6 de out de 2016

IMPERIOUS - Tales Of Woe (The Journey of Odysseus, Part I- From Ilion to Hades) e Tales Of Woe (The Journey of Odysseus, Part II - From Hades to Ithaca) (Álbuns)





2015 (Part I) -2016 (Part II)
Independente
Importado


Nota: 9,0/10,0


Músicas:


Parte I (2015):


1. At the Shores of Ilion

2. To Abjure Temptation
3. At The Cave of Polyphemus
4. The Sharpened Pale
5. Insidious Winds
6. At The Bay of Telepylos
7. The Feasting of the Laestrygonians
8. Celestial Tunes of Moral Fraud
9. At the Realm of Hades
10. Where Cimmerian Darkness Dwells



Parte II (2016):


1. Of Causalities (and the Further Way)
2. Sirens
3. The Isle of the Solar God
4. At the Shores of Ithaca
5. Scorn
6. Bloodbound - The Bow of Odisseus
7. At the Olive Tree



Banda:




Sertorius – Baixo, vocais
Iluaar – Guitarras
Kalmesh – Guitarras



Contatos:




Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia



Uma das grandes riquezas que nos foi legada pela cultura grega da antiguidade é, sem sombra de dúvidas, sua literatura, bem como sua mitologia. E por meio delas, o escritor Homero deixou como legado para o futuro duas obras de grande beleza estilística, bem como o acentuado teor trágico/melancólico: “A Ilíada” e “A Odisséia”.


A primeira lida com uma parte da guerra de Tróia, e a segunda com as aventuras (e dificuldades) da viagem de volta do astuto Odisseus (ou Ulisses) para sua terra natal, Ítaca. 


E como um meio cultural, o Metal acaba lidando com temas assim vez por outra. E como é bom ver a estória de “A Odisséia” como narrativa lírica dos CDs “Tales Of Woe (The Journey of Odysseus, Part I- From Ilion to Hades)” e “Tales Of Woe (The Journey of Odysseus, Part II - From Hades to Ithaca)”, do grupo alemão IMPERIOUS, que nos chega às mãos.


Sem querer rotular demais a música do grupo, poderíamos classifica-lo como Extreme Epic Metal, uma vez que a banda lança mão de uma musicalidade mais extrema em suas canções. Mas cuidado: em meio à mistura ferrenha de Metal extremo (que fica bem equilibrada entre o Black Metal e o Death Metal), existem momentos limpos em que violões aparecem. Mas é muito bom ouvir a variação de vocais (os timbres transitam entre o rasgado e o gutural, além de alguns momentos em que a voz beira o normal com tons agressivos), o arsenal de riffs e intervenções de guitarras (que são ótimos), a solidez e técnica da base rítmica do grupo, além de teclados que ajudam a aclimatar as músicas conforme a necessidade.


É algo que, embora longe de inovador, é usado com inteligência e personalidade pelo grupo. 


Com a gravação acompanhada pelo baixista/vocalista Sertorius, mais a mixagem e masterização de Marckus Stock. A qualidade sonora é crua, tornando a musicalidade do grupo mais ríspida e agressiva. Mas é a qualidade que se encaixa na identidade musical do trio, e mesmo crua e com a sujeira proposital, você consegue perceber as nuances sonoras, aqueles detalhes tão importantes e necessários para o disco. Basicamente, é como se ambos os discos tivessem sido gravados em uma tacada só, pois as diferenças entre as qualidades de cada um são mínimas.


O ponto forte do IMPERIOUS é justamente a unidade, ou seja, a capacidade da banda soar coesa, mostrando uma identidade forte e sensível. E justamente esta identidade sangra em vitalidade pelos arranjos do grupo, e mesmo quando eles optam por faixas mais longas, não é algo que canse o ouvinte. E para valorizar ainda mais esses dois discos, temos as participações especiais de Martin Solik (nas vozes narrativas e violões), Nadine Badewitz e Angela Carofligio nos vocais femininos; Michael Seifert e Roman Kazmerovski (vocais adicionais), todos esses na parte I. Na parte II, além da volta de Martin, Nadine e Roman, ainda temos Lokhi nos vocais adicionais, e Frank Schulze nos pianos.

Destaques na parte I (que de 2015):

“To Abjure Temptation” – Uma diversidade crua e agressiva nos espera nessa faixa longa e recheada por momentos sublimes, com boas mudanças de andamento, e uma atmosfera épica/soturna de primeira, criada justamente pelo ótimo uso de guitarras (as partes delas são geniais) e teclados fazendo aquele fundo clássico e melancólico.

“The Sharpened Pale” – Certa complexidade musical se faz presente devido a alguns tempos quebrados, e a música é conduzida por andamentos que evitam velocidades extremadas. E existem momentos mais épicos criados pelos teclados, onde as vozes rasgadas dão aquele tom mais azedo.

“Insidious Winds” – Outra cujos andamentos são em uma velocidade mediana e nada extrema. Óbvio que o tempo da música (mais de 14 minutos de duração) lhes permite criar uma música bem diversificada, com bons vocais limpos aqui e ali, outras femininas elegantes, fora um trabalho muito bom de baixo e bateria (que dão aquela dose extra de peso, mas com um acentuado toque técnico). E ela vai nos conquistando a cada momento.

“Celestial Tunes of Moral Fraud” – Aqui, percebemos claras referências sonoras mais voltadas ao Black Metal melodioso mais clássico e soturno, com solos de guitarra de primeira, e riffs que nos envolvem completamente. A aura épica grandiosa é de primeira, sem contar com ótimas conduções rítmicas de baixo e bateria. 


“Where Cimmerian Darkness Dwells” – Mais uma vez, o trio apela para algo com acentuado toque de melancolia, cheio de uma atmosfera sombria, mas sempre criativa, que vai tomando nossos sentidos de assalto. E se preparem, pois o andamento é um pouco mais cadenciado.


A parte II, que é de 2016, possui como melhores momentos:


“Of Causalities (and the Further Way)” – Aqui, temos uma faixa instrumental, que é introduzida por violões, que nos prepara para mais uma faixa grandiosa, cheia de momentos mais introspectivos, onde percebemos como a banda usa bem de suas guitarras e baixo. E que solos de guitarra legais!


“Sirens” – Uma canção bem melodiosa e densa, feita com vocais limpos, violões e bateria, que é uma jóia rara em termos sonoros em discos de Metal extremo (mas que encaixou como uma luva no contexto musical do trio).


“The Isle of the Solar God” – Outra que é bem longa, mas com uma dinâmica de andamentos tão boa que parece durar poucas piscadas de olho. Óbvio que os tempos não são constantes, mas a envoltória melancólica é fascinante, e como os vocais assentam bem na base instrumental do grupo.

“Scorn” – Outra canção extremamente climática, com o andamento mais lento e azedo, permitindo ao grupo usar algo mais pesado, com um clima denso e áspero, mas de muito bom gosto. 

“Bloodbound - The Bow of Odisseus” – O peso de um andamento extremamente lento e pesado se junta à agressividade e melodias características do IMPERIOUS. Mas se preparem, pois os 17 minutos de duração permitiram ao grupo fazer uma exibição de tudo que há de bom em sua música. Há momentos mais agressivos (onde os andamentos ficam um pouco mais rápidos), outros limpos com violões, e outros ainda com a força épica do grupo se destacando muito. 

“At the Olive Tree” – Introspectiva, cheia de ótimos teclados e vocais limpos, mais alguns solos providenciais de guitarra, é o fechamento com chave de ouro dessa epopeia musical/lírica excelente.

A Alemanha sempre nos deu grandes nomes, e que o IMPERIOUS, que é um herdeiro de toda esta carga musical/ideológica, possa vir com mais e mais trabalhos ótimos assim.

Ótimos discos, sem sombra de dúvidas!



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