13 de out. de 2014

Krisiun, Korzus e Claustrofobia confirmam show em SP



Korzus está prestes a lançar novo álbum "Legion" - foto: Pati Patah

Uma verdadeira festa do metal nacional! É justamente o que está programado para o próximo dia 31 de outubro, em São Paulo. Aquarius Rock Bar, MR e TC7 Produções conseguiram a proeza de reunir três grandes representantes da música pesada na mesma noite.

As renomadas KRISIUN, KORZUS e CLAUSTROFOBIA devem realizar show histórico na capital paulista. O evento está marcado para ocorrer a partir das 22h, no palco do Aquarius Rock Bar, novo espaço da cidade. Os fãs interessados já podem garantir presença. Os ingressos estão à venda e custam R$ 40,00 (2° lote estudante/promocional). Mais informações no serviço abaixo.

Atualmente, o KRISIUN é o ícone do heavy metal brasileiro no exterior. Após a bem-sucedida e elogiada performance no Rock in Rio, Alex Camargo (vocal/baixo), Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne (bateria) vivem mais um novo grande momento na carreira e seguem promovendo "The Great Execution" pelos quatro cantos do Planeta. Formado em Ijuí (RS), o power trio já lançou nove álbuns de estúdio, contabiliza inúmeras turnês e conquistou diversos prêmios ao redor do mundo.

Já o KORZUS é um dos principais nomes da história do heavy metal brasileiro. Marcello Pompeu (vocal), Heros Trench (guitarra), Dick Siebert (baixo), Antônio Araújo (guitarra) e Rodrigo Oliveira (bateria) está prestes a lançar “Legion”, sétimo disco do grupo, que chega ao mercado, no próximo dia 24 de outubro, na Europa e no Brasil. A banda apresenta respeitável discografia e conseguiu ao longo de três décadas, fazer com que seu thrash metal ecoasse por todo País, alguns países da Europa e América do Norte. Existe a possibilidade de algumas novas composições figurem no set list deste show.

Outra grande atração da noite é o CLAUSTROFOBIA. Reconhecido como um dos grupos mais respeitados do cenário. Marcus D'Angelo (vocal/guitarra), Alexandre de Orio (guitarra), Daniel Bonfogo (baixo) e Caio D'Angelo (bateria) estão na estrada promovendo o relançamento de “Peste”, considerado um dos melhores discos lançados em 2011. Para esta exibição, os músicos prometem um repertório especial, tocando músicas dos álbuns mais antigos como “Claustrofobia”, “Thrasher” e “Fulminant”, que estavam fora do setlist há algum tempo. Composições como “Paga-Pau”, “Thrasher”, “War Stomp”, “Condemned”, “Enemy”, devem unir forças com as marcantes “Bastardos do Brasil”, “Metal Malóka” e “Pinu da Granada”. Ao longo de diversas turnês e participações nos mais importantes festivais do Brasil, o grupo continua em evidencia devido às performances devastadoras.

Assista ao videoclipe do KRISIUN produzido para a música "The Will to Potency": 



Veja o lyric video do KORZUS para a nova "Bleeding Pride": 



Confira Claustrofobia em "Bastardos do Brasil": 


Links relacionados:


Serviço São Paulo
Aquarius Rock Bar, MR e TC7 Produções apresentam Krisiun, Korzus e Claustrofobia


Data: 31 de outubro de 2014
Local: Aquarius Bar – www.aquariusrockbar.com.br
End: Rua Iososuke Okaue, 40 – próximo ao Metrô Itaquera
Travessa da Av. Nova Trabalhadores Jacu Pêssego
Hora: 22h
Infoline: (11) 2524.3211
Censura: 18 anos
Ingressos: R$ 40,00 (2º estudantes/promo)
Pontos de venda:
São Paulo
Aquarius Rock Bar
Galeria do Rock: SP Rock e Black Tea
CadaQual - Consolação
Shopping Oriente 500 - Brás
Twister Games - Itaquera
School Of Rock - Moema
Santo André: Metal Music
São Bernardo do Campo: Age of Dreams
São Caetano do Sul: School Of Rock
Diadema: Twister Games



Próximas divulgações THE ULTIMATE MUSIC – PR:
12/10 – Toxic Holocaust – Clash Club – SP/SP
02/11 – Rosa de Saron – Clube Ítalo Brasileiro – Limeira/SP
07-08/11 – NO FUN AT ALL – Hangar 110 – SP/SP
08/11 – Behemoth – Carioca Club – SP/SP
09/11 – D.R.I. + Ratos de Porão – Carioca Club – SP/SP
16/11 – Sampa Music Festival 12 – Espaço Victory – SP/SP
20/11 – Kansas – Vivo Rio – RJ/RJ
21/11 – Kansas – HSBC Brasil – SP/SP
07/12 – O Teatro Mágico – Clube Ítalo Brasileiro – Limeira/SP
13/12 – O Teatro Mágico – Plaza Hall – Sorocaba/SP
14/12 – Rosa de Saron – Plaza Hall – Sorocaba/SP
Mais infos sobre os shows acima, acesse https://www.facebook.com/UltimateMusicPR



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Exodus, Hatefulmurder (05/10/2014 – Circo Voador - RJ)


Promoter: Blog’n Roll Produções
Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia
Fotos: Pedro Arantes (Exodus) e Carolina Pascoalette (Hatefulmurder)


Uma tarde extremamente quente do dia das eleições para Presidente, Governadores, Deputados Estaduais e Federais, e Senadores em todo Brasil prenuncia que os dias frios de inverno estão dando espaço aos dias do verão que se avizinha. Mas nem mesmo este dia de calor intenso e obrigação cívica fez com que o público fosse pequeno para mais um ótimo evento da Blog’n Roll Produções.

E desta vez, era hora do retorno de uma das bandas seminais do Thrash Metal americano às terras cariocas: EXODUS, que teve como convidado especial o quarteto carioca HATEFULMURDER fazendo as vezes de opening act do evento.

Antes, veio o “meet and greet” com o quinteto californiano, que mostrou simplicidade e bastante simpatia aos fãs sorteados, especialmente Steve “Zetro” Souza, que estava adorando estar na cidade e é extremamente simpático e carismático. Os outros aparentavam um pouco de cansaço (pois haviam tocado no dia anterior em São Paulo), mas mesmo assim, a disposição em atender os fãs com extrema educação e carinho foi enorme. E é justamente este tipo de comportamento que muitos ainda precisam aprender.

Hatefulmurder

Um pouco após as 18h30min, o HATEFULMURDER subiu ao palco e fez um ótimo show de abertura, aquecendo o público presente.

Mesmo com o espaço um pouco reduzido (devido à presença do equipamento de palco do EXODUS), a movimentação da banda ano palco é perfeita, com Felipe Modesto (baixo) e Renan Campos (guitarra) com ótima postura, agitando o tempo todo e sabendo incentivar o público. Já Felipe Lameira é um ótimo frontman, sabendo se comunicar muito bem com a platéia, agita bastante, sem ficar tempo demais parado no mesmo lugar. E mesmo Thomás Martin (bateria) mostra-se cada vez mais um dos melhores bateristas do Brasil, segurando bem o ritmo da banda sem perder o tempo, e mantendo um ótimo nível técnico.

Felipe e Renan

Hatefulmurder

O show deles só teve músicas do recém-lançado “No Peace”, e fizeram o público presente (que por algum mistério do mundo, não era tão bom quanto poderia. O Pai Marcão aqui NUNCA vai compreender o que leva uma pessoa a pagar para ver duas bandas e só ver uma delas...), tocando pancadas como “Gates of Despair”, “Worshippers of Despair”, e o hino “Scars to God”. E mais uma vez, a banda tocou uma versão mais agressiva e bruta de “N.I.B”, do BLACK SABBATH, que deixou a impressão que o velho Madman cantaria como Felipe se fosse um vocalista de Metal extremo.

Felipe Lameira

Thomás Martin

A banda foi muito bem, algumas rodas de pogo surgiram, e ganharam mais alguns fãs nessa noite, onde mostraram que a experiência de tocarem duas datas no Chile com o KILLSWITCH ENGAGE serviram para lapidar ainda mais o talento do quarteto.

Mais um pouco e as portas do exterior se abrirão definitivamente.

Setlist:
Intro
No Peace
Gates of Despair
Caught by The Arms of Death
Black Chapter
Worshipers of Hatred
Fear my Wrath
N.I.B (Black Sabbath)
Scars to God


Exodus

Após um breve intervalo para tomar uma aguinha fresca e ir ao banheiro, as luzes da casa se apagam, e vemos “Zetro” subir ao palco e cumprimentar o público, sendo seguido pelos outros.

Sim, o EXODUS estava mais uma vez no Rio de Janeiro, dessa vez com “Zetro” Souza nos vocais, e logo de cara, detonam a clássica “Bonded By Blood”, que levou o público à loucura e o slam dancing tomou conta da casa.

Ora bolas, é um show do EXODUS, bem conhecido pela insanidade e violência em seu mosh pit! E como o próprio “Zetro” disse: “quanto mais a roda durar, mais músicas tocaremos!”

Gary Holt

Steve "Zetro" Souza

Era um convite dos bons, e nem mesmo o Pai Marcão aqui resistiu (nem o colega da Hell Divine, Augusto Hunter), e foi parar no meio da roda em “And Then There Were None” e na truculenta “Fabulous Disaster”.

Que felicidade ver “Zetro” Souza no palco como frontman do quinteto, pois este lugar é dele, e sempre será (que me perdoem os fãs de Rob Dukes), e como ele esbanja simpatia e carisma (mesmo quando estava errando o nome de uma das canções e Gary o corrigiu às gargalhadas, e “Zetro” se desculpou com muito bom humor). Lee Altrus mostra segurança e é uma máquina de riffs e solos (e incrível ver como ele respeita os solos de Rick Hunolt, tocados com alterações mínimas). Jack Gibson é monstruoso na base rítmica, segurando bem o baixo enquanto o veterano Tom Hunting mostra boa técnica e uma pegada pesada na bateria (esse cara teve mesmo problemas de coração??? Não é possível!). E por último, o mago das seis cordas, o mestre Gary Holt, exibia excelente postura no palco, batendo cabeça, indo de um lado para o outro, enquanto detonava em bases sólidas e seus solos antológicos.

Tom Hunting

“Piranha”, “Metal Command”, “Pleasures of the Flesh”, “A Lesson in Violence”Era um autêntico desfile de clássicos de várias gerações, bem como ainda vieram as facadas “Blacklist” e “War Is My Shepherd”. Após a dobradinha clássica “Toxic Waltz” e “Strike of the Beast”, eles saem do palco, sendo chamados de volta pelos fãs, e retornam para uma encore. Mas antes, tocam uma Jam com trechos de “Rock You Like a Hurricane” do SCORPIONS, “Motorbreath” do METALLICA, “Phantom of the Opera” do IRON MAIDEN e “Stargazer” do RAINBOW, sempre brincando bastante com o público (Gary chegou a ajoelhar, simulando cansaço e rindo), e então, o quinteto dá os dois golpes finais do show: a clássica “The Last Act of Defiance” e “Good Riddance”. O público não parava de aplaudir, chamar pela banda, os saudar e o slam dancing estava INSANO, algo de outro mundo!

Lee Altrus e Gary Holt
Jack Gibson

No final, eles ainda saudaram o público com toda a educação, jogando palhetas e baquetas.


Setlist:

Bonded by Blood
Scar Spangled Banner
And Then There Were None
Iconoclasm
Metal Command
Fabulous Disaster
Children of a Worthless God
Piranha
Pleasures of the Flesh
A Lesson in Violence
Blacklist
War Is My Shepherd
The Toxic Waltz
Strike of the Beast
Encore:
Cover Jam ( Rock You Like a Hurricane/Motorbreath/Phantom of the Opera/Stargazer)
The Last Act of Defiance
Good Riddance


Um excelente evento, e nos resta agradecer à Blog’n Roll Produções (por trazer o EXODUS para a cidade), a 8X8 Live (por trazer o quinteto ao Brasil), ao HATEFULMURDER pelo ótimo show, ao Circo Voador por ser mais uma vez um ótimo espaço, ao público que se fez presente, e obviamente, a “Zetro”GaryLeeJack e Tom por mais um excelente show, e esperamos que eles voltem logo!!!

Resenha: Ut Opia - Sem Direção (EP)

Independente
Nota 8,5/10,0

Por Marcos "Big Daddy" Garcia


Um estilo que, para muitos, é um tanto quanto estranho, é o J-Rock, ou seja, o Rock feito nas terras do Japão, onde a esmagadora maioria dos fãs tem seu primeiro contato nas séries televisivas que passam em nossas TVs. Mas o Brasil já mostrou várias vezes em um passado não tão recente sua queda para o estilo, já que muitoss foram os desenhos animados nipônicos exibidos aqui que receberam versões de seus temas de abertura e encerramento. Que nos lembremos de "Shurato", "Dragon Ball" e "Dragon Ball Z", onde apenas a letra de cada uma foi trocada. Mas se falarmos em Metal, quem de nós esqueceu a ótima versão de "Pegasus Fantasy" cantada por EDU FALASCHI, na época do retorno áureo de "Cavaleiros do Zodíaco" na TV? 

Pois é, mesmo esses temas sendo um pouco mais voltados para o J-Pop, isso dá suporte ao trabalho ótimo do UT OPIA, de Belém (Pará), mostrando em sua EP "Sem Direção".

Na realidade, vemos uma mistura do J-Rock com aspectos alternativos e mesmo toques do Pop Rock, com temas cantados em português, onde a banda destila uma música extremamente acessível ao grande público, pois a força de seu trabalho são as melodias de fácil assimilação e refrões ganchudos. Mas não fiquem esperando apenas suavidade, pois a banda possui alguns momentos mais agressivos (com vocais extremos, inclusive). Vemos vocalizaçõess suaves e bem cuidadas (mas lembre-se que alguns vocais mais guturais aparecem aqui e ali), riffs de guitarra bem melodiosos e ganchudos (com alguns solos bem legais), baixo e bateria com boa técnica e formando uma base sólida. E a fusão de tantos elementos nos dá uma música muito boa, agradável e charmosa, pulsando com vida.

Ut Opia
Produzido por Ivan Jangoux e co-produzido por João Lucas Neves, com tudo gravado no estúdio Quarto Amarelo, se por um lado a gravação não é um primor em termos de qualidade sonora, não chega a ser danosa. Está seca, o baixo bem evidente, mas pena que os timbres dados às guitarras poderiam ser melhores. Não está ruim ou inaudível, longe disso, mas a banda acabou ganhando um certo clima Punk Rock. Mas pode ser que seja intencional, logo, vamos adiante.

Em quatro faixas próprias e um cover, vemos uma banda que soube criar sua música em uma base mais melodiosa e envolvente, daquelas que nos pegam pelos ouvidos nas primeiras audições, mostrando que a banda sabe o que quer de sua música.

"Memórias Mortas" mostra o lado mais acessível e Pop do grupo, com um andamento não tão veloz, guitarras com belo trabalho (vejam os solos, inclusive com as famosas guitarras "dobradas"), baixo presente (e muito técnico), e bons corais. Em "Intolerância", a banda já mostra uma pegada mais pesada e rápida, bem Hard, com corais fortes, bons arranjos vocais. "Salvação" segue o lado mais comercial e quase Pop, mas com qualidade e ótimos arranjos nas guitarras e cozinha rítmica. "Epidemia" começa melodiosa, mas é onde surgem vocais extremos fortes, sem destoar, mas dando um contraste e tanto entre os dois lados do trabalho musical da banda. E fechando, o cover para "Yami Yori Kurai Doukoku no Acapella To Bara Yori Akai Jounetsu no Aria", da banda japonesa de J-Rock D, que ganhou uma roupagem mais agressiva e forte, inclusive com vocais extremos.

Uma boa banda, que surge com um trabalho não convencional muito bom.



Tracklist:

01. Memórias Mortas
02. Intolerância
03. Salvação
04. Epidemia
05. Yami Yori Kurai Doukoku no Acapella To Bara Yori Akai Jounetsu no Aria (D cover)


Banda:

Luã Couto - Vocais, guitarras, teclados
Paulo Henrique - Guitarras
Raoni Joseph - Baixo, backing vocals
Marty Nery - Bateria, percussão


Contatos:

Soundcloud
Heavy and Hell Press (Assessoria de Imprensa)

Resenha: Bandanos - Nobody Brings My Coffin Until I Die (CD)

Nota 9,5/10,0

Por Marcos "Big Daddy" Garcia


O Crossover tem reaparecido e estado em muita evidência nos últimos tempos, fruto de um fenômeno bem comum em termos de Metal: nenhum estilo morre, apenas sai dos grandes veículos de imprensa, conforme as pessoas começam a sentir-se empazinadas. Foi assim e sempre será, mas há um lado positivo: sempre surgem ótimas bandas, que tendem a permanecer ativas e mantendo a chama acesa. E no Brasil, antenado com a realidade mundial, não é diferente, pois uma nova safra de bandas de Crossover andam aparecendo, e bem. E um dos nomes mais famigerados é do quarteto paulista BANDANOS, que é bem conhecido pela energia e força de sua música, e da insanidade em seus shows. E provando que são raçudos até os ossos, acabam de lançar "Nobody Brings My Coffin Until I Die", seu novo trabalho, cuspindo raiva para todos os lados em forma de música.

Conseguindo realmente associarem o Thrash Metal (em termos de peso e arranjos) e o HC (a energia, velocidade e garra), o quarteto não está para brincadeiras, já que a banda é raivosa, com uma música cheia de vida e energia, que empolga qualquer um que se atreva a ouvir sua música. Os vocais são ótimos, com timbres rasgados e boa dicção, os riffs de guitarra são ganchudos, agressivos e bem diretos, baixo com boa técnica e sabendo dar peso à base rítmica, e a bateria mostra-se muito bem, em levadas pesadas, boas conduções nos bumbos e viradas técnicas. Embora a banda não tenha um trabalho voltado à técnica, podemos dizer que "Nobody Brings My Coffin Until I Die" é o disco onde esse aspecto do BANDANOS ficou mais evidente, embora  banda continue despojada e furiosa, gerando uma música em que o que importa é o todo, não destaques individuais.

Bandanos
Produzido pelo próprio grupo junto com Ciero nos estúdio Da Tribo, sendo que esta aliança mixou e masterizou o disco. O que fica claro é que buscaram uma sonoridade mais seca e despojada, evocando o espírito dos primeiros discos de Crossover dos anos 80, mas sem abrir mão de uma qualidade que permita ao ouvinte reconhecer cada instrumento musical, ao mesmo tempo em que a proposta é ser o mais próximo possível de uma apresentação ao vivo. E digamos de passagem: ficou bem próximo mesmo.

A arte, um trabalho combinado da banda com Jeff Gaither (para a capa) e outros artistas, ficou muito, muito bom. O mesmo feeling despojado que temos ao ver discos seminais de bandas como D.R.I., SUICIDAL TENDENCIES, C.O.C., S.O.D. e outros mestres está ali, presente e visualmente de bom gosto. E outro ponto: no encarte temos as traduções das letras da banda para o inglês.

O BANDANOS não brinca em serviço, verdade seja dita, descendo a marreta na cara de quem meter os bedelhos com sua música. Mas nem por isso podemos dizer que seu trabalho é simplista, longe disso. a banda faz bons arranjos musicais, capazes de prender o ouvinte no lugar até o disco terminar, com boa dinâmica em cada canção e refrões muito fortes e ganchudos.

Destaques no meio de 13 pauladas: a bruta e dura "Fato ou Mentira" (com belos solos e trabalho fantástico do baixo), a forte e irônica "Vynil Addiction" (com refrão em inglês, com muitos bons vocais), a raivosa e intensa "Falsas Ambições" (que começa mais cadenciada, antes de explodir com a velocidade característica do Crossover, onde a bateria dá um show à parte), "Meus Inimigos" (onde vemos uma queda mais para o lado do Thrash Metal, com boa dinâmica guiada pelos riffs ferozes), a ótima "Urban Thrash Skate Maniacs" (outra onde o baixo mostra um excelente trabalho, com o detalhe de ser cantada em inglês), a homenagem ao Bay Area Thrash Metal em "Bay Area Seduction", a destruidora de tímpanos "Idiossincrasia", a paulada na cara de "Velhos Heróis" (belas vocalizações, diga-se de passagem), e a puro mosh pit chamada "Escravo do Relógio". Mas o disco é excelente como um todo, logo, é apertar a tecla "play" e se preparar para aturar os vizinhos reclamando em seu portão (mas no fundo, a maioria merece).

Excelente disco, e pede a compra de uma cópia física. Downloads ilegais são coisa de pela-sacos...



Tracklist:

01. Fato ou Mentira
02. Vynil Addiction  
03. Nova Onda de Violência
04. Falsas Ambições  
05. Meus Inimigos  
06. Urban Thrash Skate Maniacs
07. Bay Area Seduction  
08. O Super Legal  
09. Idiossincrasia  
10. Linha de Desumanização  
11. Velhos Heróis  
12. Enterrado Vivo  
13. Escravo do Relógio


Banda:

"Crisplatterhead" - Vocais
Marcelo Cyco Papa - Guitarras
Lauro Metal Hammer - Baixo
Hell-der Tiso - Bateria


Contatos:

Heavy and Hell Press (Assessoria de Imprensa)

Resenha: Anno Zero - The Next Level (CD)

Nota 9,0/10,0

Por Marcos "Big Daddy" Garcia


O Metal brasileiro só não recebe o devido valor em seu próprio país. Sim, uma vez que é mais fácil um clone de um clone mal feito que tenha nacionalidade estrangeira fazer sucesso em nosso país que uma banda ótima daqui. O passado não mente, e o presente mostra isso claramente. Mas no Norte e no Nordeste de nosso país, existem legiões de fãs que vão aos shows e tudo mais, dando uma aula em muito headbanger da antiga. E não é de admirar que a quantidade de ótimas bandas dessas regiões. E mais um nome forte e muito bom que coloca os dentes à mostra, executando um trabalho muito bem feito é o ANNO ZERO, de Teresina (Piauí), que depois de 10 anos após o lançamento de "Another Pleasant Evening", retorna com "The Next Level", seu mais novo álbum. E o título traduz bem a realidade do grupo: eles estão em outro nível.

Fazendo uma música melodiosa e elegante, com toques de agressividade com influências de nomes como MOONSPELL e PARADISE LOST, alguns poucos toques eletrônicos à lá SAMAEL, e assim, mesmo sem serem extremamente inovadores, possuem uma personalidade bem definida e própria. Basta ouvir os vocais que oscilam entre timbres extremos e outros normais, com guitarras em riffs fortes e bem feito (e solos inspirados, chegando a ter muitos toques do IRON MAIDEN aqui e ali), baixo e bateria formando uma base rítmica pesada e bem variada, fora participações ocasionais de vocais femininos (a voz suave de Tânia Nery dá um toque de melodia e classe bem forte nas músicas em que participa) e teclados (onde Marcelo Fontes dá uma canja em "Another Pleasant Evening", sendo que as outras saem das mão de André). Musicalmente, o que sai dessa mistura é uma música pesada, criativa, forte, com boa dose de acessibilidade e bem diferente do que costumamos ouvir todos os dias. E ainda existem momentos mais acessíveis perfeitos aqui e ali, que só colocam o disco em um patamar bem alto.

Anno Zero
A produção do próprio André Melo (guitarrista do grupo) em conjunto com a banda ajudou a dar um forte peso e classe à sonoridade da banda, mas ao mesmo tempo, é claro que optaram por algo mais seco, o que deixa a sonoridade do disco bem próximo ao que a banda toca ao vivo. Os timbres instrumentais foram muito bem escolhidos e a mixagem deixou os instrumentos em seus devidos lugares. Podemos dizer que, se não está perfeito, está muito bom. A arte, feita por criada do Eduardo Zee (baixista do grupo) é muito boa, deixando todo o layout e design em um ótimo nível, com as letras em negro sobre um fundo branco (os nossos olhos agradecem), e a modelo Pammela Noleto foi uma ótima escolha para ilustrar as idéias subjetivas que a arte busca expressar, para ligar o abstrato da música ao visual concreto.

O ANNO ZERO faz uma música que agrada por ser vibrante e moderna, fugindo de padrões rígidos, mas sem causar comoções em fãs mais antigos, sabendo impor sua personalidade em 9 ótimas canções, muito bem arranjadas e com um dinamismo muito bom. No tocante à acessibilidade musical, é onde sentimos bastante a influência do Gothic Rock aparecendo, algo de bandas como THE SISTERS OF MERCY, THE MISSION e DEPECHE MODE se faz presente, abrilhantando ainda mais o disco.

Após a enigmática intro "Infected", o disco abre com "Back Down", uma música forte e vigorosa, onde a melodia é bem acentuada e os toques eletrônicos dão um molho especial à colcha de ótimas guitarras. Em "Deceptions", mais macia e acessível, embora muito bem elaborada e ganchuda, temos as influências do Gothic Rock mais evidentes, com bom uso do contraste entre vocais normais, urrados e femininos, mais um show da bateria. Mais seca e agressiva é "The Next Level", graças aos arranjos mais secos e vocais agressivos, embora as guitarras apresentem solos mais melodiosos. Já "Poison Mind" retorna ao lado melódico e introspectivo próximo ao Metal tradicional, com bons momentos mais macios e belo trabalho de baixo e bateria. "Another Pleasant Evening" é uma música totalmente introspectiva e melancólica, embora com boa dose de peso, onde se evidencia bastante o trabalho das guitarras. Agressividade e melodia se fundem e tornam "Public Video Surveillance II" uma canção forte e beirando o Thrash Metal devido aos arranjos dos riffs, mas baixo e bateria se destacam bastante com boa técnica e presença (além de alguns toques tribais próximo ao fim da música), e "Pictures" segue a mesma linha, embora tendo momentos mais soturnos aqui e ali. Fechando com "Cold", fica claro a vibração mais Gothic Rock/Rock'n'Roll na canção, deixando-a bem acessível a um público não tão seleto.

Um disco ótimo, que mexerá com os brios de muitos. Mas para os não tão radicais, que se preocupam mais com a música em si, divirtam-se.



Tracklist:

1. Infected
2. Back Down
3. Deceptions
4. The Next Level
5. Poison Mind
6. Another Pleasant Evening
7. Public Video Surveillance II
8. Pictures
9. Cold


Banda:

Fyb Carv - Vocais, guitarras
André Melo - Guitarras, teclados, efeitos e sintetizadores
Eduardo Zee - Baixo
Chris Gomes - Bateria e percussão


Contatos:

MS Metal Press (Assessoria de Imprensa)

12 de out. de 2014

Toxic Holocaust, Lacerated and Carbonized, Nervosa, Land of Tears (09/10/2014 – Teatro Odisséia – RJ)


Produtor: Fame Enterprises
Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia
Fotos: Daniel Croce



Uma noite quente na cidade, e a Lapa recebeu mais um ótimo evento, desta vez, trazendo o trio Norte-Americano TOXIC HOLOCAUST, e tendo como opening acts os cariocas LAND OF TEARS e LACERATED AND CARBONIZED, além do trio Thrasher de São Paulo, NERVOSA. E o evento em si prova mais uma vez a força do Metal brasileiro, com todo respeito aos irmãos de outros países.

Land of Tears

Abrindo a noite, o quarteto LAND OF TEARS deu o pontapé inicial no evento.

A veterana banda sofreu uma reformulação em sua formação e mesmo na estética de suas letras desde o EP “World of Pain”, e se apresentou fazendo o primeiro show de divulgação de seu novo trabalho, o recém-lançado “The Ancient Ages of Mankind”. Mesmo seu Death Metal à lá anos 90 mostrou uma grande evolução técnica, sofrendo influências de algumas outra vertentes do Metal.

Land of Tears
A banda mostra boa postura na reestreia do baixista S. Vianna, fazendo um bom show (embora um pouco curto), o guitarrista/vocalista Róbson Night Arrow mostra boa comunicação com o público. Aproveitando o lançamento, o setlist foi todo baseado em músicas novas, com destaques óbvios paras “Old Legends” e “Mega Alexandros”, que não perdem sua força e impacto ao vivo (embora a qualidade de som estivesse um pouco abafada). Um ponto que ficou evidente é que a banda está bem entrosada, mas precisa de uma sequência de shows para azeitar um pouco as engrenagens. E foi legal ver o baixista do HICSOS, Marco Anvito (que produziu “The Ancient Ages of Mankind” e tocou todas as partes de baixo do CD), bem como receber de volta o LAND OF TEARS. Mas uma pena que havia pouco público dentro da casa...

Parabéns e bem vindos de volta, Robson Night Arrow, Leandro Xsa (guitarra solo), S. Vianna e Orion Gobath (bateria).

Setlist:
Intro
Colossus
Old Legends
Cerberus
Mega Alexandros
Pentekontoros
Omega Legions


Nervosa

Seguindo a noite, foi a vez das Thrash Killers do NERVOSA subirem ao palco e praticarem um genocídio Thrasher!

Esbanjando entrosamento, com excelente postura de palco e vertendo energia bruta aos borbotões, as meninas incendiaram o público, já que sua música é empolgante e violenta, chegando a gerar algumas rodas de pogo, as primeiras da noite. As fundações do Teatro Odisséia tremeram diante de músicas como “Justice Be Done”, “Into Mosh Pit”, a já clássica “Death”, a matadora “Victim of Yourself”, todas do primeiro álbum do trio (“Victim of Yourself”, lançado este ano). Mas ainda mataram a saudade do Demo/EP “2012” e detonaram “Masked Betrayer”. A qualidade de som também não estava perfeita, com o vocal sumindo de vez em quando, mas elas sentaram a marreta sem se importarem com a dificuldade.

Nervosa
Vale destacar que Fernanda Lira (baixista/vocalista) é um monstro no palco, agitando, cantando, tocando seu baixo com vontade, e se comunicando muito bem com o público (esbanja simpatia e bom humor sempre), enquanto Prika Amaral (guitarras, backing vocals) fica mais centrada nos riffs e solos, mas também agita bastante. E a baterista Pitchu Ferraz é segura na base rítmica, e mostra uma boa técnica nas baquetas e bumbos, além de uma pegada bem pesada.

E foram ovacionadas merecidamente, mostrando que o Brasil já é pequeno para as Thrash Killers, e que fique claro uma coisa: elas jogaram uma pressão extrema nas costas do TOXIC HOLOCAUST.


Setlist:
Twisted Values
Justice Be Done
Into Mosh Pit
Envious
Morbid Courage
Death
Urânio em Nós
Victim of Yourself
Masked Betrayer


E essa pressão aumentou ainda mais quando o quarteto LACERATED AND CARBONIZED subiu ao palco e detonou um show perfeito.

Lacerated And Carbonized

Jonathan Cruz (vocais), Caio Mendonça (guitarras), Paulo Doc (baixo, backing vocals) e Victor Mendonça (bateria) mostram que já estão em um nível bem acima da média das bandas brasileiras, já que em menos de um ano, a banda evoluiu de forma absurda. Já abriram tocando logo de início “L.A.C.”, “Third World Slavery” e “Awake the Thirsty”, do último CD (“The Core of Disruption”), mas não se privaram de tocar músicas de “Homicidal Rapture” como “Seeds of Hate” e o hino “Chainsaw Deflesher”. Isso é Third World Death Metal!

Lacerated And Carbonized
Comunicação e atitude de palco perfeitas (eles não param quietos um instante que seja), uma sinergia absurda com o público, muito carisma e pedidos pela conscientização da importância da unidade do público foram feitos, e vieram a calhar com o atual momento. E foram merecidamente aplaudidos e ovacionados por todos, e receberam com humildade cada cumprimento, cada aperto de mão que lhes foi dado.


Fica claro que a experiência internacional fez bem a eles, e o LACERATED AND CARBONIZED, bem como o NERVOSA, já não cabem no Brasil, e ajudaram a pressão sobre os headliners chegar a níveis absurdos.


Setlist:
L. A. C.
Third World Slavery
Awake the Thirst
O Ódio e o Caos
BloodDawn
Seeds Of Hate
Homicidal Rapture
Unnatural Aggression
Call for Blood
Corrupt Foundations
System Torn Apart
Mundane Curse
Chainsaw Deflesher


Enfim, fechando a noite, veio o trio norte-americano TOXIC HOLOCAUST.

Toxic Holocaust

Joel Grind (vocais, guitarras), Philthy Gnaast (baixo) e Nikki Rage (bateria) subiram ao palco e fizeram um bom show, com boa postura e comunicação, verdade seja dita. Mas os shows anteriores deixaram para eles uma tarefa ingrata, e eles não conseguiram superar nem o NERVOSA ou o LACERATED AND CARBONIZED. No máximo, igualaram (se chagaram a tanto) o LAND OF TEARS. Novamente: não foi um show ruim, mas não conseguiu a energia e impacto dos anteriores. 

Talvez, sem querer ofender ninguém, tivesse sido melhor se o trio norte-americano tivesse abrido a noite. Isso não seria vergonha alguma...

Toxic Holocaust

Mas o público presente, em sua maioria, lá foi para vê-los, e não se importou nem um pouco, mas se divertiu, agitou e deram moshs ao som de “Death Brings Death”, “War Is Hell” e outras. O destaque da banda é mesmo Nikki, já que teve que lidar com um pedal quebrado, mas mostra boa técnica e energia (não é à toa que a partir de sua entrada, os discos da banda melhoraram absurdamente em termos de técnica). “Gravelord”, a famigerada “Nuke the Cross” e “Bitch” (na encore) levaram os fãs ao deleite, verdade seja dita.


Setlist:
Awaken the Serpent
In the Name of Science
Reaper’s Grave
Death Brings Death
I Am Disease
War is Hell
Endless Armageddon
666
Agony of the Damned
Gravelord
Acid Fuzz
Deny the Truth
Wild Dogs
The Lord of the Wasteland
Nuke the Cross

Encore:

Metal Attack
Bitch


Óbvio que não poderia deixar de citar um discurso feito no show do TOXIC HOLOCAUST por um músico brasileiro que subiu ao palco, buscando exaltar a banda (que não precisa disso, pois faz um trabalho digno e que já fala por si) e outras coisas. Desnecessário, já que a cena precisa de unidade, não de algumas ideias velhas que desceram ao túmulo em 31/12/1989, e lá devem permanecer... O tempo dessas ideias acabou.


No mais, parabéns às bandas, ao público, a Fame Enterprises (pela realização e organização do evento no RJ e em SP), e ao Teatro Odisséia por acolher, cada vez mais, ótimos eventos de Metal.




O Metal Samsara gostaria de agradecer a cada um dos citados acima pela possibilidade de mais um trabalho, e a Daniel Croce por ceder as fotos aqui usadas.