9 de jun. de 2012

Severe Disgrace - Disciples of Aggression (Demo)


Independente – Nacional
Nota 7
Por Marcos Garcia


No Brasil, para se fazer Metal em qualquer vertente é algo infernal, sem trocadilhos, pois com os preços de estúdios e profissionais da área de gravação elevados, reflexos de uma economia ainda instável, cujos efeitos positivos quase nunca chegam às camadas sociais mais baixas (os negativos sempre chegam), e as bandas sofrem com prazos curtos e condições ruins para fazerem trabalhos. Muitas vezes, é necessário que as mesmas façam dívidas enormes, uma aposta em um futuro que, em geral, não é lá muito promissor.
Mais um bom nome do nosso Metal é trio Thrash/Death Metal oitentista Severe Disgrace, que com uma luta enorme, conseguiu chegar a esse Demo CD, Disciples of Agression.
A produção sonora está bem tosca, o que é uma pena, pois o som da banda é muito bom, em uma veia ‘kreatoriana’ forte, mas sem ser uma cópia xerocada do gigante germânico, pois tem força, peso e personalidade, pois as três faixas que compõem este trabalho são bastante empolgantes, pois Evil Possessed alterna bem momentos mais velozes com outros mais cadenciados, com ótimo refrão e riffs de guitarra bem postados; em Dark World, o baixo se mostra bastante técnico, bem como a bateria, em uma música que alterna cadência e velocidade de forma bastante satisfatória, com um climão bem Persecution Mania, mas a gravação acaba deixando o volume dos bumbos e do próprio baixo um pouco sumidos; e Behind the Mask é outra música bem forte, com ótimas guitarras e vocalizações à lá Petrozza, que é capaz de criar rodas de pogo instantaneamente e sem nenhum esforço, mas uma pena que uma guitarra base lhes faz um pouco de falta.
É óbvio que o produto final poderia ser bem melhor, e esperemos que a banda tenha chances para isso no futuro, pois sua música tem bom nível e técnica que lhes angariará bastante fãs, isso é certo.

Evil Possessed

Tracklist:

01. Evil Possessed
02. Dark World
03. Behind the Mask


Formação:

Danilo Macedo – Vocais e guitarras 
Leonam Costa – Baixo e  backing vocals
Vitor Macedo – Bateria


Contatos:


Thyresis – Thyresis (CD)

Independente - Nacional
Nota 9
Por Marcos Garcia

O Melodic Death Metal tem ganhado cada dia mais adeptos e atenção por parte da mídia especializada, porque é inegável que ele veio para ficar, ou seja, é uma porta que se abriu e não mais se fechará, por onde ótimas bandas estão passando e brindando os fãs de Metal com trabalhos muito bons, e ao mesmo tempo, revigorando-o e conferindo-lhe vigor para resistir a mais décadas de vida.
O Brasil também já anda revelando bons trabalhos no Death Melódico, e um nome forte que pode fazer a diferença é o do Thyresis, de João Pessoa (PB), que em seu primeiro CD, Thyresis, faz bonito e mostra uma sonoridade que mixa bem a brutalidade e peso do Death Metal tradicional com riffs e solos de guitarra advindos do Metal Tradicional.
Os vocais são urrados o tempo todo, fugindo de tons limpos, as guitarras sabem bem alternar rispidez e momentos ‘maidenianos’ em riffs e solos bem cuidados e firmes, a cozinha baixo e bateria mostra não só coesão e peso, mas se sobressaem vez por outras, e isso tudo em um trabalho onde a brutalidade e melodia casam de forma perfeita, e sem deixar nenhum buraquinho que seja, pois a música que sai dos falantes é bem compacta.
A produção sonora e a mixagem foram feitas pelo baixista e vocalista Victor Hugo Targino, e a masterização é do renomado produtor Sueco Jens Bogren (Amon Amarth, Katatonia, Symphony X, Paradise Lost, Ihsahn, entre outros), e apesar de ser um trabalho independente, está em um nível ótimo, mostrando bastante o poderio musical da banda, bem como sua versatilidade e técnica, principalmente em pequenas instrumentais que antecedem várias faixas, e mesmo sendo um trabalho bem homogêneo e com nível elevado, Journey, uma faixa bastante forte, com excelente trabalho de guitarras, onde a sonoridade empolga o ouvinte; Voices of Me, uma faixa com momentos mais intensos e pesados, onde a bateria se destaca bastante; a rápida e técnica Dispersed, e que guitarras; a densa e massacrante A Dead Resource, que é bem agressiva em seu início, mas que ganha um approach mais melódico de sua metade até o fim, graças aos solos de guitarra, que logo estão juntos, em um momento bem ‘maideniano’; The Ties of Ignorance, um pouquinho mais Death Tradicional mesmo, apesar dos solos melodiosos; a agressiva Strength Within; a bela Thyresis, uma instrumental de mais de 6 minutos muito bem feita e longe de ser enfadonha; a tijolada ríspida de Still Alive; e Risen, outra faixa em que a melodia e a agressividade se alternam bastante.
Uma banda promissora, e que merece bastante uma chance de mostrar seu trabalho.



Tracklist:

01. Silent Monologue
02. Journey
03. Refugee
04. Voices of Me
05. Dispersed
06. Broken Home 
07. A Dead Resource
08. Beyond Infinity
09. The Ties of Ignorance
10. Inside
11. Strength Within
12. Thyresis
13. Still Alive
14. Risen
15. Silent Scream




Formação:

Victor Hugo Targino – Baixo, voz
Danilo Rufino – Guitarras
Eduardo Borsero – Guitarras
Demetrius Pedrosa – Bateria


Contatos:

083 9144 2911 / vhdenovo@hotmail.com (Victor Hugo)

Serpent Sermon – Marduk (CD)


Century Media Records – Importado
Nota 10
Por Marcos Garcia

Constância versus Inovação é uma das grandes dicotomias existentes dentro do Metal atualmente, já que, de um lado, bandas que geraram o paradigma da ausência de mudanças em sua forma de fazer sua música, e criaram discos clássicos do estilo. Do outro, tempos bandas que, a cada lançamento, souberam (e sabem) evoluir e fazer trabalhos cada vez mais fantásticos, capazes de arrancar aplausos até dos críticos mais sisudos, e também criaram discos clássicos, e outras ainda, nessa mesma vertente, se perderam, ou seja, as mudanças foram tantas e tão radicais que as mesmas perderam qualquer tipo de identidade sonora com o seu passado.
Essa é uma equação difícil de ser desenvolvida em torno de uma solução única, digamos de passagem...
E ainda há aquelas que evoluem, mantendo suas raízes musicais intactas, e nos brindam com ótimos CDs, como é o caso do sueco Marduk, um dos nomes mais fortes e respeitados do Black Metal, que após 3 anos de espera, solta seu novo CD, Serpent Sermon, pela Century Media Records.
Desde que Legion saiu da banda, muitos fãs torcem o nariz para o trabalho do quarteto, em uma mostra de radicalismo desnecessário, já que Mortuus tem se mostrado um vocalista ao mesmo tempo agressivo e versátil, dando um sabor diferente ao som bruto da banda, e isso desde sua entrada, e a banda é sempre capitaneada pelo trabalho diferenciado de guitarras da parte de Morgan, um verdadeiro mestre em se fazer riffs fortes e ganchudos, daqueles que você ouve e não esquece mais, e isso tudo apoiado pela ótima cozinha rítmica de Devo e Lars, que se mostram ainda mais coesos e técnicos que no disco anterior.
Produzido pela própria banda, a sonoridade do disco é bem intensa e com doses de sujeira  essenciais para o estilo bem postadas aqui e ali, mas ao mesmo tempo sem prejudicar o produto final que sai pelos falantes, deixando a música em um ponto em que se compreende cada instrumento e nuance da mesma, mas bruto e intenso, dando a impressão que a banda é uma autêntica máquina de guerra.
Estilisticamente, bem pouco mudou em relação aos discos anteriores, embora exista um pouco de sofisticação em meio a agressividade mais explícita, como na arrasadora Serpent Sermon, na curta Messianic Pestilence, com excelente vocalizações de Mortuus; na destruidora Souls for Belial (que tem vídeo oficial na internet), onde os riffs de Morgan estão afiadíssimos e cada vez mais grudentos, mesmos pontos fortes encontrados em Hail Mary (Piss-soaked Genuflexion). Há também músicas mais cadenciadas e aterrorizantes, como Temple of Decay, com urros apavorantes, bateria muito bem encaixada e bases de guitarra de deixar muito guitarrista com o queixo caído e nuances sonoras sutis muito interessantes; e World of Blades, onde Lars e Devo mostram ótimos trabalhos individuais em seus instrumentos, mas a guitarra de Morgan continua roubando a cena. E também há aquelas em que a velocidade não chega a ser muito exagerada e há variações rítmica muito boas, como a absurda M.A.M.M.O.N., um dos pontos altos do CD.
Realmente, falar em Marduk continua sendo sinônimo de grande qualidade, e quem andava meio desiludido com a banda, acho bom dar uma boa ouvida no CD, especialmente porque existe um bônus na edição limitada, que é Coram Satanae.

Souls for Belial

Tracklist:

01.  Serpent Sermon 
02.  Messianic Pestilence 
03.  Souls for Belial 
04.  Into Second Death 
05.  Temple of Decay 
06.  Damnation's Gold 
07.  Hail Mary (Piss-soaked Genuflexion) 
08.  M.A.M.M.O.N. 
09.  Gospel of the Worm 
10.  World of Blades 


Formação: 

Mortuus – Vocais
Morgan Steinmeyer Håkansson – Guitarras 
Devo – Baixo 
Lars Broddesson – Bateria


Contatos:

www.marduk.nu 
www.facebook.com/mardukofficial 

Sigma 7 – Uma Bala, Uma Chance (CD)


Independente - Nacional
Nota 9
Por Marcos Garcia

Definitivamente, o Hard Rock está de volta com tudo para retomar seu espaço, que foi tomado pela moda Grunge/Alternativo dos anos 90, já que o número de boas bandas novas do estilo está aumentando cada vez mais, e o seu antigo opositor está em franca decadência. Venhamos e convenhamos: é preferível encarar o dia a dia com alto astral do que com uma visão perdedora e pessimista.
Seguindo uma linha Hard’n’Roll, temos o ótimo quinteto gaúcho Sigma 7, que chega com seu novo trabalho, Uma Bala, Uma Chance, e mesmo resgatando uma sonoridade bem fundamentada no Hard Rock/Rock’n’Roll dos anos 70, pulsa com vida e personalidade bem próprios, pois temos uma música trabalhada (embora simples) e empolgante, com fortes vocalizações melodiosas, guitarras com bastante categoria e peso nas bases e solos, baixo e bateria pesados e concisos, sem deixar espaços ocos nas músicas. E um bônus para aqueles que reclamam não compreender o idioma bretão: as letras são cantadas em português.
Apoiados por uma produção sonora bem limpa, as idiossincrasias do quinteto são bem evidenciadas sem grandes problemas, especialmente nos destaques do CD, as faixas Estrada, música do primeiro vídeo oficial do CD, com aquele saudável clima descompromissado e leve, onde as guitarras e os vocais se sobressaem, especialmente pelo refrão ganchudo; a paulada Submundo, aquele Hardão não tão rápido, mas que empolga e leva o ouvinte a cantar o refrão junto com a banda, com um solo de guitarra bem ‘frehleyana’, bem como Vida Fácil, outra que deixa o ouvinte arrepiado; a balada essencial Por Mais Que Eu Tente Esquecer, melodiosa e muito bem estruturada, onde os vocais e o baixo se mostram bastante; Mistérios, bem cadenciada e com ótimas guitarras, que estão presentes na tijolada Vida Rock’n’Roll, uma típica canção para levantar o público à loucura, graças à sua levada grudenta; a cadenciada Obsessão; e a bela Reinventando Solidão, outra balada feita com violão e voz muito legal, onde fica clara a versatilidade da voz de Marcos Delfino.
Discão, e vale a pena a conferida.
Estrada

Tracklist:

01. Estrada
02. Submundo
03. Vida Fácil
04. Por Mais Que Eu Tente Esquecer
05. Mistérios
06. Vida Rock’n’Roll
07. Ela Não Vai Parar
08. Obsessão
09. Reinventando a Solidão
10. Vida Fácil (Jacques Maciel)


Formação:

Marcos Delfino – Vocal 
Ted Justo – Guitarra Solo
Alessandro Librelato – Guitarra Base
Eduardo Schardosin – Baixo 
Zico Cavinato – Bateria 


Contatos:


Fear Factory – The Industrialist (CD)



Candlelight Records - Importado
Nota 10
Por Marcos Garcia

Os anos 90, apesar da contestação de muitos, teve muitos pontos positivos, como permitir que as bandas novas e criativas dessem um pontapé inicial em musicalidades que hoje estão consolidadas, especialmente falando no uso de elementos eletrônicos e groove.
O Fear Factory foi um dos grandes pioneiros, e um dos pais por direito do que hoje chamamos de Metalcore e Thrash Metal Industrial, posição ainda mais consolidada com seu novo trabalho, The Industrialist, que acaba de sair do forno.
Apoiado nos vocais ora absurdamente urrados, ora mais melódicos e suaves de Burton C. Bell e na guitarra caótica de Dino Cazares, um mestre de riffs agressivos e ganchudos, o quarteto mostra o porquê ainda é um dos mais fortes pilares do estilo, pois a música apresentada aqui é não só uma espécie de retorno à sonoridade do clássico Demanufacture, mas adicionam a experiência e criatividade de anos, e pronto: surge um disco obrigatório.
Produzido por Rhys Fulber  e pela própria banda em conjunto, e a mixagem de Greg Reely, a sonoridade que flui através dos falantes é límpida e vigorosa, pois nada na música complexa do grupo fica escondido, nem mesmo quando os elementos eletrônicos surgem, e ainda privilegia bastante o peso. E lembremos que a bateria no disco é programada, feita por Dino Cazares (que também tocou baixo), John Sankey (que gravou as sessões dos Demos) e do próprio Rhys Fulber. Mas que os mais puristas não se enganem: a bateria não está mecânica, mas bem variada.
O que se pode esperar de um trabalho onde esses dois estão enfiados?
Para quem conhece o poder de fogo da banda, a satisfação é garantida, já que espancamentos sonoros como a grandiosa e aniquiladora The Industrialist, que abre o CD com agressividade ríspida dos riffs de guitarra e pelos urros alucinados, em um andamento não tão veloz, mas focado na técnica; em Recharger, tome mais agressividade com ótimas levadas de bateria; New Messiah, com suas quebradas de ritmo e inserts de vocais limpos bem sacados; a cadenciada e variada God Eater, cheia de elementos industriais; e Difference Engine, outra pancada voraz sem muita velocidade.
Forte candidato ao Top Ten de muitos no final de 2012.
Aliás, se o mundo acabasse mesmo em dezembro, eis a perfeita trilha sonora!

The Industrialist

Tracklist:

01. The Industrialist
02. Recharger
03. New Messiah
04. God Eater
05. Depraved Mind Murder
06. Virus of Faith
07. Difference Engine
08. Disassemble
09. Religion is Flawed Because Man is Flawed
10. Human Augmentation


Formação:

Burton C. Bell – Vocais 
Dino Cazares – Guitarras, baixo, programação
John Sankey – Programação de bateria


Contatos:


8 de jun. de 2012

Spineshank – Anger Denial Acceptance (CD)



Century Media - Importado
Nota 8
Por Marcos Garcia

A mistura de agressividade com melodia em muitos trabalhos vistos atualmente estão deixando muitos fãs de Metal assustados, bem como causando furor em tradicionalistas de plantão, mas é fato: o paradigma antigo já está sendo ultrapassado, e o Metal se encaminha para se tornar um estilo ainda mais amplo do que já era há alguns anos.
Outro bom nome das bandas que fazem um trabalho que mistura uma sonoridade muito ríspida com melodias bem interessantes e densas é, sem sombra de dúvidas, o quarteto americano Spineshank, de Los Angeles, que por meio da Century Media Records, nos chega com seu novo trabalho, Anger Denial Acceptance.
A sonoridade da banda é bem densa e pesada, com vocais que variam do suave ao urrado com extrema facilidade, guitarras pesadas em riffs bem feitos, baixo bem audível que se arrisca em notas fora da marcação vez por outra, e bateria firme e bem compassada, sem atravessar o som, sabendo conduzir bem os andamentos da banda, e cada um desses elementos é bem audível graças a uma produção sonora bem cuidada, que além de conferir peso e coesão à música da banda, abrilhanta bastante cada instrumento.
As músicas do disco possuem uma qualidade muito boa, se destacando das demais a pesada e intensa After the End, que abre o CD com berros rasgados alternados com vocais mais suaves, além do ótimo trabalho da base rítmica; Nothing Left for Me, uma canção mais focada em sentimentos fortes, em um clima bastante opressivo e melancólico, assim como em Anger Denial Acceptance, onde os elementos mais amenos se alternam com outros mais agressivos, e na ótima I Want You to Know; The Endless Disconnect, com ótimo refrão, guitarras ótimas e alguns elementos de Industrial; a ultra-Hardcore novaiorquino I Am Damage, que é uma pedrada agressiva e bruta, apresentando um ótimo trabalho de guitarras; a agressiva The Reckoning, que já cai mais para um lado Industrial-Core forte, e um baixo extremamente gorduroso surge em várias oportunidades; e a trilogia formada por God Complex (Anger), Motive Method Opportunity (Denial), e Exit Wound (Acceptance), a primeira uma paulada, a segunda uma música mais climática, e a terceira é extremamente avantgarde.
Uma banda legal, um trabalho digno de honra e que merece uma conferida atenta.

Nothing Left for Me

Tracklist:

01.  After the End 
02.  Nothing Left for Me 
03.  Anger Denial Acceptance 
04.  I Want You to Know 
05.  Murder Suicide 
06.  The Endless Disconnect 
07.  I Am Damage 
08.  Ploratio Morbus 
09.  Everything Everyone Everywhere Ends 
10.  The Reckoning 
11.  God Complex (Anger) 
12.  Motive Method Opportunity (Denial) 
13.  Exit Wound (Acceptance) 



Formação:

Johnny Santos – Vocais 
Mike Sarkisyan – Guitarras 
Rob Garcia – Baixo
Tommy Decker – Bateria


Contatos:



Architects – Daybreaker (CD)



Century Media Records - Importado
Nota 9,0
Por Marcos Garcia

Um dos aspectos mais sensacionais do Heavy Metal é a sua capacidade de mutação, de se transformar em algo novo e cheio de vida, ao mesmo tempo em que outros preferem a sua tradicionalidade que, em geral, também válida. Duas visões interessantes e que convivem em harmonia nos dias atuais, embora ainda existam algumas pessoas que causam dicotomias vazias de sentido lógico por suas visões distorcidas e pequenas de um todo extremamente amplo.
Uma banda que desafia rotulações é o inglês Architects, já que sua música tem muito de Progressive, Hardcore e Metalcore, mas um estilo diferente que anda sendo chamado de Pós-Metalcore por alguns (é tudo Metal, oras!), e que chega com seu quinto trabalho, Daybreaker, via Century Media Records. 
A primeira coisa que salta os olhos na musicalidade do quinteto é sua vocação para fazer um som que ora é rascante e agressivo, ora é mais melódico e denso, com climas bem opressivos, mas sempre com técnica, peso e bom gosto bastante evidentes.
A apresentação gráfica é muito bonita e bem legal, em um trabalho ótimo de Paul Jackson (Tank.Axe.Love), embora o logo da banda lembre de cara o usado pelo Dream Theater alguns anos atrás. A sonorização bem cuidada e limpa, graças à produção de Ben Humphreys e da própria banda, com uma mãozinha de John Mitchell nos Outhouse Studios, in Reading, Inglaterra, que faz a banda soar coesa e pesada, bem como mantém a música densa e limpa.
Ao ouvir o disquinho, é bom tomarem cuidado, pois este trabalho não é, de forma alguma, convencional, mas corajoso e complexo, bastante minimalista musicalmente falando, e com fortes momentos em que a emoção surge, especialmente em The Bitter End, que começa lentinha, mas logo vira uma pancada extremamente densa e emotiva, com gritos para lá de fortes; a ótimas guitarras em Alpha Omega, ríspida e intensa, sem ser lá muito veloz; a instigante e emotiva These Colours Don’t Run, onde a cozinha baixo-bateria mostra eficiência em um bom trabalho, conferindo peso e técnica à banda; a técnica Daybreak, onde o baixo dá um show de técnica em seus momentos mais amenos; a progressiva Truth, Be Told; a mezzo ríspida, mezzo emotiva Outsider Heart, que empolga e mantém a atenção do ouvinte presa durante sua execução; a calma e climática Behind the Throne, com retoques bem ‘floydianos’ aqui e ali, mesmos elementos que o ouvinte irá encontrar em Unbeliever. Ainda há a participação de Oliver Sykes (do Bring Me The Horizon) nos vocais de Even If You Win, You’re Still a Rat, outra faixa bem intensa e agressiva.
Um disco complexo, mas que para aqueles que encaram desafios de peito aberto, uma obra-prima.

These Colours Don't Run

Tracklist:

01. The Bitter End  
02. Alpha Omega  
03. These Colours Don’t Run  
04. Daybreak  
05. Truth, Be Told  
06. Even If You Win, You’re Still a Rat  
07. Outsider Heart  
08. Behind the Throne  
09. Devil's Island   
10. Feather of Lead  
11. Unbeliever  



Formação:

Samuel Carter – Vocais 
Tom Searle – Guitarras
Tim Hillier-Brook – Guitarras
Ali Dean – Baixo 
Dan Searle – Bateria


Contatos:


7 de jun. de 2012

The Agonist – Prisioners (CD)


Century Media Records - Importado
Nota 10
Por Marcos Garcia

Cada vez mais, o Metalcore e o Death Metal Melódico andam se fortalecendo e mutando, evoluindo e se desenvolvendo a olhos vistos, uma vez que bandas jovens estão surgindo em um e em outro e mostrando trabalhos dignos não só de uma audição cuidadosa, mas de reconhecimento por parte do público e da crítica.
E imaginem só uma banda que faz a mistura de ambos os estilos de maneira equilibrada e sóbria, aproveitando o que cada uma das subdivisões tem de melhor.
É, meus caros, tal banda existe, e é o quinteto canadense The Agonist, uma banda forte e coesa, que apresenta trabalhos diferenciados e bem coesos, como é o caso de seu novo CD, Prisioners, que acaba de sair via Century Media Records.
Tendo na frontwoman Alissa White-Gluz uma vocalista privilegiada que foge completamente de qualquer modelo pré-existente, combinando vocalizações guturais com outras mais suaves, e algumas mais rasgadas, sem causar nenhum tipo de instabilidade no som da banda, ainda mais com uma ótima dupla de guitarras que se alterna em ótimas bases e solos inspirados, com muita técnica e feeling, e uma rítmica muito pesada e ultra-variada, sabendo não só alternar andamentos, mas fazer quebradas de ritmo bem encaixadas.
Tendo a produção de Christian Donaldson (Crypstosy), e a mixagem e masterização feitas pelo arroz-de-festa Tue Madsen (The Haunted, Dark Tranquillity, Suicide Silence), o que sai das caixas de som é um som intenso, pesado e limpo, sabendo focar cada elemento da música da banda sem privilegiar este ou aquele instrumento.
Ouvir este CD é algo tão prazeroso aos ouvidos e empolgante que acaba sendo injusto com a banda destacar esta ou aquela faixa, mas não falar da ótima The Escape, onde a tônica é a mudança constante de andamentos, com técnica exacerbada; a intensa e melódica Predator and Prayer, com um andamento um pouquinho mais cadenciado, embora existam momentos mais velozes, e com peso de sobra, especialmente pela bateria, mesmíssimos elementos encontrados na arrasa-quarteirão Anxious Darwinians, onde as vocalizações se destacam bastante; a rápida e variadíssima Panophobia; a climática Dead Ocean, pesada e azeda na medida certa, o que não mata o forte toque melódico da banda; e as empolgantes The Mass of the Earth, Everybody Wants You “Dead” e Revenge of the Dadaists, sabendo variar do extreme ao climático e pesado sem pudores e sem medo de ousar.
Recomendadíssimo aos que não são puritanos.

Ideomotor

Tracklist:

01. You’re Coming With Me 
02. The Escape 
03. Predator and Prayer 
04. Anxious Darwinians 
05. Panophobia 
06. Ideomotor 
07. Lonely Solipsist 
08. Dead Ocean  
09. The Mass of the Earth 
10. Everybody Wants You “Dead” 
11. Revenge of the Dadaists


Formação:

Alissa White-Gluz – Vocais 
Danny Marino – Guitarras
Pascal “Paco” Jobin – Guitarras 
Chris Kells – Baixo
Simon McKay – Bateria 

Contatos: 


Firewind - Few Against Many


Century Media Records – Importado
Nota 9
Por Marcos Garcia

Após seu trabalho no Scream, de Ozzy Osbourne, o guitarrista grego Gus G. se tornou um músico conhecido, mas sua banda principal, o Firewind, ainda está meio que escondida no underground, apesar de seus agora sete discos de estúdio, mas Few Against Many deve mudar isso, e se mostra um disco forte e bastante consistente, capaz de levar o grupo a um novo patamar. 
Apesar de aparentar para muitos que a banda seria mais uma daquelas que só existem para exercitar o ego de um Guitar Hero, as músicas do CD mostram uma banda bem homogênea, fazendo um Metal Tradicional bem moderno com toques alguns Power de primeira, tendo ótimas melodias e composições fortes, ótimos riffs e solos de guitarra, zaga rítmica forte e pesada o tempo todo, teclados bem postados e ótimos vocais por conta de Apollo Papathanasio. 
Com a supervisão de Jason Suecof e Eyal Levi na mixagem do disco nos Audiohammer Studios, enquanto Alan Douches nos West  West  Side Music ficou na masterização, a banda conseguiu uma sonoridade bem densa e pesada, mas translúcida, assim, o peso e bom gosto de faixas como a abre-alas Wall of Sound, uma autêntica cacetada nos tímpanos com ótimas guitarras (novidade...), bem como a climática e pesada Losing My Mind, a variada Few Against Many, onde temos alternância entre momentos mais secos e outros mais melodiosos, onde o solo de guitarra arrasa, e Another Dimension segue esta mesma linha, com um belo refrão, a linda Edge of a Dream (onde o pessoal do Apocalyptica aparece nos celos), além da mezzo pancada, mezzo lenta No Heroes, No Sinners. A versão europeia Digipack ainda tem dois bônus, Battleborn e No Heroes, No Sinners em uma bela versão acústica.
Um disco que quem já era fã vai adorar, e que deve angariar alguns novos, pois o nível é alto, e este é um disco que vale a pena.

Wall of Sound

Tracklist:

01. Wall Of Sound  
02. Losing My Mind  
03. Few Against Many  
04. The Undying Fire  
05. Another Dimension  
06. Glorious  
07. Edge of a Dream  
08. Destiny  
09. Long Gone Tomorrow  
10. No Heroes, No Sinners   


Formação:

Apollo Papathanasio – Vocais 
Gus G. – Guitarras 
Petros Christo – Baixo  
Bob Katsionis - Teclados, guitarras adicionais
Jo Nunez – Bateria 

Contatos:


TesseracT - Perspective (EP)



Century Media Rec. – Imp.
Nota 9,0
Por Marcos Garcia

De alguns anos para cá, tem surgido cada vez mais bandas que buscam fazer trabalhos musicais mais e mais estranhos, como se buscando dar escopo musical ao próprio caos, sem, no entanto, ser algo desconexo e sem sentido, podendo ser algo que, mais adiante no tempo, seja lembrado como um momento de transição na história do Metal.
No meio de tantas bandas assim, um dos grupos mais interessantes é o quinteto inglês TesseracT, que mostra neste seu terceiro trabalho, o EP Perspective, que saiu via Century Media Records, o quanto não são conformistas com as sonoridades já existentes, mas dispostos a levar o chamado Progressive Metal a um novo patamar, onde o que importa às bandas é a capacidade de ser experimental e ousado, sem ficar se limitando a fórmulas já desgastadas. 
O disquinho em si é um EP com cinco faixas, sendo três acústicas, um cover e um remake de uma faixa de seu CD anterior, e verdade seja dita: a banda convence, pois em Perfection, April (que está no disco anterior, One, em sua versão elétrica) e Origin, faixas acústicas, eles fogem do formato chavão de baladas e caem em músicas densas e minimalistas, com climas progressivos complexos e intimistas bem distantes do visto nos anos 70, pois pulsam com atualidade e vida de forma contundente; já Dream Brother é um cover de Jeff Buckley, um músico ligado ao Rock Alternativo e ao Folk, que ganhou uma roupagem bem diferente, mais densa e progressiva, e Eden 2.0 é uma versão nova da faixa encontrada do disco anterior, uma música complexa e extremamente climática, com tantas variações que não deixam o ouvinte bocejar um instante que seja.
Um EP bem legal, e que merece uma conferida atenta, mas fiquem certos que o trabalho do grupo não é trivial, logo, pode assustar os mais incautos, e irá causar pesadelos crônicos nos conservadores e puristas parados no tempo.

Eden 2.0

Tracklist:

01. Perfection 
02. April 
03. Origin 
04. Dream Brother  
05. Eden 2.0  


Formação: 

Elliott Coleman – Vocais  
Acle Kahney – Guitarras  
James Monteith – Guitarras  
Amos Williams – Baixo e vocais 
Jay Postones – Bateria 

Contatos:



Suicidal Angels - Bloodbath (CD)


Noise Arts – Importado
Nota 4
Por Marcos Garcia

A onda retro-Thrash que anda em alta no Metal tem trazido alguns frutos interessantes, e outros que carecem de valor mais real, já que a originalidade e personalidade em muitos casos são deixadas de lado em prol de uma devoção ao que já foi feito, à repetição de clichês, que obviamente tem lá seu valor, mas que não deve ser feito sem dosagem meticulosa, pois cheira ou a oportunismo, ou a falta de personalidade. 
E uma das bandas que tem muito potencial, mas cai justamente neste erro grave são os gregos do Suicidal Angels, pois seu novo CD, Bloodbath, é a clara mostra de que o culto ao passado tem seu lado negativo.
Apesar dos bons músicos da banda, bem como a produção sonora extremamente bem cuidada (Feita por R.D. Liapakis, tendo Christian Schmidt como engenheiro de som e Jörg Ugen na mixagem e masterização), o que vemos no CD é apenas uma releitura de pontos comuns já abordados ad infinitum posteriormente, especialmente na segunda metade da década de 80: bem feito, tem energia de sobra e empolga os mais incautos, mas o quarteto está longe de ter personalidade própria, isso sem contar que muitas faixas são extremamente parecidas umas com as outras, porque pouco se varia nos andamentos das mesmas, não importando quantos argumentos possam ser usados em sua defesa. 
Há momentos legais como Moshing Crew, onde existe muito do velho Tankard; Face of God, onde o Exodus manda lembranças, pois a faixa é a cara do trabalho de Gary Holt e sua trupe; e Chaos (The Curse is Burning Inside), onde muito da música já se ouviu em discos por volta de 88 e 89, especialmente na escola Alemã de Thrash Metal (em especial,  o Kreator). 
A banda pode fazer bem mais que isso, tanto que tem músicas boas em seus trabalhos anteriores, mas este disco aqui mostra que precisam, e muito, sair da sombra do passado, e se reinventar, ser o Suicidal Angels, e não uma cópia de outra banda.

Bloodbath

Tracklist:


01. Bloodbath
02. Moshing Crew
03. Chaos (The Curse is Burning Inside)
04. Face of God
05. Morbid Intention to Kill
06. Summoning of the Dead
07. Legacy of Pain
08. Torment Payback
09. Skinning the Undead
10. Bleeding Cries






Formação:


Nick Melissourgos – Vocais, guitarras
Panos Spanos – Guitarras 
Angelos Kritsotakis – Baixo 
Orpheas Tzortzopoulos – Bateria




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Profissionalismo versus paixão – O gato de Schrödinger do Metal



Por Marcos Garcia


Quando se fala em Mecânica Quântica, a maioria das pessoas lembra logo de um gendaken (palavra alemã usada para escrever uma experiência mental, ou seja, um artifício muito usado para ilustrar problemas complexos cuja linguagem acadêmica o torna inviável aos não letrados no assunto) que já caiu no conhecimento popular: o famoso gato de Schrödinger.
O gendaken em si se baseia no seguinte: temos uma caixa fechada opaca (ou seja, não se pode ver o que está dentro), com um gato preso, um contador Geiger que está ligado a um martelo por meio de relés, e um vidro com veneno. Se o contador disparar, os relés funcionam, ativam o martelo, que quebrará o vidro e o gato morrerá. Se não, o gato continuará vivo.
O leitor logo dirá que basta abrir a caixa para saber o que está acontecendo dentro dela, mas aí ocorrerá um problema: fazendo isso, altera-se a probabilidade do gato estar vivo ou morto, ou seja, forçamos uma possibilidade, já que, na Mecânica Quântica, o observador faz parte do experimento, pois somente dele observar, ele já forçou o sistema observado a colapsar para um estado quântico.
Onde isso se liga ao Metal?
Simples: muitas críticas têm sido feitas à postura, muitas vezes apaixonada, dos críticos do estilo, com muitos clamando uma distância e imparcialidade que, em tese, poderia existir nos moldes europeus. Mas a distância vista entre eles não é uma premissa do profissionalismo, mas fator cultural do povo europeu, tanto que isso é sensível em várias situações nas vidas deles.
A crítica é válida?

Sim e não.
Realmente, é necessário saber que um disco é bom ou não independente do gosto de quem o analisa, e isso é ponto pacífico. Há bandas que possuem trabalhos sublimes dentro do que se propõem a fazer, outras não, mas isso independe do gosto pessoal de cada um, bem como existem bandas que são consagradas por certos aspectos para alguns que, para outros, não são válidos.
Um exemplo bem simples: Lulu, do Metallica, irritou alguns e satisfez a outros, mas isso se dá porque há diferenças de análise. Alguns críticos, que elogiaram o trabalho da banda (junto com Lou Reed, não nos esqueçamos disso), alegando ser uma banda corajosa e com ousadia suficiente para não se prender a padrões pré-estabelecidos; os que deram conotações negativas o fazem apoiados no que a banda já fez (nem sempre um bom parâmetro para este tipo de trabalho), bem como na falta de personalidade que o Metallica apresenta do Load para cá, já que cada disco apresenta algo estilisticamente distante do anterior, e algumas vezes, antenados com o que ocorre na cena Metal mundial. Mesmo os fãs mais apaixonados devem entender que isso é um fato.
Quem está errado nessa situação?
Nenhum dos dois lados, já que um crítico usa de seu background intelectual (que é único), e mesmo de sua opinião sobre esses aspectos em seu trabalho, de forma quase inconsciente. Ou seja, dentro disso está o Gato de Schrödinger, e se abrir a caixa, forçará um resultado a acontecer, porque uma coisa é fato: não existe imparcialidade se tratando de música, bem como de qualquer outra forma de arte.
O crítico está inserido nesse contexto, e como na Mecânica Quântica, ele não está isolado do experimento, e por mais distante que esteja, fará parte do processo, logo, ouvindo um disco, sua opinião será influenciada pelos seus sentimentos, porque a música está diretamente ligada aos sentidos humanos.
O crítico é, antes de tudo, um fã de música, e não um operário de fábrica.
Ainda é necessária uma maior compreensão de todos, bem como saber ouvir críticas, e quando as mesmas fazem sentido, assimilá-las, e melhorar nosso trabalho. Quando não, basta descartá-las sem maiores traumas.
A troca de experiências nos ajuda, e o isolamento em nossas opiniões e modelos, em geral, matará o gato na caixa...
Afinal de contas, somos todos humanos, e não senhores absolutos da verdade...