16 de jul. de 2017

HEAVEN SHALL BURN - Wanderer (Álbum)


2016
Nacional

Nota: 10,0/10,0


Tracklist:

1. The Loss of Fury
2. Bring the War Home
3. Passage of the Crane
4. They Shall Not Pass
5. Downshifter
6. Prey to God
7. My Heart is My Compass
8. Save Me
9. Corium
10. Extermination Order
11. A River of Crimson
12. The Cry of Mankind


Banda:


Marcus Bischoff - Vocals
Maik Weichert - Guitarras
Alexander Dietz - Guitarras
Eric Bischoff - Baixo
Christian Bass - Bateria

Convidados:

René Liedtke - Vocais e guitarras solos adicionais
George “Corpsegrinder” Fisher - Vocais em “Prey to God”
Nick Hipa - Guitarra em “Save Me”
Aðalbjörn Tryggvason - Vocais em “The Cry of Mankind”
Katharina Radig - Vocais


Contatos:

Bandcamp: 
Assessoria: 


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Tem dia em que, olhando as mídias sociais, temos a impressão que o Brasil anda cheio de ódio ao futuro quando falamos em bandas jovens. É sempre a mesma frase já se ouviu um milhão de vezes desde os anos 80: “isso não é Metal!”. E sinto muito em dizer aos radicais nascidos após 1990 e se acham anos 80, e até mesmo aos meus colegas de época, mas as bandas jovens são tão Metal como aquelas da época, tão boas quanto. O problema é não se prender ao passado, como muitos fazem com o objetivo de serem visto como fodões por muitos, mas não passam de idiotas. 

Digo isso porque não esqueço o festival de reclamações de “veteranos” bundões quando o nome do HEAVEN SHALL BURN foi confirmado em um show por aqui. Só que o músico principal havia escolhido a banda. Talvez ele tenha ouvido o ótimo “Wanderer”, mais recente lançamento do quinteto alemão, e que acaba de sair no Brasil pela Shinigami Records.

Para início de conversa, esse bando de néscio chorões anos 80 que parece não saber ouvir algo para depois analisar, o HSB não é uma banda de Metalcore (como muitos alegaram), mas sim de uma forma muito pessoal de Death Metal melódico, muito influenciada pela escola sueca de Gotemburgo, com forte ranço moderno, mas bem personalizado. A música do grupo é dinâmica, crua e cheia de energia, cativante e sedutora, e sem fazer esforços, a cabeça começa a balançar por si mesma. É uma banda sensacional e injustiçada por uns linguarudos.

Produzido pelos guitarristas Alexander Dietz e Maik Weichert, além de mixado e masterizado por Tue Madsen, “Wanderer” é capaz de fundir a clareza moderna com a agressividade bruta da música da banda e suas melodias encorpadas, sem perder aquela pegada essencial de peso cavalar. Tudo está no devido lugar, a escolha dos timbres modernos dos instrumentos foi bem feita, de forma a manter o peso e a melodia, mas sendo agressivos.

O trabalho gráfico do disco, tanto na capa como no encarte, é baseado em fotos de paisagens naturais (exceto uma, no final do encarte), uma referência muito clara ao título do disco, e que contrasta com a brutalidade sonora do quinteto.

Em “Wanderer”, o HEAVEN SHALL BURN chega a um nível de maturidade incrível, sabendo aliar todos os aspectos de sua música em formato ainda mais sólido e coerente que antes. Melodia, agressividade, brutalidade e modernidade estão muito bem equilibrados, a dinâmica entre instrumental e vocais é de primeira, e o grupo mostra que realmente pode se tornar uma das pontas de lança dos gêneros mais modernos do Metal. E não é à toa que são tão apreciados por fãs mais jovens ou mais velhos de Metal. E o disco ainda tem uns convidados interessantes: George “Corpsegrinder” Fisher (do CANNIBAL CORPSE) faz vocais em “Prey to God”, o guitarrista Nick Hipa (do WOVENWAR e ex-AS I LAY DYING) mostra sua habilidade nas seis cordas em “Save Me”, Aðalbjörn Tryggvason (do SÓLSTAFIR) faz vocais em “The Cry of Mankind” um cover do MY DYING BRIDE, além de Katharina Radig nos vocais femininos pelo disco inteiro.

Melhores momentos do álbum:

“Bring the War Home” - Uma faixa bem furiosa, ardida como pimento e um coice de mula cheio de mudanças rítmicas fortes interessantes, fora algumas partes bem encaixadas de efeitos eletrônicos. E como baixo e bateria são precisos e técnicos!

“Passage of the Crane” - A vocação mais melodiosa do quintet surge nessa canção, enfocando bem as raízes do Death Metal melódico, com muito peso e um andamento ameno. Destaque para as guitarras, rasgando riffs melodiosos e furiosos, mais algumas passagens introspectivas com vocais femininos.

“They Shall Not Pass” - Andamento ganchudo que empolga o ouvinte, melodias excelentes e uma ambientação moderna perfeita. E como essas guitarras fazem duetos melodiosos à lá IRON MAIDEN, mas logo estão mandando riffs agressivos intensos.

“Downshifter” - Uma carga emocional densa alinhavada por partes melodiosas intensas, belas harmonias e esses timbres urrados perfeitos dos vocais. 

“Prey to God” - Pronto: eles desembestaram na porradaria, criando uma canção veloz, caótica e hiper-agressiva de doer os ouvidos. Nas partes mais lentas, os duetos vocais entre “Corpsegrinder” e Marcus são fenomenais.

“Save Me” - Um começo cheio de melodias que transpiram emoção, seguido de um apocalipse de riffs insanos guiados por Maik e Alexander, fora a insanidade de solos surgindo do meio da muralha sonora criada pelas guitarras. Uma canção variada e perfeita.

“A River of Crimson” - Melodia e agressividade aliadas para criarem uma canção marcante e com pequenos toques de Groove moderno. E novamente, a cozinha de Eric (baixo) e Christian (bateria) rouba a cena.

“The Cry of Mankind” - Essa versão ficou mais seca e agressiva que a original do MY DYING BRIDE, as forçou o HSB a uma direção um pouco mais amena, onde os vocais mostram maior diversidade de timbres. E ficou ótima.

No mais, o HEAVEN SHALL BURN mostra que veio para ficar, para ser grande e em “Wanderer”, mostra-se em seu melhor momento. 

Aproveitem!


AVATARIUM - Hurricane and Halos (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 9,0/10,0

Tracklist:

1. Into the Fire / Into the Storm
2. The Starless Sleep 
3. Road to Jerusalem
4. Medusa Child
5. The Sky at the Bottom of the Sea
6. When Breath Turns to Air
7. A Kiss (From the End of the World)
8. Hurricanes and Halos


Banda:


Jennie-Ann Smith - Vocais
Marcus Jidell - Guitarras
Leif Edling - Baixo
Carl Westholm - Teclados
Lars Sköld - Bateria


Convidados:

Edit Dyberg - Vocais em “Medusa Child”
Leif Sundin - Backing vocals em “Into the Fire/Into the Storm” e “Road to Jerusalem”
Stefan Berggren - Backing vocals em “The Sky at the Bottom of the Sea”
Anni Sundqvist - Backing vocals em “The Sky at the Bottom of the Sea”
Alvin Dyberg - Backing vocals em “Medusa Child”
Michael Blair - Percussão


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Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Alguns músicos são tão viciados em trabalho que não conseguem para quietos por um instante que seja. Mas alguns como o lendário baixista Leif Edling são tão criativos que só sua banda principal, o monstro CANDLEMASS, não é suficiente para se expressar. E mesmo tendo lançado este ano o ótimo primeiro disco do THE DOOMSDAY KINGDOM, lá vem ele de novo com o AVATARIUM, que lança seu terceiro álbum de estúdio, o ótimo “Hurricane and Halos”. E a parceria entre a Nuclear Blast Brasil e a Shinigami Records nos brinda com a versão nacional do mesmo.

O quinteto tem um foco um pouco diferenciado, onde o estilo deles tem mais a ver com Stoner Rock que com Doom Metal, tendo momentos bem experimentais (uma ouvida em “Road to Jerusalem” mostra claramente o que quero dizer), e ao mesmo tempo, esse enfoque do grupo lhes dá um toque de acessibilidade interessante, graças às belas melodias criadas pelas guitarras e vocais, fora o belíssimo vocal de Jennie-Ann Smith se assentar perfeitamente sobre o instrumental denso do grup, ora mais melodioso, ora mais agressivo. E juntamente com a base rítmica sólida e bem feita do grupo, se constrói uma identidade musical única.

E sim: “Hurricanes and Halos” é um disco muito bom.

A sonoridade montada para “Hurricanes and Halos” é ótima, sabendo associar as melodias do grupo com o som duro e pesado do instrumental, e sem deixar de soar claro. Tudo bem feito, mostrando que Marcus Jidell (guitarrista do grupo) acertou na produção, e que os esforços de David Castillo (gravação e mixagem), e de Jens Bogren (masterização) renderam frutos muito bons. Tudo soa como deve ser em todo o disco.

E para um disco desse tipo, a arte de Erik Rovanperä e Beatrice Edling ficou ótima, com uma capa bem chamativa e psicodélica.

O grupo soa elegante, melodioso e pesado como o inferno. É como se tivéssemos um contraste de luz e sombra permanentemente, ou seja, sempre criativo, com partes mais grandiosas e outras mais interiorizadas, com belos arranjos musicais em todos os pontos.

Fascinantes são as oito faixas do disco, mas os destaques vão para a pesada e trovejante “Into the Fire/Into the Storm”, cheia de um clima psicodélico interessante, refrão de primeira, e um peso abusivo no baixo e na bateria; o peso melodioso e cativante de “The Starless Sleep”, mais uma vez com belíssimos vocais; a carregada e intensa “Road to Jerusalem” e seus belos contrastes de momentos pesados e outros mais introspectivos, fora toques experimentais e certa influência de World Music (reparem nas percussões no fundo); a sombria e introspectiva “Medusa Child” cheia de partes dissonantes e com mais influência de Doom Metal presente nos riffs de guitarra perfeitos e nos teclados sombrios; a psico-pegajosa “The Sky at the Bottom of the Sea”, onde a psicodelia e peso do Stoner Rock são evidente, belos teclados e mais uma vez, as guitarras despejando riffs ótimos e solos melodiosos; e a lindíssima instrumental “Hurricanes and Halos”, onde toda a versatilidade musical do quinteto fica evidenciada.

Se ainda não conhece o AVATARIUM, eis uma boa oportunidade. E sim, o disco é bom pra caramba!


ANVIL - Anvil is Anvil (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 8,8/10,0

Tracklist:

1. Daggers and Rum
2. Up, Down, Sideways
3. Gun Control
4. Die for a Lie
5. Runaway Train
6. Zombie Apocalypse
7. It’s Your Move
8. Ambushed
9. Fire on the Highway
10. Run Like Hell
11. Forgive Don’t Forget
12. Never Going to Stop


Banda:


Steve “Lips” Kudlow - Guitarras, vocais
Robb Reiner - Bateria
Christ Robertson - Baixo, vocais adicionais

Convidados:

Martin “Mattes” Pfeiffer - Vocais adicionais
Holger Thielbörger - Vocais adicionais
Christoph Kuhlmann - Vocais adicionais


Contatos:

Bandcamp: 
Assessoria: freeman@freemanpromotions.com (Jon Freeman)

E-mail: 

Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O Metal canadense é uma das heranças mais importantes do Rock como um todo. Embora não tenha a expressão e fama dos cenários inglês, norte-americano e alemão, do Canadá vieram nomes imortais, famosos e criativos, que deixaram suas marcas no Metal em nível mundial. Mas uma verdade deve ser dita: embora muitos desconheçam, o Metal canadense nada seria sem o pioneiro, os “Mad Dogs” do ANVIL, a bigorna que forjou a ferro e fogo o cenário local no final dos anos 70. E mesmo com tantas dificuldades e apesar do tempo, o grupo continua ativo e selvagem, lançando agora seu décimo-sexto disco, intitulado singelamente de “Anvil is Anvil”, lançado no Brasil pela Shinigami Records.

O ANVIL não muda sua fórmula: é o mesmo bom e velho Hard’n’Heavy que fazem desde os anos 80, sem muitas firulas. Mas é sempre bem tocado, com muita melodia boa técnica (especialmente de Robb Reiner, um baterista fantástico), mas preocupado em soar sólido, coeso, como uma bigorna caindo nos cornos de qualquer um que duvide das convicções sonoras do trio. E uma particularidade: o ANVIL sempre vem com uma vocação a ser descompromissado com regras e capaz de divertir até a mais sisuda das múmias paralíticas.

Ou seja: não esperem nada de novo em “Anvil is Anvil”, mas quem precisa fazer algo de novo em uma carreira tão longa e cheia de glórias?

A sonoridade de “Anvil is Anvil” é muito boa. Martin “Mattes” Pfeiffer e o próprio grupo fizeram um trabalho muito bom, focando em uma produção sonora mais simples, direta e seca, priorizando o lado mais tradicional da música deles. A mixagem de “Mattes” e a masterização de Jacob Hansen foram perfeitas em deixar o ANVIL soando o mais simples e direto possível, mas com peso e deixando a sonoridade bem atual.

A capa é do próprio Robb Reiner, trazendo o tradicional símbolo do grupo, a famosa bigorna, diante de um espelho, afirmando que o ANVIL é o ANVIL, e não se fala mais nisso. O encarte é bem simples, sem muitas firulas, mas mais do que suficiente para entendermos as letras. 

A diversão é garantida em “Anvil is Anvil”, pois como dito antes, o estilo pesado, azedo e pegajoso do ANVIL não mudou. Arranjos bem feitos, vocais competentes, riffs grudentos, solos na medida, base rítmica sólida e com boa técnica, e fundindo tudo isso, é demais para o coração de qualquer headbanger que se preze.

Em 12 faixas muito boas, o nível musical é ótimo. Mas as melhores para as primeiras audições são a irônica e pesada “Daggers and Rum” (de arranjos simples, vocais e backing vocals em grande forma, além de riffs raçudos), a pesada “Up, Down, Sideways” (incrível como os vocais sabem ser irônicos e eficientes, mas quem dá um show são o baixo e a bateria individualmente), o peso-pesado mamutesco de “Gun Control” com seu andamento mais lento (uma das especialidades do trio, onde os riffs ganham mais peso, fora os solos e intervenções das guitarras), a técnica excepcional da bateria em “Die for a Lie” e suas conduções, a sedutora e mais veloz “Runaway Train” e sua solidez expressa entre base rítmica e guitarras (é uma das mais divertidas do disco), “Zombie Apocalypse” e sua vocação a hino do setlist (já que possui tempos lentos e bem grudentos, deve se tornar uma das prediletas dos fãs), a fogosa e mais trabalhada “Fire on the Highway” (belíssimo trabalho de bateria mais uma vez), a grudenta “Run Like Hell”, e a descompromissada e cheia de energia “Never Going to Stop” (bem cheia de uma pegada mais Hard’n’Heavy de primeira).

No mais, “Anvil is Anvil” mantém a tradição do grupo. E ANVIL é ANVIL, e não se fala mais nesse assunto!


EXORDDIUM - Leviatã (Álbum)


2017
Selo: Roadie Metal
Nacional

Nota: 7,8/10,0

Tracklist:

1. Oceano das Almas Perdidas
2. Leviatã
3. Hail
4. Irmãos no Metal
5. Coração de Aço
6. Brinde à Vida
7. Filhos da Noite
8. Dama das Sombras


Banda:


Eduardo Bisnik - Vocais
Fernando Amaral - Guitarras
Paulo César - Guitarras
Nicolas Cortelete - Baixo
Jailson Douglas - Bateria


Convidados:

Tom Leando - Guitarra solo em “Irmãos do Metal”, backing vocals em “Hail” e “Irmãos do Metal”
Tiago Alvez - Backing vocals em “Hail” e “Irmãos do Metal”
Rively Sanchez - Backing vocals em “Hail” e “Irmãos do Metal”
Roberto Reiter - Backing vocals em “Hail” e “Irmãos do Metal”
Rafael Amaral - Backing vocals em “Hail” e “Irmãos do Metal”
Fil Ferrer - Backing vocals em “Leviatã”, “Coração de Aço” e “Filhos da Noite”
André Cabelo - Teclados em “Leviatã” e “Dama das Sombras”
Marcelo Loss - Backing Vocals em “Dama da Noite”


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Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O Metal dos anos 80 é apaixonante, uma vez que sua história de conquistas e glórias em meio a tantas dificuldades é de dar orgulho em muitos. Mas reviver aquelas sonoridades antigas é um dos piores desafios que se pode ter, já que o que está no passado lá deve ficar, embora nada proíba as bandas de rebuscarem aquele tipo de som e atualizá-lo, com a velha chama ardendo em uma forma nova. E apesar de algumas falhas, o EXORDDIUM (de Contagem-MG) é um desses que conseguem, pois “Leviatã”, seu segundo álbum, é bem interessante.

Ainda seguindo a mesma linha de “Sangue ou Glória”, disco de estréia de 2013, ou seja, aquele Metal tradicional da escola brasileira (que por sua vez recebe forte carga das escolas inglesa e germânica), o grupo mostra um trabalho musical muito bom, com boas melodias e arranjos, bom trabalho e termos de guitarras, baixo e bateria estão coesos e criando uma base rítmica bem pesada, e os vocais melhoram bastante em relação ao trabalho anterior (mas ainda podem melhorar ainda mais, pois o novo vocalista, Eduardo Bisnik, tem bons timbres, embora exagere nos agudos vez por outra). As canções melhoraram em muitos aspectos, pois a técnica da banda como um todo evoluiu.

Sim, o EXORDDIUM está muito bem, evoluiu e mostrou que tem espaço no cenário para eles.

O que o grupo ainda necessita em termos de evolução é a produção sonora. André Cabelo se esforça, verdade seja dita, mas a sonoridade do rupo ainda está muito crua, além do ponto em que deveria estar. Óbvio que se entende o que a banda está fazendo, soa pesado, mas essa crueza excessiva não lhes confere peso ou cria uma sonoridade orgânica, mas joga por terra todo um esforço da banda em termos de composição. Creio que da próxima vez, a banda poderia se deslocar para São Paulo ou Rio de Janeiro para gravar, mixar e masterizar dignamente seu trabalho. Ou então, buscar conhecer como bandas como UGANGA, SCOURGE e KROW fazem gravações ótimas na região do Triângulo Mineiro.

Em termos de arte gráfica, a capa e o encarte estão excelentes, com um visual bonito e diagramação bem inteligente, embora simples. 

Musicalmente, o quinteto sabe o que faz. Embora ainda possam ir mais longe (talento eles têm, fica óbvio ao ouvir “Leviatã”), o grupo soube pegar todos os clichês do gênero e soprar uma vida nova, buscando trazer algo novo e pessoal. Arranjos bem feitos, músicas com uma técnica simples (mas bem encaixada no contexto musical que criaram para eles mesmos), e muita melodia e peso.

O disco possui 7 canções (uma vez que “Oceano das Almas Perdidas” é uma instrumental de introdução), mas as que mais se destacam são: as boas variações rítmicas de “Leviatã” (que bom trabalho de baixo e bateria, além de um refrão forte e cativante), a força pesada e cheia de bons riffs de “Hail” e “Irmãos no Metal” (ambas são bem diferentes entre si, mas o trabalho das guitarras é muito bom, criando linhas melódicas sedutoras), a envolvente e sedutora “Coração de Aço” (as linhas pesadas com um jeitão Hard’n’Heavy são lindas, e os vocais estão muito bem, usando bem os timbres mais baixos), e as melodias mais evidentes das guitarras em “Filhos da Noite” (com um jeitão ACCEPT bem legal nos andamentos). 

A banda ainda pode fazer melhor. Essa idéia fica clara ao ouvir “Leviatã”, e da próxima vez, uma produção sonora mais limpa os faça atingir seu real potencial.

15 de jul. de 2017

SUNROAD - Wing Seven (Álbum)


2017
Nacional

Nota: 8,8/10,0

Tracklist:

1. Destiny Shadows
2. White Eclipse
3. In the Sand
4. Misspent Youth
5. Tempo (What is Ever)
6. Whatever
7. Skies Eyes
8. Day by Day
9. Craft of Whirlwinds
10. Drifting Ships
11. Brighty Breakdown
12. Pilot of Your Heart
13. Last Sunray in the Road


Banda:


André Adonis - Vocais, teclados, violão, baixo
Akasio Angels - Baixo, vocais
Netto Mello - Guitarras, violão, backing vocals
Fred Mika - Bateria, percussão, backing vocals


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Assessoria: http://roadie-metal.com/press/4145-2/ (Roadie Metal Press)


Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


Fazer o chamado Hard Rock no Brasil nunca foi uma tarefa muito simples. Fora a vocação extrema mais evidente de nosso cenário, o radicalismo leite com pera “manowariano” ainda é fortíssimo na mentalidade do fã brasileiro de Metal (por mais que seja ridículo e digno de pena, já que não faz sentido algum). Mas ainda bem que temos bandas excelentes nessa vertente, e mesmo algumas que o tempo não conseguiu desanimar. Bandas como o veterano quarteto SUNROAD, de Goiânia (GO), mostram o que a resistência é capaz em “Wing Seven”, seu mais recente disco.

Chegando 4 anos após “Carved in Time”, nesse disco novo a banda se mostra revigorada, fazendo o bom e velho Hard Rock pesado e melodioso, com um trabalho instrumental de primeira, vocais muito bons e tudo na medida certa. É ganchudo e envolvente, charmoso e pesado, elegante e com a classe de bandas como WHITESNAKE, mas agressivo e de personalidade. E isso, meus caros, é para poucos.

Em termos que qualidade sonora, ela está muito boa. Equilibrando peso, melodia e boa dose de agressividade, a produção soa seca e bem pesada. Um bom trabalho de Fred Mika e Netto Mello, embora a gravação esteja um pouquinho mais crua que o necessário.

Em termos de arte gráfica, a capa é bem caprichada, um trabalho ótimo de Rogério Paulo Menezes, enquanto o encarte, muito bem diagramado e com artes mais simples, é de Fred Mika. Mas tudo muito bom, dando enfoque ao que é mais importante: a música.

E música é algo que o SUNROAD tem. A acessibilidade musical da banda está em bom nível, e pode agradar a fãs não radicais de Rock’n’Roll como a fãs de Metal e Classic Rock, graças ao bom trabalho instrumental e vocal, arranjos bem feitos, e a técnica apenas suficiente para que a música alcance sua plenitude (sem exagerarem demais). E por isso, “Wing Seven” é tão bom.

São 13 músicas muito boas, todas com seu valor próprio, seu brilho de fascínio e peso. Mas as melhores são a ganchuda e pesada “Destiny Shadows” e seu jeitão sedutor envolto em ótimos riffs e solos de guitarra, além de um refrão de primeira, mesmos elementos que permeiam as acessíveis “White Eclipse” e “In the Sand” (ambas recheadas de momentos pegajosos e cada uma com seu devido refrão em alto estilo); a forte e com uma dose maior de peso “Whatever” (belo trabalho de baixo e bateria guindo os andamentos do grupo); a sensível e tocante “Skies Eyes” (justamente onde violões se fazem presentes e os vocais mostram como podem ser versáteis); a excelente “Craft of Whirlwinds” com sua doses equilibradas de azedume e acessibilidade musical (fora guitarras fantásticas); a sedutora e moderna “Brighty Breakdown” e seus tempos pesados e coesos (veja como baixo e bateria fazem um trabalho muito bom); e a longa e terna balada “Last Sunray in the Road” e seus arranjos lindos de piano e voz.

O SUNROAD realmente surpreendeu com “Wing Seven”, logo, hora de pensarem em voos mais altos, pois o Brasil merece ver uma banda dessa fazendo sucesso fora de suas fronteiras.

AXEL RUDI PELL - The Ballads V (Compilação)


2017
Nacional

Nota: 9,1/10,0


Tracklist:

1. Love’s Holding On
2. I See Fire 
3. On the Edge of Our Time
4. Hey Hey My My 
5. Lived Our Lives Before
6. When Truth Hurts
7. Forever Free
8. Lost in Love
9. The Line
10. Mistreated


Banda:


Johnny Gioeli - Vocais
Axel Rudi Pell - Guitarras
Ferdy Doernberg - Teclados
Volker Krawczak - Baixo
Bobby Rondinelli - Bateria

Convidados:

Bonnie Tyler - Vocais em “Love’s Holding On”
Mike Terrana – Bateria em “Lived Our Lives Before”
Doogie White - Vocais
Tony Carey - Teclados em “Mistreated”


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Texto: Marcos “Big Daddy” Garcia


O cenário da Alemanha já revelou bandas e músicos de tal forma que a escola germânica é reverenciada como uma das 3 mais importantes do mundo para o estilo, bem como é a base musical para muitos movimentos e subgêneros que surgiram desde que o SCORPIONS começou sua carreira, acendendo o estopim. Mas é impressionante como mesmo fórmulas antigas funcionam de maneira ótima nas mãos dos alemães. Um bom exemplo é o Hard/Classic Rock de AXEL RUDI PELL, e que por falar nisso, chega com “The Ballads V”, quinto volume de suas melhores baladas, e que acaba de sair aqui no Brasil pela Shinigami Records.

Na ativa com sua carreira desde 1989, após deixar o STEELER, Axel sempre buscou fazer um Hard/Classic Rock que é bastante influenciado aos trabalhos do DEEP PURPLE e RAINBOW (ele próprio mostrando uma técnica excelente nas seis cordas que tem aquela fusão entre a adrenalina do Rock e os toques clássicos, um referência a Ritchie Blackmore), mas com forte personalidade musical. As baladas refletem o lado mais sensível e introspectivo de seu trabalho, mas mostram elegância e muita versatilidade, não são as famosas “babas FM” que só servem para atormentar aqueles que possuem bom gosto musical. Além disso, supreendentemente, em “The Ballads V” tem-se algumas canções novas, que nunca haviam sido gravadas pela banda, e algumas ao vivo, bem como alguns covers.

Produzido pelo próprio Axel, o disco possui uma qualidade sonora de primeira, mesmo porque para poder tocar baladas, é preciso ter um alto nível de clareza instrumental. Mas ao mesmo tempo, fica evidente a força e potência do lado mais pesado do grupo. È um balanço perfeito de todos os aspectos musicais do grupo em um disco, verdade seja dita. E mesmo a captação sonora das faixas ao vivo é ótima. E para dar coesão ao disso, a masterização de Ulf Horbert fez seu papel perfeitamente.

A capa é um trabalho muito bem feito por Martin McKenna, dando aquele toque de classe no lado visual que caiu como uma luva com o contexto musical do disco.

Não dá para descrever a como a vitalidade e fluência musical flui de maneira espontânea e cheia de elegância nas canções de “The Ballads V”, mostrando que nas mãos de quem sabe o que faz, baladas se tornam uma forma perfeita de se expressar musicalmente, e não como um caça-níqueis oportunista. Se você pensou isso, sinta-se desafiado a ouvir o disco e manter essa opinião.

Falemos inicialmente do que é novo e inédito, que são o filé do álbum.

“Love’s Holding On” - Uma baladaça de primeira, cheia de melodias envolventes e clima ameno. E é uma canção tão bem feita que ainda conta com a presença da cantora Pop Bonnie Tyler nos vocais. E tudo faz com que ela soe grandiosa aos ouvidos, com pianos excelentes e muitos arranjos fenomenais de guitarra.

“I See Fire” - Aqui, temos uma versão do quinteto para um hit de ED SHEERAN, usado na trilha sonora do filme “O Hobbit - A Desolação de Smaug”. Aqui, ela deixou seu lado Folk de lado para ganhar arranjos de pianos excelentes, e partes pesadas com guitarras, baixo e bateria, sem contar belos toques de vocais femininos.

“On the Edge of Our Time” - Outra inédita da banda, que veio para dar ainda mais valor ao disco. Os vocais estão perfeitamente encaixados sobre a base instrumental, que deu mais enfoque aos teclados, justamente para manter o clima ameno. E que refrão dos diabos, que não sai dos ouvidos!

“The Line” - Inédita e ao vivo, duas coisas excelentes de uma vez só. Outra que segue o formato base calma-refrão pesado-base calma, mas de uma beleza ímpar. E que lindas passagens de teclados e guitarras (os solos são fantásticos). E que energia absurda nas artes pesadas.

Além dessas, não tem como não se emocionar com a versão para “Hey Hey My My” de NEIL YOUNG, “When Truth Hurts”, “Forever Free”, ou com a versão maravilhosa do quinteto para a clássica “Mistreated” do DEEP PURPLE, que ganhou uma vida toda nova nas mãos da banda (e o tempo de duração dela é próximo ao registrado pelo criador em suas versões ao vivo).

No mais, “The Ballads V” é um disco ótimo para se ouvir e relaxar diante das coisas estressantes de todos os dias.