10 de out de 2016

PANZER – Ajustando a máquina (Entrevista)



Por Marcos “Big Daddy” Garcia

E desde sua volta em 2012 que o PANZER não para mais.

De lá para cá, em 4 anos, foram dois álbuns, dois singles, um EP e um DVD, algo que mostra não só uma criatividade imensa, mas ao mesmo tempo, uma vontade de desbravar e conquistar mais e mais espaço e fãs.

Aproveitando o recém lançado “Resistance”, fomos bater um papo com eles e saber das novidades e planos.


BD: E lá vamos nós de novo, e agradeço mais uma vez pela entrevista. A primeira pergunta é polêmica: o que aconteceu para o PANZER ter estas mudanças de formação após o lançamento do DVD “Louder Day After Day”? Parecia que a formação da banda estava mais estabilizada...

André Pars: Marcão, eu que agradeço o apoio de sempre e o respeito que você tem pelo nosso trabalho... Pode ter certeza que a recíproca é verdadeira...
 
Então, na verdade, a resposta é muito simples até. Eu e o Edson queríamos retomar um pouco a sonoridade calcada no Metal mais noventista, com pegada stoner, etc... que sempre foi a nossa marca registrada, e que no “Honor” ficou um pouco de lado... O Rafael Moreira e o Rafael DM já queriam continuar com a sonoridade mais brutal e rápida que o “Honor” e o DVD traziam... De comum acordo, cada um foi pra seu lado, pra fazer o que realmente estava a fim de fazer... Somos amigos até hoje. De verdade... Minutos atrás eu estava conversando por fone com o Rafinha (ex-vocalista)... Eles são e sempre serão parte da família PANZER.


BD: E como chegaram até o Sérgio Ogres? E foi bem rápido, pois mal entrou na banda, vocês estavam entrando em estúdio para gravar “Resistance”. Aliás, como definiria diferenças entre ele, Rafinha e Élcio? Particularmente, achei muito bom o trabalho com vozes limpas de Sérgio em “Resistance”.

André: Na verdade o disco já estava começando a ganhar forma apenas comigo e com o Edson... Ensaiávamos apenas os dois e já havíamos começado a moldar o que seria o “Resistance”... O Sérgio surgiu quando o Edson foi assistir um show do Unscarred, banda tributo ao Pantera, na qual o Sérgio faz os vocais... Ele comentou, eu vi uns vídeos e gostei muito... Chamamos o Sérgio pra fazer um som conosco e pra nossa sorte ele aceitou e se encaixou perfeitamente no que queríamos... Com isso feito, apresentei os esboços das músicas pra ele. Ele levou as demos pra casa e quando falou que já tinha as vozes, eu simplesmente achei que ele tava de brincadeira, pois foi rápido demais... Mostrou o que havia criado e ficamos muito satisfeitos. Aí, foi só gravar... Na gravação, ele ainda apareceu com muitas surpresas boas... Acho que os vocais desse disco soam matadores... O cara manda muito bem...


Sérgio Ogrês
BD: Polêmica à vista: quando a banda divulgou sua nova formação, foi divulgado que o Fabiano Menon iria cuidar do baixo. Mas no disco, quem gravou as partes das quatro cordas foi o André (NR.: André Pars, guitarrista da banda). Afinal de contas, ele está ou não na banda? E se não, já existe algum nome em vista?

André: Marcão, o Menon era o baixista da banda, mas na metade da gravação do disco ele se casou e anunciou que estaria se mudando para Curitiba. A vida dele mudou radicalmente em poucas semanas... Foi aí que eu tive que assumir as linhas de baixo...  Até chegou a gravar 3 músicas, mas como não iria mais ficar na banda, as linhas foram todas regravadas por mim, para que uma unidade sonora fosse mantida... Eu gravei pois sabia todas as linhas de baixo e ainda não tínhamos um nome definido... Mas o Menon é nosso irmão... Desejamos a ele toda a sorte e felicidade do mundo... Ele é um cara que é só coração... E estará sempre na família PANZER. Temos sim um baixista definitivo já e iremos anunciar em breve... 


BD: Falando um pouco do passado recente: como foi a recepção de “Honor” e “Louder Day After Day”? Parece-me que os discos foram bem recebidos pela crítica, mas e o público?

Edson Graseffi: O “Honor” nos trouxe bons frutos, fizemos muitos shows aqui e na Argentina, participamos de alguns ótimos festivais, colocamos alguns videoclipes mostrando a cara da banda e esse disco transformou a música “Rising” em um clássico da banda, que em muitos shows para nossa surpresa foi cantada pelo público. Já o DVD, eu vejo ele fechando uma fase da banda em muitos sentidos, a gente estava fechando um ciclo e não sabia. Hoje consigo compreender isso. Em relação ao DVD ele entrou na lista dos 5 melhores de 2015 na revista Roadie Crew. Isso foi incrível, pois não mexemos “nem uma palha” para isso acontecer, eu havia viajado para fora do país por bastante tempo e os caras estavam se agilizando outras coisas por aqui. E o DVD entrou sozinho nessa listagem, sem nenhuma divulgação, foi bem bacana!


BD: Hora de falar de “Resistance”. Como falado acima, a banda teve a saída de Rafinha e Rafael, a entrada de Sérgio, e já estavam gravando pouco depois. Podemos dizer que já havia material pronto antes da saída deles? E mesmo nesse pique, Sérgio ainda deu contribuições nas letras de “No Fear”, “Alone”, “Attitude”, “You May Not Have Tomorrow” e “Actitud”. Ou seja, temos a clara idéia de que o ritmo no estúdio foi algo insano, isso é fato? E por falar nisso, por que a faixa “Left Behind”, como diz o título, ficou de fora?

André: Sim, como disse anteriormente já havia muita coisa semi-pronta, mas as linhas vocais foram todas criadas pelo Sérgio e ele fez muita coisa a respeito de letras... Realmente o ritmo foi insano, mas é assim que sabemos trabalhar... Sempre foi e sempre será...

A “Left Behind” na verdade não está de fora... Ela foi remodelada e é a faixa “The Resistance” do disco... Inclusive é a faixa mais brutal, justamente por ser uma herança do Honor...


BD: Uma coisa interessante: “Resistance” soa mais limpo que “Honor”, mais bem acabado, e com uma estética mais bem definida. Por que este contraste entre eles, ou seja, por que o disco novo está soando mais limpo? Algo que Henrique Baboom propôs ou foi idéia de vocês mesmo? 

André: Na verdade foi ideia minha e do Edson. Queríamos um disco cru, sem muito excesso de elementos e com uma sonoridade mezzo moderna e mezzo old school. E isso se reflete na sonoridade... O fato de termos a sonoridade mais voltada ao peso e não tanto na velocidade, ajuda a dar essa clareza maior também... E o trabalho do Baboom também foi importante, pois ele nos ouviu e conseguiu extrair o que buscávamos...

Edson: Cara, eu posso falar um pouco mais pelo processo de gravação da bateria em “Resistance”, que é algo que muda radicalmente o som de um disco. Quando eu fiz o primeiro contato com o Baboom para fazermos este disco, eu tinha em mente plena convicção de que eu queria o som da bateria sem nenhum sampler ou replace, coisa mega comum em qualquer disco hoje. Eu queria a sonoridade da minha bateria apenas, queria ouvir realmente eu tocando e não o Pro Tools.  Eu queria o timbre natural, coisa que ninguém preza hoje. Essa talvez seja a maior diferença deste álbum para todos os outros que estão sendo gravados, tanto aqui quanto no exterior. A bateria com timbres digitais deixa os discos “enormes” na hora da mixagem, mas também deixa tudo muito plástico e igual. Por isso hoje a maioria dos bateristas não tem assinatura na sua forma de tocar nos discos e todos os discos soam iguais. Toda minha briga para que o disco soasse natural valeu a pena, o resultado está ai. Houve até um produtor com qual conversei que me perguntou, porque um disco orgânico? Realmente os conceitos em relação a produção de álbuns estão bem plastificados e nós não queremos seguir o caminho de todos.


André Pars
BD: Ao mesmo tempo, se percebe que o PANZER resgata muito de seu passado no disco, mas sem negar o quanto evoluiu tecnicamente desde a volta. O que causou esse “comeback” na sonoridade, no jeito de vocês fazerem música? E também tem o lado que a banda parece mais à vontade em “Resistance”. Isso é fato?

Edson: Esse “comeback” veio da vontade de fazer “o nosso som”, algo que estava dentro de mim e do André. Só que a gente não havia falado um para o outro sobre isso. Na real foi depois da série de shows que fizemos em 2015 que eu e ele percebemos em cima do palco a vontade de fazer aquilo que sempre fizemos. Tínhamos ido para um caminho mais brutal e não era exatamente o que queríamos. Eu particularmente estava insatisfeito com algumas músicas ultra velozes que surgiram para o que seria este novo disco. Tudo estava muito nivelado na questão velocidade. Hoje meus olhos estão voltados para caras como Tommy Aldridge e o André tem Randy Rhoads e Iommy no DNA dele, não tinha muito mais sentido continuar fazendo aquilo sendo que tínhamos um caminho musical construído por nós lá atrás e que gostamos muito.

Já esse lance da banda soar mais a vontade, acredito que seja resultado da produção natural pela qual cuidamos o tempo todo de existir, sem truques digitais de estúdio e mágicas de protools. Primamos por soar o mais natural possível neste álbum e vejo que isso tem causado boa impressão nas pessoas. 


BD: Como citado, mais uma vez vocês optaram por trabalhar com o Henrique na co-produção, uma vez que André dividiu essa responsabilidade com ele. Qual a maior contribuição de cada um para o disco? E houve algum estresse ou momento engraçado durante as gravações?

André: O Baboom é muito bom no que faz, mas eu entrei pra explicar como queria a sonoridade e ao mesmo tempo pra opinar e mudar quando necessário. Stress sempre acontece, pois são seres humanos interagindo durante muito tempo. Mas as coisas se resolvem rápido... Momentos engraçados foram nas gravações do Sérgio, pois muita coisa ele mudou de última hora e muita coisa não conhecíamos e não sabíamos o que ele iria fazer... Eu não pude ir a todas as sessões, mas o Edson foi. Lembro que eu ligava pro Edson pra me contar e ele dizia: cara, tá muito bom, mas mudou tudo... Eu perguntava: “me explica, como está?” etc... E ele dizia: “Não dá pra explicar”... Eu ficava louco da vida, curioso, ligava pro Baboom, etc... Foi bem maluco isso mas o resultado foi fantástico...

Sergio Ogrês:  Foi dinâmico!!! E pra minha satisfação pessoal, poder trabalhar com músicos sérios que primam pela originalidade e competência.

Quando você dispõe de pessoas que confiam no seu potencial, isso se reflete positivamente no geral.  Tanto Henrique quanto Edson e André me deram as melhores ferramentas pra que minha criatividade fluísse, ter minhas influências, mostrar o outro lado da música que poucos conhecem de minha longa caminhada, criar linhas limpas, buscar outras tonalidades e deixar o menos ser mais sem exageros. Essa foi a minha referência.


BD: Dois pontos que saltam os olhos em “Resistance” são nas músicas “You May Not Have Tomorrow”, que é quase uma balada, e “Actitud”, cantada toda em espanhol, algo que não haviam feito antes, e para ser sincero, nenhum de nós poderia sequer imaginar. Falem-nos um pouco sobre as idéias por trás de cada uma, como elas surgiram e como se sentiram com elas, no final de tudo? Aliás, que tal um raio X com cada uma das faixas? O espaço é todo de vocês, e não tem limites.


96 (André): Essa é uma intro bem simples e calma…pensei em usar algo assim pra abrir o disco.

E ela foi tomando forma... Na verdade ela seria parte integrante da “The Price”, mas depois optamos por separá-la pra que o ouvinte pudesse escolher se queria ouvir o disco já no cacete ou se queria passar por ela primeiro...

The Price (André): Essa faixa tem uma sonoridade old School, que era algo que buscávamos. Também apresenta uma parte bem lenta e limpa...Quis colocar um solo bem tradicional nela, um solo razoavelmente longo e trazer um pouquinho a minha influencia de Randy Rhoads...

Impunity (André): Esse som traz nossa veia noventista a tona… Pantera, BLS, etc… São bandas que nos cativaram e esse som remete um pouco dessa sonoridade… Os vocais limpos trazem aquele ar que o “The Strongest” tinha e o Sérgio na minha opinião arrebenta nesse som...

No Fear (André): Esse som traz aquele peso e cadencia típico do Testament da fase “Demonic” e “Low”, mas também traz o “The Strongest” pra mesa... É um som pesado, com mais variações que o que normalmente fazemos, mas que acho que ficou bacana... Os vocais tem um pouco do Hardcore embrenhado no Thrash...é uma das minhas favoritas...

No Scream in Vain (André): Esse som traz nossa veia noventista pra fora… 

Alone (André): A música traz aquela sonoridade arrastada, típica do Black Sabbath, mas em contrapartida tem um refrão que foge disso...é um som que embora seja bem cadenciado, nos tira da região de conforto...adoro essa faixa...e os vocais à la Misfits dão um complemento pra essa proposta...

Attitude (André): Se vc prestar atenção verá que esse som começa numa vibe Hard Rock bem ao estilo UFO e cai para o Stoner ...mas isso não soa tão evidente pois os vocais vão propositalmente pra outra direção...fazendo com que a sonoridade soe original e bem a cara do PANZER que gosta de experimentar coisas diferentes...

Do It! (André): Faixa direta, com base marcada, cheia de groove, peso e um vocal na cara…

The Old and the Drugs for the Soul (André): Essa começou numa linha de baixo criada pelo Menon e eu fui moldando, alterando a tonalidade da parte seguinte, etc… É um som teoricamente mais acessível, mas tem muito peso e personalidade... Acho essa faixa deliciosamente ousada...

The Resistance (André): É a paulada do disco… Música veloz, muito bumbo, palhetadas rápidas etc...o disco precisava de uma faixa assim pra poder contar a história da forma que queríamos, ou seja, a banda tirou um pouco o pé do acelerador, mas quando precisa, pisa fundo e faz barulho...

You May Not Have Tomorrow (André): Fiz uma balada que seria parte integrante de uma das músicas... Depois com o desenvolvimento dela, a faixa criou uma vida própria e precisava de um vocal que estivesse em sintonia... O Sérgio nos emocionou com o resultado... Ela tem uma alma própria e uma letra que nos faz pensar... E se não houver amanha? Você fez o que queria fazer, amou , ajudou, fez diferença?

Actitud (André): Esse som é nossa homenagem ao público Argentino e Uruguaio que nos recebeu de braços abertos com muito carinho... Fomos tratados extremamente em por todos... Os shows foram sensacionais e queríamos retribuir de alguma forma... Fizemos da forma que sabemos, ou seja, em forma de música.

Edson Graseffi

BD: Em relação a shows, a nova formação estreou em um evento ocorrido em SP há pouco tempo, e pelos vídeos que vemos por aí, a recepção foi ótima. Podemos dizer que o PANZER está pronto para shows ao vivo mais uma vez, descontando o bendito do baixista? Vocês parecem ter um carma bem ruim com esse tipo de músico, hehehehehe...

Edson: Estamos prontos sempre para shows, somos uma banda que gosta de estar no palco! Quanto ao baixista, já temos um novo nome e como o André disse vamos anunciar em breve, o cara toca muito!


BD: A pergunta chata: Panzer Fest. Depois de três edições, nunca mais se ouviu falar em outro. E aí, volta ou não volta? Dizem as lendas que Rodrigo Balan vai sair de Mococa só para essa nova edição (risos). E shows no Uruguai e Argentina, existe possibilidade de mais shows por estes países, e mesmo outros da América do Sul?

Edson: Esse é um capitulo à parte em nossa história. Esse festival foi muito útil para a banda enquanto ele funcionou, mas realmente não vale mais a pena para nós investirmos tanto tempo e dinheiro nele. Descobrimos que podemos concentrar nossa força em show fora do Brasil onde estamos tendo uma resposta de publico ótima. Com certeza voltaremos para estes países, pois além do ótimo publico fizemos muitos amigos. Tivemos convites para shows no México e Espanha em 2017, é só o começo queremos expandir cada vez mais nosso raio de alcance, mas isso tem que ser feito de forma planejada e moderada para ser saudável pra banda.

O Panzer Fest pode ser que volte um dia, mas por enquanto não esta dentro dos nossos planos.


BD: Outra: desde “Honor”, vocês mantém uma parceria com a Shinigami Records. Como tem sido trabalhar com eles? Estão plenamente satisfeitos?

André: A Shinigami é nossa parceira... Eles são pessoas fantásticas... Apoiaram o PANZER e acreditaram na nossa volta... O que falar deles? Só agradecer... Satisfeitos é pouco... Estamos muito, muito felizes com essa parceria...


BD: Assim como é com a Shinigami Records, desde 2012, vocês também não abrem mão de trabalhar com a Metal Media. Até que ponto podemos dizer que essa volta do PANZER tem sido bem sucedida graças ao trabalho de Débora e do Rodrigo? 

Edson: Devemos muito aos dois, Rodrigo e Débora são nossos “guardiões” competentes que já nos salvaram em muitos momentos. Estamos extremamente satisfeitos com o profissionalismo deles. Eles formam a melhor assessoria de imprensa especializada em Metal no Brasil. Dentro de nossa história desde a nossa volta a cena, existem muita coisa que não rolariam se não tivéssemos a ajuda da Metal Media e somos realmente gratos a eles. 


BD: Bem, encerramos por aqui. Torno a agradecer pela entrevista, e o espaço é de vocês para sua mensagem aos leitores.

Edson: Obrigado Marcos Garcia e a todos que nos apoiam, vocês são o combustível da máquina! Ouçam Metal sempre! Ouçam Metal Brasileiro!!

Sergio: Agradeço a todos os fãs e meus amigos de banda por poder representar o PANZER.  E a todos da imprensa pelos elogios e respeito.

André: Queria agradecer a todos que nos acompanham e principalmente a você, Marcão, por toda a força! Espero que a galera curta essa nova fase do PANZER... O disco foi feito com muita alma e dedicação, isso podem ter certeza! Viva o Metal Nacional Sempre!


Contatos:

http://www.metalmedia.com.br/panzer/ (Assessoria de Imprensa)


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