13 de mai de 2017

RUINS OF ELYSIUM - SEEDS OF CHAOS AND SERENITY (ÁLBUM)



2017
Independente
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

1. Kama Sutra
2. Shadow of the Colossus
3. Serpentarius
4. Beyond the Witching Hour
5. Iris 
6. The Birth of a Goddess
7. Seeds of Chaos and Serenity Arc 1: Crystal
8. Seeds of Chaos and Serenity Arc 2: Black Moon
9. Seeds of Chaos and Serenity Arc 3: Infinity
10. Seeds of Chaos and Serenity Arc 4: Dreams
10. Seeds of Chaos and Serenity Arc 5: Stars


Banda:


Drake Chrisdensen - vocais (tenor)
Vincenzo Avallone - Guitarras, baixo
Icaro Ravelo - Bateria, sintetizadores


Contatos:

Site Oficial: 

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Se há uma coisa que faz com que o fígado de muitos frite em fogo alto (o deste autor, inclusive) é o descaso dos fãs com as bandas do Brasil. E sendo extremamente sincero: muitos hoje só falam em SEPULTURA, ANGRA, KRISIUN e NERVOSA porque eles conseguiram emplacar no exterior. O que este autor batizou de “efeito SEPUTURA” nada mais é o fato que enorme parte dos fãs de nosso país só dar valor ao produto nacional após estes conquistarem Europa e/ou Japão. E depois, querem ir ao show deles e ter atenção, quando você mesmo, muitas vezes, lhes negou a sua atenção.

Por isso o Metal nacional sofre, as bandas sofrem privações e tribulações enormes para fazer um álbum. Sofre por este descaso, sofre pelas divisões, intrigas e fofocas, pelo radicalismo de muitos em nome de nada (sim, de nada, pois não ajudam o Metal desta forma, e não insistam), e por outros fatores que não deveriam existir.

E tudo isso não lhes permite aproveitar o quão bom é um trabalho como “Seeds of Chaos and Serenity”, da banda RUINS OF ELYSIUN. É um disco diferenciado, bem feito e acabado, algo muito raro de se ver nessas paragens.

A banda faz algo que poderíamos classificar como Symphonic/Epic Metal, ou seja, uma banda que lança mão de elementos sinfônicos (belas orquestrações, vocais tenores e sopranos) em meio a uma música bem elaborada, com guitarras em riffs e solos melodiosos, e um belo trabalho de baixo e bateria, que criam uma base rítmica sólida e de bom gosto. Em termos musicais, isso tudo resulta em uma música melodiosa, elegante e bem acabada, mas ao mesmo tempo, extremamente envolvente e marcante, que nos toma de assalto e não nos permite esquecer suas nuances.

Traduzindo: é maravilhoso, e tem em si o frescor de algo novo e cheio de vida.

Em termos de produção musical, o disco é ótimo. Poderia ser melhor, óbvio, mas é preciso ter em mente o quão difícil é fazer um trabalho desse tipo no Brasil, onde, pelos motivos previamente explicados, mais esta economia frágil e o custo de vida elevado, qualquer iniciativa independente se torna um martírio. Mas eles chegaram a um nível ótimo, com a sonoridade clara e aquela boa dose de peso que toda banda de Metal precisa ter.

Além disso, o trabalho gráfico na arte da capa é muito bem feito. E ele já dá uma pista do que a banda trata em suas letras, bem como dá corpo à música do grupo.

Sendo uma banda que reúne membros de vários países (Brasil, Noruega e Itália), percebe-se uma gama de influências musicais diversificada, o que torna o trabalho do RUINS OF ELYSIUN muito particular. Os que ouvem percebem a influência de temas étnicos interessantes, como os vindos do Oriente Médio (em “Kama Sutra”), isso graças a um instrumental muito rico (tanto Ícaro como Vicenzo fazem um trabalho excelente em suas partes), bem como o timbre tenor de Drake é maravilhoso e apaixonante, sem falar em outros timbres que surgem por todo o disco.

Como todo disco nascido da nata de idéias, ele é bem homogêneo. Os destaques servem apenas para uma referência inicial ao ouvinte.

São eles: a beleza étnica de melodias hipnóticas de “Kama Sutra”, com seu andamento variado e belo trabalho nas orquestrações e na vida que pulsa nos vocais, assim como ocorre em “Shadow of the Colossus” (novamente belíssimas orquestrações, mas acompanhada de riffs muito bons, for baixo e bateria estarem muito bem), a força envolvente e acessível das linhas melódicas de “Serpentarius” (é ouvir e não esquecer mais, graças às melodias um pouco mais simples e ao belíssimo contraste entre os tons de tenor de Drake e aos de soprano da convidada Mayra Temponi), a influência subjetiva do Metal extremo à lá CRADLE OF FILTH presente em “Beyond the Witching Hour” (inclusive pelos vocais rasgados que aparecem na canção, e ainda tem-se um solo de guitarra belíssimo), e os cinco atos de “Seeds of Chaos and Serenity”, quase 40 minutos de pura inspiração musical, onde a banda mostra sua unicidade, sua força e conjunto como um todo, com belas mudanças de andamento, guitarras que criam riffs diferentes, e um trabalho de vozes excelente. A termos de curiosidade, a letra enfoca o popular mangá/anime “Sailor Moon”. Mas o disco inteiro é ótimo, e não é difícil de ser assimilado.

“Seeds of Chaos and Serenity” já se encontra disponível no format digital, e o grupo está lutando para prensá-lo. Se quiser, você pode ajudar a banda através do link https://www.indiegogo.com/projects/seeds-of-chaos-and-serenity-by-ruins-of-elysium-opera#/

Recomendo o trabalho do RUINS OF ELYSIUM a todos os fãs de Metal de bom gosto, e além disso, já passou da hora de acabar com o “efeito SEPULTURA”.

Finalizando: “Seeds of Chaos and Serenity” é um dos melhores discos de 2017.



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