cá, vários Singles, EP, álbum ("Honor", de 2013), DVD ("Louder Day After Day – Live Panzer Experience"), e uma certeza: a máquina de guerra estava ajustada e pronta para mais conquistas. Mas há alguns dias, a banda sofreu baixas em sua formação, com as saídas de Rafinha Moreira (vocalista) e Rafael DM (baixista).

Só que para uma banda que se fortalece em meio às adversidades, o grupo continua forte, então fomos bater um papo com Edson Graseffi (baterista) e André Pars (guitarras) para saber o que o futuro nos aguardar.

Nova formação do PANZER

BD: Agradeço muito por mais uma oportunidade de entrevistá-los, e vamos direto e reto: o que causou a saída de Rafinha e Rafael? Parecia que tudo estava muito tranqüilo com a formação. E pouco depois do lançamento do Single "Left Behind".

André: Fala Marcos, nós que agradecemos a atenção que voce  dá ao nosso trabalho e respeito.

Na verdade, a saída do Rafael DM e do Rafinha, deu-se de forma tranquila. Não houve stress, não houve treta, nem nada. Foi de comum acordo. Simplesmente, o PANZER pretendia tomar um direcionamento musical um pouco mais calcado no que foi feito no início da banda e isso, não era exatamente o que os dois pretendiam. A importância deles pro patamar em que o PANZER está hoje, é inegável. Tivemos momentos muito bons juntos e disso a gente não esquece. Somos gratos por termos tido a oportunidade de ter esses caras ao nosso lado... Mas nem tudo é pra sempre. As famosas divergências musicais acabaram falando mais alto e nos separamos. Continuamos amigos. Eu mesmo converso muito com o Rafinha ainda. Quanto a isso, nada mudou... Apenas não tocamos mais na mesma banda. 


André Pars
BD: Obviamente que vocês já devem ter ou dois substitutos em vista, ou até já estão na banda. Poderiam nos contar qual das duas, e mais detalhes, tais como quem são eles, de onde vieram, se são músicos com experiência...

André: Sim, o line up está completo novamente. Para o baixo, trouxemos de volta o Fabiano Menon, que já foi baixista do PANZER logo após a saída do Jan, baixista do "Inside...". Para os vocais, quem assumiu o posto foi o Sérgio Ogres, vocalista muito conhecido da cena metálica e frontman da banda cover de Pantera Unscarred. O time está muito forte e à toda. Estamos trabalhando há algum tempo, mas só agora anunciamos os nomes...


BD: Ainda sobre Rafinha e Rafael, havia uma fusão da energia deles com a experiência e estilo de vocês dois. Acham que é possível manter esse tipo de química com os que estão chegando, ou seja juventude e energia + experiência e peso = PANZER?

André: O Rafinha e o DM realmente deram uma injeção de ânimo pra banda. Mas embora sejamos mais velhos, eu e o Edson temos um gás e vitalidade inacreditáveis. A gente não se abala e vai à luta, corre atrás, ensaia , toca, compõe,etc...Os novos integrantes têm uma faixa de idade muito parecida com a minha e do Edson. Posso te garantir que a vitalidade que esses caras têm, coloca muito moleque no bolso. Eles levam um estilo de vida Rocker, então, a química continua... de uma outra forma, mas continua e bem.

Agora temos 4 caras bem experientes e isso conta demais também...o entrosamento foi instantâneo. Estou muito feliz com essa nova formação e posso te garantir que daremos muito trabalho ainda...

A máquina não pára e está a mil...!!!!!!!!!!!


BD: Falando um pouco do Single "Left Behind", ele evidencia que um disco novo já deve estar por perto. Se eu estou certo, pode nos contar detalhes sobre ele, especialmente quando ele deve estar chegando? E outra: ele seria a última contribuição de Rafinha e Rafael, ou já veremos a nova formação em ação?

André: Você está certo, o disco novo está pronto. Só falta gravar. 

"Left Behind" encerra uma fase da banda. Uma fase um pouco mais voltada ao som extremo. Teoricamente foi a última contribuição deles para o PANZER. Digo teoricamente pois sempre fica alguma coisa. Principalmente quando a coisa foi legal... 

O PANZER retorna no novo trabalho, com o peso e fúria de sempre, mas evidenciando também, muito a veia Stoner e Heavy, que sempre permeou o nosso trabalho. Trouxemos muita coisa do "The Strongest" de volta. Havíamos abandonado um pouco esse lado, em troca da modernidade, mas as raízes sempre insistem em voltar... E era a hora de trazer isso de novo. Estou muito feliz com os resultados até agora. Acho que a galera vai curtir... Assim esperamos e estamos ralando pra isso...


Edson Graseffi
BD: Bem, uma um pouco fora dos temas atuais: já temos quase 3 anos após "Honor", e um de "Louder Day After Day – Live Panzer Experience", logo, eles chegaram onde vocês queriam, em termos de divulgação, aceitação pelos fãs e mesmo vendagens? E por falar nisso, houve algum feedback de fora do Brasil? E por falar nisso, a parceria com a Shinigami Records parece ter sido muito boa. Ela deve continuar?

André: Sim, os trabalhos atingiram e até superaram as nossas expectativas. Nos dois trabalhos tivemos uma resposta fantástica das pessoas e da imprensa. Tanto "Honor" quanto o DVD figuraram em muitos meios, entre os melhores de 2014 e 2015... Isso é bacana demais e dá uma energia pra nós. Mas o mais legal de tudo e que nos deixa orgulhosos, é que grande parte dessas votações foram feitas pelo publico... Isso não tem preço.

Da Shinigami só podemos falar bem. Eles só nos ajudaram. Parceria, só depende deles. Por nós tá feito... Não sei ainda como vai ser, mas somos gratos demais a eles. Seja como for o futuro...


BD: Falando em exterior, vocês deram um giro na Argentina junto com o CLIMATIC TERRA. E aí, como foi a recepção dos hermanos de lá ao som do PANZER? E pelo que sabemos, os fãs argentinos são tremendos fanáticos.

André: Foi animal, foi uma das minhas melhores experiências. Os argentinos são foda... Os shows foram ótimos, a viagem foi legal demais. E outra, as bandas que tocaram conosco são fantásticas. Fica a dica pra quem quiser, pesquisar sobre o metal argentino... Os caras não deixam pedra sobre pedra...


BD: E depois, eles retribuíram, e vocês, o CLIMATIC TERRA e o HELLARISE fizeram um showzaço (pelo que eu soube) no Hangar 110. E aí, como foi dividir o palco com eles lá e cá? E podemos dizer que está começando um intercâmbio entre bandas do Brasil e da Argentina? 

Edson: O pessoal do Climatic Terra já se tornaram nossos irmãos. Fazer 2 sequências de shows assim com uma banda torna todos muito amigos. Realmente o intercambio é real entre nós e eles e acreditamos que sempre existirá. A Argentina é um campo forte a ser explorado para nós e o Brasil para eles, acho todos só ganharão com isso. São 2 bandas bandas que confiam plenamente uma na outra e isso só traz resultado positivo para ambos os lados... e ainda podemos tomar algumas cervejas Argentinas por um preço bem bacana... (risos)

PANZER na Argentina com a banda KAUSTOS

BD: Ainda falando em exterior, o PANZER ainda não teve propostas para tocar fora da América do Sul, ou seja, EUA e/ou Europa? 

André: Sim, esse ano vamos de novo pra Argentina, Uruguai, devemos fazer Colômbia, e quem sabe os EUA. Tá tudo correndo... Assim que fecharmos as datas, a gente avisa. Mas vem coisa boa por aí...


BD: Panzer Fest. O último, em outubro de 2014, deu um público muito ruim, tanto que em 2015, nem sinal de uma nova versão. A que atribuem o pouco público da outra vez? E o festival volta ou não volta? 

Edson: Olha Marcão, veja só, fizemos as outras versões anteriores e foram ótimas para o momento que vivemos. Fizemos uma edição em Campo Grande através da ajuda de nosso amigo Hélio do Hellmotz e tudo deu certo, casa cheia e páblico assistindo a todas as bandas. Eu acredito mesmo que o problema é São Paulo e sua cena atual cheia de opções de bares com cover e o fato das pessoas não saírem de casa com tanta facilidade como era no passado. É uma questão cultural, ou anti-cultural, que vem se agravando. A grande quantidade de shows gringos também tem prejudicado a cena aqui. Tudo é muito caro em termos de ingressos para shows gringos e eu acredito que o pessoal tem escolhido onde vai gastar o seu dinheiro. Nós tínhamos um cast absurdamente bom, com nomes clássicos e novos da cena brasileira, local com estrutura de show gringo, equipamento de primeiro mundo, mas infelizmente nem tudo da certo no caminho de uma banda. Se o festival volta? Só o futuro e mudanças na cena podem dizer isso.


André em ação no Executer Fest
BD: E por falar no Panzer Fest, vocês, eu e outros por aí somos de uma geração que era mais unida, e que mesmo nos diferenciando por gostarmos de bandas diferentes, havia uma causa maior: o Metal. O que acha que mudou, e quais os motivos? E como recuperar aquele brio, aquela coisa de antes? E Edson: estava na hora de transformar seus posts "mais uma que ninguém vai curtir" no Facebook em uma parte de um site ou revista, pois mostra muita coisa boa para os mais jovens.

Edson: Eu vivo essa coisa toda faz mais de 30 anos e vi todas as mudanças ocorrendo. Eu sinceramente acho que a facilidade de se conseguir material ligado ao Metal, a facilidade de se conhecer novas bandas, tudo isso tirou um pouco o valor das coisas. Antigamente festejávamos quando conseguíamos uma fita K7 copiada de uma nova banda. Hoje, o cara baixa, ouve e se não gosta por algum motivo joga fora, tudo ficou banalizado. É difícil também conviver com certos radicalismos em relação ao Metal. Existe hoje uma galera que esta dentro do meio e ao mesmo tempo lutando contra ele de forma inexplicável, os haters que todo mundo conhece. Acho que o termo Headbanger ficou banalizado e distorcido. No passado nos considerávamos Headbangers, porque íamos a shows a qualquer custo e batíamos a cabeça como insanos no show. O termo "headbanger" é apenas isso. O cara que vai aos shows e agita batendo a cabeça. Isso vem das antigas gangs de Londres e se espalhou pelo mundo. Porque? Porque é legal pra caralho agitar em um show de Metal. Se pegarmos o primeiro disco do Iron Maiden eles estão ali agradecendo as gangs, cada uma com sua nomenclatura. Hoje o termo "headbanger" foi distorcido, todo mundo sentado atrás do computador é headbanger. Acredito que tudo perdeu o verdadeiro espírito de como realmente era. Acredito que tudo pode voltar a ser como era se as novas gerações passassem a ir mais em shows e viver a noite como vivemos no passado, só assim para se entender o Metal como ele era.


BD: O PANZER continua batalhador como sempre. Mas agora, quais são os planos para o futuro próximo? 

Edson: Este é o ano onde comemoramos 25 anos de carreira do PANZER. Não é fácil manter uma banda no Brasil por tanto tempo. Mesmo tendo ficado parados por muitos anos, mantivemos o espírito da banda vivo dentro de nós, e por isso ela voltou e está onde está hoje. Para 2016, teremos shows fora do país, lançaremos um novo disco e um documentário sobre estes 25 anos, além de muitas outras novidades. Estamos trabalhando pesado para tudo isso acontecer,

Edson durante as gravações do DVD

BD: Agradeço mais uma vez de coração, e deixamos o espaço para sua mensagem aos leitores e fãs.

André: Marcão, só uma coisa a dizer: VC É FODA!!!!!!!!!!! 

Ao público, agradeço as mensagens de apoio nessa fase de transição e peço que aguardem pois o PANZER está de volta... A Máquina não pára e vai atropelar quem estiver na frente...!!!!!!

Edson: Marcão, obrigado a você pelo espaço que você sempre nos concede e agradeço a todas as pessoas que tem nos apoiado por todos esses anos! Só existimos graças a vocês!


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