27 de jun de 2017

WARDRUNA - Runaljod - Ragnarok (Álbum)


2016
Nacional

Nota: 10,0/10,0

Tracklist:

1. Tyr
2. UruR
3. Isa
4. MannaR - Drivande
5. MannaR - Liv
6. Raido
7. Pertho
8. Odal
9. Wunjo
10. Runaljod


Banda:


Lindy-Fay Hella - Vocais
Einar “Kvitrafn” Selvik - Vocais, chifres, harpas, flautas, bateria, percussão, programação

Convidados:

Arne Sandvoll - Vocais
H.C. Dalgaard - Vocais
Eilif Gundersen - Lure, chifres, flauta, percussão de gelo
Ask Einarson Nybro - Vocais em “Odal” e “Wunjo”
Tuva J. Einarsdatter Nybro - Vocais em “Odal” e “Wunjo”
Skarvebarna Children's Choir - Vocais em “Wunjo”


Contatos:

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Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


No fundo do coração de todos nós, existe algo de pagão, algo ancestral e que nos une aos nossos ancestrais que há muito partiram. Este é o motivo de que regras e cultos, ensinos e filosofias, não conseguem destruir o fascínio que o passado exerce sobre cada um. Muitos possuem ligações com as formas de paganismo europeias (em especial a nórdica), outros com os indígenas da América, outros tanto com o paganismo africano, enfim, sempre há traços fortes do paganismo, e alguma de suas manifestações irá seduzir você. E isso acaba sendo trazido para o Pagan/Folk Metal e suas manifestações, sejam estrangeiras ou nacionais, e é a principal motivação do estilo atrair tantos e tantos fãs. E pelo que se ouve em “Runaljod - Ragnarok”, terceiro álbum do grupo norueguês WARDRUNA, de Bergen, vocês serão seduzidos pelo trabalho deles. E o melhor de tudo: ele ganhou uma versão nacional graças aos esforços da Heavy Metal Rock.

Antes de tudo, não esperem do WARDRUNA algo pesado e agressivo. Não, o enfoque da banda não é na velha fórmula guitarra + baixo + bateria. Aqui, usa-se um insight mais atmosférico e climático, voltado para o uso de instrumentos tradicionais da música Folk como harpas, chifres, flautas e outros. Mas longe de outros grupos, o trabalho do grupo nada tem alegre ou festivo, sendo mais introspectivo e, em certos momentos, soturno. Uma boa denominação seria Ambient/Folk, baseado em vocais pagãos, orquestrações e ambientações densas, baseados em instrumentos não muito convencionais. Mas é justamente este experimentalismo que lhe concede personalidade e vida bem particulares.

Verdade seja dita: a produção de “Runaljod - Ragnarok” não é simplória, e demandou muito esforço. O trabalho Einar “Kvitrafn” Selvik na produção, gravação engenharia sonora e mixagem não foi simples, mas ele conseguiu uma aura mística e uma sonoridade atmosférica incríveis, tendo o acabamento dado pela masterização de Tony Lindgren. Desta forma, a qualidade sonora do disco é ótima, nos permitindo entender e absorver tudo que há de melhor na música do grupo.

A arte gráfica em si é linda, e merece aplausos.

Fora a runa da capa, no encarte temos fotos, letras e todos os detalhes técnicos do CD. Mas como a banda canta em sua língua natal, ainda temos a gentileza das letras traduzidas para o inglês, o que permite que um público mais amplo possa compreender os temas tratados pelo grupo. Ainda se encontram explicações sobre runas, e mesmo sobre o teor lírico, já que “Runaljod - Ragnarok” encerra uma trilogia criada pelo grupo (antecedido por “Runaljod - Gap Var Ginnunga” de 2009, e “Runaljod - Yggdrasil” de 2013).

Sinuoso, denso e atmosférico, os detalhes de “Runaljod - Ragnarok” vão sendo absorvidos por nossos sentidos de forma bem gradual, pois é bem rico e expressivo aos nossos sentidos. Além disso, é uma ótima opção quando nossos ouvidos estão um pouco cansados de só Metal e Rock.

Chega a ser um ato de suma covardia destacar uma ou outra faixa do disco. Mas apenas como referência aos fãs, indicamos as seguintes:

“Tyr” - Grandiosa e cheia de partes envolventes com vocais altamente viciantes, fora a presença de baterias tribais e chifres sendo soprados. As melodias evitam a complexidade “dândi”, e por isso, nos evolve.

“UruR” - Usando sua duração longa (mais de 10 minutos de música), a banda vai nos ganhando pouco a pouco devido aos muitos arranjos musicais e às mudanças de atmosferas. É algo diferente, surpreendente e, além disso, maravilhoso.

“Isa” - Esta é cheia de lindas partes de vocais femininos estilizados contrastando com vocais masculinos, mais o uso de percussões de gelo, em uma aura pagã/Folk. Não chega a ser complexa, e por isso, é muito envolvente.

“MannaR - Drivande” - Uma instrumental rica em detalhes muito bem feitos, em partes de instrumentos de sopro ótimos. A aura introspectiva e densa é apaixonante, e nos embala.

“MannaR - Liv” - Grandiosa, esta é preenchida de belíssimos vocais e arranjos de cordas fenomenais, fora as percussões estarem lindas.
    
“Raido” - Outra que é valorizada pelo contraste de vocais masculinos e femininos, que se complementam e vão sendo feitos sobre belíssimos arranjos de cordas e percussões.

“Odal” - Como o grupo sabe usar bem os vocais e as partes percussivas, além de flautas e adornos de cordas e flautas de primeira. É uma canção focada mais em belíssimas linhas melódicas.

“Runaljod” - Justamente por ser a faixa que fecha o disco, se espera algo apoteótico. E é isso que se encontra com muito uso de sopros e ótimas partes percussivas, além de vocais em tons mais sombrios, criando uma ambientação melancólica e densa.

No mais, o WARDRUNA mostra seu valor, e “Runaljod - Ragnarok” se torna uma peça indispensável na coleção dos fãs de Folk/Pagan Music. Sim, não falo apenas as vertentes voltadas ao Rock ou ao Metal, mas para todos os fãs de boa música.

E tenho dito!

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