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3 de ago. de 2017

JOHN LAWTON - Aposentadoria? NUNCA!


Por Marcos “Big Daddy” Garcia

O nome de JOHN LAWTON está marcado na história do Rock ‘n’ Roll devido a seus muitos trabalhos como vocalista e compositor. Dono de uma voz poderosa e com trabalhos em bandas como LUCIFER’S FRIEND, URIAH HEEP e outros em seu currículo, ele está ativo como sempre. E ele gentilmente nos recebeu para esta entrevista, e aproveitamos para falar do passado, do presente e dos planos futuros dele.

John Lawton: Olá, Marcos… Obrigado por suas palavras gentis…


Antes de tudo, gostaria de agradecer muito a você por esta oportunidade, John. Vamos começar esta entrevista perguntando sobre suas raízes musicais: quando foi que começou o seu interesse no Rock ‘n’ Roll e quando começou a cantar?

John: acho que meu primeiro encontro com o Rock ‘n’ Roll começou quando ouvir ouvi pela primeira vez a canção “Diana” de Paul Anka (um pouco velho para alguns dos leitores). Acho que tinha 13 anos na época… OK, não é aquele Rock ‘n’ Roll, mas ela que deu o pontapé inicial no meu interesse por Elvis, Little Richard, Chuck Berry, etc... Então eu comecei a ouvir Blues com John Lee Hooker, Muddy Waters e caras assim que mudaram minha visão sobre música... Do Blues para o Rock é um passo bem pequeno 😊


Sobre o LUCIFER’S FRIEND: antes, a banda se chamava ASTERIX, e após o primeiro álbum, o nome foi trocado. Quais foram as razões da mudança? E porque LUCIFER’S FRIEND foi escolhido? Creio que deva ter causado grandes dores de cabeça com a mídia conservadora e os fãs na época.

John: Bem, o LUCIFER’S FRIEND como banda já existia ao mesmo tempo que o ASTERIX. Aquele album foi gravado como um projeto paralelo com um cantor chamado Tony Cavanagh. Eles buscavam um canto ingles para fazer os vocais do primeiro disco do LUCIFER’S FRIEND, chamado “Lucifer’s Friend”, e depois dos meus vocais no ASTERIX, eles chamaram. Não tive nada com a escolha do nome, os caras já haviam escolhido. O nome não foi um problema tão grande assim… Sim, houveram alguns comentários, mas a música superou de longe qualquer crítica...


BD: Nos anos 70, não existiam fronteiras para a visão musical criativa, então seus discos com o LUCIFER’S FRIEND mostram excelentes melodias e diferentes elementos, devido à doses de Rock Progressivo, e mesmo toques de Pop e Blues no som pesado e melodioso da banda. Você acredita que chutar todas as limitações musicais e mesmo os rótulos são uma parte importante de fazer um trabalho musical novo e diferente?

John: Naquela época, as gravadoras davam tempo para experimentar em estúdio, o que nós tínhamos. Eles nos davam tempo para criar aquilo que pensávamos ser nosso melhor trabalho. Atualmente, é diferente, por conta da tecnologia dos dias de hoje, um músico pode fazer um álbum em sua própria casa😊E sem precisar realmente de uma banda😊


Ouvindo hoje em dia “Lucifer’s Friend”, “Where the Groupies Killed the Blues”, “I’m Just a Rock & Roll Singer”, “Banquet” e “Mind Exploding”, você se arrepende de algo? E se pudesse voltar no tempo, você mudaria algo na música ou na forma que as coisas aconteciam na banda?

John: Musicalmente, não existe nada que eu mudaria. Tocamos e gravamos como nos sentíamos naquele tempo, e acho que fizemos bem. A única coisa que eu mudaria: teria aceitado a oferta Miles Copeland (o empresário do THE POLICE na época) para ser nosso empresário, que veio até a Alemanha nos fazer uma proposta. Infelizmente, nossa gravadora não quis entrar em uma discussão e estupidamente concordamos com eles… Em retrospectiva, nós deveríamos ter ido com ele…


Em 1976, você entrou no URIAH HEEP. Você saiu do LUCIFER’S FRIEND para entrar no URIAH HEEP, ou havia saído um pouco antes? E não sentiu a pressão por estar no lugar de David Byron, que era amado pelos fãs? E se lembra de como os fãs o receberam na época?

John: Naquele tempo, os caras (NR: do LUCIFER’S FRIEND), estavam todos fazendo projetos diferentes, Peter Hesslein e Peter Hecht estavam trabalhando com JAMES LAST ORCHESTRA, e eu estava no LES HUMPHRIES SINGERS. Todos tínhamos outras coisas acontecendo, e o Lucifer’s se tornou algo como um projeto paralelo, e quando o convite do URIAH HEEP, decidir ir com eles.

E claro, existiu pressão por eu vir depois de David no Heep, ele era o frontman de uma banda grande. No princípio, os fãs estavam um pouco apreensivos, mas após alguns shows e o lançamento do álbum “Firefly”, eles começaram a me aceitar...


Você gravou 3 discos com o URIAH HEEP, “Firefly” e “Innocent Victim” em 1977, e o clássico “Fallen Angel” em 1978 (sim, um de meus favoritos da banda). Quais são as suas boas recordações das gravações, tours e convivência com a banda? As más, deixemos de lado.

Ei, eu aprendi muito em meu tempo com o Heep, técnicas de estúdio/harmonias vocais e vi muito do mundo que eu provavelmente não veria...

Fizemos alguns concertos ótimos, e pude encontrar alguns músicos realmente grandes… Tivemos alguns momentos não tão bons, mas eles foram poucos e distantes uns dos outros


Após sair do URIAH HEEP, você só gravou dois álbuns nos anos 80: seu disco solo “Heartbeat” em 1980, e “Stargazer”, do REBEL, em 1982. Mas parece que você ficou quieto demais até os anos 90. Quais foram os motivos desse silêncio tão longo?

John: Sim, tirei algum tempo e fiz muitos trabalhos de estúdio para outros músicos. Também formei uma banda de finais de semana (GUNHILL) com alguns amigos e tocamos em clubes pequenos ao redor de Londres, tocando covers e material que realmente gostávamos como, por exemplo, WHITESNAKE, BAD COMPANY e apenas boas canções de bandas que gostamos. Foi divertido, e me diverti muito com esses shows sem pressão alguma...


Mas pelo visto, após estes anos sabáticos, você retornou a plano vapor, gravando com muitas bandas e fazendo muitas tours. Parece que você ainda tem algo a dizer. Ou o Rock ‘n’ Roll não é apenas seu trabalho, mas um vício? E se for, e é um ótimo vício! Todos somos viciados em Rock ‘n’ Roll!

John: Bem, tenho sido um músico na maior parte da minha vida, e sim, suponho que seja um vício. A banda depois mudou o nome para JOHN LAWTON BAND e trabalhei com músicos realmente ótimos. Gravei o album “Sting In The Tale” com esta banda, que acho um bom disco em minha opinião… E o album “Stepping It Up” com LAWTON/DUNNING PROJECT, logo, realmente é um vício😊


Lucifer's Friend

Pulando para anos mais recentes, você voltou com o LUCIFER’S FRIEND. Parece que a coletânea “Awakening” (com algumas músicas novas) e o disco ao vivo “Live at Sweden Rock” os despertaram de um longo torpor. E no ano passado, “Too Late to Hate” veio ao mundo. O que o fez voltar com a banda? E como foi a recepção do álbum? E sua você realmente é maravilhosa, me permita dizer.

John: Bem, obrigado… Um pouco mais velho, é verdade😊… Recebi um pedido de um promoter Norte Americano para trazer o LUCIFER’S FRIEND de volta à ativa, mas isso não deu em nada. Mas nos deu o ponto de partida para reformar a banda.

A recepção para os 3 álbums tem sido realmente positiva, especialmente para “Live at Sweden Rock” e “Too Late to Hate”… A resenhas tem sido muito boas, apesar de termos estado ausentes por tanto tempo…


“Too Late to Hate” é um album muito bom, pois as canções são excelentes e sua voz está ótima. Como foram as gravações, e como o disco foi composto? E agora que está vindo tocar no Brasil, como espera que seja o público durante os shows? 

John: Como sempre, Peter Hesslein faz a maior parte das músicas, e eu adiciono certas melodias e as letras… E por Peter ter a tecnologia para gravar a maior parte dos instrumentos na casa dele, isso faz tudo mais simples para mim. Gravei as linhas vocais aqui em Londres, e as linhas de bateria, baixo e teclados foram gravadas em Hamburgo. E pudemos mandar e-mails um para o outro com aquilo que estávamos gravando diariamente... Graças à Internet😊

Houveram algumas conversas sobre fazermos alguns shows no Brasil e na América do Sul, mas nada definido ainda. Gostaríamos muito de chegar no Brasil, pois sei que temos muitos fãs por aí... Vamos aguardar 😊


John, você está no Rock ‘n’ Roll cantando, compondo, excursionando e tudo mais por quase 50 anos. Como se sente ao olhar para o passado? Mudaria algo? Arrepende-se de alguma coisa? E espero que fique conosco por mais 50 anos de música! Óbvio, já que é um amigo de Lúcifer (risos)!

John: Oh, essa é bem difícil (risos)... Não creio que iria querer mudar algo musicalmente falando, consegui a maioria das coisas que queria quando comecei.

E terminamos a pouco de gravar um novo album do LUCIFER’S FRIEND, e aqui, uma exclusividade: ele se chamará “The Last Stand”… E não tenham idéias precipitadas por este título😊… 10 novas músicas com algumas surpresas... Podem aguardar...


Eu agradeço por sua gentileza e tempo. E por favor, deixe sua mensagem para nossos leitores e seus fãs.

John: Primeiramente, Marcos, obrigado pelo tempo e interesse, e a todos os nossos fãs (amigos) que estão aí, agradeço pelo apoio através dos anos, e talvez possamos  nos encontra pessoalmente...

Fiquem bem.

John.


Contatos:

Site Oficial de John Lawton: http://www.johnlawtonmusic.com/
Site Oficial do Lucifer's Friend: http://www.lucifersfriend.com/
Página oficial do Lucifer's Friend no Facebook: https://www.facebook.com/LucifersFriendOfficial/

O Metal Samsara gostaria de agradecer a Thiago Mauro Rahal da TRM Press por faze esta entrevista possível.

16 de fev. de 2017

VORGOK – Carnificina Thrasher dos ouvidos não acostumados.


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia

Mesmo ainda tão jovem, o quarteto Thrasher VORGOK ainda angariando fãs e boas críticas da imprensa especializada com seu primeiro disco, “Assorted Evils”.

Aproveitando o bom momento, lá fomos nós bater um papo com Edu Lopez, vocalista/guitarrista do grupo, e saber sobre passado, presente e futuro do grupo.

BD: Oi Edu. Agradeço demais pela entrevista, e vamos nós: quem conhece a fundo sua estória do Metal carioca, sabe que nomes como NECROMANCER e EXPLICIT HATE fazem parte de sua carreira. E mesmo com o relançamento de “A View of Every Side” em 2012 (que trás o álbum “A View from the Other Side” e a Demo do EXPLICIT HATE), e de “Forbidden Art” (do NECROMANCER) em 2014, você preferiu fazer algo novo. Qual o motivo? Não seria mais fácil continuar com uma das bandas acima, que já possuem nome estabelecido no cenário?

Edu Lopes: Além das bandas citadas teve também o ANSCHLUSS, que foi a primeira banda de Metal de que fiz parte. Ocorre que, embora eu tenha assistido e feito parte do surgimento da cena Thrash Metal no RJ, a minha “carreira” foi muito, muito errática à época. Coisa que pode acontecer com qualquer moleque. Tive uma passagem relâmpago pelo EXPLICIT HATE antes mesmo do lançamento do único álbum da banda. Em 2013 houve uma tentativa de retomada da banda. Porém, essa sempre foi a banda do Rodrigo e do Gustavo Santoro e toda iniciativa e direção musical sempre dependeram deles. Quem quer que seja que complete a formação será sempre apenas um “tripulante”. Por uma série de razões, a banda fez um único show com o Nervochaos e Headhunter D.C. e parou novamente. Quanto ao NECROMANCER, que são também amigos lá dos anos 80, recebi o convite para integrar a banda para promovermos o álbum que estava para ser lançado (exclusivamente com material dos anos 80 e início de 90 que nunca havia sido propriamente lançado). Mais uma vez, me vi na condição de “tripulante”, e as diferenças de objetivo começaram a aparecer quando a banda decidiu iniciar as composições para um álbum seguinte. Como “tripulante”, minhas composições não estavam sendo aproveitadas porque havia na banda um desejo de seguir uma linha, digamos, mais moderna de metal. Isso nunca me interessou, e é fácil perceber isso: as músicas “Kill Them Dead”, “Deception in Disguise” e “Antagonistic Hostility” foram compostas para o NECROMANCER e acabaram entrando no disco do VORGOK, todas numa pegada muito Old School, que é o meu interesse. Para não ter dúvidas disso, veja que a música “Hell’s Portrait” foi originalmente composta para o ANSCHLUSS, lá por volta de 87, quando eu tinha 15 anos! Com exceção de um riff aqui, um arranjo lá, das letras e do título (porra, não dá pra gravar, hoje, a letra feita por um moleque de 15 anos! hahahahaha) a música é a mesma. Fico muito feliz de ter gravado essa música, e a considero uma das mais elaboradas do CD. Por tudo isso, continuar com uma das bandas que você mencionou não era sequer uma opção, e senti que, desta vez, precisava de uma banda em que pudesse expressar o tipo de Thrash Metal de que sou fã, com espaço para as minhas composições e visão artística. Dessa necessidade surgiu a idéia de formar o VORGOK. De outro lado, eu tinha uma “banda” de covers com o João Wilson (baixo) só pra diversão. Aquele negócio de ir pro estúdio com os amigos pra tocar músicas que todo mundo conhece sem compromisso nenhum, tomar umas cervejas e tal. O baterista dessa “banda” se mudou pra Curitiba e aí convidei o João pra montar uma banda autoral de Thrash e ele, que é o maior pilhado e adora esse estilo de Thrash porradão, topou na hora. Assim começou o VORGOK. Atualmente, a banda conta também com Bruno Tavares (guitarra; DEMOLISHMENT, FÓRCEPS) e, na bateria, com nosso irmão Jean Falcão (ABSOLEM, DARK TOWER) como session drummer, que está dando essa moral pra gente mesmo não sendo um membro efetivo.


BD: Sei que a pergunta deve estar enchendo sua paciência de tantas vezes que já respondeu (risos), mas como teve a idéia para o nome VORGOK, e o que ele significa?

EL: O nome “VORGOK” surgiu da necessidade de uma palavra que fosse curta, soasse forte e traduzisse a seguinte ideia: a coleção de todos os males passados, presentes e futuros praticados e a serem praticados pela humanidade. Tendo em vista a inexistência de uma palavra que designasse esse coletivo, fui fazendo experiências, tipo juntando sílabas desconexas, até chegar em “VORGOK”. Esse significado apresenta a temática lírica da banda.

Vorgok (da esquerda para direita): Edu Lopes, João Wilson, Bruno Tavares, Jean Falcão.

BD: Essa é simples: como o VORGOK possui uma identidade baseada no Thrash Metal e suas letras são bem feitas, quais seriam os temas abordados? Há uma linha de raciocínio única por trás delas? Ou cada uma é tratada separadamente, para depois serem juntadas em um mesmo contexto?

EL: Em “Assorted Evils”, os temas abordados foram intolerância religiosa (“Kill Them Dead”), manipulação (“Deception in Disguise”), opressão (“Antagonistic Hostility”), extermínio das espécies (“Last Nail in our Coffin”), direitos dos povos do terceiro mundo à alimentação (“Hunger”), à educação (“Headless Children”), ao refúgio (“Mass Funeral at Sea”), escravidão no século XXI (“Man Wolf to Man”) e o ressurgimento de doutrinas nacionalistas xenofóbicas como o nazismo (“Hell’s Portrait”). A maior parte das letras teve por base pesquisas de relatórios de organismos da ONU como FAO, ACNUR, UNICEF e artigos doutrinários veiculados em variadas publicações. Não tenho a ilusão infanto-juvenil de que uma banda underground de Thrash Metal seja capaz de aplacar diretamente males históricos de tamanha envergadura, mas acredito que é possível dar uma colaboração quanto à conscientização das pessoas para sua existência e, assim, por via indireta, fomentar a tomada de atitudes que, elas sim, possam se opor paulatinamente à tais atrocidades com ações práticas tomadas no dia a dia.


BD: Edu, o VORGOK tem um jeito Old School de ser, óbvio, então, a pergunta é: quais seriam as maiores influências musicais do grupo? E as suas, individualmente falando?

EL: Eu citaria SLAYER antigo (isto é evidente e inevitável: em breve farei 45 anos e conheço o SLAYER desde antes do lançamento do “Hell Awaits”. O troço está entranhado em mim! rsrsrsrsrs), DARK ANGEL, SACRIFICE, DORSAL ATLÂNTICA, SEPULTURA e KREATOR antigos, algum EXODUS e algum Death Metal Old School no estilo da Flórida. Nossa preocupação com que algumas pessoas nos vejam como clones é zero: perceba que quanto às bandas que citei, algumas estão inativas e outras mudaram consideravelmente sua sonoridade. Pessoalmente - e me considero um grande “garimpeiro” de bandas underground - fico muito satisfeito quando encontro uma banda cujas referências consigo relacionar a essa abordagem mais tradicional, brutal e crua do Thrash que as grandes bandas antigas ainda em atividade deixaram para trás. Para mim, o importante mesmo é conseguir me conectar com o som de uma banda, vindo essa mítica “originalidade pura” em segundo plano. Individualmente falando, citaria Kerry King, Jeff Hanneman, Mille Petrozza e, por causa do domínio no uso criativo da alavanca, Gary Holt. Mas meu objetivo nunca foi ser um fritador virtuoso. Meus solos não esbanjam técnica, e estão lá somente quando acho que é possível agregar alguma coisa à composição. Acredito cegamente em que “o ódio está no riff” e compor é o que mais gosto de fazer e o mais importante para uma banda. Essa certeza s tornou inabalável pra mim depois que assisti a uma entrevista do Gary Holt, que, além de tecnicamente sensacional, é um “riffmaker” de mão cheia, em que ele disse “Fuck the solos, man. I’ve got a lot of riffs” rsrsrsrsrsrs.


BD: Mas mesmo com essa carga Old School, o som do VORGOK em momento algum soa datado. Quando ouvi as primeiras faixas, a agressividade, peso e brutalidade saltaram os olhos. Poderia nos explicar essa concepção sonora diferente, mas que mantem a convicção Old School?

EL: Concordo com a sua afirmação, mas essa é uma pergunta muito difícil de responder. Poderia respondê-la com o chavão de que, em que pesem as influências, procuramos dar nossa identidade às músicas, mas não sei se seria uma resposta completa. Acredito que o trabalho do nosso produtor, Celo Oliveira, esteja diretamente associado a esse resultado. Ele é um profissional altamente competente, jovem, porém muito experiente, com a cabeça muito aberta e antenado. Creio que o trabalho desenvolvido na timbragem e na mixagem, sobretudo pelo espaço que encontramos para o baixo aparecer, sejam elementos importantes para o material não soar datado, tudo proporcionando um equilíbrio entre o antigo e o moderno, isto é, uma sonoridade claramente compreensível e equilibrada, mas que não fosse límpida como os padrões atuais, que muitas vezes te fazem sentir falta do elemento humano.


BD: É hora de falar do CD em si. Como disse acima, a gravação soa moderna, bem feita e bem cuidada, dando ênfase ao peso e à agressividade das músicas. Logo, como foi trabalhar com o Celo Oliveira (produtor do CD)? Teve muito quebra-pau (risos)?

EL: Trabalhar com o Celo foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para a banda. Além das qualidades que citei, ele compreendeu rapidamente a proposta do som e manteve-se fiel a ela, não veio com “invencionices” pra fazer algo “modernoso”. Simplesmente usou seu talento e conhecimento para que, dentro da nossa proposta, o melhor resultado fosse alcançado. Por tudo isso, o processo todo de produção foi muito suave e ficamos todos extremamente satisfeitos e felizes com o resultado final.

Capa de “Assorted Evils.

BD: A capa trás uma arte estilizada dos Budas de Bamiyan, destruídos pelo Taliban em 2001. Como foi que esta idéia veio à mente? Ela parece ter uma ligação com a letra de “Kill Them Dead”, que trata da dualidade fanatismo/intolerância, bem comum em nossos dias. No fundo, como você vê essa questão? Sério: os atos de intolerância estão cada dia piores, e não somente vindo de fundamentalistas muçulmanos, mas de outras religiões também. Parece que o mundo enlouqueceu de vez!

EL: A letra de “Kill Them Dead”, de fato, trata da dualidade fanatismo/intolerância, e teve por base um famoso artigo do grande Norberto Bobbio chamado “As Razões da Tolerância”. Achei que a destruição dos Budas de Bamiyan seria uma boa representação desse tema. Por tal razão, a arte da contracapa é praticamente idêntica à arte da capa, porém o Buda não aparece nela, pois, afinal, havia sido destruído. (existiam dois Budas e ambos foram destruídos, mas utilizamos a imagem apenas do maior). No lyric video dessa música foi feita uma animação da destruição. Foi difícil escrever sobre um tema tão complexo em apenas uma letra, como é difícil abordá-lo nesse curto espaço. Primeiro, é preciso distinguir entre a intolerância que decorre do desejo de monopólio da verdade, algo que não é exclusivo do fanatismo religioso, podendo aparecer até no meio acadêmico, muitas vezes apenas aparentemente neutro e puramente científico, e a intolerância com relação ao diferente, por exemplo, minorias e grupos sociais mais frágeis, como homossexuais. A letra cuida do primeiro significado de intolerância a que me referi e tão somente dentro do campo religioso. A intolerância religiosa tem crescido não apenas no Oriente Médio, mas em todo o planeta. Isso é alarmante, pois marca um(a) claro(a) retrocesso/estagnação civilizatório(a) já que a primeira aspiração aos chamados “direitos de liberdade” foi justamente a liberdade de crença religiosa, que motivou a Revolução Anglicana, se não estou enganado, lá pelo século XVII, antes mesmo da Revolução Francesa. Minha visão sobre o tema está bem exposta na letra da música, mas, aqui, repetiria o trecho em que escrevi que “o Estado Secular é o antídoto para o fanatismo”. Mesmo com todas as falhas que o Estado moderno e sua concepção apresentam, isso é o melhor que temos. E convém esclarecer que “Estado Secular” não é apenas aquele separado da religião, numa acepção estritamente omissiva, mas aquele que tem também o dever de assegurar a todos igualmente a liberdade de suas próprias crenças religiosas, numa acepção comissiva, isto é, que adote uma política pública de regulamentação por lei do gozo igualitário dessa liberdade individual e pratique atos concretos contra qualquer um que a afronte. Não é difícil ver que estamos a zilhões de anos-luz dessa realidade... Desculpe pela longa resposta, pois não quero soar professoral.


BD: Voltando a falar de música: como tem sido a recepção de “Assorted Evils” pelos fãs, imprensa, ou seja, o feedback? Está melhor, pior ou era aquilo que já esperavam?

EL: De fato, estamos recebendo um grande retorno num tempo muito curto, algo que até nos surpreendeu, em que pese trabalharmos duro para divulgar nossa música. Não apenas aqui no Brasil, mas já recebemos resenhas positivas, convites para entrevistas e inserções em programações de rádios na França, Austrália, Lituânia, EUA, Holanda e em alguns países da América do Sul. Por fim, embora a surpresa, nos sentimos confortáveis com a boa repercussão, pois trabalhamos sempre com planejamento e, exatamente por isso, estamos preparados para crescer e ganhar cada vez mais visibilidade, creio.


BD: Vocês estão escalados para o No Class Festival, onde tocarão com várias bandas nacionais, mais o ANGELCORPSE. E aí, como estão os preparativos e a vontade de tocar nesse show?  Particularmente, já vejo como algo matador, histórico em termos de RJ.

EL: Os preparativos vão a todo vapor e a vontade de participar desse evento é absurdamente gigantesca. Não é todo dia que se tem a oportunidade de subir no mesmo palco que FORCEPS, D.I.E, CAUTERIZATION, WOSLOM, REBAELLIUN, LACERATED AND CARBONIZED e ANGELCORPSE. Outra motivação é que, tendo em vista que o festival está sendo produzido em parceria pela No Class Agency e pela Cronos Entertainment, isso significa que será um evento de excelente estrutura tanto para as bandas como para o público. Retomando a pergunta anterior, nossa participação partiu de um convite da No Class Agency, o que, para nós, já é por si só um puta elogio e um estímulo para trabalhar cada vez mais forte. Também acredito que será um evento histórico, de que os headbangers do RJ falarão durante anos e anos e anos.



BD: E outros shows, mais alguns em vista?

EL: Quem cuida do nosso booking é a Over Metal Agency, do Phil Lima, parceiro que conta com nossa total confiança. Temos recebido algumas propostas e acredito que antes do No Class Festival outras datas já serão anunciadas, inclusive fora da cidade do Rio de Janeiro. Todos sabemos que as condições para tocar ao vivo no underground, por uma série razões, são muito duras. Tudo tem que ser muito bem planejado para que a experiência seja sempre proveitosa para a banda e para o público. Para trabalhar assim, você tem que aceitar que terá poucas datas, mas disso não abrimos mão. Por enquanto, a única data confirmada é o No Class Festival.


BD: Edu, você, assim como eu e alguns outros, somos daquela geração que conheceu o início do cenário underground carioca, os shows no Caverna II e Circo Voador, e bem como aquele sentimento da época, bem como algumas coisas ruins, como o radicalismo. O que acha que poderíamos resgatar de bom do passado, e quais as lições dele e do presente para termos um futuro melhor no cenário?

EL: Essa pergunta retoma o tema da intolerância. É visível que há atores da cena underground que se portam como se fossem os donos da verdade sobre “o que é ser metal”, o que pode e o que não pode. Mais uma vez, vejo isso com tristeza. Como disse antes, não que lá fora não exista intolerância (e dentro do underground, pense nos exemplos do white power e do NSBM), mas veja que os grandes eventos, realizados em nível profissional, são multifacetados, misturando bandas e públicos de variadas vertentes. Isso é um bom exemplo que deveríamos adotar sempre. Outro exemplo ruim do passado é a mentalidade de que “underground tem que ser tosco”. Mil vezes não. Ser um ator (banda, produtor, mídia, etc.) da cena underground não é desculpa para amadorismo. O lado positivo é que, mesmo assim, há inúmeras bandas excelentes nos mais variados estilos de Metal e que levam sua arte à sério e que, junto com esses poucas casas, produtores e público, conseguem manter a cena viva e pujante. Acredito que uma nova época começa a se desenhar na cena carioca, com muitos dos envolvidos adotando uma visão empreendedora e não se deixando seduzir cegamente pela paixão que temos pelo Metal, o que pode levar, por falta de racionalidade e excesso de emoção, à tomada de decisões equivocadas sobre os rumos a seguir. Acredito firmemente que estão sendo plantadas sementes para um futuro muito melhor. O próprio No Class Festival - Brutal Edition é uma prova disso.


BD: Sei que é consciente politicamente falando, então, gostaria que desse uma análise profunda do que estamos vivendo atualmente no Brasil: crise econômica, impeachment, estados e municípios falindo, Lava-Jato... Tudo isso da forma que uma pessoa com conhecimento mais profundo pode fazer.

EL: Agradeço pelo elogio, mas devo dizer que não sou um sábio, um oráculo ou qualquer coisa dessas. Sou apenas curioso e leio muito. Agora, é tanta merda acontecendo ao mesmo tempo no Brasil que é até maldade pedir uma análise profunda em uma única pergunta rsrsrsrsrsrs. Porém, perceba que todos os temas que você mencionou têm uma origem comum: a corrupção endêmica, sistemática e histórica. Ao invés de uma análise, vou dizer o seguinte: tem muita gente que se acha politizada, inclusive entre as bandas de Metal, mas, na verdade, é meramente partidarizada. Gente que tem “bandido de estimação” e adota raciocínios binários tipo esquerda X direita, socialismo X capitalismo e por aí vai. Esses pares de categorias - que foram importados - NUNCA serviram pra explicar satisfatoriamente as relações sócio-político-econômicas no Brasil. Quem acredita nisso deveria procurar por ovos de chocolate no quintal na Páscoa e colocar a meia na janela no Natal. O que existe é uma elite dividida em facções - cada uma delas tem integrantes divididos entre “virtuosos” partidos políticos e não menos “virtuosos” agentes econômicos - que lutam sem nenhum escrúpulo pelo poder para enriquecer às custas da riqueza produzida pela população. O fenômeno é complexo, pois a formação dessas facções é como as nuvens, mudando de forma a todo instante, e há agentes que são membros de mais de uma facção. Tem sido assim desde o Império e continua a ser assim nesta republiqueta de merda. Infelizmente, a verdade é que “o dinheiro faz o mundo girar”, mas na pior acepção possível. O poder econômico decide quem exerce o poder político e desse consórcio resulta quem será socialmente marginalizado e terá uma vida (?) desgraçada. A Constituição de 1988, a tal “Constituição cidadã”, que teria supostamente inaugurado uma “Nova República”, está exaurida e desmoralizada. A única solução é a indignação popular chegar ao ponto de tomar as ruas para exigir a convocação de uma Assembléia Constituinte, entre outras qualidades, cujos membros não possam ser detentores de mandatos eletivos nem integrantes dos 1o e 2o escalões da Administração Pública Federal, Estadual ou Municipal. É imprescindível que a sociedade civil, mesmo com toda a sua diversidade (olha o problema da intolerância aí novamente...), seja a protagonista desse processo. Para isso, porém, é preciso esquecer esse papo furado de coxinha X petralha: enquanto nos dividimos, ELES imperam. De certa maneira, essa situação é o tema da letra para a música “Antagonistic Hostility”.


BD: Mais uma: o VORGOK trabalha com a Roadie Metal Press na assessoria de imprensa. Quais suas impressões dessa parceria?

EL: Sim, nossa assessoria de imprensa está aos cuidados da Roadie Metal Press, do Gleison Jr. Essa parceria tem rendido muitos bons frutos, e certamente tem contribuído para a bom atenção que a banda tem recebido do público e da crítica especializada.


BD: Quero agradecer demais pela oportunidade, Edu, e o espaço é seu para sua mensagem final para nossos leitores.

EL: Gostaria de agradecer ao espaço para a entrevista e convidar os leitores para subscrever nosso canal no Youtube para receber notícias atualizadas da banda - não se preocupem porque não vamos encher o saco de ninguém com babaquices irrelevantes “pra estar em evidência”! Além disso, lá está disponível um videomenu em que é possível ouvir o álbum todo e acompanhar as letras em tempo real de execução. Também os convidados para nos seguir através do Instagram e do Facebook, onde é possível adquirir o CD físico e merchan. Por fim, nosso CD está disponível em todas as plataformas de streaming.  Fiquem ligados porque 2017 promete! Thrash on!

Instagram: https://www.instagram.com/vorgok/

Veja os vídeos para "Hunger" e "Kill Them Dead":



10 de out. de 2016

PANZER – Ajustando a máquina (Entrevista)



Por Marcos “Big Daddy” Garcia

E desde sua volta em 2012 que o PANZER não para mais.

De lá para cá, em 4 anos, foram dois álbuns, dois singles, um EP e um DVD, algo que mostra não só uma criatividade imensa, mas ao mesmo tempo, uma vontade de desbravar e conquistar mais e mais espaço e fãs.

Aproveitando o recém lançado “Resistance”, fomos bater um papo com eles e saber das novidades e planos.


BD: E lá vamos nós de novo, e agradeço mais uma vez pela entrevista. A primeira pergunta é polêmica: o que aconteceu para o PANZER ter estas mudanças de formação após o lançamento do DVD “Louder Day After Day”? Parecia que a formação da banda estava mais estabilizada...

André Pars: Marcão, eu que agradeço o apoio de sempre e o respeito que você tem pelo nosso trabalho... Pode ter certeza que a recíproca é verdadeira...
 
Então, na verdade, a resposta é muito simples até. Eu e o Edson queríamos retomar um pouco a sonoridade calcada no Metal mais noventista, com pegada stoner, etc... que sempre foi a nossa marca registrada, e que no “Honor” ficou um pouco de lado... O Rafael Moreira e o Rafael DM já queriam continuar com a sonoridade mais brutal e rápida que o “Honor” e o DVD traziam... De comum acordo, cada um foi pra seu lado, pra fazer o que realmente estava a fim de fazer... Somos amigos até hoje. De verdade... Minutos atrás eu estava conversando por fone com o Rafinha (ex-vocalista)... Eles são e sempre serão parte da família PANZER.


BD: E como chegaram até o Sérgio Ogres? E foi bem rápido, pois mal entrou na banda, vocês estavam entrando em estúdio para gravar “Resistance”. Aliás, como definiria diferenças entre ele, Rafinha e Élcio? Particularmente, achei muito bom o trabalho com vozes limpas de Sérgio em “Resistance”.

André: Na verdade o disco já estava começando a ganhar forma apenas comigo e com o Edson... Ensaiávamos apenas os dois e já havíamos começado a moldar o que seria o “Resistance”... O Sérgio surgiu quando o Edson foi assistir um show do Unscarred, banda tributo ao Pantera, na qual o Sérgio faz os vocais... Ele comentou, eu vi uns vídeos e gostei muito... Chamamos o Sérgio pra fazer um som conosco e pra nossa sorte ele aceitou e se encaixou perfeitamente no que queríamos... Com isso feito, apresentei os esboços das músicas pra ele. Ele levou as demos pra casa e quando falou que já tinha as vozes, eu simplesmente achei que ele tava de brincadeira, pois foi rápido demais... Mostrou o que havia criado e ficamos muito satisfeitos. Aí, foi só gravar... Na gravação, ele ainda apareceu com muitas surpresas boas... Acho que os vocais desse disco soam matadores... O cara manda muito bem...


Sérgio Ogrês
BD: Polêmica à vista: quando a banda divulgou sua nova formação, foi divulgado que o Fabiano Menon iria cuidar do baixo. Mas no disco, quem gravou as partes das quatro cordas foi o André (NR.: André Pars, guitarrista da banda). Afinal de contas, ele está ou não na banda? E se não, já existe algum nome em vista?

André: Marcão, o Menon era o baixista da banda, mas na metade da gravação do disco ele se casou e anunciou que estaria se mudando para Curitiba. A vida dele mudou radicalmente em poucas semanas... Foi aí que eu tive que assumir as linhas de baixo...  Até chegou a gravar 3 músicas, mas como não iria mais ficar na banda, as linhas foram todas regravadas por mim, para que uma unidade sonora fosse mantida... Eu gravei pois sabia todas as linhas de baixo e ainda não tínhamos um nome definido... Mas o Menon é nosso irmão... Desejamos a ele toda a sorte e felicidade do mundo... Ele é um cara que é só coração... E estará sempre na família PANZER. Temos sim um baixista definitivo já e iremos anunciar em breve... 


BD: Falando um pouco do passado recente: como foi a recepção de “Honor” e “Louder Day After Day”? Parece-me que os discos foram bem recebidos pela crítica, mas e o público?

Edson Graseffi: O “Honor” nos trouxe bons frutos, fizemos muitos shows aqui e na Argentina, participamos de alguns ótimos festivais, colocamos alguns videoclipes mostrando a cara da banda e esse disco transformou a música “Rising” em um clássico da banda, que em muitos shows para nossa surpresa foi cantada pelo público. Já o DVD, eu vejo ele fechando uma fase da banda em muitos sentidos, a gente estava fechando um ciclo e não sabia. Hoje consigo compreender isso. Em relação ao DVD ele entrou na lista dos 5 melhores de 2015 na revista Roadie Crew. Isso foi incrível, pois não mexemos “nem uma palha” para isso acontecer, eu havia viajado para fora do país por bastante tempo e os caras estavam se agilizando outras coisas por aqui. E o DVD entrou sozinho nessa listagem, sem nenhuma divulgação, foi bem bacana!


BD: Hora de falar de “Resistance”. Como falado acima, a banda teve a saída de Rafinha e Rafael, a entrada de Sérgio, e já estavam gravando pouco depois. Podemos dizer que já havia material pronto antes da saída deles? E mesmo nesse pique, Sérgio ainda deu contribuições nas letras de “No Fear”, “Alone”, “Attitude”, “You May Not Have Tomorrow” e “Actitud”. Ou seja, temos a clara idéia de que o ritmo no estúdio foi algo insano, isso é fato? E por falar nisso, por que a faixa “Left Behind”, como diz o título, ficou de fora?

André: Sim, como disse anteriormente já havia muita coisa semi-pronta, mas as linhas vocais foram todas criadas pelo Sérgio e ele fez muita coisa a respeito de letras... Realmente o ritmo foi insano, mas é assim que sabemos trabalhar... Sempre foi e sempre será...

A “Left Behind” na verdade não está de fora... Ela foi remodelada e é a faixa “The Resistance” do disco... Inclusive é a faixa mais brutal, justamente por ser uma herança do Honor...


BD: Uma coisa interessante: “Resistance” soa mais limpo que “Honor”, mais bem acabado, e com uma estética mais bem definida. Por que este contraste entre eles, ou seja, por que o disco novo está soando mais limpo? Algo que Henrique Baboom propôs ou foi idéia de vocês mesmo? 

André: Na verdade foi ideia minha e do Edson. Queríamos um disco cru, sem muito excesso de elementos e com uma sonoridade mezzo moderna e mezzo old school. E isso se reflete na sonoridade... O fato de termos a sonoridade mais voltada ao peso e não tanto na velocidade, ajuda a dar essa clareza maior também... E o trabalho do Baboom também foi importante, pois ele nos ouviu e conseguiu extrair o que buscávamos...

Edson: Cara, eu posso falar um pouco mais pelo processo de gravação da bateria em “Resistance”, que é algo que muda radicalmente o som de um disco. Quando eu fiz o primeiro contato com o Baboom para fazermos este disco, eu tinha em mente plena convicção de que eu queria o som da bateria sem nenhum sampler ou replace, coisa mega comum em qualquer disco hoje. Eu queria a sonoridade da minha bateria apenas, queria ouvir realmente eu tocando e não o Pro Tools.  Eu queria o timbre natural, coisa que ninguém preza hoje. Essa talvez seja a maior diferença deste álbum para todos os outros que estão sendo gravados, tanto aqui quanto no exterior. A bateria com timbres digitais deixa os discos “enormes” na hora da mixagem, mas também deixa tudo muito plástico e igual. Por isso hoje a maioria dos bateristas não tem assinatura na sua forma de tocar nos discos e todos os discos soam iguais. Toda minha briga para que o disco soasse natural valeu a pena, o resultado está ai. Houve até um produtor com qual conversei que me perguntou, porque um disco orgânico? Realmente os conceitos em relação a produção de álbuns estão bem plastificados e nós não queremos seguir o caminho de todos.


André Pars
BD: Ao mesmo tempo, se percebe que o PANZER resgata muito de seu passado no disco, mas sem negar o quanto evoluiu tecnicamente desde a volta. O que causou esse “comeback” na sonoridade, no jeito de vocês fazerem música? E também tem o lado que a banda parece mais à vontade em “Resistance”. Isso é fato?

Edson: Esse “comeback” veio da vontade de fazer “o nosso som”, algo que estava dentro de mim e do André. Só que a gente não havia falado um para o outro sobre isso. Na real foi depois da série de shows que fizemos em 2015 que eu e ele percebemos em cima do palco a vontade de fazer aquilo que sempre fizemos. Tínhamos ido para um caminho mais brutal e não era exatamente o que queríamos. Eu particularmente estava insatisfeito com algumas músicas ultra velozes que surgiram para o que seria este novo disco. Tudo estava muito nivelado na questão velocidade. Hoje meus olhos estão voltados para caras como Tommy Aldridge e o André tem Randy Rhoads e Iommy no DNA dele, não tinha muito mais sentido continuar fazendo aquilo sendo que tínhamos um caminho musical construído por nós lá atrás e que gostamos muito.

Já esse lance da banda soar mais a vontade, acredito que seja resultado da produção natural pela qual cuidamos o tempo todo de existir, sem truques digitais de estúdio e mágicas de protools. Primamos por soar o mais natural possível neste álbum e vejo que isso tem causado boa impressão nas pessoas. 


BD: Como citado, mais uma vez vocês optaram por trabalhar com o Henrique na co-produção, uma vez que André dividiu essa responsabilidade com ele. Qual a maior contribuição de cada um para o disco? E houve algum estresse ou momento engraçado durante as gravações?

André: O Baboom é muito bom no que faz, mas eu entrei pra explicar como queria a sonoridade e ao mesmo tempo pra opinar e mudar quando necessário. Stress sempre acontece, pois são seres humanos interagindo durante muito tempo. Mas as coisas se resolvem rápido... Momentos engraçados foram nas gravações do Sérgio, pois muita coisa ele mudou de última hora e muita coisa não conhecíamos e não sabíamos o que ele iria fazer... Eu não pude ir a todas as sessões, mas o Edson foi. Lembro que eu ligava pro Edson pra me contar e ele dizia: cara, tá muito bom, mas mudou tudo... Eu perguntava: “me explica, como está?” etc... E ele dizia: “Não dá pra explicar”... Eu ficava louco da vida, curioso, ligava pro Baboom, etc... Foi bem maluco isso mas o resultado foi fantástico...

Sergio Ogrês:  Foi dinâmico!!! E pra minha satisfação pessoal, poder trabalhar com músicos sérios que primam pela originalidade e competência.

Quando você dispõe de pessoas que confiam no seu potencial, isso se reflete positivamente no geral.  Tanto Henrique quanto Edson e André me deram as melhores ferramentas pra que minha criatividade fluísse, ter minhas influências, mostrar o outro lado da música que poucos conhecem de minha longa caminhada, criar linhas limpas, buscar outras tonalidades e deixar o menos ser mais sem exageros. Essa foi a minha referência.


BD: Dois pontos que saltam os olhos em “Resistance” são nas músicas “You May Not Have Tomorrow”, que é quase uma balada, e “Actitud”, cantada toda em espanhol, algo que não haviam feito antes, e para ser sincero, nenhum de nós poderia sequer imaginar. Falem-nos um pouco sobre as idéias por trás de cada uma, como elas surgiram e como se sentiram com elas, no final de tudo? Aliás, que tal um raio X com cada uma das faixas? O espaço é todo de vocês, e não tem limites.


96 (André): Essa é uma intro bem simples e calma…pensei em usar algo assim pra abrir o disco.

E ela foi tomando forma... Na verdade ela seria parte integrante da “The Price”, mas depois optamos por separá-la pra que o ouvinte pudesse escolher se queria ouvir o disco já no cacete ou se queria passar por ela primeiro...

The Price (André): Essa faixa tem uma sonoridade old School, que era algo que buscávamos. Também apresenta uma parte bem lenta e limpa...Quis colocar um solo bem tradicional nela, um solo razoavelmente longo e trazer um pouquinho a minha influencia de Randy Rhoads...

Impunity (André): Esse som traz nossa veia noventista a tona… Pantera, BLS, etc… São bandas que nos cativaram e esse som remete um pouco dessa sonoridade… Os vocais limpos trazem aquele ar que o “The Strongest” tinha e o Sérgio na minha opinião arrebenta nesse som...

No Fear (André): Esse som traz aquele peso e cadencia típico do Testament da fase “Demonic” e “Low”, mas também traz o “The Strongest” pra mesa... É um som pesado, com mais variações que o que normalmente fazemos, mas que acho que ficou bacana... Os vocais tem um pouco do Hardcore embrenhado no Thrash...é uma das minhas favoritas...

No Scream in Vain (André): Esse som traz nossa veia noventista pra fora… 

Alone (André): A música traz aquela sonoridade arrastada, típica do Black Sabbath, mas em contrapartida tem um refrão que foge disso...é um som que embora seja bem cadenciado, nos tira da região de conforto...adoro essa faixa...e os vocais à la Misfits dão um complemento pra essa proposta...

Attitude (André): Se vc prestar atenção verá que esse som começa numa vibe Hard Rock bem ao estilo UFO e cai para o Stoner ...mas isso não soa tão evidente pois os vocais vão propositalmente pra outra direção...fazendo com que a sonoridade soe original e bem a cara do PANZER que gosta de experimentar coisas diferentes...

Do It! (André): Faixa direta, com base marcada, cheia de groove, peso e um vocal na cara…

The Old and the Drugs for the Soul (André): Essa começou numa linha de baixo criada pelo Menon e eu fui moldando, alterando a tonalidade da parte seguinte, etc… É um som teoricamente mais acessível, mas tem muito peso e personalidade... Acho essa faixa deliciosamente ousada...

The Resistance (André): É a paulada do disco… Música veloz, muito bumbo, palhetadas rápidas etc...o disco precisava de uma faixa assim pra poder contar a história da forma que queríamos, ou seja, a banda tirou um pouco o pé do acelerador, mas quando precisa, pisa fundo e faz barulho...

You May Not Have Tomorrow (André): Fiz uma balada que seria parte integrante de uma das músicas... Depois com o desenvolvimento dela, a faixa criou uma vida própria e precisava de um vocal que estivesse em sintonia... O Sérgio nos emocionou com o resultado... Ela tem uma alma própria e uma letra que nos faz pensar... E se não houver amanha? Você fez o que queria fazer, amou , ajudou, fez diferença?

Actitud (André): Esse som é nossa homenagem ao público Argentino e Uruguaio que nos recebeu de braços abertos com muito carinho... Fomos tratados extremamente em por todos... Os shows foram sensacionais e queríamos retribuir de alguma forma... Fizemos da forma que sabemos, ou seja, em forma de música.

Edson Graseffi

BD: Em relação a shows, a nova formação estreou em um evento ocorrido em SP há pouco tempo, e pelos vídeos que vemos por aí, a recepção foi ótima. Podemos dizer que o PANZER está pronto para shows ao vivo mais uma vez, descontando o bendito do baixista? Vocês parecem ter um carma bem ruim com esse tipo de músico, hehehehehe...

Edson: Estamos prontos sempre para shows, somos uma banda que gosta de estar no palco! Quanto ao baixista, já temos um novo nome e como o André disse vamos anunciar em breve, o cara toca muito!


BD: A pergunta chata: Panzer Fest. Depois de três edições, nunca mais se ouviu falar em outro. E aí, volta ou não volta? Dizem as lendas que Rodrigo Balan vai sair de Mococa só para essa nova edição (risos). E shows no Uruguai e Argentina, existe possibilidade de mais shows por estes países, e mesmo outros da América do Sul?

Edson: Esse é um capitulo à parte em nossa história. Esse festival foi muito útil para a banda enquanto ele funcionou, mas realmente não vale mais a pena para nós investirmos tanto tempo e dinheiro nele. Descobrimos que podemos concentrar nossa força em show fora do Brasil onde estamos tendo uma resposta de publico ótima. Com certeza voltaremos para estes países, pois além do ótimo publico fizemos muitos amigos. Tivemos convites para shows no México e Espanha em 2017, é só o começo queremos expandir cada vez mais nosso raio de alcance, mas isso tem que ser feito de forma planejada e moderada para ser saudável pra banda.

O Panzer Fest pode ser que volte um dia, mas por enquanto não esta dentro dos nossos planos.


BD: Outra: desde “Honor”, vocês mantém uma parceria com a Shinigami Records. Como tem sido trabalhar com eles? Estão plenamente satisfeitos?

André: A Shinigami é nossa parceira... Eles são pessoas fantásticas... Apoiaram o PANZER e acreditaram na nossa volta... O que falar deles? Só agradecer... Satisfeitos é pouco... Estamos muito, muito felizes com essa parceria...


BD: Assim como é com a Shinigami Records, desde 2012, vocês também não abrem mão de trabalhar com a Metal Media. Até que ponto podemos dizer que essa volta do PANZER tem sido bem sucedida graças ao trabalho de Débora e do Rodrigo? 

Edson: Devemos muito aos dois, Rodrigo e Débora são nossos “guardiões” competentes que já nos salvaram em muitos momentos. Estamos extremamente satisfeitos com o profissionalismo deles. Eles formam a melhor assessoria de imprensa especializada em Metal no Brasil. Dentro de nossa história desde a nossa volta a cena, existem muita coisa que não rolariam se não tivéssemos a ajuda da Metal Media e somos realmente gratos a eles. 


BD: Bem, encerramos por aqui. Torno a agradecer pela entrevista, e o espaço é de vocês para sua mensagem aos leitores.

Edson: Obrigado Marcos Garcia e a todos que nos apoiam, vocês são o combustível da máquina! Ouçam Metal sempre! Ouçam Metal Brasileiro!!

Sergio: Agradeço a todos os fãs e meus amigos de banda por poder representar o PANZER.  E a todos da imprensa pelos elogios e respeito.

André: Queria agradecer a todos que nos acompanham e principalmente a você, Marcão, por toda a força! Espero que a galera curta essa nova fase do PANZER... O disco foi feito com muita alma e dedicação, isso podem ter certeza! Viva o Metal Nacional Sempre!


Contatos:

http://www.metalmedia.com.br/panzer/ (Assessoria de Imprensa)


3 de out. de 2016

THE VINTAGE CARAVAN: maturidade e profissionalismo em uma década (entrevista)


Por Erick Tedesco (Abraxas Produtora)


Em menos de uma década, o THE VINTAGE CARAVAN realiza uma extensa turnê pela América do Sul como banda sensação do stoner rock mundial. Vocês se consideram parte do que podemos chamar do primeiro escalão da atual cena roqueira?

Óskar – Sim, às vezes soa um pouco surreal, mas estamos nos divertindo bastante. O rock está definitivamente no auge, com muitas bandas levando o ofício à sério, de forma profissional. Espero que estejamos contribuindo para isso também!


Qual a diferença entre as apresentações na terra natal da banda, a Islândia, seja na cidade onde nasceram ou na capital, e os shows em grandes festivais e nestes primeiros no Brasil? Você acredita que atingir distantes plateias em tão pouco tempo de carreira agiliza a profissionalização e o amadurecimento da banda?

Óskar – Cada lugar tem sua peculiaridade e a Islândia é bastante interessante para shows de rock, com plateias calmas que geralmente não mostram uma reação para você saber se estão se entretendo . É uma maneira saudável de se envolver com o evento. E acredito, sim, que as turnês nos ajudam muito no processo de profissionalização. E, pessoalmente, as turnês me ajudam demais quando o assunto é maturidade.


O THE VINTAGE CARAVAN está promovendo “Arrival”, o terceiro álbum da carreira, e o único até agora lançado em versão brasileira via Voice Music. Depois de muitos shows da turnê do disco, como entende “Arrival”, é o tipo de música/sonoridade que vocês pretendem explorar ao menos nos próximos registros em estúdio?

Óskar – Estou orgulhoso de “Arrival”, é um álbum de sonoridade única, com um atmosfera interessante. Claro, somos bastante críticos perante nosso trabalho e também queremos inovar, então posso dizer que o próximo disco será diferente.


A respeito dos shows pelo Brasil nesta primeira turnê sulamericana, o que tem no setlist?

Óskar – O repertório desta inédita turnê contém músicas dos álbuns “Voyage” e “Arrival”. É um setlist animado!


Vocês três são jovens, no entanto, muitas das principais influências do THE VINTAGE CARAVANsão da década de 1970. Quais elementos daquele período da história da música os encanta tanto que vale a pena resgatar e transformar em algo novo, mas sem perder a famosa aura setentista?

Óskar – Este é o direcionamento musical que o THE VINTAGE CARAVAN busca desde o primeiro dia que nos reunimos e criamos a banda. As décadas de 1970 e 1960 de fato produziram muitas das mais interessantes e apaixonantes músicas, isso do meu ponto de vista. Desde muito novo sou fascinado pela musicalidade destas épocas, mas enquanto músico eu quero adicionar a energia e potência do rock e do metal dos dias de hoje.


Gosta dos termos “retro rock” ou “rock vintage” para descrever a sonoridade da banda?

Óskar – Podem nos rotular como quiser. Tocamos nosso próprio rock n' roll.


Parece que os videoclipes são importantes para a carreira do THE VINTAGE CARAVAN, estou certo? 

Óskar – (risos) nossos vídeos são realmente diferentes! Gostamos de produzi-los engraçados e mantê-los interessantes. Levamos muito à sério nossa música, mas não queremos que os vídeos sejam sérios.


A Islândia é para vocês, claro, a terra natal, mas para muitas pessoas no Brasil é, acima de tudo, um país muito distante e frio. Existem muitos artistas e bandas islandeses famosos, como Bjork, Of Monsters and Men, Sólstafir e especialmente Ólafur Arnalds, um gênio da música contemporânea do seu país. Conhece o trabalho dele? Você gosta de outros estilos musicais além do rock n' roll?

Óskar – Não tenho o hábito de escutar Ólafur Arnalds, mas gostei do que já escutei, é um talentoso músico e compositor. Ah sim, eu amo funk, blues, jazz, música disco, o pop anos 80, um poco de rap antigo e alguma coisa do pop contemporâneo, mas com moderação. 


PRÓXIMOS SHOWS: 

CÓRDOBA (Argentina)
DATA: 4 de outubro
HORÁRIO: a partir das 21 horas
LOCAL: Refugio Guernica
ENDEREÇO: Tillard 155, 5000


BUENOS AIRES (Argentina)
DATA: 5 de outubro
HORÁRIO: a partir das 20 horas
LOCAL: Uniclub
ENDEREÇO: Guardia Vieja, 3360


SÃO PAULO (São Paulo)
DATA: 8 de outubro
HORÁRIO: 21 horas
LOCAL: SESC Belenzinho
ENDEREÇO: Rua Padre Adelino, 1000, Belenzinho


RIO DE JANEIRO (Rio de Janeiro)
DATA: 9 de outubro
HORÁRIO: a partir das 20 horas
LOCAL: La Esquina
ENDEREÇO: Avenida Mem de Sá, 61, Lapa


FLORIANÓPOLIS (Santa Catarina)
DATA: 11 de outubro
HORÁRIO: às 23 horas
LOCAL: Célula Showcase
ENDEREÇO: Rua João Paulo, 75


THE VINTAGE CARAVAN NA INTERNET

Site oficial: thevintagecaravan.eu


A/C Erick Tedesco (Assessor de imprensa/Abraxas Produtora)
(19) 99616-2999 (cel e whatsapp)